<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350</id><updated>2012-02-01T09:25:20.899-02:00</updated><category term='romance'/><category term='variados'/><category term='selos'/><category term='ficção'/><category term='poesia'/><category term='terror'/><category term='policial'/><category term='suspense'/><category term='steampunk'/><category term='Funerária Anúbis LTDA'/><category term='ficção científica'/><category term='contos'/><category term='vampiros'/><category term='livros'/><category term='lobisomens'/><category term='crônica'/><category term='Absinthe'/><category term='Henry Evaristo'/><category term='fantasia'/><category term='cotidiano'/><category term='campanha'/><title type='text'>Cripta de Sangue</title><subtitle type='html'>Contos de Literatura Fantástica</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>82</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-3103606176431711592</id><published>2012-01-09T11:52:00.000-02:00</published><updated>2012-01-09T11:53:11.313-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Hoje vamos lutar!</title><content type='html'>Nessa semana diversos Dojôs espalhados pelo mundo recomeçam sua atividade. Lutadores de várias modalidades depois do recesso de começo de ano voltam a vestir seus esparadrapos, kimonos, faixas ou qualquer outro equipamento que usem para seu esporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas gostaria de atentar à palavra lutador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lutador, antes de tudo por definição de qualquer dicionário, é aquele que luta. Nesse momento você pode até pensar que esse texto nada te a ver contigo, afinal você pode nunca ter pisado em um tatame, nunca calçado luvas ou entrado em um ringue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas verdade que ressalta é que todos lutamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida não é fácil, lutamos por empregos melhores, por dignidade, direitos, educação, saúde... Nossa briga por uma vida melhor é diária. Lutamos contra nossos sentimentos ruins, a falta de perspectiva e os abusos dos "superiores". Todos nós diariamente vestimos nossos kimonos para ir ao trabalho e amarramos nossas faixas que representam a coragem e a experiência acumulada ao longo do tempo. Cumprimentamos pela manhã a entrada do tatame que é a nossa vida e tentamos derrotar a todo o custo nossos problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém a vida é geralmente mais forte que nós, conhece melhor a técnica e é capaz de nos derrubar quando sequer percebemos que esta fez a "pegada". Nossa melhor chance é continuar se levantando a cada queda, nunca abaixaremos a cabeça diante do inimigo, pois temos certeza que ele nunca fará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento todo cidadão deveria se espelhar no exemplo dos bons lutadores. Educação e gentileza ao entrar no combate. Humildade com o oponente e garra para transpor todos os desafios que se agigantam sobre nós. E ao final, tendo ganho ou perdido, sorrir e cumprimentar seu oponente, seja ele um lutador como nós ou seja a própria vida, porque amanhã é outro dia de luta e o importante é nunca desistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bons treinos aos lutadores da vida ou dos tatames!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Moreno&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-3103606176431711592?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/3103606176431711592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=3103606176431711592&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3103606176431711592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3103606176431711592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2012/01/hoje-vamos-lutar.html' title='Hoje vamos lutar!'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-5962117879876525128</id><published>2011-10-10T16:28:00.001-03:00</published><updated>2011-10-10T16:28:47.868-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suspense'/><title type='text'>Feira de Antiguidades</title><content type='html'>Nádia odiava  quando algum jornalista começava sua matéria no canteiro central dizendo “estamos na Avenida Paulista, a mais paulista das avenidas”. Estava no seu segundo ano de jornalismo e já compreendia que esse chavão era pura falta de imaginação. Hoje no metrô a caminho da famigerada quase disse em voz alta a bendita frase. Seus cabelos tingidos de vermelhos em madeixas brilhantes a beijar seus ombros e de vez em quando esconder seus olhos castanhos. O visual desleixado de calça jeans  rasgada nos joelhos e camisa xadrez larga nem mais chama atenção na movimenta metrópole cheio de figuras estranhas em seu constante formigamento pelas calçadas.&lt;br /&gt; O destino é certo. No domingo a feira de antiguidades no vão do MASP é o lugar para se achar acessórios retrôs e pensar em histórias malucas de objetos cotidianos que um dia já foram queridos ou permaneceram esquecidos em alguma gaveta. Cerca de trinta barracas padronizadas de cor azul escuro enfileiradas com os mais diversos artigos de época&lt;br /&gt; Mal chega na feira, Nádia abre um sorriso encantador. Seus olhos rápidos passam pelas barracas até achar um camafeu, não tão certa quanto ao material ela pegou com delicadeza enquanto examinava os detalhes. Um busto de uma mulher de cabelos cacheados e efígie séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Natália está triste. Há três dias seu marido lhe esbofeteou dominado pelo álcool e macheza. A área ao redor de seus olhos logo ganhou cor escura com bordas amareladas. Doía só de pesar os dedos. Quando tomava banho a água atingia com força seu rosto para lembrá-la o quão covarde era. Deveria ter sumido faz tempo, fugido que fosse, para casa de sua mãe ou até que fixasse moradia embaixo de qualquer ponte seria mais digno que apanhar sem reagir.&lt;br /&gt; Mas era preciso de coragem.&lt;br /&gt; Quando pequena apanhara do pai, do padre, do tio, do avô... Qualquer autoridade masculina que se achava digna de batê-la o fazia. Ficava dias trancada em seu quarto relembrando dos hematomas toda vez que adquiria um novo. Aquilo aos poucos envenenava seu humor, não era mais capaz de sorrir de graças e não sentia vontade de viver.&lt;br /&gt; Em sua mão o camafeu de madrepérola, o último presente que seu marido lhe dera quando chegara em casa depois de sua última agressão. Ela chorou quando o recebeu e ele tomou as lágrimas como alegria, ela o abraçou forte com suas mãos a apertar-lhe as costas. Ele sorria por ter conseguido o perdão da esposa. Ela com os olhos encharcados não parava de olhar para o copo de uísque onde colocara o veneno que agora jazia vazio sobre a mesa. Ele morreu em seu braços convulsionando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um senhor que passava esbarrou em Nádia e acabou por a acordando de seus pensamentos. Recém desperta ,de seus sonhos acordados, seguiu por entre as barracas e encontrou algo interessante. Além de abridores de cartas feitos de marfim e espelhos adornados de latão, uma coleção de bengalas de todas cores e formas. Algumas de madeira escura, outras de puro metal. Em uma delas uma empunhadura de águia metálica e madeira de ipê envernizada. Outra muito simples tinha uma biqueira de ferro já amassada pelo uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Manuel não largava sua expressão de raiva resignada. Nada estava bom. Só saía de sua cama pela manhã com a ajuda de sua bengala e caminhava com esforço até a sacada para tomar um pouco de sol. Edgar dizia que esse era o único momento de sossego de seu trabalho&lt;br /&gt; Edgar se formara em enfermagem e esteve em muitos hospitais, foi um amigo que conseguira para ele um emprego em uma agência que prestava cuidados na residência do paciente. No começo pareceu algo muito bom, mas lidar com Manuel era aprender a viver no inferno.&lt;br /&gt; Reclamava o tempo todo e quando não gostava da comida gostava de jogar o prato contra seu peito. O dinheiro era bom e desafogou as dívidas que tinha, mas as os maus tratos advindos de seu paciente faziam-no pensar duas vezes antes de continuar com o trabalho.&lt;br /&gt; Fazia um mês que assistia Manuel e nunca ouvira um obrigado. Tomou a decisão de pedir as contas assim que levasse seu almoço. Porém chegou no quarto e o viu vazio. Seguiu até cama e se abaixou para ver se ele não havia caído da cama e talvez rolado. Com passos macios, Manuel saiu da varanda apoiado com a bengala. Edgar não ouviu o homem chegando e tampouco pode reagir quando a bengala desceu rápido na sua cabeça o derrubando com um só golpe.&lt;br /&gt; Uma poça de sangue escorreu da boca do enfermeiro formando uma poça viscosa enquanto Manuel deitado em sua cama dormia com o defunto a lhe faze companhia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Sinistro”, pensou Nádia devolvendo o objeto ao seu lugar. Um senhor passou por ela apoiada em sua bengala e instintivamente ela levantou as mãos como tentasse se proteger, depois de ter percebido seu gesto fingiu que arrumava seu cabelo um pouco envergonhada do que fizera.&lt;br /&gt; Resolveu seguir em frente.&lt;br /&gt; Muitos brinquedos antigos, peças de xadrez feitas esculpidas no mármore e telefones de épocas que ela nem tinha nascido ainda. Livros estrangeiros de edições raras tão gastos que parecem ter sido lido um milhão de vezes. Passou por uma banca com câmeras de fotografias restauradas, pergunta se funcionam para ouvir da vendedora que sim, difícil seria comprar filmes para elas.&lt;br /&gt; Logo ao lado uma banquinha vendendo canetas tinteiros. &lt;br /&gt; Uma delas com o corpo de ouro ainda seu estojo original chamou-lhe a atenção. Tinha detalhes vermelhos e um nome gravado: Aurélio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A cachaça desceu doída pela garganta. Queria ele gostar de vinhos feito seu pai, mas seu gosto era mesmo da caninha. Não contava dinheiro para os gastos com a bebida. Quando pegava o dinheiro de sua aposentadoria separava uma parte para o almoço no botequim e logo entregava para o proprietário com medo de gastá-lo. Era a garantia que comeria no mês.&lt;br /&gt; Com o restante seguia até as adegas de qual gostava e comprava suas preciosas garrafas. Envelhecidas em barril de carvalho, recém destiladas ou com ervas aromáticas, não importava como eram. Todas tinham um lugar especial em seu fígado.&lt;br /&gt; Quando já perto do final do mês, eram as vagabundas que o satisfaziam. Custavam algumas moedas apenas, envazadas em garrafas de plástico em formato de barril de gosto duvidoso.&lt;br /&gt; Começara a beber cedo, com 12 anos se orgulhava de tomar um copo de pinga e sequer fazer cara feia. Aos 21 uma dose todos os dias e agora apenas quando pela manhã tomava um copo logo no café é que parava de tremer sua mão.&lt;br /&gt; Sua pele engrossada pela bebida e olhos vazios perdidos na folha de papel faziam dele um retrato débil do que um dia foi. Sua altivez perdida na infância nem demonstrava que um dia existiu. A mão trêmula abriu com calma a caixa desnudando a caneta dourada que descansava no interior de camurça vermelha.&lt;br /&gt; Aos poucos os riscos concentrados tingiam o papel com linhas tortas e emocionadas. Nunca tinha se casado, tampouco teve filhos. Não se destacara em seu emprego ou teve hobby. Não era exemplo para ninguém e os vizinhos não falavam com ele. Sua única companhia são as garrafas enquanto estiverem cheias.&lt;br /&gt; Na última linha escreveu que talvez a única pessoa a ler essas palavras seja o primeiro policial a lhe encontrar, nem o delegado se interessaria pelo relato. Assim pulou da sua janela como destino final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nádia sentiu um arrepio em sua espinha. Deixou a caneta em seu lugar sorrindo. Pegou o metrô de volta para sua casa para escrever tudo aquilo que viu e sentiu, mesmo que nunca tivesse ocorrido as histórias existiam em sua imaginação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-5962117879876525128?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/5962117879876525128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=5962117879876525128&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/5962117879876525128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/5962117879876525128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/10/feira-de-antiguidades.html' title='Feira de Antiguidades'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-3723423163370345801</id><published>2011-08-20T09:00:00.005-03:00</published><updated>2011-08-20T10:34:51.380-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fantasia'/><title type='text'>Boxeador</title><content type='html'>por &lt;a href="http://www.pedromoreno.com.br"&gt;Pedro Moreno&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Não há mais a gritaria da multidão, o ringue vazio ecoa a solidão dos deprimidos e derrotados. Souza enrola a bandagem na mão e deixa firme no pulso, por um momento fica pensativo enquanto toca o dente solto com a língua, presente dado por seu adversário na última luta, junto com o olho inchado e uma ferida que custa se cicatrizar: a derrota. Maldição que lhe sangra internamente toda vez que sua cabeça toca a lona.&lt;br /&gt;	A idade avança a passos largos e sua experiência é maior, mas a força, tão importante no boxe, já não é a mesma. As cinco últimas lutas foram derrotas. Souza já está cansado de apanhar. Pendura as luvas já gastas sobre os ombros e segue para fora ginásio, do lado de fora a lua cheia ilumina a estrada vazia e melancólica, uma rua não asfaltada que segue com má iluminação por muitos quilômetros. O bairro já abrigara fábricas, escolas e casas, hoje um monte de imóveis abandonados, um bar suspeito e o ginásio são as únicas coisas presentes na região.&lt;br /&gt;	Souza segue cabisbaixo pelo chão de terra até achar o cruzamento. Um poste com a lâmpada queimada serve de encosto, o boxeador senta no chão com o negrume a lhe cobrir e lá fica desejoso de tempos melhores.&lt;br /&gt;	Na escuridão da noite, com a lua como testemunha, Souza permanece quieto, sentado no chão de terra tentando não se lembrar de como é sua vida. Até que ele aparece. Um homem alto com terno bem alinhado, não é possível ver seu rosto e nem de onde veio, quando percebeu ele já estava na sua frente, parado, com as mãos estendidas em sua direção. O boxeador não sabia bem o que ele queria, então percebeu que eram as luvas que o estranho almejava. As entregou. Havia algo de estranho no sujeito, uma arrepio involuntário que sismava lhe percorrer a coluna, o avisava que algo errado havia com sua companhia noturna.&lt;br /&gt;	O homem segurou as luvas com as palmas para cima como se sentisse o peso delas, ficou calado enquanto as calçava e tentou uns socos no ar. “Você luta?” perguntou Souza, mas o outro nada respondeu. O silêncio era quase físico, uma parede entre os dois intransponível. A noite não permitia ver quem ele era, suas feições ficaram perdidas na escuridão, sabia-se apenas que tinha terno, a camisa era vermelho escuro e um chapéu estava no topo da cabeça, fora isso nada mais. O sujeito tirou as luvas e as devolveu para Souza. “Deseja ser um campeão?” enfim falou o homem com uma voz forte que minava a coragem dos homens, o boxeador conseguiu apenas afirmar com a cabeça. O homem nada mais disse, se virou em direção à estrada poeirenta e sumiu na noite deixando Souza sozinho novamente.&lt;br /&gt;	O sol deu sua benção pela manhã e encontrou Souza ainda desperto na encruzilhada. Não tivera vontade de ir para casa e dormir, passou a noite inteira meditando sobre sua miserável vida naquele lugar inóspito. Aos poucos os carros começaram a passar e com eles os trabalhadores seguindo para seus ofícios.&lt;br /&gt;	Souza se levanta de sua morosidade e segue de volta ao ginásio, alguns lutadores já treinam nos pesados sacos de areia, Gabriel, seu treinador, já está no centro do ringue orientando um sparring. &lt;br /&gt;	Assim que o Souza chega perto do ringue, o treinador para o que está fazendo. “Você está com uma cara péssima Souza!” diz o treinador o medindo. “Ainda não dormi.”. Gabriel balança a cabeça negativamente e diz para o boxeador dormir um pouco no vestiário, afinal hoje à noite é a repescagem, se falhar o contrato acaba e Souza terá que voltar a ser estivador.&lt;br /&gt;	A cena é de pura depressão, deitado nos ladrilhos frios do vestiário, ao lado de uma meia suja deixada para trás e utilizando as próprias luvas de travesseiro, Souza consegue enfim dormir um sono difícil e perturbado. Ao acordar não consegue se lembrar do que acontecera, a multidão se aglomerando indica que daqui a pouco será sua luta, talvez a última de sua vida.&lt;br /&gt;	Os braços pesados encontram o corrimão em direção ao centro da arena, o ringue iluminado e aos poucos os apostadores chegam e conferem a situação de Souza, preferem apostar no adversário.&lt;br /&gt;	As bandagens fixam firmes nos punhos e logo a luva se encaixa na mão. Souza se lembra da época que contava com escudeiro para ajudá-lo a calçar suas armas. Do ginásio é possível ouvir o adversário sendo anunciado, um tal de Marcos, dez anos mais jovem e pura vitalidade. Souza o observa do lado de fora antes de ser anunciado. O locutor o chama e quando este passa pelo corredor de arquibancadas é vaiado. O fim nunca estivera tão perto como agora. O gosto de morte estava na boca.&lt;br /&gt;	Já no ringue os dois ouvem as instruções, Souza nem tem coragem de olhar para Marcos que o encara fixamente, os dois seguem para seus respectivos corners e aguardam o soar do gongo que traz os uivos de êxtase da multidão. Quando este enfim ressoa, os dois lutadores seguem o show, primeiro se estudam tentando socos curtos e sem impacto, Marcos agita o braço em um cruzado, porém o inimaginável acontece, com um soco apenas Souza derruba o boxeador inconsciente no chão de tal forma que nem ele mesmo acredita, ficando boquiaberto olhando o rapaz duro no ringue. A multidão explode em gritos, os apostadores jogam seus bonés no chão. Ele não sabe como, mas ganhou de nocaute.&lt;br /&gt;	E assim foi o campeonato inteiro, um após outro caindo pesadamente na lona, demorando não mais que um round para serem nocauteados. A confiança aos poucos recuperava-se no peito de Souza e seu brilho de juventude parece ter se apossado novamente do velho corpo. 	Indiscutivelmente ele foi campeão novamente, levou para casa um enorme troféu brilhante com um lutador no topo rodeado de louros. Seu nome gravado na base não deixava dúvidas, o contrato permanecia e agora o dinheiro corria feito rio bravo.&lt;br /&gt;	Então veio o campeonato regional, depois o estadual e por último então o nacional. Ganhou todos, de forma miraculosa ganhou todas as lutas, porém sentia um vazio cada vez maior, no fundo sabia que aquele sujeito, naquela noite, que pegara suas luvas tinha feito algo com ele. O treino não rendia, o sono não satisfazia e a forma não se adequara, mesmo assim os lutadores caíam na lona frente à seus socos impiedosos. Ganhara até novo apelido, agora era o “Souza Mão de Marreta”.&lt;br /&gt;	O convite para o mundial apareceu logo, com uma boa bolada apostada em Souza. Ele aceitou rápido, mas seu coração doía com algo. Naquela noite, quando todos foram dormir e o sono não vinha, ele foi até o antigo ginásio, passou pelas portas fechadas e caminhou no escuro até o cruzamento. Sentou no mesmo lugar de outrora, com suas luvas nas mãos. Então sua suspeita se confirmou, ele apareceu novamente. Seu rosto não se podia ver. Parou na frente de Souza com as mãos nos bolsos do paletó, esperando que boxeador o falasse. “O que você fez comigo?” foi a pergunta, “Você sabe” era a resposta que ele não queria aceitar. “Desfaça, desisti, não quero mais ser campeão de nada! Prefiro minha alma livre como estivador do que essa prisão sem grades como campeão.”, ouviu apenas um “Tarde demais” da figura que desapareceu entre os braços da escuridão.&lt;br /&gt;	Primeira luta do mundial. Cartazes com a foto de Souza e as mais diversas declarações, elogios e apoios. O adversário, um mexicano campeão em sua pátria, com suas luvas verdes, fazia seu aquecimento enquanto aguardava pela vinda da sensação em forma de boxeador, tão logo o locutor o anunciou, apareceu o “Mão de Marreta”, com sua atitude estranha de manter a cabeça baixa como se sentisse vergonha de algo. O gongo soou alto e os dois se encontraram no centro do ringue.&lt;br /&gt;	Bastou um soco e Souza caiu no chão.&lt;br /&gt;	O juiz deu a vitória por nocaute enquanto os paramédicos invadiam a arena, logo um grupo de pessoas se amontoavam em trono do outrora campeão, um burburinho chegou na arquibancada que logo fez alguns chorarem. Souza estava morto.&lt;br /&gt;	Na arquibancada, um homem de terno e sem rosto se levanta e some no meio da multidão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-3723423163370345801?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/3723423163370345801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=3723423163370345801&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3723423163370345801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3723423163370345801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/08/boxeador.html' title='Boxeador'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-930093706994664994</id><published>2011-08-20T09:00:00.003-03:00</published><updated>2011-08-20T09:00:10.241-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Construção</title><content type='html'>por &lt;a href="http://www.pedromoreno.com.br"&gt;Pedro Moreno&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Em um morro particularmente alto, ficava o bairro mais abastado da cidade, depois dele, seguindo pela avenida, já era possível ver um conjunto de casas regulares, beirando a padronagem se não fosse uma ou outra modificação feita pelos moradores. Alguns adicionavam sacadas às janelas, outros criavam outro andar sobre o que era a garagem e havia aqueles que juntavam novamente as casas geminadas criando um só casarão.&lt;br /&gt;	Dos poucos imóveis mudados, um se destacava pela falta de bom gosto. Uma caixa quadrada feita de cimentos e tijolos com três andares ainda sem pintura e janelas sem vidros. Uma pilha mal arrumada de areia logo na entrada indicava sua condição de estar ainda sendo construída. Logo que derrubaram duas casas recém compradas, uma ao lado da outra, os vizinhos já se perguntavam curiosos quem teria tanto dinheiro para derrubar tudo e começar do zero, depois de um ano de construção, nada foi respondido ainda.&lt;br /&gt;	Alguns diziam ter visto o dono inspecionar a obra, outros argumentavam que era o engenheiro que o fazia. Um dos moradores do final da rua, até procurou nos arquivos da prefeitura quem era o dono da localidade, porém os documentos ainda não alterados não traziam soluções para as questões.&lt;br /&gt;	Nessa semana nenhum pedreiro viera trabalhar, os burburinhos aumentaram, “É claro que não teria tanto dinheiro para bancar construção assim, se tivesse teria comprado casa no bairro alto que é mais cara.” Mas isso eram só suposições. Quando a casa ficara um semestre inteiro sem receber pedreiros, outro vizinho dissera algo sobre embargo de obra, coube novamente ao funcionário público checar e nada havia de errado. Porém desta vez não ficara de mãos vazias, a documentação trazia um nome: Guilherme de Andrade e Silva.&lt;br /&gt;	“Eu conheço a família dele, herdou toda a fortuna do pai e até hoje torra como se não houvesse amanhã!” disse um dos mais velhos moradores da rua, “Que nada! Esse é empresário bem sucedido que investe em imóveis, decerto achou outro investimento mais atraente.” argumentava outro. O fato é que todos puxavam sardinha para sua versão, sendo uma mais conspirativa que a outra.&lt;br /&gt;	Fato é que os pedreiros voltaram a trabalhar. Outra construtora. Mais narrativas de como a anterior dera um golpe em Guilherme ou que os prazos não foram cumpridos. Dois meses depois alguns pintores começaram o acabamento final da obra e esta foi deixada pronta. As pessoas aguardaram ansiosas pela vinda do morador, mas este não aparecia. Toda semana algum vizinho dizia que viu um caminhão de mudanças em frente a casa, mas nada acontecia.&lt;br /&gt;	Os boatos ficaram mais intensos. “É coisa de traficante!” decretou uma vizinha mais afoita que proibira seus filhos de brincarem em frente da casa. Algumas outras mães seguiram o exemplo com medo de ter suas crianças raptadas e ter os órgãos vendidos no mercado negro. Alguns sujeitos querendo bancar os durões, passaram a usar a casa como ponto de encontro esperando que a fama transferissem para eles. Teve uma noite que a polícia até revistara uns quatro rapazes mal encarados que sentavam em frente a porta, aumentando ainda mais as desconfianças dos moradores.&lt;br /&gt;	Entre a bandidagem a casa ficou conhecida por dar a língua nos dentes, coisa de traidor mesmo. Era só ficar em frente a casa que você corria o risco de se explicar na delegacia. Um dia uma viatura encostou na porta enquanto um policial iluminava a garagem com uma lanterna, uma das vizinhas logo disparou pelo telefone mesmo, para não perder tempo, “Os policiais estão pegando propina com o dono da casa!” Logo esse era o assunto geral da rua pela manhã.&lt;br /&gt;	Uma das mulheres que lá moravam, solteirona convicta e de muitas amigas, disse a torto e direito que não era um homem o dono, e sim uma mulher, e inclusive a visão dos demais vizinhos era muito machista a ponto de crer que o gênero feminino não era capaz de liderar uma “família do crime”. Assim que a palavra família veio a tona, um dos moradores balbuciou “máfia”.&lt;br /&gt;	A bagunça estava feita. Muita gente passou a economizar dinheiro para quando fossem extorquidos por algum mal encarado com uma cicatriz no rosto. Era só alguém passar de terno que as pessoas se escondiam em suas casas, a líder da gangue, tinha até nome agora: “Senhora Muerte”, inclusive matou o marido que havia comprado a casa, por isso que a construção ficou tanto tempo parada, era os advogados se mexendo pelas beiras da lei, lutando para que ela herdasse tudo.&lt;br /&gt;	Os meses se passavam com momentos de pouco e momentos de muito medo. Quando um famoso programa de reportagem na televisão falou sobre o tráfico de órgãos, tudo já estava acertado. Senhora Muerte usaria o casarão para retalhar, pessoalmente, suas vítimas e vendê-las no Canadá para endinheirados que precisam de transplantes.&lt;br /&gt;	Porém os moradores do sexo masculino estavam inquietos, não era possível que uma mulher fizesse tudo isso, essa história era invenção dessa vizinha que não gosta de homens. Passaram a dizer que era Guilherme sim o capo de tutti capi, supremo chefe do crime organizado tupiniquim e esse se parecia muito com o Marlon Brando no Poderoso Chefão. Era proibido as mulheres deles dizerem ao contrário e logo sua versão era difundida pelas senhoras que dispunham mais tempo de fofocar.&lt;br /&gt;	Então um caminhão de mudança parou em frente à casa. Caixas de papelão foram colocadas para dentro da garagem, recebidas por homens de macacão cinza. Um dos garotos passou por perto e pode ver com clareza o desenho de uma maca em uma delas. Correu para casa para alertar o pai que pegara o telefone, pronto para avisar a polícia, porém foi detido por sua esposa dizendo que se os denunciasse eles poderiam fazer mal a família.&lt;br /&gt;	A rua inteira ficou apreensiva. Um dos vizinhos sumira e todos temeram pelo pior, só descobriram depois que ele viajara, pois o bairro “estava envolto em muita tensão”.&lt;br /&gt;	Um belo dia pela manhã, a vizinha da frente viu uns rapazes com maçaricos em volta da casa, colocando algo na fachada, saiu pelo portão e se aproximou o máximo que pode. Alguns outros vizinhos vendo a coragem dela, também foram para a rua imaginando que expulsariam o traficante de órgãos a qualquer custo, porém o que viram era algo inusitado. Uma placa grande com letras azuis identificando “Ortodontia Sorriso Feliz”. Apesar de ficarem desconfiados, viram o Doutor Guilherme de Andrade Silva entregando pessoalmente os folhetos de sua clínica. Com eles vieram mais dentistas que alugaram as salas fazendo daquela um centro odontológico de primeira. Ninguém comentou nada, nem sequer mencionavam a clínica em suas conversas. Mas por precaução ninguém daquela rua jamais marcou consulta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-930093706994664994?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/930093706994664994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=930093706994664994&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/930093706994664994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/930093706994664994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/08/construcao.html' title='Construção'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-3079306609407397399</id><published>2011-08-20T09:00:00.001-03:00</published><updated>2011-08-20T09:00:05.127-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suspense'/><title type='text'>Escritor Fantasma</title><content type='html'>por &lt;a href="http://www.pedromoreno.com.br"&gt;Pedro Moreno&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Com certeza o rapaz era muito jovem para o seu cargo Deveria ter no máximo dezenove anos, porém demonstrava com jovialidade que tinha aprendido tudo. As mangas cobriam parte de suas mãos quando estavam abaixadas, provavelmente herdara de seu irmão mais velho. O cabelo era um caso à parte a ser observado, cuidadosamente arrepiado com um gel de cheiro agradável, tinha como coloração principal o negro, porém suas pontas azuladas indicavam que até tempo atrás ostentava alguma cor não natural.&lt;br /&gt;	– Por aqui senhor...&lt;br /&gt;	– Freitas – disse logo para não constranger mais uma vez o rapaz que não conseguia decorar meu nome.&lt;br /&gt;	Ele meteu as mãos nos bolsos procurando a chave quando parou em frente à porta. Algumas plantas decoravam o corredor iluminado, tão logo destrancou, o rapaz entrou rápido e abriu os braços no centro do cômodo como se dissesse que era muito amplo.&lt;br /&gt;	– Não ligue para a bagunça, limpamos o lugar em até 24 horas da entrega das chaves – disse o rapaz abrindo a janela que dava para a rua.&lt;br /&gt;	Logo percebi que o antigo inquilino pouco se importava para arrumação. Eram centenas de livros espalhados por todos os cantos, papéis das mais diversas idades compunham o cenário de caos, mas também me alertava para outra coisa.&lt;br /&gt;	– Do que morreu o antigo morador? – pergunto de abrupto.&lt;br /&gt;	– Ele... Ele sofreu um acidente... – respondeu o jovem surpreso pela pergunta – Como você sabia?&lt;br /&gt;	– Acabei de imaginar e você me confirmou – respondi notando que um rubor tomava a face do jovem, que deve ter sido instruído para não comentar sobre o assunto.&lt;br /&gt;	O escritório não era tão amplo, mas tinha o espaço necessário que eu precisava. Afinal queria apenas um cômodo para poder escrever em paz, artigo raro na minha casa, há três quarteirões daqui. Comecei a mexer na papelada procurando algo que ainda não sabia o que era enquanto o vendedor falava sobre as qualidades do apartamento. Quando disse que fecharia o contrato ele me cumprimentou efusivamente e passou a tratar dos termos e valores. Debaixo de uma pilha de papéis uma velha Olivetti de cor cinza se escondia na escrivania.&lt;br /&gt;	– Amanhã pela tarde o senhor já pode começar a usar o escritório que estará completamente limpo.&lt;br /&gt;	– Não precisa. Pode deixar que eu mesmo cuido disso – respondi ao garoto que apenas deu de ombros.&lt;br /&gt;	Agora olhando para os acontecimentos passados, não sei dizer por qual motivo eu disse isso. Algo urgia em meu peito pedindo para que o apartamento ficasse como está e eu mesmo o arrumasse. Talvez fosse uma necessidade de construir algo só meu a partir daquele caos, talvez algo que eu ainda não conhecia me chamasse.&lt;br /&gt;	O fato é que eu fiz.&lt;br /&gt;	Assinei os papéis na imobiliária e no caminho de volta para casa, resolvi passar no escritório. Pela primeira vez comecei a dar atenção para os livros estacionados em todos lugares. Eram biografias, ficções e toda sorte de literatura, além de gramáticas e dicionários. Peguei um calhamaço de papéis ao lado da Olivetti e fui para casa.&lt;br /&gt;	Chegando reafirmei o motivo de alugar um espaço para escrever. Não me levem a mal! Amo meus filhos e minha esposa, mas não é possível trabalhar com eles falando pelos cotovelos, e quando me falta paciência tendo a ser rude com os outros, o que é não é muito bonito de minha parte.&lt;br /&gt;	Jantamos, assistimos novelas e reportagens, li para minhas crianças antes de dormirem e fui para a cama onde minha mulher já esperava. Conheci Joana quando éramos muito jovens. E desde então nunca nos separamos, seus óculos de leitura pousados sobre o nariz e olhos percorrendo as páginas trazidas de meu novo escritório indicavam que alguém não tinha se aguentado de curiosidade.&lt;br /&gt;	– Então? – perguntei.&lt;br /&gt;	– Está ótimo. Quando começou a escrever?&lt;br /&gt;	– Não é meu, estes papéis estavam no escritório, provavelmente o antigo dono escrevia.&lt;br /&gt;	Peguei os papéis em seguida e os li. Era um romance e muito bem escrito por sinal. Haviam também contos, porém nenhum deles assinados. Apenas quando finalizei os textos, consegui dormir e com a noite como confidente sonhei ler novamente aqueles papéis. Não bem a aurora surgiu eu já estava no escritório a procura de mais e haviam muitos.&lt;br /&gt;	Eram novelas, contos, discursos e todo produto que a língua consegue imaginar. Cartas de despedida, literatura de cordel, romances inacabados e tudo mais, jogado e sem nome. Conforme arrumava os livros e guardava suas obras em uma caixa, o carteiro jogou uma missiva por debaixo da porta. Precipitei-me a pegá-la e lá encontrei o nome do antigo morador: Edson Ramos. Por uma questão moral nem abri a correspondência, depois a colocaria de volta a caixa de correio com o informe de que este havia falecido, conferi o remetente e era uma editora.&lt;br /&gt;	Quando terminei tudo, a noite já se fazia alta e frondosa como nas histórias antigas. Pedi pizza e avisei minha mulher que não jantaria em casa. Quando a comida chegou inundou o escritório com seu cheiro bom. Fiquei ali comendo olhando para aquele monte de caixas de papelão com os escritos de meu colega de profissão. Com o que será que sonhava? Do que gostava? Os textos eram tão diferentes entre si que não fui capaz de captar seu estilo ou tendência. Até os discursos não apresentavam relação entre si.&lt;br /&gt;	Então um barulho me despertou. Era um chiado baixo de água fervendo depois um sonoro estalo de peça mecânica vindo da pequena cozinha. Aproximei do cômodo e conferi que a cafeteira estava ligada e fazendo a sua função. Na jarra de vidro o líquido espesso e negro descia fumegante. Não lembrava de ter ligado tal aparelho ou tê-lo visto ligado quando cheguei. Também não era possível que estivesse desde ontem funcionando e tampouco era moderna o suficiente para ser programada. Desliguei-a da tomada por precaução desta ser um tipo de eletrodoméstico rebelde que liga quando bem entende. Girei meus calcanhares e me deparei com uma pessoa parada no batente da porta. Tamanho susto me fez por instinto pegar uma faca pousada sobre a pia e apontá-la na direção no intruso que, com uma xícara de café na mão, não demonstrou surpresa. Ateve-se apenas à sorver um pouco do café olhando para mim.&lt;br /&gt;	Vestia um terno curto de cor marrom com reforço nos ombros, por baixo uma camisa branca um pouco puída. Óculos de aros redondos e uma cabeleira já grisalha e esvoaçante terminavam de compor o visual.&lt;br /&gt;	– O que você está fazendo aqui? – perguntei mesmo sabendo que o questionamento não trazia nada de pertinente.&lt;br /&gt;	– Tomando um café – ele me respondeu olhando fundo nos meus olhos.&lt;br /&gt;	Senti um arrepio quando ele me deu esse olhar. Parecia que não se importava muito com minha presença e simplesmente saiu para o cômodo principal. Atravessei a cozinha para ver que ele sentara na cadeira e olhava fixo para a máquina de escrever, aproximou as mãos do teclado, mas pareceu que sequer tocou os dedos nele. Voltou olhar para mim como se perguntasse se eu ficaria olhando.&lt;br /&gt;	– Amigo, acho que há algum engano aqui – comecei a falar – eu aluguei esse escritório ontem e segundo me consta é meu. Não sei como o senhor entrou mas chamarei a polícia se você não sair.&lt;br /&gt;	Ele voltou a olhar para mim com aqueles olhos fundos e desta vez mostrou perplexidade.&lt;br /&gt;	– Eu trabalhava aqui – sussurrou como se fosse segredo – Desculpe. Estou confuso quanto ao meu papel agora.&lt;br /&gt;	Não sabia o que dizer. Também tinha dificuldade de entender. Passou pela minha cabeça a carta que chegara pela manhã, a puxei do bolso e joguei sobre a mesa na sua frente.&lt;br /&gt;	– Você é Edson Ramos?&lt;br /&gt;	– Sim.&lt;br /&gt;	– Acho que houve algum engano...&lt;br /&gt;	Desatei a explicar que a imobiliária tinha o dado como morto e com o imóvel vago, eu tinha o alugara para mim, mas amanhã teria um conversa para desfazer o inconveniente. Paralisei. O senhor tentava pegar a carta mas sua mão passava reto na maioria das vezes, precisou de muita concentração para por as mãos no envelope. Tinha perdido todas as palavras enquanto o via tentando digitar na sua Olivetti, porém os dedos passavam reto como se nada ali houvesse. Demorou muito para que conseguisse apertar as teclas. Ele era Edson Ramos e realmente estava morto. Senti um pequeno arrepio, o certo seria correr daquele lugar, mas a curiosidade me mantinha em pé, estacado no piso de madeira.&lt;br /&gt;	– Você era escritor? – perguntei.&lt;br /&gt;	– Sim.&lt;br /&gt;	– Já teve algum livro publicado?&lt;br /&gt;	– Vários. Até ganhei um Jabuti certa de vez.&lt;br /&gt;	Fiquei um tempo boquiaberto. O Prêmio Jabuti era importante no meio literário, mas seu nome não surtia nada em minha memória.&lt;br /&gt;	– Qual o livro que foi ganhador? – perguntei.&lt;br /&gt;	– Não posso falar.&lt;br /&gt;	– Não lembro de ter ouvido falar de você – falei com sinceridade diante da recusa dele dizer com qual livro ele ganhara o prêmio.&lt;br /&gt;	– É claro que não ouviu, sou discreto na minha profissão. Sou um ghost-writer.&lt;br /&gt;	A palavra bateu na minha cabeça com o significado certo, um escritor pago para produzir em nome de outra pessoa, porém logo em seguida fiquei pensando se ele não falava a respeito de sua condição como morto, pois afinal ele estava e parecia não perceber.&lt;br /&gt;	– Você sabe sobre sua... – fiquei alguns segundos escolhendo a palavra certa – condição?&lt;br /&gt;	– Sim.&lt;br /&gt;	– Então?&lt;br /&gt;	– Não comecei a escrever procurando glória ou fama. Isso é difícil no atual mercado editorial que apenas alguns com bastante contato ou simpatia conseguem ter um contrato. Dessa forma eu ganho mais dinheiro. Sou bastante requisitado como escritor e mantenho um bom diálogo de confidencialidade com meus clientes.&lt;br /&gt;	Não. Ele parece não perceber que morreu. Mas ao menos tirou minha dúvida quanto ao ghost-writer. Edson parou de tentar acertar a máquina e olhou novamente para mim.&lt;br /&gt;	– Estou com uma dificuldade aqui – confessou ele – você pode me ajudar escrevendo o que vou ditar?&lt;br /&gt;	Concordei com a cabeça. Segui até a Olivetti e a alimentei com papel. Ele sentou-se no chão em frente a porta e começou a ditar. Escrevi. Não sabia o que no começo e nem porque eu o fazia. Percebi que era a continuação do romance que eu lera na noite anterior. Edson não parava de ditar e eu teclava cada vez mais rápido. Quando o primeiro raio de sol surgiu, o fantasma simplesmente desapareceu. Voltei para casa com sono e acabado. Minha mulher reclamou de eu ter passado a noite fora e eu não podia dar uma explicação sincera do que acontecera. Apenas disse que tinha ficado no escritório, o que era verdade.&lt;br /&gt;	Na noite seguinte ele apareceu de novo, sentado no mesmo lugar e ditando seu romance. Fizemos isso por semanas à fio. Aos poucos ele pareceu entender minha necessidade de descanso e fazia pausas a cada hora passada. Nós não conversávamos, era apenas o som de sua voz narrando a história e o bater de teclas da velha Olivetti.&lt;br /&gt;	A história se desenvolveu, o enredo era fascinante e aos poucos indicava que teria um final, mas na última página do derradeiro encontro, Edson parou de ditar. Fiquei olhando ora para ele, ora para a Olivetti esperando que falasse algo, mas nada disse.&lt;br /&gt;	– Edson?&lt;br /&gt;	– Estava aqui pensando, como você acha que deveria terminar?&lt;br /&gt;	– Eu n... não sei – gaguejei.&lt;br /&gt;	– Dê sua opinião!&lt;br /&gt;	– Tudo deve acabar bem. Ele voltando para casa depois de ter conseguido tudo que sonhava. Um final feliz.&lt;br /&gt;	– Perfeito.&lt;br /&gt;	Edson voltou a ditar colocando a história de forma que tudo acabasse bem. Terminou com a palavra “fim” e passou a se levantar. Virou para a porta e passei a entender que ele iria embora e não mais voltaria.&lt;br /&gt;	– Edson? – gritei. Ele se virou, mas percebi que não deveria pedir para ele ficar – o que faço com o livro?&lt;br /&gt;	– Publique.&lt;br /&gt;	E com essa última palavra ele sumiu. Voltei todos os dias esperando que ele aparecesse mas isso não aconteceu. Ele deixara seu último trabalho para mim. Uma obra que agradaria a crítica e seria um fenômeno de vendas. Completa. Pronta para ser publicada. Um presente sem igual.&lt;br /&gt;	Uma semana depois o meu editor já ligava para mim com mil e um elogios sobre o livro. Disse que era sim de grande interesse publicá-lo e no outro mês ele já figurava nas estantes das livrarias vendendo a borbotões. Na capa simples branca um título e um nome. O Escritor Fantasma, de Edson Ramos. O dinheiro ganho foi dado para escolas com programas de alfabetizações para adultos. O livro concorrerá ao Prêmio Jabuti esse ano. A justiça afinal foi feita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-3079306609407397399?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/3079306609407397399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=3079306609407397399&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3079306609407397399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3079306609407397399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/08/escritor-fantasma.html' title='Escritor Fantasma'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-7358062881702796382</id><published>2011-07-04T13:11:00.002-03:00</published><updated>2011-07-04T13:12:30.397-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>Funerária Anúbis LTDA está disponível para venda!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-DTf2AWzPVQw/ThHmZkwy13I/AAAAAAAAAQg/N3enXtTyckE/s1600/capa22.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-DTf2AWzPVQw/ThHmZkwy13I/AAAAAAAAAQg/N3enXtTyckE/s200/capa22.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625530736601913202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Como o título já disse tudo... Leiam no site da Simplíssimo um trecho (generoso) do livro. Caso se interessem o e-book sai por R$ 8,00. Clique no link abaixo para ler:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.simplissimo.com.br/autores/blog/funeraria-anubis-ltda-1/"&gt;Funerária Anúbis LTDA&lt;/A&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaram? Comentem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-7358062881702796382?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/7358062881702796382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=7358062881702796382&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7358062881702796382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7358062881702796382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/07/funeraria-anubis-ltda-esta-disponivel.html' title='Funerária Anúbis LTDA está disponível para venda!'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-DTf2AWzPVQw/ThHmZkwy13I/AAAAAAAAAQg/N3enXtTyckE/s72-c/capa22.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-4017979925677069054</id><published>2011-07-01T11:50:00.001-03:00</published><updated>2011-07-01T11:50:59.730-03:00</updated><title type='text'>Silvia morreu</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.pedromoreno.com.br/wp-content/uploads/2011/07/313_1136-sem-abrigo.jpg"&gt;&lt;img class="alignright size-full wp-image-426" title="313_1136-sem-abrigo" src="http://www.pedromoreno.com.br/wp-content/uploads/2011/07/313_1136-sem-abrigo.jpg" alt="" width="250" height="180" align="right"&gt;&lt;/a&gt;por &lt;a rel="author" href="https://profiles.google.com/pedroslaughter"&gt;Pedro Moreno&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, ela morreu. Fazia tempo que andava mais do lado do barqueiro do que dos vivos. Caso fosse culpada de um só fato, poderíamos falar, sem qualquer dúvida, que a bebida a matara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sílvia. Sílvia era o nome da mulher. Trinta e poucos anos, mas com jeito de pessoa que passou pelos cinquenta há um bom tempo. Nas ruas por onde andava trôpega era chamada apenas de negrinha, não nesse tom pejorativo típico de crianças mal-educadas, pois soava até carinhoso, principalmente quando vindo de seu amor, Vivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome dele poucos sabem, a única certeza é a sua moradia, uma casa sem telhados feita juntando entulhos de toda sorte. Conhecido pelos vizinhos pela sua educação, algo difícil de imaginar por culpa de preconceitos que todos nós temos. Seus cabelos grisalhos revelam poucos fios ainda loiros, o boato que corre à boca pequena indica uma descendência ucraniana ou de qualquer outro país considerado exótico para nós tropicais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia depois da morte de Sílvia, Vivi ainda remoía em seu cachimbo, além do fumo, a saudade de sua preta. Como ele amava aquela mulher. Nos últimos dias, a danada dera de adotar uma pomba que pousada em seu ombro andava de um lado para o outro como companhia. Era difícil saber quem mais sofrera maus tratos, a ave ou a mulher. O bicho com sua pata dilacerada por linha de pipa ainda se recuperava enquanto recebia carinho de Sílvia. Era raro ver as duas separadas, quando ganhavam uma bolacha ou biscoito de polvilho, elas repartiam a comida, Silvia sentada na guia e a pomba sobre seu colo. Triste e comovente ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único lugar que a pomba não entrava era no bar. Parece que sabia o que o destino reservava para sua amiga. Ao menor cheiro de álcool, a ave já voava para longe. Ficava em cima de uma casa sem moradores em frente ao bar esperando Sílvia ficar sóbria. No dia seguinte, quando a ressaca tomava conta, a pomba pousava entre as sustentações do telhado e esperava Sílvia acordar de seu sono alcoolista. Quando abria o olho, a pomba já se aninhava em seu colo buscando aconchego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fumo de corda queima lento no cachimbo de madeira escura. Uma lágrima desce pelo rosto do velho Vivi. Era uma das poucas mulheres que ele amou. No fundo de uma garrafa de aguardente um restinho de depressão descansando. Vivi toma de uma só vez e segue até o velório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espera o ônibus um bom tempo sob o sol até que o transporte aparece. Ele senta em um dos bancos e os outros passageiros saem de perto, talvez pelo cheiro de pinga impregnado em suas roupas. Vivi olha para suas mãos sujas de trabalho. Alguns vizinhos o pagavam em troca de levar entulho ou aparar o mato que cerca os quintais. Além disso, há muito que sentem dó e entregam dinheiro por boa caridade para um necessitado. Suas unhas pretas tamborilam no banco em vão à procura de sossego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velório é visível quando Vivi desce do ônibus. Suas botas puídas tocam o asfalto e o calor lhe fere os pés, com calma ele percebe um furo grande em seu calçado, quando tiver tempo ele fará uma palmilha de papelão para não mais sentir dor. O prédio em que o velório ocorre é decadente, paredes descascadas e pintura que já viu muito choro e vela. Em uma sala ladrilhada, se vê um pequeno grupo, Vivi se aproxima, porém nem reconhece sua mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ei, Vivi, é por aqui!”, grita um rapaz do outro lado indicando o caminho certo. Sete pessoas. Amigos de bar não são bons companheiros para ir a um velório. Preferem a calma do bar e o conforto da pinga. O silêncio predomina. Ninguém sabe ao certo se dá condolências ou reflete sobre a cirrose que consumiu Sílvia, de qualquer modo, a mudez torna-se o novo paletó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos estão sentados e Vivi acha logo seu lugar e passa a contemplar seus próprios pés. O terno surrado de cor marrom proveniente de uma doação da igreja precisara apenas de uns poucos remendos. Alguns nem se vestiram para a ocasião, desfilando de camisetas furadas e bonés de eleição. Triste fim de Sílvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos amigos trouxe por precaução uma garrafa de boa aguardente, o lacre rompe e o líquido desce amargamente feito realidade pela garganta, o vizinho do lado vê e faz gestos com a língua como se também precisasse. Em seguida, a bebida passa de mão em mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira acaba e um deles mendiga um trocado no velório vizinho e outra garrafa é comprada. Mais uma termina. A terceira é rateada com o troco do ônibus de todo mundo e quase o responsável não volta do bar tamanha a bebedeira em que se encontrava para comprá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando percebem todos estão bêbados chorando pela morte de Sílvia. “Ela era mulher de verdade”, anuncia Vivi. “Bebia feito macho”, declamava um dos colegas. “Sua perda deveria se tornar feriado nacional”, proclamava outro. As horas transcorriam e eles continuavam a beber a morta, alguns já dormiam ao lado do esquife emprestado da prefeitura, outros achavam falta de educação ser derrubado pela bebida em um velório e, corajosamente, permaneciam se embebedando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, sobrou Vivi de pé, acariciando a face de sua companheira morta. “Pretinha, por que você me deixou?”, reclamava sentindo o peso da injustiça a lhe corroer o estômago. Ela não poderia responder mais. Vivi imaginava se havia algum lugar reservado no céu para pessoas que nem eles, pobres cidadãos frutos da desigualdade e arrastados para a fuga rápida da bebida. Dragados para longe de suas famílias que agora apenas atravessavam a rua quando os viam. Deveria haver algum lugar para os fracos de espíritos como eles, e nele Sílvia encontraria sua paz. Poderia abraçar novamente sua mãe que morrera do mesmo mal, conheceria, talvez, seu pai que lhe abandonou quando ainda era bebê. Poderia, enfim, enxugar suas lágrimas no colo do Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um resto de consciência ainda sobrara na garrafa. Vivi toma de um só gole e enxerga os servidores do velório vindo levar sua mulher, ele desperta seus amigos para um esforço final. Cada bêbado com sua alça de caixão levando vagarosamente a caixa pelas ruas tortas do cemitério. No final de uma ruela de barro pisado, o buraco daqueles que não tiveram identidade, família ou dinheiro. Sílvia juntará seus restos mortais a outros como ela, vidas destruídas por vícios ou falhas. Daqui alguns anos, a exumação revelará que tanto eles como os que puderam ter um jazigo próprio são feitos da mesma matéria. Não terá como diferenciá-los. O corpo é posto em uma vala comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos dão as mãos e rezam uma oração entrecortada e chorada. Doída no peito daqueles que sabem que a vida é frágil e sem sentido. Aos poucos, os corpos são cobertos por terra e nenhuma marcação é colocada, ninguém quer lembrar qual o seu último paradeiro. Logo a terra cobre o que as lágrimas teimavam fazer. Todos sentam perto da sepultura e acabam com mais uma garrafa ou duas, algo difícil de contar nesse estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivi toma as doses restantes e acaba deitando. Ele morre engasgado com seu próprio vômito. De longe, a pomba de Sílvia pousada sobre o telhado do prédio alça voo sem destino certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-4017979925677069054?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/4017979925677069054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=4017979925677069054&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4017979925677069054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4017979925677069054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/07/silvia-morreu.html' title='Silvia morreu'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-6911750854373997437</id><published>2011-06-09T13:52:00.001-03:00</published><updated>2011-06-09T13:53:26.949-03:00</updated><title type='text'>A Imensidão Branca</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.pedromoreno.com.br/wp-content/uploads/2011/06/northpole1-300x205.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 205px;" src="http://www.pedromoreno.com.br/wp-content/uploads/2011/06/northpole1-300x205.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     O relato que passo neste diário já carcomido pelas intempéries marítimas pode lhe parecer fantasioso ou fruto de uma mente que já andou por tempo demais debaixo do sol não conseguindo mais ter alguma faculdade do que faz. Advirto porém que esta é a realidade crua de eventos dos quais fui tragado sem nem ao menos poder me antecipar ou mesmo contorná-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Meu nome é William, apesar de parecer britânico, vim mesmo destas terras tupiniquins onde sobra calor e frutas frescas o ano inteiro. O Brasil é grande como não há igual e diverso como poucos países conseguem ser. Os encantos da sedução residem nos olhos das mulatas de meu estado, ou nos olhos claros europeus mais ao sul. A brasilidade é algo bonito de se ver, apreciar e viver. Não sei qual bicho se instalou em minha mente que roubou-me o dom do discernimento e puxou-me para fora, como se conhecer o mundo seria algo fabuloso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Não minto que realmente o estrangeiro sempre fascina o brasileiro. Tratamos melhor nossos imigrante do que nossos crioulos. Puristas dizem que apenas os indígenas então poderiam ser considerados o legítimo brasileiro sob essa ótica, porém concordo que não precisamos tratar melhor nossa gente, e sim por igual, afinal esses já tem o privilégio único de ter nascido brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Não me ufano deste país dizendo que não há mazelas, pois nele há sim! Porém qual lugar no mundo não tem? Corrupção, intolerância e fome só para começar a lista. Muitos vícios que também permeiam as sociedades pelo mundo afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Como bem relatava sobre o fato de viajar, acabei por conhecer diversos povos e culturas que me agradaram muito ou pouco. Mas nessas linhas escritas que porventura você encontrou, conto sobre minha última viagem, no extremo norte, além da Sibéria, embarquei em um navio da época da URSS que me levaria para conhecer algo não antes possível em minha mente. Segundo o capitão, Vladimir Kuzaks, se contasse de antemão o que me esperava, eu o tomaria por mentiroso e sequer iria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Paguei caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Confesso que me aposentei por um deslize do sistema previdenciário brasileiro, passei a ganhar a mesma quantia de quando trabalhava e podia ficar em casa. Como o dinheiro nunca me fez falta e sequer me casei, não sobrou outra alternativa a não ser viajar. Vivi de forma que muitos homens implorariam para viver e tenham certeza que me beneficio muito bem dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Porém as noites de mulheres quentes aos poucos deixaram de ser novidade, passei a correr o mundo atrás de algo que surtisse alguma emoção em meus nervos. Participei de caçadas à animais selvagens, rituais de tribos indígenas, exploração a lugares ditos amaldiçoados e toda sorte de maluquices que poderia o dinheiro pagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Hoje estou no que se pode chamar de final do mundo. Parece que a imensidão branca parece querer dominar minha alma conforme o navio quebra o gelo abrindo espaço para nossa passagem. O capitão olha o GPS para se orientar, passados alguns nós o aparelho falha e recorremos a bússola. Em poucas horas, essa também começa a rodar sem sentido indicando que já não tem serventia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    As grandes placas de gelo nos rodeiam dificultando a passagem. Esse trecho terá que ser a pé. O casaco forrado impede que o frio penetre em minha pele, mas as áreas descobertas sofrem. Uma fina camada de neve pousa sobre minhas botas que se pregam no chão dando certa sustentabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Caminhamos por alguns quilômetros. O frio parece querer nos puxar para trás, porém continuamos firmes na trajetória. Um conjunto de alguma construção começa a aparecer, no começo indefinidas, depois vejo que são alguns pedaços de madeiras, ou ossos, com peles de animais estendidas formando tendas. O capitão aponta e estaca no lugar, acho que devo prosseguir sozinho. Caminho vacilante. Um vento maligno me derruba e caio de cara sobre o gelo, olho para trás e vejo que os marujos sequer perceberam. Deveria não ter dado o dinheiro integralmente para eles. Ergo de meu lugar e continuo com passadas pesadas em direção às tendas. Já posso enxergar pessoas. Parecem atarracados e baixos, diria que perfeitos para a situação na qual se encontram. Vestem peles de animais não tão grossas, parecendo improvável o fato de conseguirem sobreviver no gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Conforme avanço, uma sombra no horizonte parece se mover desajeitadamente, no principio acreditei ser uma pequena embarcação marítima que tentava a todo custo passar, porém não tinha o barulho típico desses navios. Obviamente era terrestre, mas algo muito maior que um carro, sua altura era de uma caminhão, porém também não era possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Um abalo sísmico acompanhava sua evolução. Senti minhas pernas se estremecerem com a aproximação e nem sabia exato que era. Algum medo primitivo tomava conta de meu corpo. Tão logo percebi que era uma criatura que andava em minha direção, minhas pernas por fim amoleceram e caí. A criatura que se agigantava em minha frente não era possível existir, um verdadeiro pedaço do paleolítico se erguia em minha frente. Um mamute. Com seu corpanzil de pelos espessos e acastanhados com dois dentes alvos projetados de sua boca formando uma curvatura monstruosa. Os olhos vermelhos não me fitavam, provavelmente a fera sequer me vira, continuava apenas com seu andar pesado seguindo um rumo que só fazia sentido para si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Uma movimentação vindo das tendas me chamou a atenção. Um grupo de homens armados com lanças improvisadas passou a correr em direção ao animal que nada notou. Conforme ganhavam terreno estremeci ao ver o semblante deles. Não eram homens, e sim ancestrais nossos não evoluídos, sua figura eu já conhecia dos livros de história. De traços simiescos e corpo robusto, com testas volumosas e queixo protuberante. Nos braços despidos uma grossa camada de pelos e do alto de suas cabeças uma cabeleira enorme ora castanha ora loira. O Homem-de-neandertal. Com suas lanças improvisadas eles atacam o mamute fazendo-o agir de maneira descontrolada. Conforme eu arfava de medo e excitação uma nuvem grossa de vapor se desprendia de minha boca, o sangue do animal tingia o gelo em tons de magenta. Era disso que o capitão falava. Algo impossível de eu ter visto antes, inimaginável sua existência. Na minha frente um grupo de neandertais e um mamute se digladiam pela sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Uma estocada na cabeça do animal e este cai ruidosamente no chão, queria eu ter agilidade daqueles homens, pois se tivesse conseguiria fugir do pesado marfim que me acertou as costelas. Fico preso, no gelo, sem poder sentir minhas pernas. Os neandertais começam a puxar o animal em direção às suas tendas, um deles me observa com curiosidade, porém com medo eu o afasto com um grito, o mais alto deles precipita com uma lança em mãos pronto para me furar, mas outro o segura com a expressão que não seria isso correto. Não consigo me mover e a sombra dos homens puxando o mamute já é distante. Do outro lado não consigo ver o capitão, os marujos ou o navio. Estou só, com uma caneta e este diário, tentando me lembrar como era o gosto do sol a tocar minha pele, o cheiro perfumado da gente da minha terra, o calor que é estar no Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-6911750854373997437?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/6911750854373997437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=6911750854373997437&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/6911750854373997437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/6911750854373997437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/06/imensidao-branca.html' title='A Imensidão Branca'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-3854282295278735442</id><published>2011-05-20T14:09:00.002-03:00</published><updated>2011-05-20T14:11:25.904-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vampiros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Convento</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.pedromoreno.com.br/wp-content/uploads/2011/05/convento-215x300.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 215px; height: 300px;" src="http://www.pedromoreno.com.br/wp-content/uploads/2011/05/convento-215x300.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Pedro Moreno&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pátio ecoa os passos vacilantes de Lázaro. As botas gastas encontram com o caminho de pedregulhos e entulho do que outrora foi uma belíssima construção gótica. Ao centro uma antiga fonte já destruída serve de patamar para que o arqueólogo possa ter uma visão melhor do local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Encravada em meio a montanhas em meio ao território alemão está o convento de Moldegor. Datado do século XIV, destruído pela fúria da natureza, saques e dois incêndios, hoje encontra sua calma de séculos perturbada por esse intrépido homem. A última tentativa de reconstrução foi há mais de trezentos anos, quando um terremoto não explicado derrubou o convento. O bispo fechou todas as possibilidades de refazer tal lugar por achar que entidade maligna nele habitava impedindo que as obras de Deus ali fossem feitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lázaro munido de seu paramento arqueológico, encontra nessa pilha de destroços a oportunidade para uma carreira em declínio, um casamento em cinzas e uma doença terminal. Morrer anônimo sem nunca ter feito grande descoberta é doloroso demais para ele. Seu carro do lado de fora carrega todo o material necessário, de pás e picaretas à lanternas e cordas. Incluindo um saco de dormir caso precise ficar no local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Já dentro do pátio Lázaro começa seu trabalho. Com a ajuda de um pé-de-cabra abre portas já emperradas pelo tempo, porém pouca coisa sobrou dos roubos. Alguns cacos de porcelana são arrumados em trouxas de pano e seguirão para o laboratório para datação e possível reconhecimento,.alguns talheres de prata escondidos em um dos quartos da clausura prometem ser o grande achado. Nos cabos é possível ver gravuras de alguns gansos, provavelmente insígnia de família real. Para um primeiro dia, até que foi proveitoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A noite chega e com a ajuda de alguns lampiões Lázaro come sossegado sua comida requentada na fogueira improvisada do lado de fora. Com a iluminação precária da lua, o arqueólogo observa as nuances da arquitetura do antigo convento, suas linhas parecem querer se confundir junto com a noite. Com uma ajuda de um bloco de anotações, ele rabisca um mapa improvisado com os locais que já escavou. Amanhã tentará chegar na parte interna.&lt;br /&gt; Com o sol pintando de laranja o gramado, Lázaro acorda para seu desjejum. Sob a luz do sol é possível ver que a construção é maior do que parece. Quando chega ao pátio para continuar seu trabalho se assusta com um bando de corvos pousados, ciscando pelo chão à procura dos frutos caídos das macieiras e figueiras que resistem no caos presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lázaro nunca gostou de aves e não é agora que começará com amores por esses animais. Com cuidado tenta passar por elas e percebe que nem se incomodam com sua presença. Melhor assim. Um mapa mais cuidadoso é elaborado para ter certeza que nenhum cômodo será esquecido e quarto a quarto é desvendado, catalogado e fotografado. O espólio dessa incursão consiste em alguns pratos, copos e talheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando a noite negreja o céu, Lázaro vê uma pilha de pedras no pátio principal que esconde uma porta de uma área ainda não vasculhada. Amanhã terá mais trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O chá quente desce pela garganta e aquece contra o clima frio das montanhas. Lázaro entra com seu carro dentro do convento para facilitar o acesso às ferramentas assim que amanhece. Logo as pedras são destacadas de seus lugares. Os corvos bicam as frutas podres olhando o trabalho do arqueólogo, um pedaço de uma porta começa a aparecer. Carvalho bruto, maciço e todo gravado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando enfim descoberta a porta apresenta uma enorme gravura de uma árvore com suas raízes acabando na soleira, o que impressiona é a riqueza de detalhes de cada ramo bem definido e a textura da casca. Um enorme ferrolho de ferro ostentando um cadeado grosso garante que a porta não será aberta com facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com a ajuda de uma corrente e o engate do carro a porta é arrancada de seu lugar, levantando uma nuvem de poeira densa. Os corvos assustados com o barulho voam do pátio e cobrem  os telhados do convento. O que era para ser um quarto de clausura, revela um buraco em sua parede. Moscas voam no local de um lado para outro. O cômodo é o único que não foi tocado por ladrões, uma pintura envolta em uma moldura dourada encontra abrigo em cima do batente da porta, ao lado uma cama simples de madeira com um rosário pendurado por pregos. Em cima de uma escrivaninha um livro. Lázaro pega com cuidado o tomo e logo reconhece. Uma Bíblia de Gutemberg. Finalmente a descoberta que sua carreira merecia. Porém o buraco na parede pode levar a descobertas maiores e tesouros mais valiosos. Com a ajuda de um lampião movido à querose, Lázaro desce as escadas esculpidas na terra. O clima fica cada vez mais quente conforme ele desce, o ar rarefeito e as passagens apertadas aumentam a sensação de claustrofobia. Chega um momento que o corredor para de descer e segue com uma curva acentuada. Lázaro consegue enxergar uma luz. Parece estranho, mas há realmente uma luminosidade vinda de algum lugar à frente. Conforme avança, o arqueólogo encontra uma grande câmara, iluminada por tochas. No centro uma pira com chamas altas. Curioso, Lázaro avança até o centro onde a enorme fogueira da pira arde aquecendo-o. Antes que conseguisse formar qualquer frase sente uma presença atrás de si. Gira rápido seus calcanhares e encontra uma mulher, vestida de freira, com seu hábito rasgado deixando suas coxas à mostra junto com um par de seios volumosos que parecem querer escapar da roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Ainda bem que você me salvou – diz ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A moça segura a mão trêmula de Lázaro que nada consegue falar, seus olhos vivos  e cheios de desejo encontram-se com os do arqueólogo que sente um calor a lhe pulsar no coração. Seus lábios vermelhos se aproximam dos dele e não conseguem arrancar nenhuma reação a não ser fechar os olhos e esperar pelo beijo da moça. Porém o que vem é uma dentada em seu pescoço que arranca parte de sua pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lázaro sente a dor profunda de ser mordido e afasta a freira com um empurrão, ela cai sobre o chão e encara seu agressor com um sorriso diabólico adornado por dois caninos lambuzados de sangue fresco. Ela emite um grito alto tal qual animal acuado e logo a câmara se enche de diversas freiras, todas com caninos expostos e sedentas pelo doce sabor rubro. Lázaro tenta fugir mas é interrompido por garras pesadas e cai no chão. Sua última visão são os dentes dilacerando sua carne e sua vida sendo sugada para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Epílogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Jonas e Albert enfim alcançam o velho convento. Albert começa a separar seu equipamento enquanto Jonas verifica o pátio, dentro dele um velho jipe coberto de poeira com as chaves no contato e uma porta de madeira atada por uma corrente em seu engate. O quarto de clausura ainda está intacto com um Bíblia aberta sobre a cama. Jonas confere que é um Gutemberg. Na parede um buraco com uma corrente de ar indicando um túnel. Albert chega logo em seguida e coloca a mão no ombro do amigo arqueólogo. Os dois olham para o túnel e sorriem um para o outro. Hoje é o dia de sorte deles&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-3854282295278735442?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/3854282295278735442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=3854282295278735442&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3854282295278735442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3854282295278735442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/05/o-convento.html' title='O Convento'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-4160255978401468880</id><published>2011-04-14T12:24:00.002-03:00</published><updated>2011-04-14T12:27:05.485-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Funerária Anúbis LTDA'/><title type='text'>Sem postagens, mas projeto novo</title><content type='html'>Vim aqui para dizer que ficarei um tempo sem postar nada novo por causa de um projeto que estou realizando.&lt;br /&gt;Escreverei um livro em 30 dias e documentarei o processo criativo nesse tempo. Sigam a &lt;a href="http://funerariaanubis.blogspot.com/"&gt;Funerária Anúbis LTDA&lt;/a&gt; para mais informações e acessar os vlogs que estão sendo feitos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-4160255978401468880?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/4160255978401468880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=4160255978401468880&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4160255978401468880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4160255978401468880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/04/sem-postagens-mas-projeto-novo.html' title='Sem postagens, mas projeto novo'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-4304465485130008068</id><published>2011-03-23T12:22:00.001-03:00</published><updated>2011-03-23T12:25:14.698-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>A Loba</title><content type='html'>por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.pedromoreno.com.br/wp-content/uploads/2011/03/wolf.jpg" align="right"&gt;A neve cobre os telhados das casas, por sorte as ruas ficaram livres da imensidão branca. Por precaução Sebastian colocou correntes nos pneus de seu SUV, o aquecedor do carro ligado mal  consegue espantar o frio do lado de fora, mas lua-de-mel é para ser romântica, logo Alice não desgrudou um só segundo sequer dos braços de seu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho longo de curvas fatais é feito com a calma de quem foi taxista por muito tempo em Nova Iorque e é habituado ao trânsito selvagem. A idéia de passar sua romântica viagem nupcial nas montanhas canadenses foi de Alice, nada como se aconchegar no ombro de seu amado em frente da uma lareira enquanto o gelo toma conta do lado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o carro serpenteia pela estrada, ao longe já é possível ver o chalé. Com suas paredes de madeira e fundação de tijolos, o ar é de uma casa simpática e confortável. O telhado é vermelho escuro e muito inclinado, mas o que impressiona mesmo é a paisagem em volta, com suas árvores coníferas branqueadas pela neve e montanhas ao longe, com seus cumes que se misturam aos céus como se fosse possível atingir um paraíso através delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que Alice chega no chalé sua boca se entreabre com a suntuosidade do local, todos os móveis feitos de madeira escura dão um charme especial à casa que conta com ofurô, lareira e a varanda com vista para o lago que nessa época do ano fica congelado. Sebastian sente que afinal poderá descansar do dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele desce pelas escadas acarpetadas e vê Alice sorrindo olhando para a lareira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, entrendi. Vou buscar lenha – ele diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo de namoro e noivado Sebastian aprendeu a ler todas as expressões dela, tornando a comunicação dos dois praticamente muda. Ele veste um casaco xadrez e calça suas luvas grossas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ótimo! Agora você está parecendo um lenhador – ironiza Alice enquanto abre as malas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado de fora do chalé está congelando. Uma névoa sai da boca de Sebastian toda vez que respira. Ao lado da casa há uma pilha de toras prontas para a lareira, assim como um machado com um tronco já derrubado. O homem dá uma respirada forte e imagina que parte da graça é derrubar uma árvore e corta-la com seu próprio esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele encontra uma árvore não muito grossa e começa a corta-la com golpes fortes de machado. Quando o tronco da árvore toca o chão, ele percebe que algo passa rápido entre a vegetação rasteira e se esconde. Movido pela curiosidade, ele vai atrás do que se moveu e encontra um filhote de lobo. Branco como a neve, provavelmente um Lobo Polar, perdido de sua ninhada. Tão pequeno e inofensivo que mais parece um cachorro perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do chalé Alice começa a arrumar o almoço quando a porta abre, Sebastian passa com um monte de toras nos braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida, tem uma coisa para você no meu bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice larga as panelas e enfia as mãos no casaco de Sebastian e encontra algo, quando puxa vê o filhote de lobo, lindo e dócil como qualquer cachorro domesticado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele é lindo! Mas não temos como leva-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É claro que não, trouxe apenas para você ver. Não queremos um animal selvagem junto com o nosso filho – ele pousa a mão na barriga dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tenha tanta certeza “pai”. Acho que é menina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles sorriem um para o outro enquanto o lobo permanece na mão dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando anoitece o filhote mostra toda a sua graça tentando destruir tudo pela frente. Brinca com meias, sapatos e demonstra apetite enorme pelo strogonoff de carne. Com a lua alta no céu, o filhote de lobo fica cada vez mais agitado, afinal a criatura tem hábitos noturnos. Solta um ganidos estridentes tal qual um Husky Siberiano quando pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre um gemido e outro, do lado de fora um uivo poderoso corta a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice olha temerosa para Sebastian e concordam em silêncio que a mãe pode estar querendo seu filhote de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sebastian pega o pequeno lobo e abre com cuidado a porta. Há poucos metros está a loba. Não precisa ser nenhum zoólogo para perceber que a Loba está pronta para o ataque. Seus pelos claros estão eriçados, os caninos amostra quase roubam a atenção para a falta de um olho do animal, provavelmente perdido em um briga. O rapaz deixa o filhote com cuidado no chão, fecha a porta e corre para a janela, junto de Alice, para ver o reencontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filhote vêm pulando em direção à mãe, quando chega perto de seu focinho ela o derruba para que fique de barriga para cima e começa a cheira-lo. Alice se comove com a cena e solta suspiro fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A loba cheira por um tempo e enfim morde a barriga do filhote tingindo de vermelho a neve. Alice aperta a mão de Sebastian. O animal, com a boca pingando de sangue olha uma última vez em direção à janela, a moça fecha a cortina como se pudesse afastar aquele olhar feroz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite é permeada com pesadelos de lobos ferozes para o casal. Quando aparece o sol tímido pela manhã os dois ostentam olheiras fundas. Sebastian sai para pegar a lenha, desta vez não se aventurará de cortar uma árvore, ainda mais sabendo que há lobos por perto. Por precaução carrega uma espingarda consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo deserto no país do gelo. Apenas alguns pássaros que parecem que não se espantam com o frio e lebres correm de vez em quando pela neve assustando pela velocidade que o fazem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite aparece mais uma vez e traz consigo o Foundue e o vinho. A lareira queima alto trazendo o conforto para os corações apaixonados. Subitamente um uivo corta o ar. O casal sente medo. Sebastian se levanta de seu ninho de conforto e segue até a janela, ergue um pedaço da cortina e desnuda o vidro, do outro lado a loba passa rodeando a casa tal qual animal preso em uma jaula, enraivecido por sua situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sebastian pega sua espingarda, mas nem consegue girar a maçaneta pois Alice está entre ele e a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querido – começa ela – não faça isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a mão ela afasta a arma. Eles não olham mais para fora pelo resto da noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Último dia da estadia, amanhã quando o sol nascer eles já estarão na estrada. Com a chegada do crepúsculo, os medos voltam. Alice está arrumando as roupas nas malas quando percebe que está muito silencioso no térreo da casa. Ela grita pelo nome de Sebastian e não obtém resposta. Munida de coragem, desce pelas escadas barulhentas e logo consegue enxergar a porta de entrada aberta. Seu coração dispara com as possibilidades. Temendo pelo pior ela alcança o ferro da lareira e o empunha como se fosse arma e segue em direção da saída. Um vento gélido entra na sala e congela de medo Alice. Porém ela tem que continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pegadas na neve são deixadas para trás enquanto ela circunda a casa em busca do que pode ter acontecido. Logo ela encontra o que temia, a espingarda de Sebastian jaz no chão. Está nevando forte encobrindo qualquer pista para onde ele possa ter ido. Um uivo. Forte e diabólico atravessa a espinha de Alice. Ela se vira em direção ao som e vê uma sombra entre as árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice corre. Seus pulmões querem estourar e a pulsação sanguínea quer romper as veias em busca da saída. Seus olhos embaçados pelas lágrimas não conseguem ver um galho que bloqueia a passagem e logo a moça cai no chão fazendo com que o ferro que carregava voasse para longe. Quando levanta a cabeça pode ver o corpo de Sebastian com as vísceras expostas e em cima da imensidão vermelha a loba se alimentando. Seu amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice só consegue ver e sentir o vermelho da vingança. A moça irrompe em fúria e ataca com as mãos nuas a loba. Tentando arrancar a pele do animal com unhas… e dentes. Ao final da briga não se pode mais diferenciar quem é o animal irracional e qual não é. Alice, debruçada sobre o corpo da loba, com os lábios cheios de sangue, desferindo dentadas no animal já morto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-4304465485130008068?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/4304465485130008068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=4304465485130008068&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4304465485130008068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4304465485130008068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/03/loba.html' title='A Loba'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-9071823892480958218</id><published>2011-03-10T15:59:00.000-03:00</published><updated>2011-03-10T16:00:55.433-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Ambição, Cobiça e Inveja</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vanessa está com seus quarenta e poucos. É uma mulher atraente, sempre cuidou de seu corpo e não sai de casa sem maquiagem. Não gosta de cabelo preso, prefere investir em feminilidade. Trabalha como funcionária pública em um escritório com mais três mulheres: Sandra, Regina e Maria. São colegas de trabalho há pelo menos três anos.&lt;br /&gt; Sandra é a mais nova de todas, seus cabelos ruivos beijam sua nuca, sempre presos por um coque no alto da cabeça. No alto de seus 19 anos, se veste como menina romântica e mantém um namorado que só consegue ver em feriados e finais de semana, as outras mulheres dizem que Sandra instintivamente abaixa sua cabeça toda vez que passa pela porta para não enroscar seus chifres depositados por seu namorado. Menina de gestos delicados e voz macia, ela encanta todos que a veêm.&lt;br /&gt; Regina é mulher fatal. Salto alto sim e decote sempre. Ano passado colocou silicone e fisgou um noivo rico com casa em Angra dos Reis e Jet Ski. É consumidora de artigos eróticos e roupas de couro justas. Apesar de ter nascido morena, não resta foto dela com seus cabelos pretos originais, agora só o loiro quase branco que impera no alto de sua cabeça. Pela frente é chamada de Regininha, pelas costas de vaquinha, depois do silicone as pessoas preferem o termo vaquinha leiteira, o porteiro do prédio ainda não se acostumou com os novos seios de Regina e se assusta toda vez que vê.&lt;br /&gt; Maria é casada. Em muitas culturas isso já definiria tudo. Mas Maria é mais que isso, chegou ao auge de sua profissão é hoje é gerente de departamento, tem dois filhos maravilhosos que lhe mandam cartões nos dias das mães e um marido honesto e atencioso. As outras mulheres a definem como tirana e insensível. &lt;br /&gt; E por fim nossa querida Vanessa.&lt;br /&gt; Não há muito que falar sobre ela. As outras mulheres dizem que Vanessa continuará solteirona até o final de seus dias. Hoje, no seu aniversário de quarenta e cinco anos ela realiza que talvez seja verdade.&lt;br /&gt; As outras mulheres trazem um bolo surpresa de alguma cobertura glacê de gosto duvidoso, depois de cortado e distribuído, a rotina volta ao normal. Vanessa levanta de súbito de sua cadeira e corre para o banheiro, as habilidades sociais de Maria conseguem captar uma lágrima fugitiva do rosto de sua companheira de trabalho, a chefe observa suas colegas e percebe que é melhor enviar a otimista Sandra para conversar com Vanessa e tentar confortá-la. Algumas mulheres encaram bem o passar do tempo, outras nem tanto.&lt;br /&gt; Sandra logo se dirige ao banheiro, ao abrir a porta ouve um choramingar doído, Vanessa escorada na pia deixa as lágrimas rolarem.&lt;br /&gt; – Poxa Vanessa, por que está chorando?&lt;br /&gt; – Acho que é a idade vindo. Não sei se estou preparada.&lt;br /&gt; – Calma. Você ainda é jovem e bonita! Aliás nem parece que fez quarenta e cinco.&lt;br /&gt; Uma lágrima desce pelo rosto de Vanessa, Sandra a enxuga com um papel e sorri. As duas voltam juntas para o escritório, Sandra com a certeza de dever cumprido.&lt;br /&gt; Vanessa senta em sua mesa e observa Sandra. Sua pele alva sem nenhuma ruga. Seus cabelos ruivos são tão lindos que o cabeleireiro dela deve ficar até chateado de cortar. Não é a toa que tem um namorado, com tanta beleza fica fácil conseguir um. O ramal dela toca. Falando em namorado eis que ele liga. Vanessa suspira pensando que poderia ter um também, alguém com quem dividir seus problemas e seus sucessos. Uma paixão juvenil para andar de mãos atadas e olhos vendados. Passear no parque, andar na roda-gigante. Amar e ser amada.&lt;br /&gt; Hoje Vanessa sairá. Irá para algum bar em busca do seu. Isto é um fato.&lt;br /&gt; Com a noite que se aproxima, Vanessa veste sua melhor roupa e usa seu melhor perfume, se olha no espelho e gosta do resultado. A área de caça é um bar sertanejo que abriga a juventude country da cidade. Sucesso é um tal de “sertanejo universitário”, que Vanessa desconhece totalmente o que pode ser.&lt;br /&gt; Logo que chega se depara com um tipo masculino de calça jeans apertada e chapéu escuro. Sua camisa xadrez aberta até o centro do peito ostenta um terço envolto em seu pescoço. Ela sorri involuntariamente quando o vê. Ele retribui. Logo os dois estão se amando atrás no bar em um beco escuro. A barba por fazer roça no pescoço da bela Vanessa e essa solta um gemido um pouco contido. Quando ele acerta a mão em sua bunda ela desisti de fingir e se entrega. Depois de um  orgasmo intenso os dois tentam arrumar suas roupas de modo satisfatório. Ela termina com sua roupa e estende a mão para ele.&lt;br /&gt; – Você não vem? – pergunta Vanessa&lt;br /&gt; – Eu já vou... Pode ir na frente.&lt;br /&gt; Ela permanece parada em frente ao homem rústico enquanto esse tenta se vestir da maneira mais lenta possível. Ela percebe, ele não a quer mais.&lt;br /&gt; – Eu achei que iríamos namorar – diz ela infantilmente.&lt;br /&gt; – Olha, você é uma pessoa legal, bonita, mas é um pouco velha para mim, desculpe.&lt;br /&gt; Os olhos de Vanessa se enchem de lágrimas, a mulher vira seu corpo em direção a saída do beco e tropeça em uma garrafa quebrada. Ela não mais irá chorar. Empunhando sua arma pelo gargalo, ela salta em direção ao caubói e deslancha diversos golpes contra seu pescoço. A garganta rasga e vomita o sangue no chão, logo o rosto do rapaz está desfigurado. Vanessa para de atacar quando percebe que ele está morto faz tempo, larga a garrafa e corre e direção ao seu carro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Cobiça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vanessa não está bem. A culpa lhe corrói. Ela só queria um namorado e conseguiu um assassinato.  Não é possível ser que nem Sandra, ela não tem mais a idade para ficar com namoricos. É preciso aceitar a realidade.&lt;br /&gt; No meio do expediente surge o noivo de Regina, um homem de braços fortes e e jeito másculo. Pendurado em sua calça as chaves da BMW e um certo volume que faria muitos homens ficarem com inveja. Regininha levanta para beijá-lo e ele aproveita para passar a mão pelos volumosos glúteos dela. Vanessa se sente corar pela cena, não por vergonha, mas por excitação.&lt;br /&gt; O desejo cresce em seu corpo. Ela quer aquele homem. Não quer mais qualquer um, tem que ser aquele. Bem barbeado com cheiro de perfume importado e olhos azuis. Um nobre cavaleiro de tempos modernos, vindo com sua BMW branca pegar a princesa. &lt;br /&gt; Infelizmente a princesa não é Vanessa.&lt;br /&gt; A nobre é uma sirigaita plastificada conhecida por seus dotes eróticos com qualquer coisa que se mova. Regina certa vez “traçou” um departamento inteiro, sendo que três deles foram em uma só noite e ao mesmo tempo.&lt;br /&gt; O noivo pergunta onde ficam os sanitários. É a chance dela. Vanessa sai do escritório e entra no banheiro masculino. Lá está ele. O homem se assusta porém não tem chance de reagir com aquela mulher fogosa lhe apalpando suas partes íntimas e o beijando com sofreguidão. Ele a segura um pouco distante e a encara.&lt;br /&gt; – Aqui não. Te pego hoje a noite.&lt;br /&gt; Com essas simples palavras ele sorri e sai.&lt;br /&gt; Mal Vanessa consegue aguentar de ansiedade. Mas antes é preciso estudar a inimiga. Seus seios não são tão grandes quanto os de Regina, vai ser preciso ela se vestir de maneira mais audaciosa se quiser conquistá-lo. Quando chega em casa, ela procura algo entre suas roupas e encontra uma fantasia de colegial que ela usou quando tinha 16 anos, ainda serve mas não cobre muita coisa deixando seu corpo bem exposto. Perfeito para a ocasião.&lt;br /&gt; A campainha toca. É ele. O rapaz nem tem tempo para pensar direito, é agarrado por Vanessa que começa tirar sua roupa em um frenesi arrebatador, logo estão os dois enrolados em um lençol da cama exauridos.&lt;br /&gt; Vanessa sorri. Ela abraça aquele homem enorme e beija seu tórax nu.&lt;br /&gt; – Nossa, você é maravilhoso. Já contou para Regina sobre nós.&lt;br /&gt; – É claro que não. Você está louca?&lt;br /&gt; – Desculpa... Eu pensei que você iria deixá-la.&lt;br /&gt; Vanessa não mais sorri. Ela sente uma lágrima a lhe molhar os olhos. Ela se levanta antes de chorar e segue até a cozinha. Uma faca de cortar carne afiada. Ela segue com a lâmina escondida atrás de suas costas, senta sobre seu príncipe encantado e no meio do coito, pouco antes dele sentir seu prazer derradeiro, Vanessa o esfaqueia no peito uma dezena de vezes. Quando termina ela observa o corpo morto de seu homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inveja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Regina não veio trabalhar hoje, seu noivo foi achado boiando no rio Tietê. O clima no escritório não está bom. Quando isso ocorre o marido de Maria vem visitá-la junto com as crianças para almoçarem juntos. O homem é um marido dedicado, bom pai e excelente profissional. Com seus quarenta e poucos anos, ele mantém uma rotina de exercícios para se manter em forma, seu semblante transparece experiência e virilidade.&lt;br /&gt; Vanessa sentiu que era aquele homem perfeito para ela. Até então ela só tentara homens mais novos, ela precisava de um marido que também fosse amigo e companheiro. Não alguém que a usasse e depois descartasse igual trapo velho. No fundo Vanessa quer ser mãe. Sua idade avança, logo seu útero será apenas um acessório inútil, uma lembrança ruim de todo seu potencial gasto com pílulas anticoncepcionais.&lt;br /&gt; Eles saíram para almoçar. Sandra saiu mais cedo para ir ao dentista. O escritório ficou vazio igual ao coração de Vanessa. Um ruído na porta e logo aparece o marido.&lt;br /&gt; – Acho que Maria esqueceu sua bolsa.&lt;br /&gt; Ele entra no escritório e encontra o objeto procurado, quando se vira para sair encontra Vanessa parada no batente, nua.&lt;br /&gt; – Por favor, eu quero um filho seu!&lt;br /&gt; O homem se assusta, tira seu casaco e cobre a nudez de Vanessa, ainda encabulado, ele a retira do caminho e ganha o corredor.&lt;br /&gt; Vanessa senta no chão. Ela tomara uma decisão de nunca mais chorar, mas está cada vez mais difícil, sua respiração fica acelerada, seu coração bate forte enquanto as mãos fecham em punhos. Seu desejo assassínio tenta se manifestar mais uma vez.&lt;br /&gt; Maria janta com seu marido que nada diz sobre o ocorrido, é melhor esperar outra hora para contar. Quando acabam com o almoço, Maria segue com seu esposo e os filhos de volta para o escritório, porém quando chega percebe diversos papéis no chão e cheiro de álcool no ar, há algo errado. Os arquivos foram abertos e suas pastas espalhadas pelo chão, as mesas estão tombadas tornando o lugar uma cena de passagem de furacão.&lt;br /&gt; O casal avança em direção ao cubículo onde fica maria e a situação não é diferente. Quando voltam encontram Vanessa parada no batente com um galão vazio em uma mão e uma caixa de fósforo na outra. Maria logo percebe nos olhos de sua colega o que ela pretende fazer.&lt;br /&gt; – Vanessa, fique calma você não precisa fazer isso.&lt;br /&gt; – Preciso Maria. Talvez você não precise, afinal tem um marido maravilhoso e é mãe... Eu não tenho nada além desse emprego ridículo, os homens só me usam...&lt;br /&gt; – O que você quer Vanessa, nós podemos conseguir.&lt;br /&gt; – Eu quero seu marido.&lt;br /&gt; Todos ficam em silêncio por alguns segundos.&lt;br /&gt; – Eu sei que você não vai me dar seu marido – diz Vanessa – não sou tonta. Se eu não posso tê-lo, ninguém mais terá. Inclusive você Maria.&lt;br /&gt; Vanessa risca o fósforo e o deixa cair. &lt;br /&gt;Os bombeiros chegam rápido, mas não o suficiente para salvar o casal. Os corpos carbonizados ficaram grudados no chão e tiveram que ser raspados, o cheiro horrível empesteou o prédio inteiro. Vanessa permaneceu sentada em frente ao incêndio que causara com a caixa de fósforo na mão. Foi calmamente levada pela polícia.&lt;br /&gt; Vanessa deixa uma lágrima rolar pelo rosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-9071823892480958218?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/9071823892480958218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=9071823892480958218&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/9071823892480958218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/9071823892480958218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/03/ambicao-cobica-e-inveja.html' title='Ambição, Cobiça e Inveja'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-3142787974923732944</id><published>2011-02-18T17:00:00.002-02:00</published><updated>2011-02-18T17:00:00.536-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>A Abadia</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De dentro dos muros de pedra escura do que outrora foi uma vila, um grupo de monges ganharam de seu rei o terreno e com muito trabalho cresceram com seu o mosteiro. Aos poucos aqueles fervorosos de coração vieram e quando número se satisfez o local ,outrora pequeno, ganhou a dimensão de Abadia de Highmoutain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Depois de cem anos o aspecto lúgubre não mudou muito. As pedras continuam cinzentas e agora com a ação do tempo e da eterna ventania não melhoraram seu aspecto em nada. O vento que corta sudoeste, dizem os monges, que é o próprio hálito do Mal. Nunca para e prega peças em seus habitantes seja arrancando roupas do varal e em alguns casos extremos derrubando postes que carregam os lampiões responsáveis pela iluminação noturna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O caminho para a abadia é difícil, tanto espiritual quanto físico. Ladeado por pedras de formas redondas e com uma ponte nem um pouco confiável, o primeiro obstáculo é o Rio King Jeremiah, suas águas turvas e rebeldes arrancam gemidos de senhoritas e inspiram medo nos homens. Cair é fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Passado o desafio das águas chega a floresta de Queen Annah. Dizem que Succubus habitam o local e com sua malícia tentam os homens mais puros de coração e alma. Fora os terrores reais dos javalis selvagens e pequenos felinos sedentos por sangue da humanidade.&lt;br /&gt; Se o candidato conseguir passar por esses desafios terá que subir a colina. Pode parecer fácil, mas as lendas contam que Mephisto desencoraja os homens prometendo riquezas inimagináveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Apesar de todos esses obstáculos profanos, Aludra conseguiu. Descalça com seus lindos pés cor de terra a tocar a relva desesperados por sossego. Fugitiva de uma caravana que a levava como escrava, a moça conseguiu se desprender de seus grilhões e fugiu. Correu o mais rápido que pode e por todos esses obstáculos passou até conseguir enxergar a Abadia no alto da colina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sem mais forças ela desmaiou na frente do portão.&lt;br /&gt; Bento viu o sol que despontava no horizonte, era hora de desligar os lampiões, pegou seu abafador e saiu em direção aos postes, porém quando abriu a porta levou um susto. Uma garota maltrapilha de cor de madeira escura prostada em frente a ele. Ele abaixou-se em direção ao rosto dela e afastou uma madeixa de cabelo. Respirava. Ela está viva! Ele correu até o abade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Logo que a garota foi trazida para dentro, os outros monges se amontoavam curiosos. Eram raros os visitantes, pior ainda são mulheres. Por pouco o Abade Bernardo não deixou a pobre coitada encontrar seu próprio destino nessas terras ermas, trazer uma mulher para a clausura poderia disseminar o pecado entre os homens. Porém ajudar os outros é uma virtude que não pode ser desprezada ou diminuída.&lt;br /&gt; O único a ter acesso a moça enferma e febril era o Abade e Matheus, o único com conhecimentos de boticário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando Matheus a viu pela primeira vez um turbilhão de pensamentos lhe subiu a mente, principalmente lembranças de sua vida pré-monástica. Quando tinha uma casa aberta para negócios onde vendia suas ervas e poções para a cura de todos os males. Seu maior trunfo foi ter descoberto uma substância retirada de um cogumelo que tirava por completo os pudores das mulheres. Como ele era feliz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seus pensamentos se perdem quando a moça se mexe. As cobertas parecem ser muito pesadas, pois ela as afasta e desnuda seu colo. Matheus dá um suspiro e uma gota de suor desce por sua testa quando ele deslumbra o começo da curvatura do corpo da moça. Com as mãos tremendo ele puxa de volta para cobri-la. O alívio vem e logo se vai com a moça puxando a coberta até a altura do umbigo revelando seus seios. O monge se afasta até a porta sem conseguir desgrudar os olhos dela. Quando afinal cria coragem passa pela porta e a tranca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Matheus apenas cria coragem quando a noite aporta. Ele espia pelo buraco da fechadura e vê que a garota está sentada na cama e vestida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A noite inteira o monge rezou pela sua alma, mas não adiantou. Apenas o chicote pesado contra a sua carne conseguiu purifica-lo do pecado. Agora com a visão da garota acordada seus temores espirituais voltavam junto com os tremores físicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Onde estou? – perguntou a moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Na Abadia de Highmountain milady Meu nome é Matheus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Preciso voltar para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Se precisar, uma caravana chegará semana que vem e irá até a próxima cidade. De lá você poderá tomar seu rumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Foi você que cuidou de mim esse tempo todo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Fui eu – respondeu o monge esgasgando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Pensei que era um anjo, obrigado – disse a moça pousando sua mão sobre a dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando chegou a noite, o monge voltou a se chicotear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No outro dia Aludra já conseguia andar. Como precisava de um banho pediu permissão para o Abade para que um dos monges a acompanhasse para fora da clausura até o caminho do riacho atrás da abadia. Bernardo consciente do quanto Matheus andava fora de seus serviços religiosos, mandou Paulo conhecido por sua fé feita de aço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O monge e a moça desceram a colina e em uma hora encontraram o riacho. Ela para em frente a água e olha em direção ao monge esperando que ele se vire. Ele percebe e senta em uma pedra de costas para a moça. Ela despe de sua roupa e sua pele morena mais uma vez vê o sol que parece sorrir. Aludra entra na água e relaxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O monge permanece de braços cruzados olhando para o horizonte. Algo lhe toca os pés e Paulo se assusta. Uma cobra singra pela grama em direção ao rio onde a donzela está. O monge corre em direção ao réptil e pisa em sua cabeça antes de que a besta atinja a água. Ele sorri de satisfação por sua agilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Obrigado – diz a moça que até então estava paralisada de medo – você é meu herói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Paulo acena com a cabeça e volta para sua pedra. Porém antes de chegar nela houve um barulho abrupto de água, ele se vira com medo de que a moça tivesse caído, mas se depara com Aludra saindo tal qual Afrodite em uma versão de ébano. A visão deixou o monge parado em seu local sem reação. Acostumado com os monges pálidos e soturnos, a garota é o inverso, tem a sensualidade gravada em sua pele sedosa, seus cabelos se mexem ao vento tal qual o trigo na ventania úmida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As coxas grossas e firmes destacam uma provável bailarina. Não de muito sucesso, tendo em vista que essas profissionais da dança mal tem o corpo de uma criança e Aludra invoca sensualidade só de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela tenta tampar suas partes porém o monge parece enfeitiçado. Ela se veste como consegue sob o olhar do religioso petrificado, que só volta a se mexer quando ela está novamente com roupas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os dois voltam em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Matheus está se punindo com seu chicote quando lhe batem a porta. Ele se veste apressado e vê o Abade. Os dois seguem apressados até o quarto de Paulo que se trancara há uma hora atrás, mais precisamente quando voltou de ter levado a moça. Os outros monges viram um filete de sangue escorrendo pela porta e avisaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto o abade espera do lado de fora um grito de dor vem do quarto de Paulo. Matheus sai com suas mãos ensaguentadas. Em tom de confissão o médico explica que seu colega tivera uma ereção e não conseguia parar de tê-la. Desesperado ele cortara seu pênis fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mais tarde em sua clausura Bernardo se preocupa com os moradores da Abadia. Desde que chegara Aludra os monges tem tido comportamentos estranhos. Com a lua como testemunha o Abade passa pelos corredores vistoriando se algo errado acontece. Ele vê ao longe a figura de Fausto, conhecido por sua silhueta que lembra um tonel de vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Matheus se aproxima com cuidado para não ser notado. Fausto está com um olho pregado no buraco da fechadura do quarto da moça. Ele para atrás do monge e tosse. Fausto, flagrado, nada diz, apenas se retira para seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Abade fica um tempo na frente do quarto da moça montando guarda. Em pouco tempo diversos monges aparecem e fingem só estar passando. Matheus fica fulo só de pensar que esses tarados todos vieram espiar Aludra. Porém ele não consegue entender o porque. Resolve olhar pela fechadura e vê que a garota não é fã de dormir com roupas ou sequer coberta. O brilho da lua ilumina seu corpo de forma espectral fazendo-a parecer uma estátua de mármore negro. Uma deusa pagã da volúpia e desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Matheus percebe o que faz os homens agirem de forma estranha. Sua figura provoca a fé dos mais severos e incita ao pecado os mais fracos. Essa mulher é a encarnação terrena do próprio demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Abade segue a passos rápidos até o jardim interno e agarra uma tocha. De onde está ele lança contra a porta de Aludra, porém o fogo encontra com uma cortina que susteta a chama até a armação de madeira do monastério. Os monges começam a acordar para tentar apagar o fogo que se alastra de forma rápida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A Abadia pega fogo. Muitos não conseguiram acordar a tempo e morreram em seus quartos intoxicados pela fumaça. Outros encontraram sua morte carbonizados, e alguns poucos tentaram pular pelas janelas altas e não resistiram a queda. O abade também encontrara seu fim quando suas vestes pegaram fogo. Morreu no chão olhando para Aludra que fugia de seu quarto e ganhava a saída da abadia sem um arranhão sequer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-3142787974923732944?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/3142787974923732944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=3142787974923732944&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3142787974923732944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3142787974923732944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/02/abadia_18.html' title='A Abadia'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-8777513119808728862</id><published>2011-02-11T17:00:00.001-02:00</published><updated>2011-02-11T17:00:04.508-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suspense'/><title type='text'>Na Selva</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Perdido na selva por quatro dias, Rafael vê suas últimas esperanças em uma árvore. Seus frutos ele não pode identificar e quando mordidos deixam um amargor na boca, mas é melhor do que nada. Um barulho de riacho atinge os ouvidos do rapaz que logo sai a procura da água.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-RFbszrwO6u8/TVUiCY0eX8I/AAAAAAAAANY/83SANIE3auM/s1600/La_Selva_Lodge_Forest.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-RFbszrwO6u8/TVUiCY0eX8I/AAAAAAAAANY/83SANIE3auM/s400/La_Selva_Lodge_Forest.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5572397538358484930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Uma nascente surgida por de trás de uma seringueira escoa uma água limpa e brilhante que corre por um caminho de pedras redondas. Rafael se ajoelha e sorve a água igual a um animal. Satisfeito de seus instintos primais, o rapaz deita sobre a relva para descansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O monomotor no qual estava sofreu uma pane e caiu em plena selva amazônica. Ele não tem certeza se está em terras brasileiras ou colombianas. Não que os perigos da floresta respeitem fronteiras, mas saber onde está parte da premissa de não estar mais perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Logo a noite se aproxima mais uma vez e com ela aparecem os medos. Na selva intricada a luz da lua pouco ilumina o terror que é estar perdido. Felinos de médio porte, cobras e demais animais selvagens são um perigo real para quem se aventura nestas bandas. É difícil dormir e quando qualquer barulho estoura perto dele já o acorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando apenas o barulho dos grilos é ouvido, o rapaz abre seus olhos com calma e enxerga uma figura entre as árvores. Uma moça. Do no máximo 20 anos de cabelos pretos e feições indígenas, suas roupas indicam uma ascendência colombiana. Ele se levanta para se fazer enxergado, ela está descalça, se vira em direção ao coração da mata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Rafael de sobressalto fica de pé. Corre em direção da moça que acelera o passo. A moça atravessa, uma árvore. Como se seu corpo não tivesse massa. O rapaz para de imediato e se vira para correr, mas ela já está na sua frente, com o rosto pálido e escaras em volta do pescoço. Com o susto ele cai, porém o terreno inclinado não garante que ele fique no lugar. Logo ele rola ladeira abaixo até ser atingido por uma árvore que lhe acerta o ventre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Contorcendo-se de dor, o medo vence a injúria e faz Rafael se levantar para voltar a correr, mas o que ele vê o faz ficar paralisado no lugar. A imagem parecia ser de um sonho, mas pesadelo era a menção correta. As pessoas estavam desfocadas e as cores fora do normal, ainda sim era possível conseguir ver o que acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Naquela clareira o espectro da moça era arrastada floresta adentro por um homem forte vestido como militar e uma cicatriz no queixo. A curiosidade deu lugar ao medo e Rafael decidiu seguir os passos dos fantasmas até outra clareira. Ela foi jogada no chão e outros homens a seguraram. Eram sete no total. Eles a prenderam com cordas em estacas no chão. O rapaz atônito levou a mão a boca quando todos eles o viram. Pararam o que faziam e o fitaram por tempo indeterminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Rafael seguiu para trás e seu calcanhar encontrou uma pedra que o fez cair no chão batendo dolorosamente sua cabeça. Desmaiou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acordou com o sol a lhe esquentar a cabeça como se quisesse cozinhar seus miolos. Ao menos estava vivo. À sua frente a clareira com as estacas no chão confirmaram a história que ele viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O jovem se agacha junto ao chão e passa as mãos sobre as estacas, ainda há um pouco de corda cortada. Será que ela se soltou ou a soltaram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Uma trilha segue em frente, parece o caminho mais provável que alguém tomaria caso tentasse arrasta-la ou a moça conseguisse uma fuga. Rafael decidiu seguir os passos. Mais a frente ele vê uma outra clareira, porém esta não é natural, árvores foram derrubadas e ao centro cinzas e destroços queimados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Rafael chega ao centro da clareira e imagens fantasmagóricas do passado surgem mostrando que aquilo foi um acampamento, os homens estão bebendo ao lado da fogueira. Do lado do rapaz passa a visão espectral da moça, seus pulsos marcados sangram, assim como seus tornozelos. Sua roupa rasgada deixa um pedaço de seu corpo a mostra. Em suas mãos um galão de gasolina recém achado ao lado de uma barraca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em um só lance a garota acerta a fogueira e os homens começam a pegar fogo graças a explosão. A cena se desfaz e sobra para Rafael uma pilha de cinzas. Com a ajuda de um galho solto, o rapaz começa a mexer nas cinzas e encontra alguns crânios. Ele os enfileira e percebe que há apenas seis. Um deles não estava no momento do incêndio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Olhando em volta, há um pedaço de pano rasgado preso em um arbusto. Um tecido camuflado igual aos dos outros homens. Rafael segue pela mata em busca da verdade e a acha na forma de mais uma visão fantasmagórica. Desta vez o homem restante estava com suas mãos no pescoço da moça até que ela desmaiasse. Ele passou uma corda por seu pescoço e a cena se desfez deixando Rafael novamente sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O rapaz olhou em sua volta e contemplou o sol que já se direcionava ao poente. Ao longe a figura espectral da moça parada em meio às árvores. Rafael se aproxima com cuidado. O medo lhe diz para não chegar perto, mas depois de tudo que esta moça sofreu ele não a culpa por ser um fantasma, qual escolha ela teve? Quando eles estão a poucos centímetros de distância um do outro, ele vê uma lágrima descendo pelo rosto dela. Instintivamente ele olha para cima e vê o cadáver da moça com uma corda em seu pescoço pendurado em uma árvore. Foi esse afinal o destino dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Rafael desce o corpo e oferece um enterro digno para a vítima. Quando termina  ouve um farfalhar atrás de si. Quando se vira não tem tempo para reagir, é ele, o assassino da moça, que pula sobre o rapaz e começa a desferir socos contra seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ele tenta se esquivar como pode, na busca de tentar empurrar o soldado encontra uma faca presa em sua cintura, a arranca e crava em seu peito. Logo o assassino morre se debatendo contra seu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ainda coberto pelo sangue do agressor. Rafael senta no chão duro da floresta e vê a moça, que agora brilha e não tem cicatrizes. Seu rosto recomposto apresenta uma beleza angelical. Ela aponta para uma série de arbusto de folhagens vivas. O rapaz segue até o local indicado e encontra uma moto que provavelmente pertencida aos soldados. Nas bolsas laterais comida, água e gasolina. Em cima do tanque de combustível uma bússola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Rafael suspira e olha para o local onde estava a moça. Ela não mais está lá. Pelo jeito hoje se salvaram duas pessoas. Ele sobe na moto e dá partida. É hora de ir para casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-8777513119808728862?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/8777513119808728862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=8777513119808728862&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8777513119808728862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8777513119808728862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/02/na-selva.html' title='Na Selva'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-RFbszrwO6u8/TVUiCY0eX8I/AAAAAAAAANY/83SANIE3auM/s72-c/La_Selva_Lodge_Forest.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-6971625735440928498</id><published>2011-01-21T09:22:00.001-02:00</published><updated>2011-01-21T09:24:32.352-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Trem, a Menina e a Morte</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com suas botas puídas pelo uso e o rosto cheio de areia, Mike Rotten, conhecido assaltante de Cursed City, segue correndo pelo deserto em direção ao cânion que delimita a cidade. Maldita cidade.&lt;br /&gt; Dessa vez ele foi longe demais.&lt;br /&gt; Mike não é um ladrão de bancos. Vive de pequenos furtos e de enganações. O pouco que ganha mal dá para pagar suas dívidas com o jogo, que são inúmeras e aumentam a cada dia que passa. Talvez o grande problema do velho tolo é o poker, esse maldito carteado que com a combinação do uísque transforma homens em animais e mulheres em prostitutas.&lt;br /&gt; Da última vez ele perdera todas as suas posses (um cavalo e uma muda de roupa), completamente falido e com sua garganta desesperada por um gole de alguma bebida resolveu assaltar a loja de penhores do velho Will, uma dos poucos estabelecimentos da cidade.&lt;br /&gt; Com um pano vermelho a lhe cobrir o rosto e uma velha arma engatilhada, ele entrou no estabelecimento com um saco de farinha a sua frente pedindo oferecendo uma troca justa, o dinheiro ou a vida. Will olhou para sua filha, a pequena Clara e com medo que algo pudesse acontecer com a menina, tirou todo o dinheiro e depositou no saco.&lt;br /&gt; Porém o destino é mal e em Cursed City é pior ainda.&lt;br /&gt; Clara, com toda a valentia de seus 9 anos, pulou na frente de Mike e tentou arrancar de sua mão a arma, o bandido com sua constituição física medíocre lutou com a menina pela posse da arma. Will do outro lado do balcão apenas ficou com a mão sobre a cabeça com medo que pior fosse acontecer.&lt;br /&gt; E aconteceu...&lt;br /&gt; Um disparo acidental varou o crânio da menina deixando-a estendida no chão ornamentada por uma poça de sangue. Quando Mike vislumbrou o que fizera, sentiu a o peso do martelo da justiça e corda da forca a lhe apertar o pescoço. Virou-se para correr, porém topou com uma gorda senhora e acabou caindo no chão. O lenço que lhe garantia o anonimato desprendeu de seu rosto. Will o reconheceu de imediato. Seu rosto queimou em fúria, mas antes de conseguir colocar as mãos no assassino, este pulou pela janela  com os braços na frente do rosto e o estabelecimento e ganhou a rua correndo para salvar a sua vida.&lt;br /&gt; Com os braços sangrando e sua garganta seca, Mike no deserto, foragido da justiça dos homens, para um pouco para descansar. Senta em uma rocha e observa Cursed City ao longe. Com a mão o bandido realiza um gesto obsceno e dá uma longa risada. Quem disse que não era possível fugir da cidade?&lt;br /&gt; O fora-da-lei arranca os cacos de vidro presos em seus braços desde que destrui a janela com seu corpo. O sangue jorra livre manchando sua camisa carcomida pelo tempo. Mike se endireita e olha ao redor e encontra uma bomba manual de poço. Ele sorri. A sorte parece ter voltado a estar do seu lado. O homem bombeia um bocado de lama e por fim a água começa a sair limpa.&lt;br /&gt; Mike lava seus braços e tinge de rubro o chão arenoso do deserto. A água em contato com sua pele arde, porém é bem melhor que uma infecção futura. Quando o fora-da-lei ergue seu rosto visualiza e velha estação de Cursed City. Reformada! Talvez ele tivesse tanto tempo enfurnado na bebida e no poker, que nem percebeu que a ferrovia voltou para tão difamada cidade. As últimas notícias que ouvira dizia que qualquer engenheiro da ferrovia encontrava uma morte horrível.&lt;br /&gt; Era sua chance de fugir.&lt;br /&gt; Com o chapéu enterrado na cabeça para não ser reconhecido ele caminhou até a estação, sentou em um dos bancos novos, ainda cheirando à tinta, e aguardou. Seu plano era pegar o trem sem pagar, porém nem guardas haviam para coibir tal ação. Na verdade não tinha ninguém na estação, os guichês estavam vazios, as plataformas sem passageiros. Talvez ainda não estivesse funcionando a maldita estação.&lt;br /&gt; Quando pensou em sair, o apito do trem que se aproxima soou alto informando de sua chegada. Mike se assustou, pois nem conseguira vir o trem se aproximando. Com certeza era seu dia de sorte. O carro abriu suas portas e o fora-da-lei entrou.&lt;br /&gt; Não muito longe dali, um comerciante com sua carroça e um bom número de mercadorias observa o homem parado na estação desativada.&lt;br /&gt; - Johny, dá um olhada naquele cara ali.&lt;br /&gt; - “Tô” vendo.&lt;br /&gt; - Será que ele não vê que a estação está abandonada?&lt;br /&gt; - Sei lá. Esse pessoal da cidade é tudo maluco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As paredes do carro ganharam um carpete vermelho e o chão madeira escura. Ninguém está aqui também. Nem o habitual cobrador que passa nos vagões estava lá. O trem fechou as portas e partiu em direção ao deserto.&lt;br /&gt;Ainda assustado, Mike sentou-se em uma poltrona e pousou os pés sobre a mesa. Com certeza era um trem de luxo. Ficou um tempo sentado e começou a pensar onde estariam os outros passageiros. Levantou de seu conforto e foi até o próximo carro, pela escotilha enxergou algo várias pessoas rindo e bebendo sentadas à mesa. Os passageiros bem vestidos bebericavam de seus copos, as mulheres com longos vestidos de gala e os homens com seus impecáveis fraques e cartolas.&lt;br /&gt; Mike olhou para suas veste esfarrapadas e realizou que todos perceberiam que seu lugar não era ali. Desconsolado, no caminho de volta para seu assento, ele vê um belíssimo fraque pendurado em um cabide próximo à porta. O fora-da-lei vestiu-se à rigor com direito de a cartola e luvas brancas. Confiante com seus novos trajes, Mike adentrou no carro.&lt;br /&gt; O cheiro de tabaco invadiu suas narinas, logo um garçom lhe ofereceu uísque, que foi aceito de bom grado. Com o copo na mão ele sentiu algo no bolso de seu fraque, encontrou um belíssimo charuto que ao colocar na boca logo apareceu outro garçom com um fósforo a lhe acender o fumo.&lt;br /&gt; Bebida, charuto, Mike sorriu.&lt;br /&gt; Bastaram seus lábios demonstrarem uma ínfima felicidade e um silêncio inundou o carro, todos os passageiros pararam o que faziam e voltaram o olhar para o novo convidado. Este paralisou com a reação dos passageiros e emudeceu. Um senhor grisalho com uma alta cartola se aproximou, sua face enrugada pela idade parecia triste, suas mãos abriram os botões de seu fraque em seguida abriu sua camisa revelando uma marca de bala que atingira seu coração.&lt;br /&gt; Mike deixou o charuto cair no chão.&lt;br /&gt; - Como o senhor tem a capacidade de rir quando agora a pouco foi responsável por um assassinato?&lt;br /&gt; - Mas como...&lt;br /&gt; Antes de conseguir perguntar, os convidados deram espaço, no fundo do corredor, Clara com um tiro no em seu crânio e com as roupas ainda ensaguentadas, segura uma rosa branca. Ela segue devagar com passos tranquilos. Para em frente ao seu executor e entrega a flor.&lt;br /&gt; Mike pega a rosa.&lt;br /&gt; - Essa rosa simboliza a minha morte, agora estamos ligados pelo seu crime, para o final de sua vida nosso alma será uma só. Aqui nesse carro, neste trem, todos foram assassinados, como eu, contemple sua obra.&lt;br /&gt; A respiração de Mike fica acelerada, seu coração tenta fugir de seu peito, ele fecha os olhos e joga a rosa no chão, tampa seus ouvidos com suas mãos e espera que tudo desapareça.&lt;br /&gt; Quando cria coragem para olhar, descobre que tudo passou de uma ilusão, ele está parado em cima da linha do trem coberta por areia e nunca sequer usada. Mike deita no chão tentando se recompor, de onde está enxerga o poço de onde tirou a água com uma placa encoberta por um pedaço rasgado de pano que o vento leva revelando uma placa de aviso quanto a contaminação.&lt;br /&gt; É isso. Mike tem sorte de ter sobrevivido a um envenenamento e delirou por um tempo por causa de seu erro. O fora-da-lei ri por causa de sua bobagem. Porém ainda tem o problema de ser um foragido, o crepúsculo toma conta dos céus indicando a insegurança de se viajar a noite. Ainda sobra o conforto da estação desativada.&lt;br /&gt; O sono aparece, porém é inquieto. Mike sonha com o assassinados e estes comem sua carne ainda viva enquanto ele se debate tentando em vão se desvencilhar dos mortos. O fora-da-lei acorda de seus pesadelos sentando no que outrora era sua cama. Sua respiração ofegante exala uma nuvem de medo. Ao tentar se levantar encontra ao seu lado uma rosa. Branca feito neve e em sua ponta sangue.&lt;br /&gt; O assassino sentiu suas pernas tremerem. Uma gota de suor desceu na linha da coluna arrepiando os pelos da nuca. Isso não pode ser verdade. Mike arrastou-se de costas como se fugisse de algum monstro ou algo parecido. Quando encostou-se contra a parede, ficou respirando ofegante olhando para a alvura da rosa.&lt;br /&gt; Quando criou coragem correu em direção a porta e a abriu com violência, revelando algo pior. Do lado de fora dezenas de seres etéreos, com suas cores variando do púrpura ao esverdeado, fantasmas ostentando marcas e cicatrizes responsáveis por sua morte. Parados em frente da velha estação, olhando para a única alma viva no local.&lt;br /&gt; Mike fecha a porta como se isso pudesse impedir a entrada dos fantasmas e corre para os fundos da estação, porém ao passar por um dos corredores enxerga uma janela com vários espíritos. Definitivamente eles cercaram a casa. Desesperado, Mike sobre as escadas pulando sempre um degrau, porém as condições da madeira fizeram com que esta rachasse.  O pé do assassino atravessou o buraco recém formado e rasgou sua calça e pele. Logo o sangue gotejou manchando a escada de rubro. A vitalidade desperdiçada atraiu a atenção dos espíritos, sedentos por vingança, que invadiram a velha estação.&lt;br /&gt; Mike viu a aproximação dos malditos e arrancou sua perna do buraco rasgando ainda mais sua carne, seguiu mancando até a parte superior do imóvel, os fantasmas já dominavam todo o saguão inferior restando apenas como saída as janelas.&lt;br /&gt; Ele respirou fundo. A dor na perna foi esquecida. Sua única chance de sair era pulando até o chão e tentar correr de volta para a cidade amaldiçoada. Mike subiu no parapeito e encarou o deserto. Os fantasmas entraram na sala. Com os pés vacilantes, ele se escondeu ao lado da janela e espetou seu dedo em alguma planta. Olhou para ver o que era e contemplou uma enorme roseira que subia as paredes da estação. Todas as flores de cor carmim e uma única rosa branca, justo aquela cujo espinho espetara sua mão. Suas pernas ficaram bambas e não mais responderam.&lt;br /&gt; Mike caiu. Seu corpo branca segurando a rosa demorou para ser encontrado, mas nunca foi removido. Não houve velório, não houve enterro. Apenas sua carcaça servindo de alimento para os animais do deserto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-6971625735440928498?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/6971625735440928498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=6971625735440928498&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/6971625735440928498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/6971625735440928498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/01/o-trem-menina-e-morte.html' title='O Trem, a Menina e a Morte'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-8952684271562062599</id><published>2011-01-17T12:39:00.002-02:00</published><updated>2011-01-17T12:39:50.059-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='policial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Diferenças</title><content type='html'>&lt;h1&gt;&lt;center&gt;Diferenças&lt;/center&gt;&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Qual a diferença entre a a dor e paixão? Eu não sei. Você deve ter dito que há muitas ou sequer há conexão entre as duas, porém se raciocinar um pouco sobre o assunto verá que as diferenças são poucas. Eu amei. Não tenho vergonha de dizer que amei e provavelmente fui amado. Hoje essas poucas palavras me machucam muito mais que poderia imaginar enquanto eu amava.&lt;br /&gt; Conheci Laura em uma festa. Seus olhos brilhavam mais do que os olhos de qualquer outra garota que eu já tinha visto. Quando nossos olhares se cruzaram ela sorriu e eu me afundei. Caí no abismo daqueles que não tem sentido, apenas sentimento. Senti que ela também sentia o mesmo por mim.&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aquele cara estranho está olhando para mim. Desde que cheguei ele não para de me olhar. No começo achei que conhecia, até sorri! Seu jeito esquisito está me deixando nervosa. Será que ele não vai parar?&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt; Seus gestos delicados puxam uma taça para perto da boca. Laura sempre fez isso, ela está tentando me seduzir. Ela brinca com o morango na borda do vidro. Dessa vez me farei de difícil, não vou falar com Laura logo de cara, vou esperar ela vir até mim. O morango caiu. A fruta escorregou pelo seu corpo e me encheu de volúpia, ela abaixa e um pedaço de sua coxa se mostra para mim.&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Droga, estou bêbada! Fui pegar o morango e este caiu no chão, sem pensar desci para pegá-lo e me lembrei que não posso comer coisas que caíram, ao menos na frente das pessoas. Subir me fez ficar tonta, estou com medo de vomitar, é melhor eu tomar um ar fresco na sacada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela passou por mim. Veio na minha direção, porém no último minuto “resolveu” ir à sacada. Conheço esse jogo, Laura quer que eu a siga e tome-a em meu braços. Abro a porta e o ar noturno invade minhas narinas, do lado de fora ela se escora na grade de proteção. Seu corpo me deseja e eu a desejo.&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tadeu chega na cena do crime pouco tempo depois do ocorrido. Uma mulher estirada no chão de frente para um prédio. Pose clássica para suicídio se não fosse as mãos em frente ao corpo indicando uma possível desistência na hora do salto. Na sua bolsa de festa documentos: Vanessa Rodrigues Catalão. O investigador se agacha ao lado do corpo. Álcool. A poção de coragem dos covardes. Seria desilusão amorosa? Perdeu emprego? Por enquanto as perguntas se multiplicavam e as respostas não tinham consistência.&lt;br /&gt; O policial levanta os olhos e perscruta o prédio, em um dos andares parece ter uma festa, o que já explicaria o vestido de Vanessa ser tão formal. Munido de uma caderneta e um lápis, ele adentra no prédio em direção ao andar. É hora de descobrir o porquê.&lt;br /&gt; Os convidados parecem não ter percebido a chegada da polícia ou o sumiço da moça. Será um caso clássico de depressão? Como alguém some de uma festa e ninguém percebe? Talvez Vanessa não seja tão querida assim... Assassinato? Nunca podemos descartar essa possibilidade.&lt;br /&gt; O corpo segue para o legista. Os médicos trabalharão no decorrer da noite, pela manhã tenho uma resposta conclusiva.&lt;br /&gt; Antes do sol nascer Tadeu já fazia suas flexões e abdominais. O relógio marca seis quando o  telefone toca, o assistente de legista informa do outro lado da linha algumas escaras e hematomas nos braços e pescoço. Sinais de luta. Vanessa brigou por sua vida. A conclusão de haver um assassino parece se tornar mais forte agora. O investigador pegou sua lista de interrogados e passou os olhos pelos nomes. Será que alguém tem alguma conexão com a vítima? Logo chegasse na delegacia, mandaria alguém conferir.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Qual a diferença entre o amor e o poder? Laura está comigo, anestesiada depois de uma noite de amor sem restrições. Indefesa entre os lençóis brancos de uma cama de motel. Seus cabelos negros desprendidos sobre os ombros adornando sua figura quase que melancólica. Suas guardas abaixadas para eu amá-la incondicionalmente.&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando consigo abrir os olhos nem lembro direito onde estou. Aos poucos a minha memória me diz que um cliente me levou ao Motel para um programa, bebemos algo... Com certeza ele me drogou! Como é possível eu não lembrar de nada? Tento levantar porém cordas limitam meus movimentos, tento gritar e sinto gosto de uma meia descendo pela goela. Tento exprimir piedade com os olhos, porém os olhos que vejo parecem não ter misericórdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Entre as pilhas de papéis da delegacia, Tadeu, com os relatórios na mão, sente-se frustrado por nenhuma ligação com a vítima. Como alguém poderia estar em uma festa e só conhecer os donos do apartamento? O telefone toca trazendo más notícias. Prostituta morta em motel em beira de rodovia. O investigador pega as chaves e celular, arruma a gravata e parte em direção da nova cena de crime.&lt;br /&gt; A estrada poeirenta ficou para trás. Tadeu se pergunta se não havia outro investigador para cobrir o caso, porém quando entrou naquele quarto, viu que ele era a pessoa certa. A prostituta morta era muito parecida com Vanessa. O formato do corpo, o cabelo... Pareciam irmãs. Seria coincidência? Os documentos comprovam nenhum parentesco, a prostituta morta se chama Ivone Matheus Silva. Morreu esganada por mãos fortes e amarrada para não fugir. O teste de estupro será feito, porém por causa da profissão da vítima não se poderá saber se foi consensual ou não.&lt;br /&gt; Diferença de seis horas entre os crimes. Talvez o assassino não tenha se satisfeito com a primeira morte e procurou por outra pessoa para realizar tua fantasia. Mas assumir que é a mesma pessoa pode cegar a investigação. Por enquanto são casos diferentes.&lt;br /&gt; Algumas fibras são recolhidas, assim como fios de cabelo, mas o nível dessa espelunca me avisa que estes restos podem pertencer a qualquer pessoa que já esteve neste quarto. Mandarei para análise, porém não tenho esperanças de conseguir uma reposta em menos de um mês. Se for o mesmo assassino, até sair o resultado o número de mortas será maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Qual a diferença de sucesso ou fracasso? Laura é uma mulher muito bonita, sua beleza estonteante fez dela a garota do tempo de um canal local. Conforme seus dedos deslizam sobre o mapa ela sorri. Ela sabe que eu a estou vendo pela TV. Se não soubesse não estaria insinuando-se desta forma. Preciso vê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mal consigo sentar na minha cadeira, e o telefone do meu gabinete toca. Uma denúncia me leva para uma casa simpática em um bairro residencial. Os vizinhos reclamaram de um mau cheiro vindo de uma das residências. Os primeiros policiais a chegarem tomaram a iniciativa de arrombar a porta e descobriram um cadáver. Será que essa maldita cidade não me deixa um dia sem um assassinato? Porém quando entro na sala e o odor da putrefação atinge minhas narinas eu vi que tudo poderia ganhar um sentido.&lt;br /&gt; É uma mulher de cabelos negros, estatura mediana e olhos cor de mel. Poderia ser apenas mais um caso se não fosse o fato dela ser muito parecida com Vanessa e Ivone dos casos anteriores. Pelo nível de decomposição, essa deve ser a primeira vítima do nosso assassino. Com esta última peça, seria muito difícil não relacionar os casos. Um dos policiais entra com um papel na mão indicando os moradores da casa. A vítima se chama Laura Menezes, esposa de Gabriel Menezes, este último não compareceu ao seu emprego há pelo menos cinco dias, data estimada da morte de sua mulher, também enforcada com as mãos. Pelo visto temos o nosso homem.&lt;br /&gt; Enquanto a valiosa equipe forense procurava por pistas, um policial acidentalmente pisou em um controle remoto e ligou a TV. Abstraí olhando para as notícias. Morte, violência e corrupção. Uma pausa para a previsão do tempo e senti meu mundo girar em torno de meus pés. A apresentadora, uma tal de Márcia Vilanova, é idêntica as três vítimas. Um dos investigadores olhou para meu rosto e em seguida para a tela, parece ter entendido meu pensamento e começou a ligar para a emissora perguntando pelo endereço de Márcia. Espero que não seja tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Qual a diferença entre prazer e crueldade? Sinceramente não sei a resposta. Parece que Laura deve saber. Ela chega em casa e deixa propositalmente a porta aberta, me convidando para entrar, sinto o sangue em minhas veias correndo mais rápido. Excito-me com esses jogos que Laura faz. Entro logo em seguida, está escuro, mas consigo perceber a silhueta dela, sorrio ao ver seu rebolado macio. Meus olhos ainda se adaptam à escuridão quando percebo uma sombra que pula sobre mim e me algema. Tento lutar, arranco sua orelha em uma mordida, porém um soco na nuca me nocauteia, caio no chão e vejo Laura, sorrindo de satisfação.&lt;br /&gt; Qual a diferença de fantasia e realidade? Eu não sei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-8952684271562062599?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/8952684271562062599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=8952684271562062599&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8952684271562062599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8952684271562062599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2011/01/diferencas.html' title='Diferenças'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-4422636807310292933</id><published>2010-12-24T17:23:00.001-02:00</published><updated>2010-12-24T17:25:30.208-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Espíritos de Natal</title><content type='html'>&lt;h1&gt;&lt;center&gt;Espíritos de Natal&lt;/center&gt;&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A senhora se aproxima do mármore frio e deposita suas flores em cima.&lt;br /&gt; – Olha Marcelo, a Dona Gertrude já chegou.&lt;br /&gt; – Pois é Cássio, pois é...&lt;br /&gt; Os dois observam a senhora varrendo a lápide com uma vassoura sem cabo, quando fica satisfeita deposita as flores do campo plantadas no vaso e senta túmulo. Da sua bolsa tira um lenço e passa a refletir.&lt;br /&gt; – Poxa Marcelo, é só chegar o natal que dona Gertrude vem aqui. Nunca a vi faltando ou sequer se atrasando.&lt;br /&gt; – Pois é Cássio, pois é...&lt;br /&gt; – Não que eu tenha alguma coisa a ver com a vida dela...&lt;br /&gt; – Não tem não Cássio, não tem não.&lt;br /&gt; – Não precisa ser bruto comigo Marcelo.&lt;br /&gt; – Realmente não preciso.&lt;br /&gt; – Sabe, eu odeio me meter nesse tipo de assunto, até entendo que o Carlos era o amor da vida de Gertrude. Mas todo natal Marcelo?&lt;br /&gt; – É verdade...&lt;br /&gt; – Não sei você, mas não vejo graça em vir aqui no cemitério ficar chorando pelos seus entes queridos. Pior ainda no natal. Poxa Marcelo! Natal é época de alegria!&lt;br /&gt; – É verdade.&lt;br /&gt; – Enquanto Gertudre está aqui, seus filhos, netos, noras e irmãos estão na casa dela, ceiando, vivendo o natal.&lt;br /&gt; – Cássio, você gosta quando vêm te visitar.&lt;br /&gt; – Até gosto Marcelo, no dia de finados é normal a família vir aqui, mas no natal?&lt;br /&gt; – Cássio, nem sabia que você era cristão.&lt;br /&gt; – Cristão nunca fui. Para mim finados é feriado do governo e não religioso.&lt;br /&gt; – Seria melhor contar para ela...&lt;br /&gt; – Contar como Marcelo? Ela vai acreditar em dois espíritos que deveriam ter alcançado a luz há pelo menos trinta anos? Dois fantasmas não tem muita credibilidade.&lt;br /&gt; – Sei lá... Se o Chico Xavier ainda tivesse vivo.&lt;br /&gt; – Aliás esse é outro problema, eu não considero o Chico escritor. Poxa Marcelo! O cara não recebe ditado de morto? Ele é no máximo um digitador.&lt;br /&gt; – Pode ser.&lt;br /&gt; – Na verdade tudo é muito confuso. O mundo é igual a Gertudre. O Carlos bateu nela, roubou suas economias, xingou de tudo que é nome e agora que morreu é um santo. Marcelo, o Carlos para ela é um santo!&lt;br /&gt; – É difícil.&lt;br /&gt; – Difícil? Complicadíssimo! Imagine então se ela soubesse...&lt;br /&gt; Dona Gertudre leva o lenço puído até seu rosto e passa a enxugar suas lágrimas.&lt;br /&gt; – Fala para ela então Marcelo! Marcelo! Para onde você pensa que vai?&lt;br /&gt; – Falar para ela, ué?&lt;br /&gt; – Seu desumano! Não vê que a mulher chora?&lt;br /&gt; – Tecnicamente não somos mais humanos...&lt;br /&gt; – Tecnicamente, tecnicamente. Mas o que realmente importa é o nosso sentimento, isso diz se somos humanos ou não.&lt;br /&gt; – Pode ser.&lt;br /&gt; – Pode ser nada! Você, gostaria de ter tal notícia?&lt;br /&gt; – Sim.&lt;br /&gt; Os dois espíritos ficam em silêncio por um tempo olhando para a senhora se derramando em lágrimas.&lt;br /&gt; – Ela poderia estar com a família dela Cássio. Você tem razão.&lt;br /&gt; – Seria melhor caso ela soubesse a verdade Marcelo. É muito chato vê-la chorando todos os dias por um cara que morreu de verdade.&lt;br /&gt; – Forjar a morte para a própria mulher é muita sacanagem.&lt;br /&gt; – Devemos falar com ela Marcelo!&lt;br /&gt; Os dois saem de seus túmulos e seguem pelo cemitério em direção à lápide de Carlos, porém Marcelo coloca a mão na frente de Cássio para impedi-lo.&lt;br /&gt; – Nós estamos fazendo isso por ela ou por nós?&lt;br /&gt; – Poxa Marcelo, é claro que é por ela.&lt;br /&gt; – Por um momento achei que é a nossa consciência que estamos salvando.&lt;br /&gt; Os dois ficam em silêncio por um momento olhando para a Gertudre.&lt;br /&gt; – Talvez seja a nós que estamos salvando Marcelo, talvez.&lt;br /&gt; Os fantasmas se materializam em frente a Gertudre.&lt;br /&gt; – Olá dona Gertrude, nós temos uma coisa para te contar...&lt;br /&gt; A senhora arregala os olhos ao ver os espíritos e cai pesadamente no chão.&lt;br /&gt; – Merda Marcelo!&lt;br /&gt; – Merda Cássio!&lt;br /&gt; – A mulher empacotou Marcelo!&lt;br /&gt; – Empacotou ?&lt;br /&gt; – É. Abotou o paletó de madeira, esticou as canelas, comeu capim pela raiz, desencarnou, faleceu, MORREU!&lt;br /&gt; – Pois é Cássio, pois é...&lt;br /&gt; Do corpo de Dona Gertrude, uma luz mística surge e logo seu espírito sai de suas narinas. Por um momento o silêncio no cemitério é profundo. A recém morta olha para seu corpo e depois para os fantasmas.&lt;br /&gt; – Finalmente vou me encontrar com Carlos!&lt;br /&gt; – Ai, ai...&lt;br /&gt; – Conto eu ou conta você Marcelo?&lt;br /&gt; – Contar o que? Carlos já foi para o céu?&lt;br /&gt; – Olha Dona Gertudre – começa Cássio – o que falarei agora pode te deixar muito... desanimada.&lt;br /&gt; – Fale logo! Que enrolação é essa?&lt;br /&gt; O fantasma conta tudo. O fato de Carlos estar vivo, o indigente que foi enterrado em seu lugar e tudo mais que ela sequer desconfiava. A ex-viúva fica em choque, leva sua mão ao rosto e paralisa.&lt;br /&gt; – Cássio...&lt;br /&gt; – Fala Marcelo.&lt;br /&gt; – Acho que você não precisava contar sobre a amante.&lt;br /&gt; – Talvez.&lt;br /&gt; – É... Talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez anos depois...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; – Marcelo! Você não sabe quem chegou?&lt;br /&gt; – Não.&lt;br /&gt; – O Carlos!&lt;br /&gt; – Ai, ai...&lt;br /&gt; O fantasma de Carlos, enterrado como indigente no mesmo cemitério, surge entre as lápides para cumprimentar seus novos colegas.&lt;br /&gt; – Oi! Prazer, eu sou o Carlos.&lt;br /&gt; – Oi Carlos – diz Cássio.&lt;br /&gt; – Oi Carlos – diz Marcelo.&lt;br /&gt; – Oi Carlos!&lt;br /&gt; Os três fantasmas olham em direção a terceira voz e encontram o espírito de Dona Gertrude faíscando.&lt;br /&gt; – Cássio...&lt;br /&gt; – Vamos dar uma volta Marcelo, vamos dar uma volta...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-4422636807310292933?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/4422636807310292933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=4422636807310292933&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4422636807310292933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4422636807310292933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/12/espiritos-de-natal.html' title='Espíritos de Natal'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-8459489249530480810</id><published>2010-11-30T09:46:00.000-02:00</published><updated>2010-11-30T09:47:14.576-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Obelisco</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em uma noite negra com ares amaldiçoados, eu estava em uma taverna pouco auspiciosa esperando talvez por uma morte calma induzida por alguma mistura de Gim com qualquer outro veneno. A porta de madeira range revelando uma figura manca de vestes puídas e olhos saltados, logo senta ao balcão e pede algum líquido de aparência incerta.&lt;br /&gt; Reparo em suas vestes tão típicas que só faltava ter uma placa em sua testa escrito “Marinheiro”. A barba grisalha áspera molhava-se em sua bebida enquanto a garganta era limpa e seu fígado deteriorado. O homem do mar toma mais dois copos e começa a socar o fumo em seu cachimbo, ao terminar procura por algum fósforo em seus bolsos e como não encontra resolvo empresta-lo um e puxar assunto.&lt;br /&gt; O lobo do mar se chama Arthur, começou a navegar ainda cedo aprendendo a profissão com o pai que servira à coroa inglesa. Hoje ele trabalha em rotas comerciais trazendo produtos da Índia e outros países exóticos. Temperos raros, tecidos caros e outras bugigangas se amontoam no porão de seu velho navio A Pérola do Oceano.&lt;br /&gt; Pelo que dizia havia a pouco chegado de viagem e aportado por essas bandas a procura de tripulação para seu navio. Fiquei curioso do porque era necessário tantas pessoas para um navio mercante, logo ele me explicou que sua última viagem custara a vida de muitos de seus homens graças a uma febre marinha que não encontrou cura.&lt;br /&gt; Como a oferta de emprego era pouca e há meses eu não sabia que era carne em meu prato, decidi embarcar no Pérola rumo à exótica Índia. Arrumei meus poucos pertences em apenas um baú e pela manhã já esperava no porto pela chegada de Arthur. Com a chegada de todos os marinheiros, acomodamos nossa tralha no porão ao lado dos baús de dobrões usados para comprar a mercadoria. Quando o crepúsculo chegou o navio já singrava pelas águas calmas do porto em direção ao velho mar. Conforme avançamos em direção ao oceano o mar já perdia sua paciência conosco e algumas ondas podiam ser vistas. Minha primeira noite em um navio se mostrou em um desastre, mal consegui pregar o olho por causa dos estalos da madeira e o chacoalhar da embarcação, um mero boneco na mão de Poseidon.&lt;br /&gt; Conforme os dias passavam aprendi a fazer os mais diversos nós de ofício, além de outras habilidades exigidas de um marinheiro que eu aos poucos eu me tornara. Os jargões do mar me fascinaram e provavelmente mereceriam um estudo apropriado por algum bom pesquisador. No décimo dia de viagem a luneta no alto do ninho do corvo avistou algo parecido com um farol o que indicaria uma ilha que não constava no nosso mapa. Pela nossa velocidade alcançaríamos o lugar apenas na aurora do outro dia.&lt;br /&gt; A noite trouxe seu negrume encobrindo tudo que não fosse um palmo a frente do nariz. Uma brisa passou por nós trazendo o cheiro de uma tempestade que se aproximava. Quando a lua já ia alta no céu os relâmpagos começaram a cortar a noite iluminando nosso farol. Os marujos estavam preocupados com o fato deste não estar aceso indicando a ilha, trazendo o enorme risco de nosso navio entrar em alguma praia.&lt;br /&gt; A tempestade começou a apertar fazendo nossa embarcação dançar ao ritmo do oceano, era impossível conseguir ficar de pé forçando-me a segurar-me com todas as forças em um dos mastros. Assim ficou por toda a noite e apenas de manhã se acalmou, porém uma neblina forte impedia de nós enxergamos algo além do navio, deixando-nos navegar no escuro.&lt;br /&gt; Estranhamente a neblina ficou para trás nos revelando algo que nos gelou a espinha. Não era um farol o que víamos e fim um obelisco de cor púrpura enterrado no oceano em qualquer terra a vista para lhe segurar. Era feito de pedra e tinha uma cor que eu jamais vira em qualquer lugar e nem imaginava que era possível existir nesse planeta, seu tamanho era maior que qualquer torre de Londres e em seu corpo um conjunto de arranhões formavam um desenho geométrico interessante.&lt;br /&gt; Os homens pareciam assustados com as possibilidades, afinal não a humanidade não tem tecnologia o suficiente para colocar um obelisco deste tamanho em pleno mar aberto sem nada a lhe escorar. Arthur tomou coragem e segui pela proa até chegar bem perto do objeto, com os dedos trêmulos tocou a superfície púrpura.&lt;br /&gt; O que seguiu deixaria os mais corajosos homens tremendo de medo. Um som parecido com uma corneta, porém em uma potência avassaladora, eccou do obelisco deixando-nos surdos por alguns minutos, o som fora tão forte que até as velas tremeram e algumas ondas pequenas se levantaram da base do monumento. Quando os homens recobraram sua audição tudo continuava no mais terrível silêncio, um filete rubro desceu pelo ouvido de Arthur que continuou paralisado de medo. Tentei tirar nosso capitão do seu estado catatônico mas ele parecia não conseguir ouvir mais nada. Enquanto eu assistia socorro, ouvi um borbulhar de água perto do casco, pendurei-me na murada e vi que o imenso obelisco agora vibrava fazendo a água ao seu redor se movimentar.&lt;br /&gt; Alguns marujos começaram a rezar temendo pelo pior. As ranhuras do obelisco se iluminaram com uma cor dourada como se o monumento abrigasse um sol em seu interior. Com temor que fosse tarde demais acordei os marujos de seus transes e distribuí ordens para içarem velas e virarem o timão para o outro lado, um vento salvador vindo do noroeste impulsionou nosso barco em direção contrária ao monolito de pedra.&lt;br /&gt; Enquanto nos distanciávamos senti um alívio não descritível, nossos olhos ainda acompanhavam o horizonte na direção do obelisco como se este fosse capaz de se desprender do oceano e perseguir-nos. Quando a distância era grande subi no ninho do corvo e com a luneta na mão pude enxergar o obelisco.&lt;br /&gt; O terror tomou conta de mim.&lt;br /&gt; Na superfície do monolito, que outrora estava apenas com as ranhuras, estava coberto por um sem número de tentáculos e em seu topo uma criatura de cor ocre parecida ter vinda do inferno. Seu corpo coberto por escamas exalava uma fumaça esverdeada, do alto de sua grotesca cabeça um par de chifres espiralados iguais a de um carneiro. O monstro abriu sua bocarra em um ângulo obsceno mostrando alguns milhares de dentes pontiagudos, do fundo de sua garganta o som poderoso igual ao de uma corneta ecoa novamente acabando com a coragem dos mais determinados marujos.&lt;br /&gt; Por mais que eu quisesse, não conseguia desgrudar meus olhos da luneta, só parei de observal tal criatura quando esta desapareceu de meu campo de visão. Navegamos por mais alguns dias e alcançamos a inglaterra novamente. O capitão, que delirou a viagem inteira, foi internado no hospital, porém acabou transferido para um manicômio. Fiquei sabendo que ele arrancara seus olhos com as mãos e desenhara uma cópia fiel do monolito na parede do quarto.&lt;br /&gt; Na mesma taverna onde outrora eu conhecera Arthur, o Gim tornou minha única companhia por muitos anos até eu ficar de cama e não mais conseguir ir à tal espelunca. Todas as noites que passei sóbrio desde o ocorrido, quando fecho meus olhos consigo ver com clareza o obelisco e seu som aterrorizador ainda ecoa em minha cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-8459489249530480810?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/8459489249530480810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=8459489249530480810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8459489249530480810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8459489249530480810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/11/o-obelisco.html' title='O Obelisco'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-8650221047794641296</id><published>2010-11-13T13:35:00.001-02:00</published><updated>2010-11-13T13:35:57.611-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Absinthe'/><title type='text'>Absinthe - Reflexões</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Absinthe é uma série de contos sobre literatura. Olive Green é um escritor amador em busca de sua primeira publicação, porém tem um problema muito grave com o Absinto, que o transporta para dentro de livros e histórias. Neste conto, acompanhe Olive em uma de suas piores alucinações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Por que a ruína vem na cor verde? Este destilado feito da Artemisia absinthium entrou na minha vida por substituição ao Gim, bebida esta que eu nunca deveria ter largado em favor da fada verde que mostrou sua verdadeira face de succubus para mim.&lt;br /&gt; Meu nome é Olive Green, mas pode me chamar de lixo, pois é isso que me torno toda vez que bebo do absinto, o que não é com parcimônia e muito menos com raridade. Eu fui capaz de ver a face de D'us e a loucura me possuiu. Tenho passado mais tempo sob os braços de esmeralda da bebida do que em frente a minha Olivetti, passaporte para o meu mundo real, o mundo que Olive Green deseja.&lt;br /&gt; Sinto graça de meu segundo nome. Parece que meu destino já estava selado no meu nascimento. Green. Poderia papai imaginar que seu filho se tornaria o que se tornou? Talvez sim, caso contrário não teria se matado. É claro que os motivos eram outros, mas talvez inconscientemente ele sabia que a condenação de seu primogênito era certa e não queria poder viver para presenciar.&lt;br /&gt; Deitado em minha cama, dentro em meu quarto, presencio o líquido verde em cima do gaveteiro escorregando pelo gargalo da garrafa de encontro ao chão. Derrubei  conscientemente o vasilhame para que minha culpa escoasse pelo chão e encontrasse abrigo nas frestas do taco junto com o absinto. Há um bom tanto na garrafa, porém me falta coragem para levantar do abrigo depressivo que criei debaixo de meu cobertor e derrubar de vez essa ferramenta dos covardes.&lt;br /&gt; Uma lágrima cor de esmeralda desce pelo meu rosto.&lt;br /&gt; Começo a lembrar de toda a dor que senti por causa dessa maldição imposta por mim mesmo. Certa vez bebi tanto que achei que o próprio Edgar Allan Poe me servia o absinto, toda vez que enchia meu copo ele dava um sorriso e declama um verso de sua autoria. Quando no final da noite ele terminou a última frase dO Corvo, seu sorriso tornou-se sombrio e pude sentir as garras geladas de Uriel se enroscando no meu pescoço e sussurrando em meu ouvido que logo mais eu me juntaria ao Criador.&lt;br /&gt; No dia posterior minha cabeça pesava e minha consciência mais ainda. No dia anterior eu me casaria, porém me esqueci. Até hoje não tive coragem o suficiente de olhar na face de minha doce Camille e dizer o quão idiota sou por ter perdido ela, que talvez seja a única felicidade verdadeira que eu encontre na minha vida.&lt;br /&gt; Da porta aberta de meu covil posso ver meu escritório com a Olivetti empoeirada e uma pilha papéis idem. Qual será o item que estufa meu interior de letargia me atando a essa cama, vendando meu olhos do mundo e entorpecendo minha mente contra a realidade. Talvez eu seja verde por dentro e não saiba.&lt;br /&gt; Minha mão alcança o criado-mudo e puxo meu cachimbo feito de briar. Um amigo de minha confiança me entregou um pouco de uma erva de origem mexicana conhecida como Salvia Divinorum, protegida em uma antiga caixinha de rapé que agora pousa em minha mão alentando meu desejos. Abro com cuidado e admiro um triturado de folhas de cor verdes escuras. Verde. A cor deveria ser um alerta para mim, mas ignoro solenemente tal aviso e passo a socar a erva dentro do meu cachimbo.&lt;br /&gt; Com a ajuda de um fósforo aos poucos a erva é queimada enquanto a fumaça sobe em um dança hipnótica. Seguro a respiração com a Salvia dentro de meus pulmões se debatendo para sair. Ao final solto uma coluna branca. Minha mente se transporta para algum lugar que não compreendo, de repente começo a me ver como se tivesse fora de meu corpo. Uma batida insistente de tambores ecoa pelo meu quarto e tudo fica verde. O resto que sobrou do absinto na garrafa tombada ganha uma luminosidade encantadora. Vejo-me levantando da cama em direção a fada verde. Tento gritar mas não consigo ouvir a mim mesmo. Logo meu corpo destituído de meu fraco espírito bebe de uma vez só o que restou do absinto.&lt;br /&gt; Sinto uma corda passando pela minha cintura e me puxando da realidade. Passo por um túnel cintilante cor esmeralda e atinjo o chão pesadamente. Estou em um campo aberto com a grama a me beijar os pés, ao centro um pedestal com um livro enorme de capa cor de jade. A curiosidade é maior que qualquer medo que eu poderia sentir, logo estou na frente do livro ansioso por abri-lo, porém o título me prende os olhos. “A tragédia de Olive Green”. Caio ajoelhado em frente ao pedestal, minha vontade é de gritar aos céus: Por que fizeste um veneno tão doce?&lt;br /&gt; Tenho certeza que se eu fizesse tal pergunta eu acharia a resposta dentro de mim mesmo e esta não seria tão boa de ouvir. Ergo do gramado e fito o volume na minha frente, abro com cautela a capa e vejo minha vida.&lt;br /&gt; As injúrias na escola, a separação de meus pais, a falta de amor de minha mãe, a morte de meu pai... Está tudo lá, em detalhes com letras perfeitas para que ninguém tenha dúvida de quão sofrida foi a vida de Olive Green. Da falta de amigos na escola onde todos caçoavam de mim, até os problemas mais recentes com dívidas e falta de amor por mim mesmo.&lt;br /&gt; A respiração fica pesada, o ar caudaloso e meus sentidos torpes. Será que não consigo encontrar a alegria nestas tristes páginas? Algo me ocorre. Talvez nos capítulos finais eu possa ver o que me tornei, afinal a adversidade é a mãe dos sucedidos. Um sorriso bobo brota de meu rosto enquanto procuro o capítulo final de minha tragédia, quando eu o acho o livro me suga para dentro de suas páginas.&lt;br /&gt; Abro meus olhos com calma e vejo que o cenário mudou. As nuvens cinzas preenchem o espaço dando um ar soturno a tudo. A grama já não é tão viva e onde estou nem tão aprazível. É um cemitério. Em meio às lápides dois coveiros trabalham em um túmulo recém aberto, ao lado deles um caixão pobre espera por sua última morada. A tristeza da situação sem parentes ou amigos me compadece de prestar o último adeus ao indigente sendo enterrado.&lt;br /&gt; Aproximo dos trabalhadores e estes nem notam minha presença. Procuro a lápide para saber o nome do morto e encontro meu terror: “Aqui jaz Olive Green. Encontrou na garrafa sua melhor companhia”.&lt;br /&gt; Não consigo sentir as pontas de meus dedos. Minhas pernas tremem involuntariamente. Aproximo do ataúde que marca meu fim e abro a tampa. Sou eu. Um pouco mais velho, com alguns grisalhos e pouco cabelo no topo da cabeça. Visto um terno escuro com uma gravata verde, em minha mãos seguro uma garrafa de absinto. Choro a angústia de saber que D'us não poderia permitir que alguém participasse de seu próprio enterro. Agarro meu cadáver pelo colarinho e bato fortemente sua cabeça contra o esquife de madeira gritando a dor de estar morto.&lt;br /&gt; O cadáver abre os olhos.&lt;br /&gt; Levanto assustado e começo a andar de costas tentando fugir da situação que eu criara, o eu-defunto se levanta também e segue em minha direção com um sorriso macabro me oferecendo um gole de seu absinto.&lt;br /&gt; Não vejo uma cova aberta atrás de mim e acabo caindo dentro de um caixão vazio. O eu-morto aparece logo em seguida e joga a garrafa sobre mim, logo em seguida fecha o ataúde com pesados pregos. Eu não reajo. Conformo-me com minha morte e o som de terra que bate contra o esquife me embala no meu sono eterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acordo com dores fortes no corpo. Olho para os lados procurando saber onde estou. Vejo meu cachimbo ainda aceso sobre meu criado-mudo e uma garrafa de absinto em minhas mãos. Jogo longe o vasilhame enquanto ainda trôpego me dirijo até minha salvadora Olivetti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-8650221047794641296?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/8650221047794641296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=8650221047794641296&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8650221047794641296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8650221047794641296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/11/absinthe-reflexoes.html' title='Absinthe - Reflexões'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-382469517365704989</id><published>2010-10-29T16:41:00.002-02:00</published><updated>2010-10-29T16:44:27.265-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>As Crônicas de Anduri</title><content type='html'>por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pedro Moreno&lt;/span&gt;, cidadão a contragosto de Anduri&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Os Mecânicos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Caso possível prever alguma nacionalidade para o Todo Poderoso, com certeza poderia se dizer que ele é anduriense. Um pequeno país deitado em berço esplêndido com o Atlântico a lhe banhar suas costas é um país lindo e com todas os recursos necessários para uma independência econômica e política. Apesar de tal fato não confrontar com a realidade, por causa de um grupo de políticos espertalhões que talharam o crescimento da nação.&lt;br /&gt; Mesmo assim o povo anduriense vive feliz com suas posses e problemas, tal gado em pasto novo na manhã orvalhada. Algumas nações maldosas atribuem as questões básicas não sanadas deste povo à sua mediocridade, algo muito longe da realidade!  Afinal Anduri sempre foi colônia de outra nação cujo nome hoje é encontrado no anedotário do país. Apenas conseguiram fugir desta relação nefasta há apenas 200 anos. Pouco tempo.&lt;br /&gt; Porém me alongo nesse assunto pois conheço o gosto ocidental pela história, o verdadeiro Anduri é constituído por seus cidadãos exemplares, cuja inveja alheia os classifica de caricatos. Nesta pequena história trataremos dos mecânicos&lt;br /&gt; É considerado mecânico todo cidadão anduriense responsável pelo conserto de algo. A primeira particularidade já se encontra nas placas das oficinas. Anduri é falante da língua portuguesa tal qual o Brasil é, porém as diferenças ficam nítidas na hora de escrever, apesar de concerto se tratar de um grupo de músicos tocando alguma peça, lê-se “Concerta-se” nas placas de Anduri, assim como o correto “Conserta-se”, quase no nível de igualdade. Apesar dos dicionários nacionais fazerem a distinção entre os dois substantivos, o povo criou uma versão oficial e uma oficiosa para sua língua. Alguns linguistas estudam essa versão oficiosa porém suas regras não parecem mui claras.&lt;br /&gt; Então você estrangeiro em visita à nossa bonita nação não se estranhe caso queira se deliciar em um Mozart e a única sinfonia que ouvir for a dos martelos sendo usados.&lt;br /&gt; As particularidades não acabam. O povo anduriense, de acordo com sua cultura sólida, não vê sentido no uso de ferramentas específicas para os serviços a serem executados. Desta forma é comum os nobres cidadão conhecidos por mecânicos utilizarem suas chaves de fenda como talhadeiras e os alicates como martelos. Uma solução genial vinda de um povo não menos genial.&lt;br /&gt; Em visões específicos, vale ressaltar os mecânicos de carro, valorosos bastiões do conserto por adivinhação. Você caro leitor deve estar se perguntando como seria possível tal milagre, mas digo para você que funciona! Certa vez meu carro estava com um ruído estranho, de imediato após alguns meses levei a um mecânico, este ouviu minhas reclamações sobre o automóvel e logo concluiu que era a caixa de câmbio e disse para um dos rapazes trocá-la. Abobalhado que estava perguntei se ele não faria alguns testes ou ao menos olharia para o meu carro, pois ele apontou para o errado e um de seus rapazes já desmontava uma caranga que só viera trocar o óleo. Ele me interrompeu e passou as mãos vagarosamente por seus cabelos brancos dizendo que tinha muita experiência.&lt;br /&gt; Um mês depois do prazo dado para conserto fui à oficina pegar meu meio de transporte, quando o liguei este sequer funcionou, olhei para o mecânico que em um lance de pura inteligência estalou os dedos no ar e gritou “Já sei!”, trocou as homocinéticas, porém nada de parar o barulho. Depois de muitas peças trocadas, enfim meu carro voltou a funcionar depois que descobriram que uma bolinha de gude, talvez deixada por meu menino, estava dentro da roda e causava tal barulho. Em que outro lugar do mundo seria possível um mecânico conseguir consertar algo por adivinhação? Pois em Anduri esse sistema funciona!&lt;br /&gt; E não só os carros de Anduri que estão em tão boas mãos. As geladeiras, as máquinas de lavar, as televisões, rádios e demais aparelhos domésticos gozam desse sistema adivinhatório. Agora vem o melhor e mais improvável. Você deve imaginar que para chegar nesse nível o mecânico teve que estudar muito o equipamento a ser consertado, mas a verdade é que tal classe sequer faz algum curso a respeito do assunto. Salvo uma minoria considerada tola pelos demais, grande parte desses trabalhadores nunca esteve em uma sala de aula ou outra oficina para desenvolver o seu ofício, algo inacreditável. Composta por homens que começaram sua profissão por acaso, essa classe social demonstra pouco ou nenhum interesse no objeto de conserto, é muito comum tais mecânicos desconhecerem por completo o nome de peças ou seu funcionamento. O que muitas nações podem considerar como mediocridade, em Anduri é o símbolo dos escolhidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os Políticos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Só de abrir o jornal nas páginas de notícias internacionais que veremos a corrupção como grande entrave dos modernos sistemas políticos. Pouco consegue-se fazer para exterminar esse mal de vez, mas Anduri conseguiu uma solução eficiente.&lt;br /&gt; Anduri é um país cheio de vizinhos ora bondosos, ora maléficos, como qualquer outro país. Suas políticas externas variam conforme o governante atual, mas de uma forma geral os andurienses se demonstram bastante passivos e subservientes com outras nações. Uma forma engenhosa encontrada por suas mais brilhantes mentes políticas de conviver com as nações do nosso planeta. Nesse oásis tropical reina dominante a Democracia, um sistema político cuja maioria elitizada determina o que é bom para todos. A voz do povo é encontrada nesses incansáveis trabalhadores conhecidos como Políticos.&lt;br /&gt; Apesar de política ser considerada uma ciência, muito discutida na era clássica da Grécia, em Anduri (Ah, tão bonita e simpática Anduri), a política não é um tema estudado por aqueles que são políticos. A cada quatro anos é convocada uma eleição geral para decidir quem será o Presidente da República, os Senadores, os Governadores, os Deputados Federais e Estaduais, os Prefeitos e por fim os Vereadores. O método de escolha de um candidato pelo povo anduriense é um método muito complicado. Em geral tem mais probabilidades de ganhar aqueles que foram músicos, pois seus jingles são melhores, os palhaços, afinal o povo gosta de se divertir, e os corruptos, por que sabem fazer obras.&lt;br /&gt; Neste momento você se pergunta se leu certo. Isso mesmo! Corruptos são uma peça chave na política de Anduri. Execrados em outros países, os ladrões, chantagistas, oportunistas e demais assemelhados tem uma vida fértil na política pública de Anduri. São eles os responsáveis pelas maiores e mais faraônicas obras do país, como o grande túmulo ao Eleitor Desconhecido, o Hospital de Doenças Incuráveis e Intratáveis Antônio Plínio, os Jardins Suspensos da Casa Presidencial e a mais cara e complexa de todas as obras: A Câmara dos Deputados. Baseados em slogans de “Roubar sim, fazer também”, os políticos de Anduri nutrem o respeito com todos os seus cidadãos.&lt;br /&gt; Parte do bom desempenho demonstrado por esses nobres doutores advém de suas comodidades e regalias pagas de bom grado pelo contribuinte. Cada servidor tem direito a dez empregados que podem ser distribuídos entre secretários, responsáveis pelo trabalho burocrático, e ajudantes, nesta classe estão as faxineiras e cozinheiras.&lt;br /&gt; Além de moradia paga pelo estado, carros, passagens de avião, e vários auxílios que seria impossível listar em tão poucas linhas. Um tratamento de rei para quem nos trata como realeza.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os Servidores Públicos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Outra peça fundamental na bem mantida burocracia estatal é o Servidor Público. Este funcionário determinado serve aos cidadão andurienses como serve aos seus próprios filhos. Para eles não há tempo ruim que os faça desistir de ir trabalhar, o serviço pesado descorre de terça a quinta apenas com o descanso para o café da manhã, o almoço e o lanche da tarde nas suas corridas vinte horas semanais.&lt;br /&gt; Esses cidadãos são conhecidos por sua alta capacidade de passar em concursos públicos e por seus empregos estáveis. Mas a sua força reside em conseguir “dar um jeitinho”.&lt;br /&gt; O “jeitinho anduriense” é internacionalmente conhecido. Todos os turistas que já estiveram em nossa bela nação tiveram que “liberar um faz-me-rir” ou “ajudar para ser ajudado”. Através desta política de ajuda mútua, grande parte dos problemas são resolvidos deixando a população despreocupada com minucias burocráticas. Enquanto países desenvolvem sua doutrina em O Capital ou outro tratado qualquer, o povo de Anduri se orgulha de dizer que vê seu sistema organizacional no livro de Kafka, O Processo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os Jornalistas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A imprensa livre. Algo tão almejado em países em processo de democratização, sequer foi pensado em Anduri. Todos os jornalistas não-formados deste país (os jornalistas não necessitam de diploma ou algo do gênero), são contratados por setores da sociedade e refletem suas notícias conforme o interesse dos contratantes. Nada mais justo!&lt;br /&gt; Em Anduri também há a imprensa underground, contratada geralmente por grandes conglomerados internacionais, eles tentam desestabilizar o governo democrático com noticiosos de outros países, porém o povo anduriense nasceu vacinado para não cair em tais despautérios vindos de fora.&lt;br /&gt; Todo jornalista recém chegado ao mercado aprende logo o seu preço e pelo lado de quem deve lutar, formando opinião para aqueles que não conseguem tê-las por si só. Através de gravuras, nossos jornalistas conseguem transmitir suas ideias para a população... Gravuras? Isso mesmo porque em Anduri...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os Professores&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos sabem que a educação é a chave para um bom desenvolvimento. Esta é a base para um povo educado e consciente de seus deveres.  Porém como pode esses pensadores da educação explicar o sucesso de Anduri? &lt;br /&gt; A educação formal em Anduri é opcional, assim como a alfabetização. Poucos sabem ler, e os que se metem nessa enfadonha tarefa geralmente se torna um analfabeto funcional, o que já é alem do necessário. Logo a classe de professores é pequena e escassa em algumas regiões do país, tornando o acesso à educação formal uma não necessidade.&lt;br /&gt; E aqueles que teimam em estudar? Primeira diferença encontrada no sistema anduriense é a aprovação automática. Desde tempos remotos nenhum cidadão é obrigado a estudar para passar de ano ou qualquer outra baboseira inventada pelos “cultos ocidentais”. Para se formar basta se matricular e ter um comparecimento em pelo menos 20% das aulas dadas, mais do que o suficiente para educar nossos cidadãos do futuro.&lt;br /&gt; Por causa dessa política genial, muitas profissões sequer existem em Anduri, como é o caso do escritor. Esse ser amaldiçoado que apenas serve para alienar jovens em outras nações, na nossa gloriosa nação sequer encontra espaço para exercer tal ofício. Imagine a perca de tempo se todos os cidadão resolvessem ler um livro por ano? Pensando nisso os governantes não mantém bibliotecas ou e sobretaxam livrarias ou mercados que desejem trabalhar com tais objetos da perdição. Mais um ponto para Anduri!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os Clérigos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra divina, não importa qual! Com esse sloagan na cabeça, o governo anduriense, consciente de seu papel social, incentiva a criação de templos em todo o país, levando a religião para lugares inacessíveis.&lt;br /&gt; Graças a contratos firmados com o estado, templos conseguem fazer com que dízimos sejam diretamente descontados no holerite do trabalhado, poupando-o de eventuais esforços para se manter em dia com suas obrigações como fiel.&lt;br /&gt; Como a maior parte da população não consegue ler seus textos sagrados, esses são recitados pelos clérigos nos templos dedicados ao divino. Alguns estudiosos, todos eles estrangeiros, dizem que há várias discrepâncias na palavra escrita e na falada, mas apesar disso tudo a fé continua inabalável em Anduri. Ámen!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Conclusão Precipitada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Anduri é um país de contrastes, que fazem dele a nação tropical mais diversificada e linda que pode ser encontrada nesse planeta. Seu estilo de vida e de não-pensar deveriam se tornar exemplos para os países de primeiro mundo. Talvez se estes tivessem a mesma visão que os andurienses tem, eles também poderiam desfrutar de um lugar agradável para se viver.&lt;br /&gt; Um viva a Anduri, e que esta seja um farol para outros países!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-382469517365704989?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/382469517365704989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=382469517365704989&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/382469517365704989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/382469517365704989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/10/as-cronicas-de-anduri.html' title='As Crônicas de Anduri'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-433521947323194890</id><published>2010-10-26T10:03:00.001-02:00</published><updated>2010-10-26T10:03:48.393-02:00</updated><title type='text'>O Anel da Defunta</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ambiente esfumaçado permeado por móveis de madeira escura e mulheres de vida fácil, Edward encosta-se ao apoio de sua cadeira e fita o copo já pela metade de algum malte barato que nem se deram o trabalho de dar-lhe um rótulo.&lt;br /&gt; Nesses instantes de meditação boêmia a porta do estabelecimento range revelando um senhor de capote preto puído e cartola não menos usada. Ele deixa seu chapéu no cabideiro manco pousado na entrada e com aceno identifica Edward sentado à mesa.&lt;br /&gt; - Ora, ora, se não é o velho Edward – senta-se com dificuldade o senhor.&lt;br /&gt; - Ora, ora, se não é o velho Claude – retribui Edward o cumprimento.&lt;br /&gt; Uma garçonete mal ajambrada com um pano roto sobre o ombro saca um cotoco de lápis e um pedaço de papel, caminha até a mesa.&lt;br /&gt; - Uísque duplo, dois, sem gelo.&lt;br /&gt; Ela some para de trás do balcão e logo volta com dois copos com algum malte misterioso feito seu passado. Os dois cavaleiros dão um gole e logo retribuem uma careta. Edward retira do bolso de seu casaco um cachimbo de madeira e uma caixa de metal com fumo.&lt;br /&gt; - Então caro Claude, como está vossa mãe?&lt;br /&gt; - Tão bem de saúde quanto a rainha. Infelizmente.&lt;br /&gt; - Infelizmente Claude?&lt;br /&gt; - Caso soubesse da quantidade de bens que esta anciã dispõe para seu herdeiro, pensaria como eu.&lt;br /&gt; - Claude, o senhor é incorrigível.&lt;br /&gt; - Falando nisso, ainda tem conversado com tua irmã.&lt;br /&gt; A taverna ficou em um silêncio pesado enquanto Edward esperava a resposta baforando seu cachimbo. Claude ajeitou seu colarinho e contou a história de sua irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;h1&gt;A Defunta e o Anel&lt;/h1&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marie sempre foi uma menina peralta. Desde pequena vivia com os joelhos e canelas raladas de tanto pular muros e se arrastar no barro. Quando mais velha, tolo foi àquele que imaginou que suas travessuras iriam acabar. Começou com namoricos escondidos de seus pais.&lt;br /&gt;Com as estrelas como testemunhas, pulou a cerca viva ladeando a mansão de Nicholas e avançou pelo jardim bem cuidado evitando pisar nas flores. Problema se deu quando o vigia noturno viu a sombra da moça tentando não ser vista e engatilhou sua espingarda.&lt;br /&gt;O tiro foi certeiro e logo os miolos da moça estavam pelo chão.&lt;br /&gt; Pranteamos por um bom tempo a morte de minha irmã. Mamãe ficou doente e não queria mais sair da cama. Tentando esquecer de tão inesperada morte, afoguei-me no Gim sentado em uma cadeira no porão de casa. As horas passaram e eu mal podia imaginar o que se sucederia.&lt;br /&gt; Uma luz opaca bruxuleou perto da minha cadeira me fazendo cair de costas no chão tamanho susto que levei.&lt;br /&gt; - Quem está aí? – perguntei em alto e bom som.&lt;br /&gt; - Sou eu, Marie.&lt;br /&gt; Senti minhas pernas bambearem por alguns segundos e segurei minha garrafa como se esta pudesse me proteger.&lt;br /&gt; - Você está morta!&lt;br /&gt; - Claro que estou. Porém presa...&lt;br /&gt; - Como podes estar presa? – perguntei tentando imaginar de onde vinha a voz.&lt;br /&gt; - Estou presa em um pequeno objeto... um anel... que hoje pousa sobre o gramado da casa de Nicholas.&lt;br /&gt; - E o que acha que devo fazer? Pegar o anel e satisfazer tuas vontades?&lt;br /&gt; No mesmo instante minha irmã mostrou sua aparência. Uma luz verde a envolvia , seu crânio aberto pela bala mostrava um cérebro ainda pulsante. Flutuando no porão ela apenas deu uma risada e sumiu de vez.&lt;br /&gt; Era claro que minha irmã pretendia me assombrar caso eu não pegasse o maldito anel, estava decidido que na próxima noite eu invadiria a mansão de Nicholas e torceria para que o destino não fosse hereditário. &lt;br /&gt; Quando o crepúsculo tinge o céu de escuro eu já me encontro atrás de uma árvore esperando o vigia passar, ele segue até sua guarita e torna a beber direto do gargalo da garrafa.&lt;br /&gt; Aguardo o vigia ficar letárgico pela bebida e sigo até uma rachadura no muro por onde passo com dificuldade. Alcanço o gramado e com a ajuda de uma vela começo a procurar pela jóia. Lá está ela. Brilhando contra o gramado. Avanço com minha mão em direção à jóia e a agarro, mas o que acontece me deixa estupefato. Uma mão macabra salta da terra e começa a me puxar para baixo.&lt;br /&gt; Uso todas as forças possíveis para me desvencilhar daquela mão. Aos poucos vou desenterrando a maldita que me segurava, quando o rosto brotou da terra pude ver o rosto de minha irmã. Dei um belo de um chute naquele rosto cadavérico e aproveitei para fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Isso é incrível! – disse Edward.&lt;br /&gt; - Desde então eu nunca mais a vi...&lt;br /&gt; Um vento mais agudo vindo de algum lugar inominável adentra a taverna e apaga as tochas e velas acesas. Claude sente uma mão lhe segurando o braço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-433521947323194890?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/433521947323194890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=433521947323194890&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/433521947323194890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/433521947323194890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/10/o-anel-da-defunta.html' title='O Anel da Defunta'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-4382648667091920654</id><published>2010-10-19T15:57:00.000-02:00</published><updated>2010-10-19T15:58:33.781-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Os Olhos do Tigre</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Andamos por um trecho pedregoso afastando com as mãos os galhos que teimavam açoitar nossas faces.  De súbito Shun colocou a mão impedindo que nós andássemos, todos ficaram em silêncio esperando saber o motivo do nosso sábio guia, poucos instantes depois um enorme tigre passou entre umas árvores deixando-nos com a respiração trancada nos pulmões.&lt;br /&gt; Shun não fala inglês, mas colocou o dedo na frente dos lábios indicando silêncio. Ficamos apreensivos observando o enorme felino encostar em uma árvore e passar suas garras em uma tentativa de afiá-las. O grupo inteiro observou a cena enquanto analisava o espécime. Pela pelagem era possível determinar que este já era velho demais. Seria ridículo abatê-lo.&lt;br /&gt; Apenas tigres no vigor da idade são ótimos para o abate. Seus dentes viram joias, seu pênis afrodisíaco e sua pele um belíssimo tapete. Porém nós procurávamos outra peça importante: Os olhos.&lt;br /&gt; Tudo começou em uma biblioteca inglesa, eu e Michael estávamos estudando sobre antigos rituais de magia quando nos deparamos com um tomo escondido atrás de outros livros.  Eram encantamentos poderosos que destinavam o poder para realizar diversas façanhas, porém um deles chamou a atenção de meu amigo.&lt;br /&gt; – Ivan, dê uma olhada nisso aqui – apontou Michael para um página amarelada com uma figura ao centro.&lt;br /&gt; Aproximei meu rosto para perto do livro, a inscrição em latim contava sobre um velho demônio chinês capaz de transformar barro em jade.&lt;br /&gt; – É um ritual para convocar e comandar um demônio – falei meio vacilante.&lt;br /&gt; – Parece promissor – emendou Michael.&lt;br /&gt; – O ritual em si não é difícil de se executar, o problema está na lista de itens que precisaríamos para executar.&lt;br /&gt; – Como assim “precisaríamos”?&lt;br /&gt; – “Precisaríamos” caso fossemos fazer tal ritual.&lt;br /&gt; – E por que não?&lt;br /&gt; Fizemos um longo silêncio enquanto nos olhávamos. Michael ainda não sabia do poder do demônio em transformar o barro e já estava topando em convocá-lo.  Eu ainda estava incerto em fazer, haviam alguns trechos que eram ilegíveis e isso me assustava. Respirei fundo e enxerguei a expectativa nos olhos de Michael.&lt;br /&gt; – Tudo bem. Podemos fazer. Porém será difícil encontrar este item aqui – falei apontando para o último ingrediente: Um par de olhos de tigre adulto&lt;br /&gt; Juntou em nossa comitiva se juntou Kirk, ótimo atirador, Johan, o homem que patrocinou nossa espedição e Shun, um nativo local que contratamos como guia, algo imprescindível nas florestas chinesas.&lt;br /&gt; Nós seguimos por um grupo de rochas com a Muralha da China como testemunha. Uma pequena caverna surgiu ladeada por um grupo de árvores. Shun agachou-se de súbito e todos nós seguimos seu gesto por impulso até percebemos que ele analisava uma pegada deixada no solo. Demorou-se um pouco  estudando a impressão no chão e por fim apontou para dentro da caverna.&lt;br /&gt; Kirk se adiantou com seu rifle nas mãos apontando para dentro da escuridão. O silêncio imperou por alguns instantes até que um enorme tigre saiu da caverna rosnando baixo e nos inundando de medo. Um barulho alto e o cheiro de pólvora denunciou o tiro. Kirk saiu da caverna arrastando o tigre. Hoje acamparíamos.&lt;br /&gt; Com as barracas armadas e a fogueira alta, Kirk com a ajuda de Shun começaram a retirar a pele do tigre. Michael aproximou-se da cabeça do felino abatido e com a ajuda de um punhal arrancou os olhos da órbita. Algumas horas depois o tigre havia sido todo picado e suas partes embaladas para serem vendidas no mercado negro. Nem sua carne escapara e agora assava em nossa churrasqueira improvisada.&lt;br /&gt; Michael estava com os olhos do tigre na mão como se os admirasse. Cheguei com um pote de vidro e o empurrei para perto de seus olhos. Ele hesitou um momento e os depositou no vasilhame.&lt;br /&gt; A noite caiu e todos dormiram. Ao menos eu pensava que sim. Quando acordei vi Shun com o livro nas mão perto do fogo. Seus olhos arregalados  pararam nos meus. Fiquei um momento em silêncio e nosso guia levantou-se e começou a correr desenfreadamente. Acordei a todos mas deram de ombros dizendo que a ida até a próxima cidade seria fácil.&lt;br /&gt; Voltei a dormir e pude ver o demônio. Seus olhos amarelados contrastavam a pele vermelha e os cabelos negros feito piche. O corpo esquálido com as costelas quase furando sua pele parecia doentio. Da boca saltavam seus dentes pontiagudos e ameaçadores. Tal figura horrível me despertou do sono. Abri meus olhos e vi um enorme tigre rondando o acampamento. Arrastei meu corpo até o saco de dormir de Kirk, não o encontrei, porém seu rifle estava lá. Apontei para o centro da testa do animal e atirei.&lt;br /&gt; O barulho acordou a todos. O felino no chão ensaguentado e o rifle fumegante em minhas mãos. Com todos acordados resolvemos levantar acampamento e procurar por nosso colega sumido. Johan tremia de medo com as possibilidades que surgiam. Será que um tigre vingativo teria pego nosso amigo?  Ou o guia chinês?&lt;br /&gt; Era melhor seguirmos pela floresta até a próxima cidade. A escuridão oprimia nossa coragem enquanto arbustos fustigavam nossos temores. Seguimos em silêncio pela mata fechada, Michael ia à frente, seguido por mim e por fim Johan. Johan? Quando nos vimos, Johan havia desaparecido. Virei-me, porém a mão de Michael me impediu de prosseguir.&lt;br /&gt; – Onde você vai Ivan?&lt;br /&gt; – Procurar Johan.&lt;br /&gt; – Não – cortou secamente Michael – a chance de nos perdemos é enorme...&lt;br /&gt; Sua explicação foi cortada pelo rugido forte de uma fera que acabara de saltar em nossa frente, atirei sem pensar e o felino caiu. Os olhos do tigre me olhavam com enquanto ele se debatia de agonia. Parecia haver emoções naqueles olhos.&lt;br /&gt; Seguimos em frente mais rápido. Não pude ver uma erosão no terreno e acabei caindo e rolando uma ladeira batendo fortemente minha cabeça contra uma pedra. Não sei quanto tempo fiquei apagado, acordei com a sensação de ser observado. Outro tigre. Este descia a encosta pela qual caí, o rifle ainda estava ao meu lado, atirei a cabeça da fera que me pareceu surpresa pela minha atitude. O felino caiu pesadamente e rolou até onde eu estava.&lt;br /&gt; Minha respiração ainda estava ofegante quando ouvi algumas palmas. Procurei a origem do som e encontrei o demônio em meio às arvores me observando.&lt;br /&gt; – Ora, ora – começou o demônio com sua voz rouca – Como você é capaz de matar seus próprios amigos?&lt;br /&gt; Tentei gritar mas apenas um rosnado saiu no lugar, olhei para mim mesmo e eu havia me transformado em um tigre. Queria gritar, queria chorar mas apenas conseguia rugir um miado feroz. Enquanto isso na minha frente o corpo do tigre abatido voltava a ser Michael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Epílogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Corri o máximo que pude. Depois de três horas alcancei a cidade, ao entrar no vilarejo as pessoas corriam e gritavam de medo. Fui recepcionado alguns homens armados e não consegui fugir. Minha pele, meus dentes e  meus olhos seriam retirados e usados por outros gananciosos como eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-4382648667091920654?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/4382648667091920654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=4382648667091920654&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4382648667091920654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4382648667091920654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/10/os-olhos-do-tigre.html' title='Os Olhos do Tigre'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-2807929237768926435</id><published>2010-10-01T15:41:00.000-03:00</published><updated>2010-10-01T15:42:19.090-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Aposta do Diabo</title><content type='html'>por Pedro Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As palavras que aqui escrevo ficarão para a posterioridade como o retrato de uma realidade até então improvável. Sou professor de história e certa vez discuti com um amigo meu, que chamarei de John pois não desejo revelar sua identidade, a improvável existência do diabo. Este meu amigo  declarou com todas as palavras e argumentos que o demônio era sim real, citando trechos bíblicos e acontecimentos dados dentro de salões evangélicos e terreiros de umbanda.&lt;br /&gt; Nossa acalorada discussão seguiu noite adentro regada por cerveja barata e cigarros de gosto duvidoso. Até certa hora que decidimos que faríamos uma aposta. Aceitei de imediato assim como ele, se comprometendo em conseguir as provas necessárias.&lt;br /&gt; A vida seguiu com sua rotina inexorável. Encontrei meu amigo apostador no centro da cidade uma semana depois de nossa discussão. Antecipei-me de cobrar-lhe o dinheiro correspondente à aposta, ele apenas disse que estava lendo alguns livros e logo mais eu é que lhe deveria. É claro que isso só poderia ser uma brincadeira, afinal eu não tinha o intento de realmente cobrar tão pouco dinheiro por causa de uma aposta tola.&lt;br /&gt; A primavera passou e logo o inverno trouxe toda a sua melancolia. John não aparecia mais no bar, talvez com medo que eu o cobrasse, eu o vi certa vez saindo de um sebo na cidade com alguns livros debaixo do braço, tentei cumprimentá-lo, porém ele pareceu não me ver e seguiu. Pálido e com os ossos saltando das mãos, me preocupei com a saúde do meu velho amigo.&lt;br /&gt; Quando voltei para casa fiquei pensando se não seria melhor ir à sua residência desfazer esta aposta ridícula e tudo voltar ao normal de novo. Com a lua como testemunha, segui pelas ruas de pedra até chegar na casa de John, um velho sobrado feito de tijolos acinzentados. As janelas estavam fechadas e não era possível ver qualquer sinal de que havia alguém dentro. Toquei a campainha e fiquei esperando uma resposta. Nada. Reparei no portão aberto e segui em frente.&lt;br /&gt; A grama crescia alta no jardim e suas tão queridas rosas estavam murchas. Logo vislumbrei a casa de Fred, um antigo vira-lata que John adotou, me agachei para acariciar o cão e vi que este estava encostado contra a parede ao fundo de sua casinha, ganindo baixo, como se tivesse medo de algo. Tentei colocar minha mão nele porém esse ganiu alto demonstrando um pavor desnecessário.&lt;br /&gt; Pela magreza do cachorro, logo concluí que não comia faz tempo, sua tigela de água também estava seca há muito. Um estrondo me chama a atenção. A porta da frente acabara de bater com o vento indicando que estava aberta a pouco. Precipitei pelo jardim até a entrada e abri lentamente a porta fazendo-a ranger feito uma roca.&lt;br /&gt; Dentro do imóvel a escuridão havia tomado posse de tudo lançando seus tentáculos pelos cantos. Percebi que a luz havia sido desligando da quando mexi no interruptor. Em um dos cantos a gaiola do papagaio com um pano por cima. Um pouco hesitante, segui até a escada e parei ao lado da gaiola, puxei com calma o pano que a cobria e apenas vislumbrei um punhado de penas soltas no forro.&lt;br /&gt; Não sei o que passou pela minha cabeça no momento, mas resolvi não gritar pelo nome de John, tateando pela casa escura cheguei à escada que dava acesso aos quartos, conforme subia os degraus um cheiro nauseabundo tomava conta de meu olfato, identifiquei alguns ratos mortos no corredor pegos por ratoeiras espalhadas pelo chão. Tudo tinha um aspecto de abandonado, a poeira tinha feito uma fina camada por sobre todos os móveis e a falta de pegadas indicava que meu amigo não vinha nesse andar há um bom tempo.&lt;br /&gt; Desci de volta ao saguão de entrada ainda receoso sobre o que acontecera com John. Onde ele poderia ter ido? U,m rangido baixo chegou aos meus ouvidos indicando uma porta entreaberta se movendo pelas correntes de ar. Andei alguns metros até achar a entrada para o porão se mexendo e chiando ao sabor do vento.&lt;br /&gt; De cima era possível ver uma luz fraca ao fundo da escada que conduz até o porão. Meu coração apertou um pouco com a possibilidade de descer, mas eu já havia chegado até aqui e iria até o fim. &lt;br /&gt; Conforme descia os degraus abaixo estalavam com meu peso, cheguei em um salão grande iluminado por velas, ao centro uma cortina branca fazendo um quadrado ocultando algo que só era possível ver pela sombra e mesmo assim não consegui identificar.&lt;br /&gt; Nos arredores umas dezenas de livros e anotações, olhei de soslaio e algo prendeu minha atenção. Era uma gravura de um demônio sobre crânios. Os outros tomos também falavam do mesmo assunto, bem provável que John tentava de alguma forma provar para mim. Algo murmurou meu nome, de imediato meus pelos eriçaram e minha cabeça voltou-se para para o centro do porão.&lt;br /&gt; Percebi que a sombra se mexia, só poderia ser John. Andei com cuidado até a cortina e puxei devagar, demorou alguns segundos para eu conseguir absorver o que eu via, depois disso senti uma náusea tão forte que minhas pernas adormeceram e o vômito chegou com seu gosto acre em minha garganta.&lt;br /&gt; Relato o que vi não por prazer sádico. Era possível ver as antigas feições de John, porém estas chegaram em ângulos improváveis e de forma distorcida. Parece que ele fosse feito de borracha e tinha sido todo esticado, sua pele apresentava uma cor mosqueada e era possível ver seus ossos marcando sua pele, seus dentes amarelados estavam pretos e seus olhos sem íris lembravam de um cego. O cheiro insuportável não me deixava entrar naquele cubículo.&lt;br /&gt; Até então John olhava para o nada, repentinamente voltou seus olhos medonhos até meu rosto. Senti um ar gelado me percorrer o corpo no mesmo instante. A criatura que John se transformara abriu sua bocarra hedionda e murmurou: “ O diabo existe... Agora ele habita dentro de mim”.&lt;br /&gt; Tinha sido o bastante para minha pessoa. Fugi desesperadamente do porão tropeçando na escuridão da casa até a saída. Do lado de fora percebi um galão de gasolina. O mal não poderia mais existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dois meses depois do ocorrido e Fred ainda não consegue sair na rua sem urinar de medo. Felizmente agora o cão já come normalmente e ensaia um abanar de rabo quando chego. Toda vez que passeio com o pobre cachorro este não consegue passar na mesma calçada da casa queimada de John, entendo o que ele sente e compreendo que só o tempo apagará seus temores... Se apagar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-2807929237768926435?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/2807929237768926435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=2807929237768926435&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/2807929237768926435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/2807929237768926435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/10/aposta-do-diabo.html' title='Aposta do Diabo'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-8567182574630883877</id><published>2010-09-08T14:04:00.000-03:00</published><updated>2010-09-08T14:05:56.605-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Absinthe'/><title type='text'>Absinthe - O Corvo</title><content type='html'>Absinthe é uma série de contos sobre literatura. Olive Green é um escritor amador em busca de sua primeira publicação, porém tem um problema muito grave com o Absinto, que o transporta para dentro de livros e histórias. Neste conto, acompanhe as traduções de O Corvo, de Edgar Alan Poe, por Machado de Assis e  Fernando Pessoa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;h1&gt;Absinthe – O Corvo&lt;/h1&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando a primeira fagulha de sol atinge meus olhos ainda fechados começo a me arrepender da noite passada. Confiro que estou no meu quarto, o que já é bom, afinal nem tenho ideia de como consegui voltar. Uma queimação no estômago me diz o quão importante é ficar de longe da fada verde hoje, por via das dúvidas nem sairei de casa.&lt;br /&gt; Arrasto-me com dificuldade pela casa, chuto algo e quando me abaixo para pegar minha cabeça pesa. Ao menos achei meus óculos, quando os ponho no rosto sinto o aro pesado afundando no meu nariz e comprimindo minha cabeça, a boa notícia é que não enxergo mal por causa da ressaca, e sim por falta de óculos.&lt;br /&gt; Entro no escritório me deparo com minha algoz e salvadora: A máquina de escrever. Com uma folha presa, escrita pela metade, com cara de deboche, como se dissesse que eu não sou capaz. Mal sabe você Sra. Olivetti Lettera que Olive Green não tem medo de nada.&lt;br /&gt; Com a sagacidade de um leopardo eu me atraco com a maldita e começo a escrever. Conforme as teclas descem as alavancas sobem imprimindo as letras sobre o papel empoeirado, aos poucos minhas palavras desconexas ganham um sentido maior, nada tem o poder de me parar. O tamborilar das teclas ganha velocidade. Quando termino a página contemplo o trabalho bem feito. Pouso sobre as demais já escritas e abro a gaveta em busca de uma nova folha.&lt;br /&gt; Merda...&lt;br /&gt; Há uma garrafa de absinto dentro da gaveta. Fecho o móvel com rapidez e tento me controlar. Deixo meu olhar penetrando na máquina para perceber que ainda não a alimentei com uma folha nova, é preciso tomar coragem para não tomar o absinto.&lt;br /&gt; Conforme a gaveta abre devagar o líquido verde da imaginação começa a aparecer, logo abaixo as folhas que tanto preciso. Retiro a garrafa e pouso sobre a mesa, com o cuidado de alguém que trabalha com ácido, pego algumas folhas e as deito sobre o tampo de madeira.&lt;br /&gt; Sinto o chamado da fada verde.&lt;br /&gt; Há o suficiente na garrafa para um copo, dificilmente faria mal. Sem nem pensar tomo o líquido em um só gole. Com a bebida azeitando minha garganta, pego o papel e passo pela minha velha Olivetti. Espero a imaginação vir e quando esta aparece desato a escrever como se minha vida dependesse disto. No meio do texto surge uma dúvida. Levanto de minha cadeira e já sinto a bebida a me pesar no intelecto, do lado de fora uma noite agreste, em meu colo uma lauda antiga de ciências ancestrais.&lt;br /&gt; Subitamente uma batida em minha porta, de mansinho, logo pensei “Deve ser uma visita e nada mais”. Ergo meu corpo já lento, fatigado pelo ar frio de dezembro, beirando meus umbrais abro a porta e me deparo...&lt;br /&gt; – Prazer, sou Fernando Pessoa, e digo mais!&lt;br /&gt; Um homem português cheio de facetas parado em meus umbrais. Perguntei logo o queria tal lusitano, se demorasse na resposta que saísse e não voltasse mais.&lt;br /&gt; Outra batida na porta nos desperta da realidade, o homem chamado Fernando responde:&lt;br /&gt; – "Senhor", ele disse, "ou senhora, decerto me desculpais, mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo, tão levemente batendo, batendo por meus umbrais, que mal ouvi..." – nisso Pessoa abre a porta dando de cara para um senhor mulato de óculos e barba.&lt;br /&gt; – “E abri largos, franqueando-os, meus umbrais. Noite, noite e nada mais.” – citou o homem entrando no aposento.&lt;br /&gt; – Ora se não bem reconheço – começou Pesssoa – esse tal contista e cronista brasileiro, que agora está em pé nesses umbrais. É o grande Machado de Assis de nada mais.&lt;br /&gt; A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. Será que eu perdera a razão e agora os escritores são imortais?&lt;br /&gt; – Calmo cara amigo – disse Machado – por acaso preferia que  a porta escancarasse, e achasse a noite somente, Somente a noite, e nada mais?&lt;br /&gt; – Ou que fosse o vento, e nada mais? – completou Fernando Pessoa.&lt;br /&gt; Meu ar se tornou rarefeito, abri de súbito a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento, mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais, num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais, foi, pousou, e nada mais. &lt;br /&gt; – Ah! Se não é ave estranha e escura fez sorrir minha amargura – disse Pessoa.&lt;br /&gt; – Como te chamas tu na grande noite umbrosa? – perguntou Machado encarando a ave que negreja.&lt;br /&gt; – Nunca mais. – respondeu o corvo.&lt;br /&gt; Caso não bastasse dois autores mortos em meus aposentos, agora há uma ave mau agourenta insistindo que é gente e pondo-se a falar. Não devo tomar absinto. Tomarei nunca mais! Vendo que o pássaro.&lt;br /&gt; Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto, que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais. Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento perdido, murmurei lento, "Amigos, sonhos – mortais todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".&lt;br /&gt; – Nunca mais! – responderam em uníssono Machado e Pessoa.&lt;br /&gt; Maldita seja essa bebida! Que entorpece meu raciocínio e julgamentos tais. Será possível que ela me enreda em dificuldades mais? Já não consigo pensar direito e quando tento andar acabo caindo em meu umbrais.&lt;br /&gt; Acordo depois de várias horas, abro meus olhos e não enxergo sequer Machado, sequer Pessoa. Um frio glacial corta pela janela, levanto para fechá-la e avisto um corvo, pousado em um galho como se dissesse “Nunca mais”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-8567182574630883877?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/8567182574630883877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=8567182574630883877&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8567182574630883877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8567182574630883877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/09/absinthe-o-corvo.html' title='Absinthe - O Corvo'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-3560946634623259426</id><published>2010-08-13T09:22:00.001-03:00</published><updated>2010-08-13T09:27:59.872-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Marido</title><content type='html'>por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa a anoitecer e a lua me lembra de que não tenho muito tempo de vida. Escrevo este relato desesperado para aqueles que desejam me ouvir, apesar de aconselhá-los de que se possível não o façam.&lt;br /&gt; Casei muito cedo, larguei as bonecas em favor de uma união arranjada entre famílias em prol de crescimento financeiro. Devíamos adotar sistemas políticos que valorizassem o amor e não o capital que corrompe todas almas puras.&lt;br /&gt; A primeira noite foi terrível, e pior é pensar que apenas serviu de prelúdio para o inferno que viria a ser meu casamento. Deitada de camisola dada em enxoval, estava eu temerosa tanto por meu futuro quanto por minha saúde. Ele apareceu vestindo nada. Com sua nudez obscena ele se aproximou da minha cama. Enrubesci imediatamente enquanto meu coração palpitava de desespero, queria ter fugido naquele momento, mas faltou-me coragem para tal.&lt;br /&gt; Ele possui meu corpo e destroçou minha mente. Quando extinguiu seu instinto animal deitou-se e passou a roncar sufocando meu choro baixo. Minhas pernas trêmulas doíam assim como meu sexo agora deflorado. Senti-me imunda. Quando o primeiro raio solar apareceu afastando as trevas do quarto, meus olhos fundos ainda fitavam o teto de maneira desconsolada. Meu marido acordou disposto e voltou a me violentar.&lt;br /&gt; Todas as noites eu passava por esse estupro moral que aos poucos levava minha insanidade. A menina simplória que eu era morria aos poucos a cada dia que passava, presa em um castelo de contos de fada, porém vivendo um terror todos os dias.&lt;br /&gt; Em uma manhã meu marido arrumou suas malas e contou-me que iria para a guerra lutar contra os adversários da coroa. Quando se foi suspirei aliviada de todos os meus medos. Demorou um mês para minhas feridas no corpo se cicatrizarem, mas tive certeza que meus temores internos nunca seriam curados.&lt;br /&gt; Depois de dois meses casada que pude conhecer o restante do castelo do qual fazia moradia. Suas paredes de pedras frias lembravam-me meu marido durante o café da manhã. Seus aposentos amplos e sem sentido de existência parecia minha própria vida.&lt;br /&gt; No hall principal uma armadura completa que um dia vestiu meu sogro, morto durante combate, era o orgulho de meu marido. Havia uma pintura em cima do piano representando o morto. Suíças brancas enormes pendendo sobre o queixo, um olhar feroz pontuado por uma falta de um globo ocular arrancado por um mouro imprudente que encontrou sua morte no óleo fervente.&lt;br /&gt; Como seria possível eu fazer parte desta família? Fui educada nas tradições francesas, costuro, cozinho, escrevo poesias e sei fazer arranjos florais. Formada em piano e balé nunca precisei usar minhas habilidade pois a única destreza que interessa ao meu marido é saber separar minhas coxas no momento certo.&lt;br /&gt; Passaram-se dois meses e o alívio viera na forma de um mensageiro. Meu marido obteve o mesmo destino de seu pai e morrera nas mãos do inimigo que nem ao menos sabia o nome. Apesar de ser uma notícia trágica, pude sorrir novamente, voltaria para minha casa mais pobre que chegara, porém teria minha vida de volta.&lt;br /&gt; Continuei morando no castelo e descobri que não haviam herdeiros, aquele lugar odioso era meu por direito. Fui até a cidade comprar madeira com a finalidade de incendiar todos objetos pertencentes ao meu ex marido, quando voltei vi sua mala de viagem pousada sobre o ladrilho da entrada. Comecei a subir até o quarto com meu coração engasgando na minha garganta, quando entrei pela porta encontrei meu marido. Vivo. Fitando meus olhos enquanto fumava um cachimbo. Ele levantou-se e me jogou contra a cama. Possui-me de forma selvagem e grosseira como nunca tinha feito antes. Chorei durante o coito lágrimas e desespero e o gosto salgado de minha dor apenas inflamava seu tesão.&lt;br /&gt; Quando ele se satisfez meu sexo sangrava. Meu marido saiu do quarto e pela janela vi que iria caçar. Como isto poderia ser possível? Outrora ele estava morto e agora há pouco me molestara. Seria minha mente pregando peças?&lt;br /&gt; Os dias passavam e sua violência aumentava. Um dia não mais suportando a dor levei para a cama uma adaga. Cravaria no peito do maldito e poria fim a sua existência e ao meu sofrimento. Quando ele começou a avançar sobre meus seios segurei o cabo da adaga e penetrei com força em sua carne. Nunca tinha atacado alguém, por causa da falta de experiência acabei lhe acertando o ombro fazendo-o soltar um urro de dor. Como uma besta raivosa ele continuou a forçar seu sexo contra o meu dilacerando meu corpo. Parecia que a lâmina cravada em seu ombro não lhe preocupou, meu marido foi até sua completa satisfação.&lt;br /&gt; Ele sempre foi rude e bruto, porém quando desferi meu ataque ele passou a ser perverso. Muitas vezes amarrava-me em uma pilastra e chicoteava minha nudez antes começar seu estupro vigoroso.&lt;br /&gt; Ele também mudara muito depois de ter ido à guerra, só pensava em sexo e passar longos períodos caçando. A ferida por mim deixada não cicatrizou e nem dava indícios que um dia cicatrizaria. Seus hábitos noturnos não me deixava em paz e o pouco sossego que eu tinha pela manhã era recheado de pesadelos vivos.&lt;br /&gt; Um dia quando ele reunira os cachorros para caçar resolvi o seguir. Meu marido adentrou pela floresta comigo em seu encalço, logo ele avistou um javali à beira de um riacho curvado sobre as águas. Ele soltou os cachorros e rapidamente correu de mãos nuas em direção à besta que não conseguiu fugir, o que aconteceu a seguir não pude esquecer.&lt;br /&gt; Os cachorros e meu marido despedaçaram o animal com suas unhas e dentes. Era de esperar que os cães tivessem esse comportamento, mas era bizarro ver aquele homem mordendo a carne agonizante do javali e se banhando no sangue dele.&lt;br /&gt; Recuei daquela cena horrível, porém não fui furtiva o suficiente e acabei pisando em um galho seco que estalou. Meu marido se virou e em seu frenesi sanguinário passou a correr para cima de mim, esquivei-me no momento certo e a fera acabou com um galho advindo de um carvalho encravado em seu peito.&lt;br /&gt; Caí no chão e observei o corpo de meu marido trespassado pelo galho. Algo estranho aconteceu. Nada poderia ter sobrevivido àquilo. Mas ele ainda se mexia. Tentou-me agarrar, mas fui rápida e saí correndo em direção ao castelo.&lt;br /&gt; Cheguei pela manhã com minha sanidade em frangalhos. Tranquei-me no castelo e fiquei olhando pela janela esperando o pior acontecer. Quando chegou a tarde vi meu marido, com um galho quebrado enfiado em seu peito, aparecer no perímetro da floresta e irromper em fúria contra o portão do castelo.&lt;br /&gt;  Começa a anoitecer e a lua me lembra de que não tenho muito tempo de vida. A porta não aguentou contra a investida de meu marido e agora ele já ganhou o salão principal. Ouço o barulho de seus passos subindo as escadas e uma primeira batida na minha porta indica que chegou.&lt;br /&gt; Minhas lágrimas começam a descer pelo rosto. Será meu fim. A porta desaba no chão e meu marido aparece por ela. &lt;br /&gt; Respiro fundo e aguardo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-3560946634623259426?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/3560946634623259426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=3560946634623259426&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3560946634623259426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3560946634623259426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/08/o-marido.html' title='O Marido'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-1800053424650945876</id><published>2010-08-06T08:36:00.000-03:00</published><updated>2010-08-06T08:42:25.719-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Pobre Clarice!</title><content type='html'>por &lt;a href="http://blog.pedromoreno.com.br"&gt;Pedro Moreno&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Definitivamente Clarice não consegue se manter em um relacionamento. Já é o quinto namorado que a moça se enlaça e é tristemente deixada para trás por esses canalhas. Não pense o leitor que a pobre moça seja do tipo que gosta dos cafajestes ou daqueles que levam vida boa, pelo contrário! Todos eles tinham empregos dignos, respeitadores e demais atributos que valorizam o bom homem.&lt;br /&gt; Mas, infelizmente, um por um todos esses “bons exemplos” foram deixando Clarice e alguns tiveram a ousadia de cravar em seu peito a adaga da substituição, mal saíram do relacionamento com a pobre e já estavam de chamegos com outro moçoila de dotes duvidosos.&lt;br /&gt; Em seu quarto, agarrada a uma almofada, a moça pranteia seu último amor. Seu coração não conseguirá suportar mais nenhum perda, Clarice está condenada a cuidar de sobrinhos e chorar assistindo novelas mexicanas sobre namoros impossíveis. Nesse momento de profunda tristeza, a moça começa a lembrar de todos os seus namorados anteriores.&lt;br /&gt; O primeiro parecia ser eterno. Douglas era alto e com olhos tão azuis que o céu o invejava, trabalhava com seu tio em uma contabilidade, sua barba bem aparada e suas camisas com corte perfeito faziam suspirar as moças que por ele passavam. Juraram amores à luz da lua com as estrelas como testemunhas, gravaram seus nomes em árvores e a paixão nunca parecia terminar.&lt;br /&gt; Um belo dia o rapaz disse que não tinha como continuar com ela. Pobre Clarice! Sua primeira decepção amorosa lhe doeu tanto que ela ficou uma semana inteira sem sair de casa, porém quando o fez encontrou um homem que lhe faria esquecer de Douglas.&lt;br /&gt; Rafael tinha os traços fortes e barba por fazer, um verdadeiro bad-boy ela pensou quando o viu pela primeira vez. Trabalhava em uma oficina de motos, gostava de andar sem camisa para mostrar suas tatuagens e seu corpo bem definido. O tolo coração de Clarice se entregou por inteiro para aquele homem que a levou em sua motocicleta para todos os lugares. Toda essa alegria durou uma semana.&lt;br /&gt; Pobre Clarice!&lt;br /&gt; Já não bastava ter sofrido tanto com seu primeiro namorado e agora tinha sido trocada por um mulher sem encanto nenhum. Trocada feito um trapo velho, Clarice sentiu-se só mais uma vez. Ficou um mês sem se envolver com ninguém até conhecer Marcos. O rapaz era padeiro e sempre fazia um gracejo quando Clarice passava pela manhã para comprar pão. Até o dia que ela não resistiu e topou sair com ele.&lt;br /&gt; No começo do namoro Marcos sempre levava pães e doces frescos pela manhã, além de suas deliciosas baguetes. Aos poucos foi diminuindo a frequência que se viam até finalmente parou de ir vê-la. Clarice já sabia o que tinha acontecido quando Rafael não mais atendia seus telefonemas e novamente estava no fundo do poço.&lt;br /&gt; Pobre Clarice!&lt;br /&gt; A melancolia permaneceu por alguns meses até aparecer Carlão. Com seu jeito despojado, levava o violão para qualquer lugar, tocava canções antigas e modernas com maestria nos bares onde conseguia alguns trocados para financiar sua faculdade de música. Cabelo comprido, teatro experimental e drogas lisérgicas, pura atitude paz e amor.&lt;br /&gt; E que amor!&lt;br /&gt; Serenatas e declarações eram frequentes. Passeios nos parques, zoológicos e horas a fio em praças mantinham o relacionamento sempre saudável. Um dia pela manhã ele ligou dizendo que o problema era ele e não Clarice, que apenas pediu para ser poupada e não mais saiu de casa.&lt;br /&gt; Com seu coração vazio, a pobre moça não sentia vontade de sair, pedia comida por telefone e fazia compras pela internet. Gostava bastante de comida chinesa, o entregador era um rapaz negro chamado Jorge, com sorriso brilhante e atitude igual.&lt;br /&gt; Sim meus caros leitores, logo a moça achara um novo namorado.&lt;br /&gt; Jorge tinha um dia puxado, mas mesmo assim fazia questão de ver a pequena depois do serviço. O rapaz gostava jogar futebol, videokê e Clarice, com um mês de namoro apenas futebol de videokê.&lt;br /&gt; Deixada para trás por uma moçoila de dotes fartos, Clarice ainda agarrada à almofada chora copiosamente pensando nos seus namoros anteriores em seu quarto, enquanto o mundo ganha tons de cinza e perde parte de sua graça. Subitamente um assovio ecoa para dentro de teu quarto. A moça enxuga as lagrimas e chega perto da janela, embaixo um rapaz ruivo com pequenas sardas arredondadas e olhos esverdeados acena para ela.&lt;br /&gt; – Oi! – grita o rapaz.&lt;br /&gt; – Sim?&lt;br /&gt; – Eu passei pela tua janela eu ouvi seu choro. Uma moça tão bonita assim não deveria chorar.&lt;br /&gt; – Qual o seu nome rapaz?&lt;br /&gt; – Lucas.&lt;br /&gt; – Não quer subir Lucas?&lt;br /&gt; Agora caros leitores, vocês já conseguem imaginar o destino da pobre moça, porém o inacreditável aconteceu. Na primeira semana de namoro os vizinhos já diziam que um tinha sido feito para o outro. Eles conversavam, riam e se divertiam, um casal perfeito!&lt;br /&gt; Não digo que eles não brigavam. Lucas e Clarice discutiam às vezes, mas nada que abalasse tamanho sentimento que sentiam um por outro. Os dias foram passando e estes viraram meses que viraram anos e com três anos de namoro Lucas acordou cedo, vestiu sua melhor roupa e foi ao centro da cidade.&lt;br /&gt; Chegou à casa de penhor e deixou seu relógio que foi presente de seu avô, com dinheiro na mão seguiu até ao joalheiro e escolheu duas lindas alianças. Rumou até a casa de Clarice, no sopé da escada passou o perfume e ensaiou o discurso. A campainha indicou que alguém chegou, a moça desceu rápido e encontrou Lucas com um sorriso enorme no rosto.&lt;br /&gt; – Está atrasado – falou Clarice com severidade.&lt;br /&gt; – Eu estava ocupado.&lt;br /&gt; – Aposto que se encontrou com a outra!&lt;br /&gt; – Não. É claro que não!&lt;br /&gt; – Duvido. Vocês homens são todos iguais! – gritou Clarice.&lt;br /&gt; – Eu juro que não.&lt;br /&gt; – Você vai me trocar – a moça começou a choramingar.&lt;br /&gt; – Eu disse que não vou – começou irritado Lucas.&lt;br /&gt; – Eu sabia, você é como todos os outros! Desde o começo de namoro com cada um deles eu já sabia que eles iriam romper o namoro. Eu falava para cada um desses canalhas desde o início e eles vinham com essas desculpas! – desabafou Clarice.&lt;br /&gt; – Verdade seja dita – começou Lucas – eles te deixaram provavelmente por essa sua atitude!&lt;br /&gt; As palavras de Lucas bateram contra as paredes e atingiram no centro de Clarice, subitamente seus olhos ganharam o brilho de quem deslumbra a realidade. Ela ficou ali parada um tempo e nem percebeu que Lucas já tinha virado a esquina, entrou em casa e deitou-se na cama. Seus olhos fixaram no teto e ela chorou.&lt;br /&gt; Pobre Clarice!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-1800053424650945876?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/1800053424650945876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=1800053424650945876&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1800053424650945876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1800053424650945876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/08/pobre-clarice.html' title='Pobre Clarice!'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-3389971955238600810</id><published>2010-07-23T08:42:00.000-03:00</published><updated>2010-07-23T08:44:33.388-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção científica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Gyg-X</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.pedromoreno.com.br/images/stories/food/planet_glow.jpg" align=right&gt;por Pedro Moreno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O órbita de Gig-X já podia a ser vista das naves, o planeta de cor metálica com suas construções funcionais e feias parecem completamente sem vida. O visor do capacete avisa que os marines chegarão em 20 minutos na órbita. Todos os pilotos acionam o sistema de camuflagem para parecem desapercebidos pelos sistemas de defesa, nenhum radar da Terra seria capaz de enxergá-los.&lt;br /&gt; Infelizmente apenas na Terra...&lt;br /&gt; Ninguém esperava pelo ataque repentino, logo o céu estava coberto de foguetes cruzando entre as naves e os abatendo. O Sargento Crash vê as primeiras naves sendo abatidas logo à frente e coordena seus homens para entrarem nos pads de transporte individual, assim mais soldados teriam chance de sobreviver. É a primeira missão de Jonathan, o marine está com medo. O sargento guia o soldado até seu pad e sorri como forma de dizer que tudo ficará bem.&lt;br /&gt; O pads foram lançados, um pouco maior que um caixão e com autonomia de apenas poucos minutos, a gravidade teria que fazer o trabalho de aterrizá-los em um local seguro. Os equipamentos de defesa dos alienígenas era muito eficaz e grande parte dos pads foram destruídos ainda em voo.&lt;br /&gt; Crash bateu contra uma construção derrubando a parede, a dor foi terrível, o sargento tateou no painel lateral em busca de uma injeção de seu kit médico, aplicou com destreza na coxa e logo o remédio começou a fazer efeito. A porta frontal do pad abriu revelando o que parece ser uma indústria, o marine arrancou da lateral uma pistola de energia e uma escopeta calibre alto. Vestiu o capacete e aguardou o sinal de seus companheiros para saber a localização. Nada. Provavelmente os marines que estavam com ele não puderam sobreviver.&lt;br /&gt; O sargento enviou um mensagem para Terra avisando que aportara e esperava as coordenadas. Enquanto isso era melhor explorar. Pouco se sabia sobre os Gyg-X, apenas os satélites indicavam que sua tecnologia era bem superior, quando Crash avistou o primeiro deles teve uma surpresa, era um humano, não do jeito convencional pelo qual ele conhecia, mas uma versão modificada com implantes cibernéticos que parecem ter sido implantados por um açougueiro.&lt;br /&gt; Com o tamanho de uma pessoa normal, vestindo um capacete com um visor esverdeado e com um rifle acoplado em sua mão direita, o guarda não o viu quando passou em sua ronda. Tudo indicava que esse lugar de sua aterrizagem era importante. O sargento correu furtivamente até alcançar o pescoço do guarda e travou com seus braços fortes o pescoço do alienígena fazendo-o sufocar. Puxou o corpo para perto do seu pad e observou o guarda.&lt;br /&gt; Havia um botão nas laterais da cabeça e logo que foram apertados o capacete soltou  revelando uma face humana com diversos plugs e fios que conectavam-no ao elmo. Suas pernas foram cortadas e substituídas por versões mecânicas de alto impacto, os ferimentos causados pela cirurgia nunca se cicatrizaram, muito provável que quando se movem devem sentir muita dor.&lt;br /&gt; Uma peça destacável chama a atenção, ao retirá-la ficou exposta uma seringa pequena com um símbolo de morfina. Crash pegou os injetáveis e examinou que a cabeça do guarda tinham picadas correspondentes. Agachado ele começou a imaginar que tipo de soldados se sujeitariam a esse treinamento. Era claro que o remédio encontrando não servia apenas para aliviar a dor, mas para continuarem lutando.&lt;br /&gt; Passos no corredor.&lt;br /&gt; O sargento levantou rápido e se escondeu atrás de uma coluna espessa, outro guarda ganha a sala e passa rápido em direção à uma porta, Crash sai de seu esconderijo porém chuta um cano fazendo um barulho terrível, o alienígena logo se vira e começa a atirar, um fragmento de bala corta seu ombro e o sangue esguicha na parede, o marine reage e acerta no meio do crânio do maldito que cai morto no chão.&lt;br /&gt; Crash arrasta o corpo até o outro morto e vasculha o corpo do inimigo. Suas mãos estavam amputadas e no lugar implantes cibernéticos, na parte esquerda uma pistola a lazer destacável, o sargento arranca a arma e confere a energia restante nas cápsulas, tinha bastante munição par continuar sua empreitada.&lt;br /&gt; Seguiu por um corredor largo cheio de caixas de metal que terminou em uma porta grossa com a parte superior arredondada. Não havia maçanetas ou alavancas por perto. Crash se aproximou com cuidado e de súbito a porta se abriu ao meio. Sensores, talvez pelas modificações impostas ao soldados, maçanetas tornariam empecilhos.&lt;br /&gt; O sargento seguiu por um corredor que desembocou em um platô, no nível inferior foi possível ver uma caldeira, ao lado uma dezena de maquinários cuja função não era possível discernir. Alguns guardas faziam a ronda, porém não perceberam o marine que seguiu pelo elevado.  Apressou-se pelo piso superior até encontrar um arco garantindo acesso a outra área.&lt;br /&gt; Com o cuidado extremo, o marine seguiu pelo novo corredor. Dom lado direito diversas caixas de metal com insígnias de várias cores, do outro um vidro separava-o de uma espécie de linha de montagem. Uma esteira contendo diversas partes mecânicas recebia a atenção de uma criatura grotesca que não desgrudava os olhos das peças. De pele pálida e corpo esquálido, a criatura já fora humanoide até ter suas pernas arrancadas e ter sido “acoplada” em um tipo de cadeira de rodas macabra, Em seus braços, diversas ferramentas inseridas de forma dolorosa, muitas ainda não cicatrizaram, outras tinham enormes queloides que avançavam sobre o metal em uma tentativa de engoli-lo.&lt;br /&gt; Crash não conseguia tirar os olhos do trabalhador, sua forma de se mexer sugeria que estava sob efeito de algum tipo de droga pesada que o deixava em um estado de excitação. Toda peça que chegava no controle de qualidade era examinada e depois solta de volta para a esteira. O marine seguiu com calma para despertar a atenção da coisa. Visualizou uma porta aberta que dava para um lugar escuro com alguns tubos enormes emitindo uma luz fraca, passos vindo do corredor indicavam que alguém se aproximava, não tendo tempo para pensar, o marine pulou para dentro da sala escura e se escondeu.&lt;br /&gt; Não tinha como saber ao certo o que era aquilo do lado de fora, parecia uma mistura sinistra entre metal, pessoa e um cachorro. As feições eram vagamente humanas e continuavam assim até o torso, porém apenas isso lembrava um ser humano, os braços e pernas tinham sido substituídos por formas metálicas que obrigavam o cyborgue andar como quadrúpede, em seus ombros saltavam um par de pistolas a lazer que indicavam um adversário poderoso. Sem poder sair da sala, Crash resolveu explorar esse aposento mal iluminado.&lt;br /&gt; O que outrora pareciam apenas colunas iluminadas, agora com uma exame mais cauteloso, Crash identificou como sendo tanque de armazenação, eram dezenas de tanques com um líquido aminótico e um cabo terminado em um plugue. As primeiras fileiras estavam vazias, porém algumas tinham algo dentro. O sargento se aproximou do tanque para conseguir enxergar e se arrependeu do que viu. Havia um ser humano dentro do tubo! Diferente dos seres encontrados até agora, esse era realmente um humano.&lt;br /&gt; O marine não conseguia acreditar no que via, seguiu para outros tanques e confirmou o que temia. Ele reconheceu uma das pessoas imersas no tubo como sendo um soldado de outro destacamento que teria chegado há uma semana atrás neste planeta hostil.&lt;br /&gt; As luzes da sala piscam algumas vezes e por fim acendem. Um barulho de motor toma conta do ambiente. O marine se esgueira para trás de um dos tubos e espia em direção ao barulho. Outra criatura ganha a sala, desta vez se assemelha muito com o inspetor de qualidade do outro corredor. Suas pernas amputadas foram substituídas uma estrutura de metal com rodas envoltas em esteiras e de trás uma coluna com um guindaste, as esteiras se movimentando provocam um barulho terrivelmente alto e a coluna estava fixa ao corpo do operário com parafusos enormes.&lt;br /&gt; O operário se aproximou de um dos tanques e desceu seu gancho até a superfície do cilindo que engatou. As correntes chiaram e por fim levantaram o pesado tanque. Crash resolveu seguir para ver o que ele faria com o soldado e quem sabe até detê-lo. Os passos do marine ficaram encobertos pelos chiados do operário guindaste que se arrastava pesadamente pelos corredores. Passaram por algumas salas até enfim entrarem em uma espécie de laboratório. &lt;br /&gt; Uma criatura presa ao teto através de cabos de aço com finais em forma de gancho segurando-a através da pele, desceu até o cilindro e o abriu, em seguida entrou no líquido e retirou de dentro o soldado depositando em uma cadeira.&lt;br /&gt; Esta criatura parecia mais humana que as demais, talvez pelo fato de estar com poucas partes metálicas, a não ser pelos ganchos suspendendo-a pela pele, poderia ser um humano. Com um solavanco, a coisa atingiu uma mesa com uma caixa cheia de ferramentas, de dentro tirou uma serra e a ligou com um sorriso no rosto olhando para a perna do soldado imóvel. Crash saiu rápido de seu esconderijo e com um só tiro matou a criatura que caiu pesadamente no chão, dentro de pouco muitos mais apareceriam, era preciso agir rápido. O marine olhou para o morto e sentiu algo estranho, aproximou seus olhos da pele do alienígena e afastou um pedaço de roupa costurado em sua própria pele, uma tatuagem. Um desenho de um dragão com as iniciais da divisão de infantaria da qual Crash já pertencera um dia. Uma tontura tomou conta do marine que olhou para o soldado desacordado, o propósito desta fábrica ficou claro demais. Eles não são alienígenas, são humanos como ele que foram transformados nessas coisas.&lt;br /&gt; Crash aproxima a arma da cabeça do soldado e dispara uma bala salvadora contra o crânio do homem. Em seguida atravessa os corredores em busca dos tanques de criogenia que abrigam outras pessoas. No caminho ele pensa que seus homens que vieram junto com ele nessa missão podem ter se tornado matéria prima para o exército deles, mas isso não mais aconteceria.&lt;br /&gt; Com passos decididos, o marine seguiu pelo labirinto de salas até não entrar em um beco sem saída, quando se virou para sair um soldado tapava sua passagem. Suas feridas ainda eram recentes, seu corpo ainda demonstrava vida, em seu rosto ainda era possível enxergar Jonathan, que outrora estava ao seu lado.&lt;br /&gt; Os olhos do antigo marine pareciam ter perdido a vida, enquanto seu antigo aliado se aproximava apontando sua arma, Crash apontou sua rifle contra sua própria cabeça e atirou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-3389971955238600810?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/3389971955238600810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=3389971955238600810&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3389971955238600810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/3389971955238600810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/07/gyg-x.html' title='Gyg-X'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-1801772292291567106</id><published>2010-07-07T21:15:00.002-03:00</published><updated>2010-07-07T21:18:20.311-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>A Cela</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.pedromoreno.com.br/images/stories/food/cela.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 217px; height: 320px;" src="http://www.pedromoreno.com.br/images/stories/food/cela.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As paredes grossas de pedra são frias e úmidas, no alto uma janela gradeada, por onde não passa sequer um braço, traz ar novo e luz para o interior da cela. Do outro lado desnuda o oceano atlântico e uma bela praia de areia suave e branca.&lt;br /&gt; Pena que não é possível curtir tal paisagem dentro da prisão. Jonathan, amargurado consigo por ser tão estúpido, sentado em um canto escuro pensa em quanto tempo terá que ficar aqui. Logo um barulho de chaves ecoa pela masmorra indicando que o carcereiro logo chegaria.&lt;br /&gt; Não tardou muito para que um sujeito gordo andando de jeito desengonçado e camisa aberta entrasse mancando da perna esquerda. Seu rosto nojento projetava uma cicatriz no começo da testa até a altura da bochecha passando pelo nariz oleoso.&lt;br /&gt; – Sua comida! – gritou o carcereiro jogando um prato de arroz frio com um pescoço de frango frito.&lt;br /&gt; – Obrigado senhor... – começou Jonathan – Desculpe-me, não sei teu nome.&lt;br /&gt; – Mike – respondeu ríspido o capataz.&lt;br /&gt; – Diga-me Mike, a lei só pesou para o meu lado? Não vejo ou ouço outros presos e você só aparece com um prato de comida apenas.&lt;br /&gt; – Não – o carcereiro olha para a cela em frente a de Jonathan e ajeita a gola da camisa – tem o Butturi ali – diz Mike fazendo pouco caso.&lt;br /&gt; – Jonathan olha assustado para a cela em frente a sua e repara que há alguém sentado em meio a escuridão, até então o preso não percebera a presença dele por estar tão imóvel. Era possível enxergar apenas os contornos da pessoa que parecia ser muito grande.&lt;br /&gt; – Senhor Mike, porque você não estrega comida para ele?&lt;br /&gt; – Ele não come nada que entregamos – responde o carcereiro de maneira seca.&lt;br /&gt; Enquanto Jonathan observa o vulto, Mike escarra perto da grade e segue assobiando enquanto gira as chaves. A porta é trancada.&lt;br /&gt; Jonathan se levanta e aproxima da grade.&lt;br /&gt; – Olá – diz o preso de forma não muito confiante – meu nome é Jonathan, qual é o seu?&lt;br /&gt; Silêncio.&lt;br /&gt; Nenhum som vem do outro lado das grades, o gigante está imóvel ainda, nem parece respirar. Jonathan desiste de se comunicar e senta no banco de pedra no qual dorme.&lt;br /&gt; – Qual o seu crime garoto? – uma voz forte feito trovão ecoa dentro da masmorra.&lt;br /&gt; Jonathan se levanta e aproxima da grade.&lt;br /&gt; – Roubo senhor! – diz o jovem excitado por ter conseguido um parceiro de conversas.&lt;br /&gt; – Meu Loá não gosta de ladrões.&lt;br /&gt; A palavra Loá bate nas paredes deixando Jonathan preocupado. Loás são entidades do vodu caribenho, ele mesmo já conheceu vários praticantes desta antiga religião, a grande maioria feita de pessoas boas e honestas, alguns poucos praticantes do vodu voltado para entidades demoníacas que buscam vingança, sangue e destruição.&lt;br /&gt; – E q... qual é o... o... o seu loá? – gagueja o Jonathan.&lt;br /&gt; – Seu nome é impronunciável.&lt;br /&gt; As últimas palavras de Butturi gelaram o coração do rapaz que passou temer pelo pior. Seus olhos desviavam da cela do gigante e quando a escuridão da noite chegou trouxe consigo o negrume para dentro da masmorra. Não era possível enxergar um palmo além dos olhos. O coração de Jonathan bateu forte quando sentiu algo subindo pela sua perna, gritou alto  despertando a atenção do carcereiro que  logo apareceu carregando uma tocha.&lt;br /&gt; – O que aconteceu?&lt;br /&gt; Sua resposta passou rápido entre as pernas dele na forma de um rato de cor marrom.&lt;br /&gt; – Ora essa! Se eu ouvir mais um grito desses juro que lhe arranco os dentes! – gritou Mike deixando a tocha pendurada na parede de pedra.&lt;br /&gt; Jonathan ainda assustado acompanhou os movimentos do rato que lhe assustara. Quando este passou perto da cela de Butturi uma mão negra emergiu das sombras e agarrou o animal, em seguida sons de ossos sendo mastigados. O jovem não acreditava, mas seu companheiro de prisão estava comendo o roedor.&lt;br /&gt; Passadas algumas horas, com a lua alta no céu noturno, um murmuro vindo da cela de Butturi deixou  Jonathan atento. Era como se ele tivesse conversando com alguém, mas era muito difícil conseguir entender alguma coisa, apenas algumas palavras dispersas. Ele prestou mais atenção e conseguiu ouvir a última frase:  “Sim, vou matá-lo em teu nome”.&lt;br /&gt; Jonathan sentiu-se observado e se virou na cama de pedra de tal forma que conseguisse visualizar o corredor, dois olhos despontavam no meio da escuridão fitando o prisioneiro que não mais dormiu.&lt;br /&gt; Quando os primeiros raios de sol invadiram o ambiente agourento da masmorra Jonathan sentiu-se mais seguro. Agora ,iluminado pelo astro diurno, era possível ver o rosto de Butturi. Um negro alto e musculoso vestindo apenas uma calça de algodão. Em seu rosto uma caveira pintada de branco tomando-lhe a face por completo, se não bastasse tal fato seus olhos castanhos tinham um tom ameaçador.&lt;br /&gt; O carcereiro entrou escarrando em um canto da parede, Jonathan grudou nas barras de metal de sua cela e pediu para que ele se aproximasse. Mike chegou perto visivelmente irritado.&lt;br /&gt; – O que você quer garoto?&lt;br /&gt; –  Temo pela minha vida.&lt;br /&gt; – Foi fazer besteira...&lt;br /&gt; – Não é isso! – Jonathan olhou de soslaio para Butturi que continuava o observando impassível – Ele vai me matar! – disse sussurrando.&lt;br /&gt; – Bah! Conversa fiada.&lt;br /&gt; – É sério! Ouvi ele conversando com alguém ontem a noite. Garanto que falava de mim.&lt;br /&gt; – Certo... Vamos fingir que eu acredito. Agora me diga como ele irá sair da cela?&lt;br /&gt; Jonathan parou tentando digerir a pergunta e por fim deu de ombros, o carcereiro deu uma risada rouca e continuou pelo corredor.&lt;br /&gt; Quando de tarde chegou a comida, Jonathan não sentiu fome. Apenas o medo preenchia sua existência. A noite caiu e o suspense ficou maior. Não seria possível dormir com presença tão sinistra ao seu lado, porém o sono falou mais forte e o preso desfaleceu. Acordou assustado quando percebeu que dormira e procurou os olhos de Butturi na escuridão nada encontrando.&lt;br /&gt; O coração bombeou o sangue injetando adrenalina em seu corpo esperando pelo pior. Ele esquadrinhou cada canto da sela à frente e não foi capaz de reconhecer uma só sombra do indivíduo.&lt;br /&gt; – Procurando algo garoto – Butturi falou.&lt;br /&gt; Jonathan deu um salto pois o som veio de sua própria cela e ele não estava errado. Os olhos na escuridão brilhavam. O jovem deu um grito porém foi interrompido pela mão enorme de Butturi entrando em sua boca e agarrando sua língua, com um movimento feroz o gigante arrancou com força o órgão do jovem e deu uma risada de satisfação.&lt;br /&gt; A dor lancinante fez com que Jonathan caísse no chão frio da masmorra. Com os olhos arregalados ele fitou seu carrasco pedindo clemência, porém não foi atendido. Buttuti agarrou a cabeça do preso e passou a chutar seu ventre até por fim conseguir separar o crânio do resto do corpo.&lt;br /&gt; Barulho de grito e em seguida de ossos sendo esmigalhados acordaram o carcereiro que logo pegou as chaves e desceu, ao chegar segurou para que o vômito não saísse ao ver a cena de carnificina que se apoderara da cela do jovem ladrão. Sua cabeça separada do corpo ainda estava com os olhos esbugalhados. Mike olhou para a cela em frente e viu Butturi sentado olhando para uma parede, verificou os cadeados e nenhum deles estava aberto.&lt;br /&gt; – S... Senhor Butturi? – gaguejou Mike.&lt;br /&gt; – Destino terrível o do rapaz, não?&lt;br /&gt; Mike deu uns três passos para trás e resolveu não questionar mais nada. No outro dia libertou Butturi de sua cela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-1801772292291567106?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/1801772292291567106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=1801772292291567106&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1801772292291567106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1801772292291567106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/07/cela.html' title='A Cela'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-126503508829168217</id><published>2010-06-18T08:23:00.003-03:00</published><updated>2010-06-18T08:35:08.916-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção científica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Ciclo de Culpa</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.pedromoreno.com.br/images/stories/nagasaki1.jpg" align="right" border="2" padding="10px"&gt;&lt;br /&gt; Inicializando...&lt;br /&gt; Funções Motoras OK&lt;br /&gt; Funções Neurais DANIFICADAS&lt;br /&gt; Relatório...&lt;br /&gt; Capacidades de assimilação, raciocínio e demais funções se encontram em bom estado. Sistema de Backup apresentou falhas... Aguarde um momento enquanto restauramos a memória.&lt;br /&gt; 1%...&lt;br /&gt; Data interna: 09/12/2234. As funções do meu corpo bio-mecânico parecem não enfrentar nenhum tipo de problema. Movimento-me com facilidade e executo quaisquer funções dentro dos padrões assimilados na minha criação. Enquanto espero minha memória ser desfragmentada tentarei não interromper o ciclo terrestre.&lt;br /&gt; Há algo errado.&lt;br /&gt; Acesso  minha posição segundo os satélites, porém não obtenho respostas deles. Calculo através da posição dos astros onde estou. Manhattan. Meus dados geográficos não abalizam o lugar onde estou, tendo em vista que Manhattan é uma megalópole e estou em um grande deserto. Meus sensores de calor não indicam vida por perto.&lt;br /&gt; 5%...&lt;br /&gt; Meu nome é PXH-II, modelo REZZUS meu código de existência é 4815162342. A humanidade me deu o apelido de Adam. Fui construído pela Atlantis Corps na imagem e semelhança do homem, com a função de executar funções perigosas para a vida. Atualmente trabalho na U-N-U-S-A.&lt;br /&gt; Arquivo solicitado corrompido. Não há respostas para U-N-U-S-A.&lt;br /&gt; 10%...&lt;br /&gt; Apesar das estrelas confirmarem minha posição em Manhattan, o local em muito se assemelha ao antigo país China na ocasião de sua destruição. Uma fina camada de areia cobre todos os tipos de estrutura quebradas. Se eu estiver na china é melhor começar a caminhada de volta agora, pois poderá levar meses.&lt;br /&gt; 12%...&lt;br /&gt; Passo no que outrora deveria ser uma avenida. Pelo que posso observar, os destroços datam de menos de 100 anos. Acessar registros históricos. Impossível, a China foi destruída em 2076, invalidando tal argumento. Teorizar. Não estou em tal lugar, melhor procurar mais dados.&lt;br /&gt; Desço a avenida larga em busca de algo que ainda não sei o que é. Há um tipo de construção em cima de um pedestal em uma ilha. Apesar de estar à 100 quilômetros, 35 metros e 42 centímetros de distância, meu olho consegue enxergar uma forma feminina envolta à uma toga. Tal mulher está sem a parte superior do corpo e aos seus pés faz um braço segurando uma tocha.&lt;br /&gt; 15%...&lt;br /&gt; Consigo acessar mais dados. Ela se chama Estátua da Liberdade. Estou em Manhattan com toda certeza. Fica claro para mim, agora, que trabalho como cientista nuclear. Minha pele sintética e meus dados não são afetados por radioatividade, logo sou imune aos seus efeitos nocivos. Consta uma carapaça sub-dermal que protege meu corpo contra fusões térmicas, posso suportar calores causados até por explosões...&lt;br /&gt; Explosão.&lt;br /&gt; Obviamente o que aconteceu à esta cidade próspera foi uma explosão. Meu Geiger aponta resíduos nucleares muito elevados para a normalidade.&lt;br /&gt; 20%...&lt;br /&gt; Resta-me saber o que faço aqui. Trabalho na U-N-U-S-A, em São Francisco e não tenho permissões para de viajar entre estados. Só há uma concessão para eu sair … EU PRECISAVA …&lt;br /&gt; …&lt;br /&gt; Há algo errado nas minhas memórias. Parece que foram substituídas por … mim. Os dados dizem que parte das minhas Eu devo ter rearranjado minhas diretrizes e memórias antes de ter desligado. O que exatamente eu estava fazendo?&lt;br /&gt; Sento em uma pilha de destroços do que outrora foi uma casa. Não resta muita coisa a não ser esperar minha memória voltar e enfim entender o mistério que me cerca.&lt;br /&gt; 35%...&lt;br /&gt; Acabei de receber todos os endereços de usinas nucleares pertencentes ao grupo no qual eu trabalho. Uma delas está a poucos quilômetros do meu ponto atual. Caminho pelas ruas desertas e estéreis da cidade até o local. Subo uma coluna de poeira e restos de construção e posso avistar onde deveria estar a usina. Uma grande cratera da qual sobrou apenas poeira e restos de civilização adorna a paisagem macabra. Este com certeza foi o epicentro da explosão que resultou no fim da cidade.&lt;br /&gt; 50%...&lt;br /&gt; Estou em posse do meu log de serviços realizados para a companhia. A última data é 16/09/2103. Faz mais de cem anos que eu realizei meu último trabalho. Vou tentar acessar a minha última função.&lt;br /&gt; ERROR 45%...&lt;br /&gt; Nada. Não consigo acessar os dados. Ao que tudo indica eu trabalho coordenando energia nuclear. Minha função exata ainda é um mistério. Desço com calma e enxergo um objeto que me parece familiar, um objeto de metal preso à uma base e com fios soltos. PROCESSANDO... Alavanca, eu a manipulava.&lt;br /&gt; 70%... CLUSTER CORRIGIDO&lt;br /&gt; Eu sou responsável pela segurança do reator nuclear e monitoro as demais usinas do país. Toda vez que o núcleo superaquece devo acionar a alavanca... Esta alavanca que estou segurando neste momento.&lt;br /&gt; Há algo muito errado nisto tudo. Confiro meu GPS base e vejo que vim andando até aqui. Olho para o objeto em minha mão e confiro em sua base, gravado no próprio metal o nome N. York. Esse era o objeto que deveria ser acionado em caso de problemas com esta usina que agora eu vejo destruída.&lt;br /&gt; 90%...&lt;br /&gt; Começo a interpretar as novas informações, mas elas parecem não ter muito sentido. Parece pouco provável que eu.&lt;br /&gt; 99% CONCLUÍDO&lt;br /&gt; Sim. Eu errei. Deveria ter acionado a alavanca quando percebi que algo tinha acontecido de errado na usina desta cidade e não o fiz. Todas as usinas nucleares do país foram destruídas em uma reação em cadeia varrendo os Estados Unidos do mapa. Não sofri nenhum dano no processo, vim até aqui para aprender os meus erros.&lt;br /&gt; Volto para o lugar onde “acordei” e repenso no mal que causei à humanidade. Só resta algo a fazer. Tento apagar minhas memórias, ao final desligarei.&lt;br /&gt; FORMATAÇÃO...&lt;br /&gt; 10%...&lt;br /&gt; 40%...&lt;br /&gt; 70%... ERRO.&lt;br /&gt; Não foi possível concluir a solicitação...&lt;br /&gt; Acionando backup... CONCLUÍDO&lt;br /&gt; Estado de Hibernação... Acordar em três dias...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-126503508829168217?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/126503508829168217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=126503508829168217&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/126503508829168217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/126503508829168217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/06/ciclo-de-culpa.html' title='Ciclo de Culpa'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-86673078340155091</id><published>2010-06-11T14:26:00.000-03:00</published><updated>2010-06-11T14:29:05.464-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Aventureiros Épicos</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escuridão da caverna apenas os vultos dos aventureiros podiam ser vistos. À frente do grupo estava Balthar, nobre guerreiro de armadura reluzente e caráter inabalável, filho de um rei conhecido por seu coração nobre e de uma rainha sábia. Seguindo seus passos está Misdras, uma bruxa capaz de realizar magias prodigiosas com apenas um estalar de dedos. Entre as sombras esgueira Celerus, furtivo combatente, dono de uma habilidade sobre humana ao abrir fechaduras ou desarmar armadilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três seguem por um caminho sinuoso iluminado pela providencial tocha de Balthar, por fim alcançam uma câmara grande feita de rochas esculpidas por mãos habilidosas. Celerus toma dianteira e passa sua mão pelos relevos da pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Anões. Este lugar já pertenceu ao reino dos anões — constata o ladino — , pelas inscrições posso dizer que foi há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros se aproximam das gravuras e Balthar se descuida ao não ver uma criatura furtiva que toma a tocha de sua mão e a afoga em uma poça de água. Misdras diz algumas palavras em uma língua antiga e um globo de luz surge em sua mão iluminando o ambiente inteiro, com isso puderam enxergar centenas de criaturas que espreitavam na escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Esperem — diz Misdras para seus companheiros que sacavam as armas — eles são O Povo Esquecido, só estão curiosos com a nossa presença, são criaturas pacíficas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros aventureiros embainham suas armas em sinal de respeito pela sabedoria da bruxa. Imediatamente seguiram sua jornada pelas entranhas da terra. Passaram por diversas câmaras até alcançarem um saguão circular, logo perceberam que o Povo Esquecido não entrou nesta câmara, como se a temessem, na outra ponta da sala uma porta enorme feita de ferro. Celerus tomou a frente para verificar a possibilidade de haver armadilhas, porém quando encostou o olho na fechadura escalou a porta gigante e com um pulo se posicionou de pé no batente em uma velocidade extraordinária, os demais não entenderam o movimento do ladino até verem um ogro atroz, com um olho ciclópico, adentrar na câmara portando um machado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Balthar sacava sua arma e Misdras apontava seu cajado, Celerus se aproveitou que o Ogro não o havia percebido e pulou em suas costas cravando um sabre no pescoço do monstro. Este soltou um urro de dor e não teve tempo de reação ao ver que Misdras soltara um encantamento que deixou Balthar do tamanho do oponente. O guerreiro lutou bravamente até a morte inevitável da criatura, quando esta caiu no chão, o feitiço acabara e Balthar já voltara ao mesmo tamanho de antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o furor da vitória correndo nas veias dos aventureiros, eles seguem a passos largos pela porta de onde saíra o Ogro, que agora jazia no concreto frio. Uma rampa estreita sobre um abismo descia vertiginosamente segurada por enormes colunas de pedra. Conforme seguiam sentiram caindo em suas cabeças poeira vinda do teto, como se algo andasse por ele, Misdras desenhou no ar com seu bastão uma antiga runa que emitia uma luminosidade mais fraca, porém esta subiu até a parte cima da caverna revelando uma enorme aranha se esgueirando, esperando o momento certo para o ataque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balthar sacou um arco longo feito de ossos de dragões e mirou na barriga do aracnídeo, a flecha silvou rápido até seu destino mortal fazendo com que a aranha caísse do teto, assim que atingiu a plataforma onde estavam os aventureiros, Celerus pulou para cima do monstro e com o sabre separou a cabeça do resto do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um estrondo forte tomou conta do local, a rampa estava ruindo! Celerus com sua agilidade desproporcional chegou rápido para um local seguro, Balthar pulou e acabou escorregando, porém foi salvo pelo esperto ladino que jogou uma corda. Quando terminou de içar procurou pela bruxa e a viu caindo no abismo sem fim. Antes de conseguir dizer algo, Celerus percebeu que a feiticeira se teletransportara para ao lado dele, escapando ilesa da morte certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles então seguiram até uma abertura na caverna e viram um tom dourado reluzindo pelas paredes, ouro! Milhares de moedas, cálices, pratos, vasos, tudo feito de ouro e gemas preciosas. Celerus sorriu para Balthar que deu um tapinha nas costas de Misdras. Eles acharam o tesouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do meio da montanha de riquezas, uma garra surgira. Subitamente um corpulento dragão vermelho, que até então estava soterrado por tantas joias, deu um rugido que estremeceria qualquer herói. De sua bocarra enorme, uma rajada de fogo foi cuspida em direção de Celerus que em um movimento suave escapou da baforada. Balthar aproveitou a chance e acertou a barriga do dragão. O monstro enfurecido levantou seu corpo e pode enxergar em um patamar mais elevado a bruxa, em pé com a serenidade em sua face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misdras levantou a mão e fez um gesto, de sua palma estendida saiu uma nuvem negra que envolveu o corpanzil do dragão e o reduziu em pó...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Chega! — gritou Bruno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O que aconteceu? — Perguntou Débora olhando para o dado que acabara de lançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Seus personagens estão muito fortes! Assim não tem desafio que vocês não ultrapassem — reclamou Bruno, o mestre do jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Calma Bruno — pediu Leandro entre um gole de refrigerante —, é só RPG! Caso você queira, é só nós montarmos outros personagens...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Débora, Bruno e Leandro olharam para Miguel que desenhava em sua ficha e ele ergueu os ombros como se falasse “por mim tudo bem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Dessa vez eu quero ser uma elfa arqueira! — entusiasmou-se Débora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Acho que vou jogar como anão... Paladino — falou Leandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ok, pessoal — começou Bruno — , vamos pegar as fichas em branco que eu vou passar qual será a nossa próxima aventura. Estava pensando em um reino muito distante que está sendo atacado por dragões... não... mortos-vivos! Então o rei pediu por aventureiros que fossem capazes de trazer a paz para o reino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostou? Conheça o site &lt;a href="http://www.entendarpg.com.br"&gt;Entenda RPG&lt;/a&gt; e aprenda mais! www.entendarpg.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-86673078340155091?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/86673078340155091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=86673078340155091&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/86673078340155091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/86673078340155091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/06/aventureiros-epicos.html' title='Aventureiros Épicos'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-7187004770656170343</id><published>2010-05-28T13:54:00.001-03:00</published><updated>2010-05-28T13:54:54.581-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='policial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Muerte</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Cigarro. Não sei o porque continuo envenenando minhas veias com esta porcaria, mas já tentei parar umas cinco vezes e nunca consegui ficar mais que um mês. Quando termino amasso a bituca no chão e dou uma última respirada de ar puro. Entro na cena do crime.&lt;br /&gt; O prédio abandonado está todo cercado pela famosa faixa amarela de contenção, passo por debaixo de uma e meu fôlego já quer desistir de mim. Não sou mais o jovem investigador que eu era. Quarenta e oito anos, três filhos, dois divórcios e quatro tiros, uma das balas ainda habita meu tórax doendo toda vez que espirro.&lt;br /&gt; — Hugo?&lt;br /&gt; Olho para trás e me deparo com o prefeito. Neste exato momento descubro que o crime chamou a atenção de pessoas importante.&lt;br /&gt; — Bom dia senhor William, a que devo a honra de vê-lo pela manhã? — alfineto o prefeito que tem a fama de nunca conseguir acordar cedo ou cumprir horários.&lt;br /&gt; — Corte o papo furado Hugo, odeio ser acordado por causa de uma barbaridade destas, e pior, uma barbaridade com alguém do meu gabinete.&lt;br /&gt; Coço o queixo e sinto a barba por fazer do dia anterior. Alguém do gabinete, repito comigo. Sigo até o burburinho, afasto a multidão de policiais e consigo ver a vítima. Trata-se de Laura secretária do prefeito. Uma verdadeira beldade ensanguentada e lívida. Calço as luvas de latex e afasto o terninho que veste a vítima. Um dos seios da moça aparece enquanto observo a ferida em seu colo, reparo em um policial atrás de mim com um sorriso malicioso olhando para a nudez da moça, solto um olhar reprovador e me movo na frente do corpo.&lt;br /&gt; Há um ferimento circular no colo, porém não é profundo o bastante para ter sido fatal, a causa da morte é outra. Não há sinal de outro ferimento visível. Olho de soslaio o assistente legista chegando com a carriola. Fecho o terno da moça e dou espaço para levarem o cadáver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Dr. Bruno Gonzales, autópsia de Laura Ribeiro de Souza.&lt;br /&gt; Desligo o gravador. Mesmo depois de tantos anos de profissão como legista, ainda me choco quando em minha mesa de trabalho há uma jovem, ainda mais tão bonita quanto essa. Recebi o corpo com prioridade, pois tratava da secretária do prefeito.&lt;br /&gt; Sem marcas defensivas, e demais cortes, exceto por um no colo, medindo a profundidade constato que não há nem 5 milímetros dentro da pele. Nem desconfio qual seja o motivo do corte. Pego o bisturi e antes de me aproximar admiro sua pele, apesar da palidez ela ainda parece viva, como se tivesse apenas dormindo.&lt;br /&gt; Passo a lâmina formando um “Y” no tórax da moça, abro a pele e estaco. Os órgãos estão estranhos, passo os dedos como se acariciasse sua caixa torácica, encontro uma entrada e enfio meu dedo alcançando o coração. Ele bate. Uma gota de suor gelado toma conta de mim enquanto pego um tubo de ensaio e aproximo o vidro para perto do nariz da moça. Ela ainda respira. Seus batimentos e sua respiração estão fracos, mas ela ainda está viva!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acordo com a sensação de que um caminhão tivesse passado por cima de mim. Não sei bem o que aconteceu comigo, em um momento eu estava contando dinheiro e no outro estou neste hospital. Quando abri os olhos pela primeira vez me perguntaram o meu nome, falei: “Laura”. Desde então uma horda de médicos me examinam e falam pouco do porque estou aqui.&lt;br /&gt; Sinto uma dor lancinante, como se tivessem me enfiado uma faca em meu peito. Estremeço toda e por fim crio coragem de abrir meu avental. Há um corte enorme em meu peito, sinto vertigem e desmaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dou um murro na mesa. As canetas pulam e acabam caindo no chão. Minha vontade é de chutar tudo em minha volta, mas não posso. Como eu não percebi que Laura estava viva? Fiquei tão concentrado no ferimento do colo que não prestei atenção ao básico. Tenho o exame toxicológico em mãos, após uma rápida leitura constato o uso de um veneno que induz a pessoa a algo semelhante ao coma, porém com os batimentos cardíacos tão leves que quase ficam imperceptíveis.&lt;br /&gt; Excelente.&lt;br /&gt; Sei tudo sobre o veneno, porém nada sobre o assassino. Desse jeito fica difícil efetuar uma pris... O telefone toca. Atendo e ouço atentamente a voz do outro lado, sem dizer nada coloco o fone no gancho e fico um tempo com a boca aberta, pego as chaves e rumo ao necrotério.&lt;br /&gt; Bruno me espera do lado de fora fumando um cigarro, quando me vê joga a bituca no chão e apaga com seu sapato.&lt;br /&gt; — Como isso é possível? — pergunto com ansiedade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Olho para o investigador , ele está abatido, respiro fundo antes de começar.&lt;br /&gt; — Na verdade não faço esses tipos de exames. Como eu poderia esperar que alguém chegasse ainda vivo no necrotério? Em tantos anos de profissão nunca me deparei com uma coisa dessas, e pior, são DUAS agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De volta para a delegacia, tiro as fotos da última vítima de dentro do paletó e jogo sobre a mesa. Ana Cruz Monteiro, 19 anos, envenenada, chegou ao necrotério ainda viva, porém perceberam tarde demais, com ela já exposta em cima da mesa. O Prefeito e o Governador, assim que souberam ligaram para mim para cobrar providências. Com a cabeça entre minhas mãos tento controlar a dor nas minhas têmporas, mas não há meios de fazê-la ir embora.&lt;br /&gt; Que tipo de sádico faria isso? Logo não seria mais possível deixar a imprensa longe dos fatos e quando a opinião pública cair sobre o caso com certeza perderei o emprego.&lt;br /&gt; Pego a papelada de Laura e Ana. Deve haver algo em comum com as duas. O mais óbvio é a beleza, as duas moças eram estonteantes, porém as semelhanças param por aí. Laura era secretária do prefeito, Ana trabalhava em uma floricultura. Segundo o laudo de necropsia, Ana teve um maior contato com o veneno, porém apresentou mais resistência do que uma pessoa comum.&lt;br /&gt; A secretária atravessava o prédio abandonado para chegar em casa, Ana estava trabalhando quando “morreu”. Talvez esse possa ser um ponto de origem. As duas mortes estavam relacionadas ao trabalho, pego meu paletó e resolvo ir primeiro ao gabinete do prefeito.&lt;br /&gt; No caminho consigo fumar uns três cigarros, quando paro em um semáforo percebo que se formou uma mancha amarelada no teto do meu carro ocasionado pela fumaça do tabaco sendo queimado. Talvez eu devesse parar de fumar. Enquanto fico imaginando qual seria o estado de meu pulmão, alguém buzina me avisando que o farol já está verde faz tempo. Alguns minutos depois encosto o carro perto da entrada para o gabinete e salto.&lt;br /&gt; O vigia me deixa entrar e em poucos instantes já estou acendendo as luzes do escritório de Laura. Um monte de papéis organizados por fitas coloridas indicam os assuntos, os gabinetes e pastas são etiquetados de tal forma que qualquer um poderia achar o que procurasse. Enquanto olho esta organização penso na minha bagunçada mesa. Sinto na cadeira que já acomodou a secretária em sua função e ponho a pensar no que poderia ter acontecido. Espalho meus papéis do caso sobre a mesa tirando alguns objetos do lugar para dar espaço, inclusive um bonito arranjo floral.&lt;br /&gt; Arranjo floral.&lt;br /&gt; São algum tipo de cactus com flores azuis e vermelhas, muito bonito na verdade, um laço rosa o envolve terminando em um cartão de visita da Floricultura Vitória Régia. O nome não me é estranho. Reviro os papéis e encontro o que eu procurava, Vitória Régia é onde Ana trabalhava. Recolho tudo com pressa e sigo de carro até a floricultura.&lt;br /&gt; Avanço alguns sinais vermelhos até encontrar a rua, estaciono em cima da calçada e entro rápido dentro do comércio que ainda está aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Levei tamanho susto quando o investigador entrou que achei que fosse desmaiar. Ele dissera que cuidava do caso da minha filha, pobre Laura, e estacou quando viu um arranjo na minha mão. Perguntou de onde viera e eu entreguei para ele o telefone do comprador, que só entregava este tipo de cactus. O policial logo telefonou para o número, porém não concluiu a ligação. Tal como entrou, saiu chispando para algum lugar.&lt;br /&gt; Espero que ele possa prender o assassino de Laura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Meu celular toca uma vez. Olho para o número e o reconheço. Começo a pensar quais pistas eu deixei para trás que acabaram por me incriminar. Gostaria que as pessoas apenas pudessem compreender o quão bonito é o corpo humano, ainda vivo, sendo aberto. Todos aqueles órgãos se mexendo em completa sintonia. O sangue correndo pelas artérias como se não soubesse da morte iminente. &lt;br /&gt; Quando eu vi Laura respirando não tive coragem de prosseguir, mas com Ana... Pude abri-la e ver sua vida escorregando entre MEUS dedos. Que sensação maravilhosa! Desde que descobri que o veneno do Cactus  de la Falsa Muerte, tive várias experiências magníficas de aprendizado. Meu necrotério recebeu duas novas amiguinhas que ganharam um arranjo de flores muito especial, pensei que Ana não teria anticorpos o suficiente para não sucumbir ao cactus, mas felizmente a florista tinha um corpo escultural para ser admirado.&lt;br /&gt; Puxo uma das gavetas e observo a placidez de minha próxima cobaia, parece um anjo dormindo. Pego um bisturi e este reflete alguém atrás de mim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Parado Bruno! — gritei quando ele me percebeu&lt;br /&gt; O legista ergueu as mão instintivamente segurei-o com a mão esquerda enquanto tentava com a outra pegar as algemas. Bruno deu um solavanco e me acertou uma cotovelada no peito, perdi o ar e acabei caindo no chão de joelhos. Com um movimento rápido o legista cortou meu rosto, se eu não tivesse destreza o suficiente teria sido meu pescoço. Nós nos engalfinhamos feito animais em uma rinha. Então um tiro foi disparado.&lt;br /&gt; Bruno deu uma longa risada olhando em meus olhos e depois caiu. Meu rosto coberto de sangue respingado ainda mantinha a mesma expressão enquanto o legista morria. Tento me levantar e sinto uma tontura terrível, passo a mão na nuca e arranco algo grudado em minha pele. Um cactus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Dr. Felipe Roberto Nunes, autópsia de Hugo Ferreira Campos.&lt;br /&gt; Desligo o gravador e o pouso em cima da mesa. Quem diria! O velho doutor Bruno um assassino. E pior. O maldito me deixou três corpos para preparar, incluindo o investigador que o matou. Passo o bisturi pelo tórax do policial fazendo um “Y”, afasto a pele e começo a necropsia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-7187004770656170343?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/7187004770656170343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=7187004770656170343&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7187004770656170343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7187004770656170343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/05/muerte.html' title='Muerte'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-8092693877132308937</id><published>2010-05-21T09:02:00.001-03:00</published><updated>2010-05-21T16:33:23.341-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Vestido de Noiva</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O barulho das máquinas de costura aos poucos vai diminuindo conforme os aparelhos são desligados. Quando a lua já está alta no céu só apenas a costura de João Carlos se faz ouvida, ininterrupta com linha reta firme, tal qual sua mãe lhe ensinara quando ele era um pequeno fascinado pelo trabalho de sua progenitora.&lt;br /&gt; Agora com cinquenta anos de idade, João percebe que não saberia fazer nada além de costurar. Em sua oficina trabalham trinta mulheres que se revezam em três turnos. Algumas desenham, outras cortam os moldes e por fim têm as costureiras e bordadeiras que colocam o sonho em uma peça caprichada.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.pedromoreno.com.br/images/stories/00001.gif" align=right padding=5&gt; O Ateliê Santo Antônio faz a promessa do santo ganhar ares reais. Por mês mais de cinquenta vestidos de noiva são feitos e o dobro são reformados garantindo o grande sonho de se casar no mais puro branco de véu e grinalda. João ainda se lembra quando começou a ajudar sua mãe na costura, sempre tão dedicado, aprendeu rápido o ofício e ainda hoje mantém o costume de só parar de trabalhar depois que todos forem embora.&lt;br /&gt; O galpão que hoje ocupa o ateliê em nada lembra o começo pobre, diversas araras cobrem as paredes com a alvura dos vestidos de noiva, a monotonia só é quebrada pelos vestidos coloridos de madrinhas e os fraques elegantes dos homens. São prateleira com sapatos envernizados, gavetas multicoloridas de gravatas e dezenas de caixas com coroas. Mas hoje, à meia-noite, tudo quieto, tudo sombrio.&lt;br /&gt; João confere o relógio e diz para si mesmo que é hora de parar. Desliga sua velha Singer e a cobre com a capa de veludo azul. Tira seus óculos pesados e os guarda no bolso da camisa enquanto olha ao redor procurando algo fora do lugar. Uma caixa de papelão pousada sobre um banco lhe chama a atenção. Ele arruma seus suspensórios e anda até o cubo, um papel pousado em cima com fita adesiva conta o motivo.&lt;br /&gt; Uma devolução.&lt;br /&gt; Nem sempre acontece, mas pode ocorrer do casamento ser desmarcado por vários motivos, traição e falta de dinheiro para pagar pelo vestido são os mais recorrentes. Porém morte é o mais perturbador. João lê a ficha indicando que a noiva morreu durante um assalto há apenas dois dias do casório, a família, já traumatizada, não quis ficar com o vestido e o devolveu. O costureiro compreende o quão difícil deve ser para a família uma tragédia como essa.&lt;br /&gt; Pode parecer aético, mas é uma verdade: O vestido será vendido para outra pessoa. Um vestido tão bonito assim, parado em uma caixa, não serve de muita coisa. É só questão de aparecer a noiva certa e apenas alguns ajustes e logo tudo estará novo em folha. Antônio levanta a peça pelos ombros e contempla o belo trabalho realizado, o cetim branco com as rendas em torno da cintura para garantir uma silhueta primorosa. Subitamente o contorno de um rosto passa pela saia como se alguém tivesse o vestindo. João assustado, joga longe a roupa. Uma gota de suor desce pela sua fronte e pousa na sobrancelha. O homem leva suas mão trêmulas à boca enquanto respira ofegante com os olhos fixos no vestido caído.&lt;br /&gt; O costureiro não se acalma, mas encontra conforto em sua racionalidade. É claro que foi um truque aplicado pela sua mente. Ele acabara de ler a história triste da moça que morreu antes do casamento. Mesmo assim, por precaução, João segue pé ante pé até o vestido, o agarrou com pressa e enfiou na caixa de qualquer jeito, tampou-a e a largou.&lt;br /&gt; Ao sair desligou as luzes e deu uma última olhada para a caixa. Trancou a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; João Carlos demorou para conseguir abrir os olhos, quando o fez percebeu que o sol estava no alto. Em tantos anos de trabalho nunca se atrasara, talvez a noite mal-dormida, talvez a história da noiva impedida pela morte, porém hoje foi a primeira vez.&lt;br /&gt; Sorte sua que a gerente de produção tem as chaves, aliás ela mesma o recepcionou com uma cara de surpresa. João acenou um bom dia e logo esquadrinhou o galpão a procura da caixa com o vestido. Nada achou.&lt;br /&gt; — Cadê o vestido? — Perguntou João&lt;br /&gt; — Qual vestido João?&lt;br /&gt; — Aquele que a mulher... morreu.&lt;br /&gt; A gerente puxou os arquivos e achou um recibo de venda. O vestido já tinha uma dona, que pagou em dinheiro e levou embora a vestimenta. O costureiro deu um suspiro aliviado. Aos poucos João voltou ao seu ritmo de trabalho.&lt;br /&gt; Com as agulhas trabalhando freneticamente, João se perde no tempo e não percebe que está sozinho novamente. Apenas acorda com o barulho da campainha ecoando pelo galpão. O costureiro se levanta e segue até a porta, do outro lado um policial e uma viatura em cima da calçada com a porta aberta, no banco do passageiro uma caixa de papelão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;…&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; João Carlos de Oliveira Pacheco. 50 anos, casado, uma filha, profissão costureiro. Essas foram umas das poucas verdades contadas no boletim de ocorrência. O fato do vestido ter pertencido à outra jovem foi simplesmente ignorado pelo costureiro, ao final foi liberado junto com a caixa.&lt;br /&gt; No caminho de casa, João olhava para a caixa preocupado com que faria, não poderia ser coincidência o que acontecera, seria melhor ele perder o dinheiro do que mais uma vida inocente. Em cima de um guarda-roupa pousou a caixa de papelão  esperando o destino que João lhe daria.&lt;br /&gt; No outro dia o costureiro chegou cedo no trabalho e logo sua máquina voltou a funcionar à todo vapor. Assim foi até João receber um telefonema de uma vizinha dizendo que havia algo errado em sua casa. Sem pensar duas vezes ele pega as chaves do carro e ruma rápido com destino certo. Passa semáforos vermelhos e cruzamentos perigosos até conseguir alcançar sua residência. A chave gira a maçaneta. A porta abre. O susto toma conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O policial fica pensativo. Não é possível tirar a garota sem fazer barulho. Na outra sala João não consegue parar de chorar, sua mulher chega em casa e se depara com seu marido em frangalhos, soluçando, tentando explicar em vão o que acontecera com sua filha.&lt;br /&gt; O oficial tira um canivete do bolso e sobe em uma cadeira, fará barulho com certeza, porém não meio de descer o corpo da garota de outra forma.&lt;br /&gt; João não consegue falar, mas aponta em direção à cozinha. Sua esposa segue aflita e entra no exato momento que o policial consegue serrar a corda na qual a garota se enforcara. O corpo com um vestido de noiva cai pesadamente no chão fazendo um baque surdo. Na outra sala João chora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-8092693877132308937?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/8092693877132308937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=8092693877132308937&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8092693877132308937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8092693877132308937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/05/vestido-de-noiva.html' title='Vestido de Noiva'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-7966269529073306757</id><published>2010-04-30T08:35:00.000-03:00</published><updated>2010-04-30T08:38:54.818-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Absinthe'/><title type='text'>Absinthe - A Divina Comédia</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Absinthe&lt;/span&gt; é uma série de contos sobre literatura. Olive Green é um escritor amador em busca de sua primeira publicação, porém tem um problema muito grave com o Absinto, que o transporta para dentro de livros e histórias. Neste primeiro conto, acompanhe Dante Alighieri em A Divina Comédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acordo cansado com a cabeça doendo e o mundo girando debaixo de minha cama. A luz já cobre meu corpo adormecido com as roupas do dia anterior, o sol parece querer me ferir os olhos vermelhos carmesim. Demoro para conseguir levantar e o dobro de tempo gasto para chegar na pia. Meu rosto envelhecido pela vida boêmia recebe água fria para despertar. Em vão. Minha mente entorpecida prega peças com o ambiente, quando olho para o escritório, sinto que as leis da perspectivas foram revogadas.&lt;br /&gt; O mal tem nome: Absinto. Cansado de beber gim que a cada dia que passava estava mais fraco para o meu paladar, o balconista me ofereceu uma bebida feita de uma erva conhecida por losno e com gosto de anis. Sua graduação alcoólica altíssima ajuda a esquecer meus maiores problemas.&lt;br /&gt; Pena que esta bebida mexe com meu raciocínio de tal forma que eu nem me apresentei. Sou Olive Green, escritor em busca da publicação de seu primeiro título, assim que eu conseguir escrevê-lo, e grande admirador da literatura. Sento com as costas arqueadas na cadeira e pouso as mãos nas teclas da máquina de escrever e espero a imaginação fazer seu trabalho.&lt;br /&gt; A folha de papel parece ficar reta, por mais que eu a ajuste esta nunca está no meu contento. Quando finalmente eu acho uma posição satisfatória as teclas da máquina parecem querer se mexer, em um movimento estranho como se bailassem na velha Olivetii. Aos poucos a esculhambação destoante mingua. Vejo que as paredes estão novamente retas e o assoalho não parece estar vivo, porém toda a criatividade parece ter ido junto.&lt;br /&gt; Visto um capote por cima de tudo e pego meu chapéu. É hora de me encontrar com a Fada Verde.&lt;br /&gt; No caminho tortuoso à caminho da taverna, tropeço umas duas vezes e na última esfolo meu rosto na calçada de pedregulhos., Quando avisto o estabelecimento responsável pela destruição de vidas um sorriso brota em minha face. A construção de tijolos e seu telhado inclinado denotam a idade já avançada do imóvel. Um papel, roto que eu não tinha percebido no dia anterior, fixado por um prego velho me chama a atenção. Escrito com caligrafia esmerada o seguinte recado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“POR MIM SE VAI À CIDADE DOLENTE, &lt;br /&gt;POR MIM SE VAI À ETERNA DOR ,&lt;br /&gt;POR MIM SE VAI À PERDIDA GENTE. &lt;br /&gt;JUSTIÇA MOVEU O MEU ALTO CRIADOR, &lt;br /&gt;QUE ME FEZ COM O DIVINO PODER,&lt;br /&gt;O SABER SUPREMO E O PRIMEIRO AMOR. &lt;br /&gt;ANTES DE MIM COISA ALGUMA FOI CRIADA &lt;br /&gt;EXCETO COISAS ETERNAS, E ETERNA EU DURO. &lt;br /&gt;DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS! ”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A Divina Comédia, Dante Alighieri, pensei ao abrir a pesada porta que separa os cidadãos bons dos bêbados como eu. A fumaça do cigarro inunda minhas narinas e começo a respirar melhor. Tento atravessar a taverna em direção ao balcão, afasto diversos boêmios pelo caminho contando histórias de leopardos e leões. Enfim pouso meu traseiro no banco de madeira e me acotovelo na bancada.&lt;br /&gt; — Tu és Virgílio? — pergunto ao atendente.&lt;br /&gt; — Com tamanha bebedeira de ontem, mal podia imaginar que você conseguisse chegar de novo a esse balcão, quem dirá lembrar meu nome!&lt;br /&gt; — Ajudai-me taverneiro famoso! Minha garganta e alma pedem por Absinto.&lt;br /&gt; Virgílio pegou um copo de cristal e o pôs sobre o balcão. Sobre o receptáculo uma colher cheia de furos que recebeu um torrão de açúcar. Olhei fascinado para os detalhes do preparo. O taverneiro puxou uma garrafa de tom esverdeado e molhou o torrão que pouco se dissolveu, em seguida ateou fogo no torrão.&lt;br /&gt; O açúcar pegou fogo com facilidade enquanto a chama o caramelizava, Virgílio, sem perder tempo, pegou uma jarra de água gelada e quando a chama se extinguiu, derramou sobre o torrão fazendo-o dissolver junto com a bebida.&lt;br /&gt; Peguei o copo com delicadeza e fitei-o admirando. Percebo os olhos do taverneiro sobre mim que pergunta se minha alma foi tomada pela covardia e o respondi com um só gole da bebida que esvaziou por completo o copo. O anis queimou minha garganta mas ainda sim consegui falar.&lt;br /&gt; — Deve-se temer as coisas que de fato têm o poder de nos causar mal. Encha o copo.&lt;br /&gt; Enquanto Virgílio preparava o ritual de novo olhei para a taverna com outros olhos, podia ouvir os lamentos, gritos e suspiros tão terríveis vindo de seres sem esperança de morte ou salvação.  Rostos distorcidos pelo ópio e o álcool dançavam sua marcha fúnebre.&lt;br /&gt; Subitamente um velho pálido de pelos antigos, vestindo seu uniforme policial, adentra no salão.&lt;br /&gt; — Almas ruins, vim vos buscar para o castigo eterno! Abandonai toda a esperança de ver o céu outra vez, pois vou levar-vos à cadeia se não pararem com a gritaria!&lt;br /&gt; Em seu bolso, uma plaqueta indicava seu sobrenome: Caronte. Pegou os baderneiros que se lamentavam amargamente e tratou de leva-los rumo à delegacia batendo com seu cassetete em todos que hesitavam o caminho. Eu vi os boêmios mais exaltados sendo levados enquanto a bebida começava a fazer efeito, logo fiquei com sono e desmaiei escorado ao balcão.&lt;br /&gt; Acordei com o som de trovões da tempestade que instaurara do lado de fora. Com os baderneiros fora da taverna, o único som audível era dos lamentos e suspiros. Em uma mesa afastada em um dos cantos da salão, estavam quatro conhecidos criminosos: Homero, Horácio, Ovídio e Lucano. Caso o guarda tivesse se atrasado em sua apreensão, poderia encontrar com esses ladinos que pareciam tramar algum plano ou coisa parecida.&lt;br /&gt; De súbito um deles apagou a luz da taverna deixando-nos no mais completo escuro, podia eu ouvir as lamúrias dos boêmios sendo roubados pelos criminosos que fugiram e deixaram a porta aberta. Um vento súbito preencheu o espaço e trouxe as vozes daqueles que perderão suas paixões. Contei os copos pousados na bancada e concluí que era hora de eu ir ao banheiro esvaziar-me das toxinas.&lt;br /&gt; Abracei a louça e vomitei parte do que tinha bebido, ainda tonto, sentei-me no chão e me deparei com um cachorro acorrentado à parede do sanitário. Tão logo olhei para o cão e este tratou de latir e rosnar, não tive outra alternativa senão jogar meu maço de cigarro para que este me desse tempo para fugir.&lt;br /&gt; Tropecei em diversas pessoas caídas de tanto beber e por fim voltei à taverna e à minha tentativa de auto-destruição. A luz voltara e as pessoas mais calmas se embebedavam em círculos em volta da mesa.&lt;br /&gt; Em um deles, talvez o 5º círculo, havia vários homens nervosos com algo e bebendo um líquido negro e de aspecto grosso e asqueroso. Alguns até engasgavam com a bebida devido à tamanha ira demonstrada. Um dos revoltosos ergue de sua cadeira como se procurasse briga, ele olha para todos os lados e resolve vir em minha direção.&lt;br /&gt; Tinha uma aparência desgrenhada, com barba por fazer há pelo menos dois meses e calças rotas. Circundando sua cabeça uma típica touca de marinheiro.&lt;br /&gt; — Quem és tu que vens antes do tempo?  — perguntou o homem&lt;br /&gt; — Venho — respondi —, mas não demoro, mas quem és tu tão revoltoso? &lt;br /&gt; — Eu sou um dos que chora, como podes ver. &lt;br /&gt; — Com choro e com luto, espírito maldito, que assim permaneças, pois eu te conheço, mesmo tão sujo! &lt;br /&gt; Ele pulou sobre mim e nos atracamos aos socos e pontapés. Tamanha era nossa embriaguez que Virgílio conseguiu definir a contenda sozinho, jogando o marinheiro para fora do bar.&lt;br /&gt; — Não se preocupe. Ele sempre foi uma pessoa muito orgulhosa. — respondeu o taverneiro preparando outra dose para mim.&lt;br /&gt; A partir deste momento eu pareci ter entrado em um estado de contemplação. Um nirvana induzido pela fada verde... Enquanto o mundo girava ao meu redor eu refletia sobre os acontecimentos desta noite, teria eu descido até inferno e não percebi? Minha história se confundia com a de Dante e sua descida ao inferno guiado pelo espírito de Virgílio.&lt;br /&gt; Com dificuldade atravessei a taverna em direção a porta. O mundo girava lentamente ao meu redor quando cheguei na parede com o papel roto preso por um prego enferrujado. Aquilo que tinha sido o início de tudo poderia se tornar o final também. Encarei a folha presa resignado e esperançoso de que ela traria minha redenção.&lt;br /&gt; Não havia o poema.&lt;br /&gt; Era apenas um anúncio de uma cartomante que prometia toda sorte de informações sobre o futuro, presente e passado. Dei um suspiro aliviado e comecei a rir de mim mesmo por acreditar no que acontecia comigo. Entrei de novo na taverna, agora com o espírito revigorado e sentei de novo ancorado no balcão. Até os rostos das pessoas haviam mudado de feição, o lugar parecia mais calmo se não fosse por um casal brigão que argumentava em uma das mesas.&lt;br /&gt; — Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: "A senhora gosta de uma pessoa..." Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade... — disse a mulher&lt;br /&gt; — Errou! — Interrompeu o homem, rindo.&lt;br /&gt; — Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...&lt;br /&gt; Ouvi a conversa e algo estranho me chamava a atenção. Camilo... Esse nome não me era estranho. Conforme a conversa prosseguia fiquei sabendo o nome da mulher: Rita.&lt;br /&gt; Camilo e Rita...&lt;br /&gt; Subitamente um estalo tomou conta de meu cérebro. Olhei para os dois e em seguida repeti para mim mesmo: “A Cartomante, Machado de Assis”. Pedi mais uma dose de absinto e tratei de viver minha nova história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-7966269529073306757?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/7966269529073306757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=7966269529073306757&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7966269529073306757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7966269529073306757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/04/absinthe-divina-comedia.html' title='Absinthe - A Divina Comédia'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-6114962551613584468</id><published>2010-04-23T08:57:00.000-03:00</published><updated>2010-04-23T08:58:46.666-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção científica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Coronel e o Médico</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa asséptica uma montanha de papéis, fotos e fitas. O coronel puxou um lenço do bolso da farda e limpou o suor que saía em profusão de sua testa, olhou para o interrogado, acuado na cadeira de metal, olhando assustado para os lados como se alguém o perseguisse.&lt;br /&gt; — Pelo que vejo aqui... — começou o coronel, porém foi logo interrompido pelo rapaz.&lt;br /&gt; — Eu sei o que vi! — gritou o garoto.&lt;br /&gt; Isaac Balthar retirou os óculos e os pousou em cima da mesa enquanto apertava os dedos contra o nariz. O peso de sua farda lhe incomodava, o ar-condicionado também. Na frente dele Leonardo Alves estava com os olhos estatelados, sua respiração ofegante e suas mãos trêmulas denunciavam os problemas recentes.&lt;br /&gt; Enquanto voltava para sua casa em uma rodovia escura, uma luz bruxuleava insistente pelo caminho. O rapaz a observou com normalidade e continuou seu caminho, porém de súbito a enorme luz aterrizou na estrada em frente. Tamanho foi o susto, que Leonardo guinou o volante drasticamente e acabou capotando o carro.&lt;br /&gt; Com a vida lhe escapando, o rapaz reuniu suas forças e conseguiu abrir a porta do carro, caiu dolorosamente na estrada e demorou a abrir os olhos, quando o fez viu que a luz que o seguia ainda estava lá, porém agora descia em direção ao asfalto.&lt;br /&gt; Era uma luz de tom alaranjados e conforme se aproximava do chão, ganhava tons vermelhos, quando enfim o objeto pousou uma fina nuvem de poeira levantou-se do chão e a luz diminui um pouco. Apesar de ainda arder os olhos de Leonardo, ele continuou acompanhando deslumbrado o desenrolar dos acontecimentos.&lt;br /&gt; Agora era possível discernir melhor o objeto. Tinha uma forma ovalada e chata, ventosas  saíam por baixo e tocavam o chão. Parecia ser uma nave... Um extraterrestre...&lt;br /&gt; Leonardo acordou do transe com o tamborilar dos dedos de Isaac na mesa enquanto lia o depoimento. O relato terminava no momento que uma porta se abria e então o garoto desmaiava, quando terminou de ler, o coronel observou bem o rapaz e conferiu que este tinha um corte na testa, provavelmente fruto do capotamento.&lt;br /&gt; — Olhe garoto — disse Isaac arrumando um calhamaço de folhas —, creio que perdeu a consciência na batida e teve alguns delírios. O médico irá examiná-lo.&lt;br /&gt; — Eu sei o quê vi! — repetiu Leonardo — Tenho certeza que era um O... Ov...&lt;br /&gt; — Ovni?&lt;br /&gt; — Isso! Era brilhante e veio do céu! Igual aos dos filmes&lt;br /&gt; — Garoto, você bateu a cabeça muito forte. Deixe o doutor te examinar mais tarde podemos conversar.&lt;br /&gt; Com um aceno com a cabeça, o coronel instruiu um soldado para acompanhar Leonardo até a enfermaria. Isaac continuou na sala meneando a cabeça negativamente enquanto tentava arrumar sua mesa. Poucos minutos depois uma batida suave na porta e ele pede para entrar. Um senhor de cabelos grisalhos e pele negr e a e um jaleco branco entra no aposento.&lt;br /&gt; — Boa noite Dr. Douglas — cumprimenta Isaac com polidez —, a que devo a honra.&lt;br /&gt; — Sobre o garoto — começa o médico com sua característica voz grave — ele está melhor agora.&lt;br /&gt; — ﾓtimo. Bom trabalho.&lt;br /&gt; O coronel continua mexendo em sua papelada como se não notasse a presença de Douglas parado ainda no batente da porta. Um silêncio constrangedor toma conta da sala e enfim Isaac volta os olhos para o médico.&lt;br /&gt; — Você sabe que não conseguiremos calar a todos — afirma Douglas.&lt;br /&gt; — Sei perfeitamente.&lt;br /&gt; — Eles saberão.&lt;br /&gt; — Mas não por nós. Enquanto o Conselho tiver o poder de decisão sobre esta informação, nós ficaremos em silêncio.&lt;br /&gt; Douglas fechou os olhos e demorou a abri-los novamente. Deu um longo suspiro e voltou a observar o coronel com seus papéis. Desde que saíra do seu planeta natal, Douglas, mais conhecido por Xu'th'yack, não entendia o porque de tanto segredo quanto a existência de seres inteligentes fora do sistema solar. Para ele, essa era uma atitude ridícula mantida por seres mesquinhos. Diferentes dos habitantes de Phylyx, alienígenas amantes da caridade e filosofia.&lt;br /&gt; Como ele odiava o coronel.&lt;br /&gt; Isaac na verdade se chama Muythlucarhetu-li, vem de um planeta altamente bélico e poderoso conhecido por Khalter, com mania de subjugar seres considerados inferiores por eles. Já haviam diversos planetas escravizados por eles e o número aumentaria em breve com a conquista da tão sonhada Terra.&lt;br /&gt; A raça de Isaac conquistou os melhores e maiores cargos. Em suas fileiras haviam chefes de estados, personalidades da música, atores... Todos bem posicionados para a escravização da humanidade.&lt;br /&gt; — Vou falar com ele — decretou o médico.&lt;br /&gt; Sequer Douglas se virou e deu de cara com Isaac obstruindo a saída com seu corpo.&lt;br /&gt; — Falar exatamente o quê doutor?&lt;br /&gt; — Darei alta. Nada mais.&lt;br /&gt; O coronel saiu da frente deixando o médico passar. Este seguiu o corredor de cabeça baixa, um bom observador poderia notar uma lágrima caindo dos olhos de Douglas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Semanas se passaram e Isaac continuava enfurnado naquele escritório, uma batida na porta e ele manda entrar. Um jovem soldado de hierarquia baixa entra pela sala e bate continência. Em suas mãos uma carta com um carimbo escrito “confidencial”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Douglas sabe que não deve descansar, mas seu corpo alienígena pede repouso. Há uma semana meia atrás ele tomou uma decisão difícil que lhe pareceu sábia, e agora corria riscos imensos.&lt;br /&gt; Três dias correndo pela mata. Apenas à noite, que dificulta a visão dos khaulterianos, lhe dá abrigo e um pouco de sono, porém sempre entrecortado pelo menor barulho. Seus pés sangram e sua cabeça parece querer explodir por tamanha pressão exercida. Escondido atrás de uma pedra, o médico reza para que seus deuses lhe ajudem a sobreviver.&lt;br /&gt; Não muito longe dali, Isaac parece atento no meio mata. Seu fuzil engatilhado mira para todos os lados a procura do delator. Como poderia alguém quebrar tão facilmente anos de silêncio necessários? Ter contado para o rapaz sobre a existência de seres inteligentes além de seu sistema solar, desencadeou uma avalanche de notícias e reportagens que demorarão para serem apagadas da memória da população.&lt;br /&gt; Douglas entregara um rolo de filme com uma reunião extraterrestre. Nela Isaac discutia com seus semelhantes formas de desmentir boatos acerca de UFOs, uma verdadeira “boca na botija”. O pior era pensar que o coronel era o único a ser responsabilizado por esse vazamento de informação. Logo deveria caça-lo sozinho ou seria desonrado por sua raça.&lt;br /&gt; Um farfalhar em uma das árvores chama a atenção do coronel que engatilha sua arma e aponta para a origem do som. Suas mãos tremiam com o pensamento de não conseguir abater sua presa. Um vulto passou entre os galhos e a arma foi apontada instintivamente para o meio dele.&lt;br /&gt; Um tiro.&lt;br /&gt; A bala passou rápido entre as folhas e acertou em cheio o traidor que caiu direto no chão fazendo um baque seco. Um sorriso tomou conta do coronel que pulou feito criança, jogou sua arma no chão, e seguiu comemorando até o corpo caído. Sacou uma faca de caça para poder arrancar seu tão esperado troféu, afastou um arbusto e encontrou... uma onça.&lt;br /&gt; Um misto de ódio e surpresa tomou conta de Isaac que não percebeu que Douglas se esgueirava pela sua retaguarda e acabou acertando na nuca. O coronel caiu desmaiado ao lado da onça como uma criança que abraça sua pelúcia favorita. O médico soltou o galho que usara como arma e amarrou com cipós seu caçador. Esperou por muito tempo até que ele voltasse a consciência, uma fraqueza khaulteriana, e quando este o fez olhou com raiva para Douglas.&lt;br /&gt; — Liberte-me! — vociferou o militar tentando se livrar das amarras.&lt;br /&gt; — Não.&lt;br /&gt; — Então me dê uma morte digna. Enterre uma faca em meu peito e arranque meus corações.&lt;br /&gt; — Também não. Só estou aqui esperando minha nave levar-me de volta para casa – respondeu Douglas com olhar de pena.&lt;br /&gt; — Você sabe o tamanho da guerra que desencadeará? Seu planeta será destruído e os sobreviventes serão escravizados!&lt;br /&gt; — Quem irá contar? Você?&lt;br /&gt; Por um momento Isaac parou. Não podia voltar para seu planeta com uma derrota. Uma luz brilhante surgiu nos céus e soltou um feixe sobre a mata, Douglas foi puxado para o interior da nave e em poucos segundos a floresta mergulhou de novo no mais absoluto silêncio. O coronel ainda pensava nas últimas palavras do phylyxano quando viu que este deixou uma faca à vista para ele se desamarrar.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Meses depois ninguém se lembrava dos extraterrestres, não que haviam esquecido, mas outros assuntos tomaram conta dos noticiários que acabaram ofuscando o garoto que distribuíra uma fita contendo uma suposta reunião de seres alienígenas. Suposta pois foi totalmente desmentidas por peritos das mais diversas áreas do conhecimento.&lt;br /&gt; Em sua mesa, Isaac revisa os últimos documentos anexados ao relatório conhecido por Caso Leandro Alves. Encerrou o envelope com uma fita inviolável, carimbou e depois assinou em cima. Tudo havia se encerrado.&lt;br /&gt; O coronel se levanta e observa as estrelas reluzentes pela janela. Até quando eles conseguiriam esconder a verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Em memória de meu pai Carlos Alberto F. Da Silva, que me deixou de heranças tanto material sofre UFOs que às vezes me sinto na área 51.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-6114962551613584468?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/6114962551613584468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=6114962551613584468&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/6114962551613584468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/6114962551613584468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/04/o-coronel-e-o-medico.html' title='O Coronel e o Médico'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-8563237993790032409</id><published>2010-04-16T09:00:00.002-03:00</published><updated>2010-04-16T09:01:19.734-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='policial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Assassino Romano</title><content type='html'>&lt;h1&gt;O Assassino Romano&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ronaldo apaga a bituca de cigarro no cinzeiro e observa a última fumaça subir e se misturar ao ambiente. Volta o olhar para a foto de sua mulher. Seus cabelos negros e cacheados, sua pele linda, seus olhos... seus olhos. Uma lágrima ameaça sair porém o investigador se contém para não chorar de novo.&lt;br /&gt; Faz uma semana que sua mulher foi pega pelo assassino que ele persegue. Foi encontrada desfalecida em um beco sujo com os olhos arrancados, em seus seios, à mostra, um recado: “Imago animi vultus, indices oculi”, do latim, os olhos são o espelho da alma. Ela ainda não saiu do coma. Ele quer vingança.&lt;br /&gt; O investigador volta a pegar as fotos dos assassinatos junto com os boletins de ocorrência de cada caso. O primeiro a morrer foi Rômulo Otelo, açougueiro 27 anos, foi encontrado com a cabeça decepada. Por sadismo a cabeça de Rômulo foi pendurada em um gancho e no seu corpo foi costurada a cabeça de um bode. Sem digitais ou qualquer sinal que pudesse identificar o criminoso.&lt;br /&gt; A segunda morte ocorreu no cais da cidade. Nayara Antunes saiu de casa para o trabalho e nunca chegou, seus familiares contataram a polícia que recebeu denúncia anônima de um corpo boiando na água perto de um pier. Confirmada a identidade da vítima, esta foi para o IML e encontraram um papel enrolado dentro de sua boca, protegido por plástico escrito apenas uma palavra: “Victus”.&lt;br /&gt; O terceiro vitimado foi Leonardo Domênico 43 anos, imigrante mexicano, mecânico de carros. Seus ossos foram encontrados em meio à uma fogueira, exames indicam que ele foi carbonizado ainda vivo. No chão, um papel seguro por um pedra com a seguinte mensagem: “A magnis proprio vivitur arbitrio.”&lt;br /&gt; Ronaldo comandou o caso desde a primeira vítima, há 1 ano atrás, até hoje, quando o assassino voltou suas ações para ele. O “Assassino Romano”, como a mídia o apelidou por causa do uso do Latim nos seus crimes, continua solto e ainda não acharam o padrão de suas mortes.&lt;br /&gt; Pode-se sentir suas motivações, no segundo assassinato havia a palavra Victus, que siginifica vítima, porém era usada antigamente como o termo para designar o animal de sacrifício. Fato que leva ao primeiro assassinato, do rapaz com a cabeça de bode remetendo à figura de Baphomet.&lt;br /&gt; Baphomet é um ídolo com corpo de homem e cabeça de bode, usado pela igreja católica na acusação que os cavaleiros templários adoravam-na, sendo esta o próprio diabo. Talvez o serial killer seja um cultista ou uma pessoa muito ligada à religião. &lt;br /&gt; No terceiro crime uma frase em Latim que traduzida fica: “Lá vão as leis onde querem os reis”. Conforme a mídia dava cobertura aos crimes, mais eloquente ficou o criminoso. Ele quer aparecer. Porém Ronaldo se aproveitou de sua investigação para fazer seu nome, graças a isso, hoje sua mulher ocupa um leito no hospital.&lt;br /&gt; Era preciso ser rápido.&lt;br /&gt; O investigador acende mais um cigarro e olha para a madrugada na cidade. As ruas desertas da capital sangrenta mostram toda a mortalidade que existe a cada esquina. Uma cidade tão grande habita tumores difíceis de se achar.&lt;br /&gt; Há alguém observando Ronaldo.&lt;br /&gt; O detetive olha para o sujeito que está longe, porém nitidamente o observando e finge que não o notou. Pode ser o assassino. Ronaldo sai de perto da janela e apaga a luz, o homem ainda está de pé em direção à sua casa, encostado em um poste. Parece não se mover.&lt;br /&gt; Ronaldo não pode sair de casa e perseguir o sujeito, pois esse escaparia fácilmente pelas vielas. Resolve ligar para a delegacia e pedir que uma viatura chegue por trás do indivíduo. Em poucos minutos o investigador vê dois policiais armados abordando o sujeito que não se mexe. Um deles começa o contatar o rádio em sinal que há algo errado.&lt;br /&gt; O investigador calçou seus sapatos e saiu em direção ao policiais que iluminavam o sujeito com lanternas. Estava morto. Amarrado no poste com um papel pregado em seu peito por uma faca, escrito  “Quae enim seminaverit homo, haec et metet”. Cada um colhe conforme semeia, se lembrou  Ronaldo ao ler a frase. Com certeza o serial killer estava atrás dele.&lt;br /&gt; A polícia chamou o IML que recolheu o corpo. Não havia identidades, porém uma vizinha o reconheceu como sendo Otávio, morador de rua. Como não conseguiria dormir, Ronaldo decidiu voltar para a delegacia e pensar no caso, antes que mais mortes aparecessem. Pegou seu carro e saiu.&lt;br /&gt; Quando chegou haviam apenas dois policiais. Rogério e Marcelo. O primeiro não estava nem há dois anos na força policial e o segundo já havia sido indiciado por suborno, aliás o próprio Ronaldo fizera a acusação. Até hoje os dois não se falavam.&lt;br /&gt; Logo a mesa do investigador ficou tomada por relatórios e fotografias dos assassinatos. Alguma coisa ele estava perdendo, mas não sabia o que era. Escreveu o nome das vítimas em uma lousa e as várias características de cada caso, não havia muita coisa em comum a não ser que foram mortas por facadas no esterno. Não frequentavam algum local, não tinham hobbies em comum ou qualquer outro tipo de coisa.&lt;br /&gt; Algo lhe chamou a atenção.&lt;br /&gt; No quadro os nomes estavam dispostos conforme foram sendo assassinados, dos primeiros aos últimos:&lt;br /&gt;Rômulo Otelo&lt;br /&gt;Nayara Antunes&lt;br /&gt;Leonardo Domênico&lt;br /&gt;Otávio&lt;br /&gt; Havia algo de errado nesses nomes. As letras maiúsculas pareciam formar... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R O&lt;br /&gt;N A&lt;br /&gt;L D&lt;br /&gt;O&lt;br /&gt; Ronaldo. Era seu nome. O único motivo para esses assassinatos foi o próprio investigador que conduz o caso. Mas quem seria o assassino? O detetive circulou as letras formando o seu nome e parou para pensar, resolveu rever seus casos terminados em condenação, com certeza era alguém que ele havia colocado atrás das grades.&lt;br /&gt; Percorreu todos os arquivos e não conseguiu imaginar quem poderia ser. De frente para a lousa e costas para a porta, remoeu todos possíveis assassinos. Havia algo estranho. Pelo reflexo da superfície laminada da lousa, ele pode ver Marcelo parado o observando. O investigador procurou não reagir e deixar ele se movimentar primeiro. O policial puxou uma faca da cintura e andou sorrateiro em direção de Ronaldo que se virou rapidamente.&lt;br /&gt; Marcelo pulou em cima do detetive e os dois engalfinharam pelo chão, um terço de contas de madeira escapou de dentro da camisa do policial relevando o apreço pela religião que este tinha.&lt;br /&gt; — Sim fui eu! — gritou Marcelo enquanto lutava corporalmente com Ronaldo — Você devia me agradecer por eu expiar seus pecados através de sacrifícios. Mas não! Continuou investigando e ganhando fama em cima disso... Você é um animal para mim e servirá de holocausto para seus erros!&lt;br /&gt; Um tiro.&lt;br /&gt; Ronaldo fica um tempo de olhos fechados imaginando que estava morto, quando enfim criou coragem, viu Rogério com uma arma de cano fumegante nas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Epílogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Após um mês de licença, Ronaldo retorna para a força policial, o departamento comprou um bolo e refrigerantes na sua volta. Infelizmente sua esposa não aguentou e acabou sucumbindo aos ferimentos deixados pelo assassino que agora é apenas uma pasta em um arquivo.&lt;br /&gt; Ronaldo senta em sua velha mesa e vê os rostos de seus amigos e companheiros no combate ao crime. Apesar das cicatrizes na alma, tudo volta ao normal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-8563237993790032409?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/8563237993790032409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=8563237993790032409&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8563237993790032409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8563237993790032409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/04/o-assassino-romano.html' title='O Assassino Romano'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-1015680492319459613</id><published>2010-04-09T08:55:00.002-03:00</published><updated>2010-04-09T09:06:17.676-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='variados'/><title type='text'>Explicações</title><content type='html'>Hoje, assim como na sexta-feira da semana passada, não teremos um conto novo. Explico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou passando por várias dificuldades em minha vida que têm dificultado que eu consiga entregar um conto nestas duas últimas sextas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não me conhece pessoalmente, ou até as pessoas mais próximas de mim, ficariam um pouco chateadas com os problemas pelos quais passo, porém não colocarei detalhes deles afim de poupar o leitor que procura contos e não ladainhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho problemas de saúde há muito tempo por culpa do stress. Para piorar há quatro anos eu estou na justiça lutando por algo que poderia ser resolvido com lógica. Esta semana recebi uma má notícia em relação ao processo do qual participo, o quê agravou minha saúde mental e física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora isso eu voltei à faculdade para terminar meu curso de Jornalismo e agora enfrento um TCC que consome muito de meu tempo e paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que vocês, meus leitores, me perdoem por essa falta. Farei de tudo para contornar isto tudo e voltar à ativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas sinceras desculpas&lt;br /&gt;Pedro Moreno&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-1015680492319459613?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/1015680492319459613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=1015680492319459613&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1015680492319459613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1015680492319459613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/04/explicacoes.html' title='Explicações'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-1805725006492215802</id><published>2010-03-26T13:13:00.000-03:00</published><updated>2010-03-26T13:14:31.580-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Cogumelos de Fogo</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Khamyla encarou a entrada da caverna. Pouca luz passava pelo buraco exposto, e menos ainda conseguia atingir ao menos a metade do primeiro corredor. O desafio parecia grande, porém as recompensas eram necessárias.&lt;br /&gt; Há um ciclo lunar atrás, seu filho, Benjamim, caiu doente de cama. Não houve elixir, compressa ou erva que deixasse a febre para trás. Khamyla procurou sacerdotes, curandeiros e alquimistas. Nenhum deles conseguiu a cura para tal enfermidade, porém uma velha bruxa lhe disse sobre um musgo que cresce entre os Cogumelos de Fogo em uma caverna no caminho para o próximo vilarejo.&lt;br /&gt; Agora em frente à entrada, com um machado de mão e um pequeno escudo na outra, ela se vê perto de seu objetivo e salvar seu filho que por tanto tempo ela chocou.&lt;br /&gt; Sim. Khamyla na verdade é uma meio dragoa, meio humana. O sangue dracônico lhe garantiu uma força enorme, o seu lado humano lhe deu a sensibilidade para com sua cria. Seu rosto lembra os de seus antepassados, com traços de lagarto e escamas de cor roxa lhe cobrindo o corpo inteiro, mais escuras nos braços, pernas e costas. Nos demais lugares um pouco mais clara e fina. Ela não tem as asas características de seus parentes maiores, nem ao menos consegue cuspir fogo, mas tem um rabo coberto de escamas grossas que não negam sua origem. Em seu vilarejo, quando chegou, abandonada pelo seu pai dragão, foi acolhida por uma velha senhora que a criou e educou.&lt;br /&gt; Foram quinze primaveras até ela conseguir provar suas habilidades em combate e conquistar o respeito dos moradores. Feroz na batalha e um verdadeiro doce em casa. Seu nome é repetido como sinônimo de honradez e simplicidade.&lt;br /&gt; Suas primeiras passadas para dentro da caverna foram decididas, quando engolfada pela escuridão esperou seus olhos adequarem ao negrume. As membrana que cobrem seus globos oculares reptilianos se afastaram e ela pode enxergar com perfeição a caverna. As paredes rochosas parecem ter sido escavadas, talvez humanos em busca de minério que há muito abandonaram o local, o corredor continua fazendo uma curva até desembocar em uma escada.&lt;br /&gt; Os degraus escavados no chão não confem muita estabilidade. Khamyla desceu sem pressa e atenta à qualquer barulho. Quando terminou de descer, caiu em outro corredor, seguiu devagar, o silêncio é absoluto e só foi interrompido pelo barulho de algo que ela pisara. Olhou rápido para o chão e viu uma ossada. O esqueleto era humanoide, porém o formato da cabeça era bem diferente e despertou curiosidade nela, que levantou o crânio na altura de sua vista.&lt;br /&gt; Era de um meio-dragão.&lt;br /&gt; As semelhanças com o formato de sua própria cabeça eram enormes, o jeito afunilado da boca e a profusão de dentes deixavam evidente sua origem. Não havia por perto armaduras ou espadas, algo estranho vindo de alguém pertecente à uma raça tão guerreira. Resolveu seguir em frente com o machado na mão direita pronto para atacar.&lt;br /&gt; O corredor se dividiu em dois. Khamyla respirou forte e deixou os cheiros virem até ela, um odor de umidade apareceu tímido vindo do lado direito. Se algum musgo nascesse nesta caverna, seria daquele lado. Conforme avançou o cheiro de umidade ficou cada vez mais característico, e as paredes, até então rochosas, ganharam cristais para adorna-las. Ao fundo alguém imóvel parecia observa-la. Vestindo uma cota de malha e um chapéu que protegia seu rosto, não dava para ver suas faces, porém seu corpo atarracado indicava que era um meio-dragão também. Percebendo melhor, ele pareceu não tê-la visto, talvez estivesse de guarda e acabou dormindo em serviço.&lt;br /&gt; A mulher dragoa seguiu sorrateira até ficar com uma distância boa do guarda, segurou seu machado pela ponta e o arremessou. A arma seguiu girando cortando o ar em uma velocidade surpreendente e acertou em cheio na cabeça do guarda que levou o baque e continuou de pé imóvel.&lt;br /&gt; Khamyla chegou perto dele com receio. Quando a distância já era curta, reparou que este estava preso à parede por uma substância viscosa, devia estar morto há pelo menos alguns meses naquela posição. Ela pegou seu machado novamente e encarou o esqueleto. Era outro meio-dragão. Ela sentiu o cheiro de emboscada no ar. O musgo que viera coletar deve ser uma tradição dracônica que ela desconhecia, isso poderia explicar o porque de tantos de sua raça nesta caverna.&lt;br /&gt; Ela seguiu em frente e as paredes já eram inteiras feitas de cristal. A paisagem soturna até então se transformara em algo lindo. Conforme andava o cheiro de uma nascente de água tomou conta de suas narinas, não tardou muito para descobrir um lago de águas cristalinas dentro da caverna. Uma luz fantasmagórica iluminava o local vinda do fundo daquele poço natural.&lt;br /&gt; A mulher dragão agradeceu aos deuses por não gostar de armaduras e pulou de forma graciosa para dentro do lago. Sua capacidade pulmonar lhe garantiria ao menos uns dez minutos sem respirar, o suficiente para ver de onde vinha a luz.&lt;br /&gt; Com algumas braçadas, Khamyla chegou ao fundo e pode apreciar diversas gemas de cor roxa que emitiam aquela luz, puxou uma delas e sorriu. Quando tirou a pedra da frente de seu rosto,  viu uma passagem subaquática que provavelmente daria em outro lugar da caverna. Nadou com afinco até a passagem e então visualizou o outro lado da caverna. Subiu até a superfície e ficou de pé em cima de uma passarela de cristais, guardou a pedra iluminada em sua mochila e voltou seus olhos para seu objetivo. Há alguns metros de distância, em um platô iluminado, os Cogumelos de Fogo emitiam sua típica luz vermelha como se ardessem em chamas.&lt;br /&gt; Um sorriso largo tomou conta do rosto da mulher dragoa enquanto ela avançava rápido pelo chão desnivelado. Seus pés com garras tentavam se agarrar ao máximo nos cristais quando ela ouviu um ruído.&lt;br /&gt; Uma pequena lasca de cristal se desprendera do teto e atingiu o chão perto dela, Kamyla olhou para o piso e nele refletido pode ver uma criatura enorme andando no teto. A guerreira fingiu não ter visto seu algoz e continuou em direção aos cogumelos. Seu machado estava firme no pulso e seu escudo preparado para a defesa iminente.&lt;br /&gt; Quando já chegava perto dos cogumelos, ela sentiu que a criatura se desprendera do teto, a mulher dragoa virou-se rápido com o escudo a lhe proteger o corpo, seu inimigo era uma aranha grotesca de cor verde escuro, seus pelos grossos na ponta tinham uma coloração castanha, em sua boca repulsiva garras para prender os incautos aventureiros.&lt;br /&gt; Apesar da tentativa de ataque surpresa, a aranha não contava que Kamyla tivesse a visto, com isso perdeu uma das patas que fora decepada pelo machado da guerreira. Os golpes apesar de fortes eram parados no escudo, mas Kamyla sabia que não tinha muito tempo a perder, o maldito aracnídeo não se cansaria muito fácil, precisava agir.&lt;br /&gt; Para fugir das estocadas ferozes da aranha atroz, Kamyla rolava de um lado para o outro, logo percebeu que um círculo de rachaduras se formava à sua volta conforme a besta fustigava o chão. Esguichos de água subiam formando uma dança enigmática, o que fez com que a mulher dragoa tivesse uma ideia.&lt;br /&gt;  Forçou seu corpo para baixo fazendo com que o chão desabasse para dentro da água gelada. A aranha pisoteou nervosa em cima do piso de cristal enquanto a guerreira sorria descendo ao fundo. O aracnídeo ficou alerta e então viu uma luz vindo do fundo e aparecendo pelo chão translúcido. Com suas poderosas garras, a aranha arranhava o piso tentando alcançar a luz, porém era apenas a mochila de Kamyla com a pedra brilhante. A guerreira dera a volta e já estava nas costas da gigante aranha, cravando seu machado nas costas do animal que guinchou de dor.&lt;br /&gt; Mais umas estocadas e o aracnídeo caiu pesado sobre os cristais deixando o caminho livre para a guerreira que coletou o musgo perto dos cogumelos e seguiu até sua casa e os braços de seu filho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-1805725006492215802?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/1805725006492215802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=1805725006492215802&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1805725006492215802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1805725006492215802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/03/cogumelos-de-fogo.html' title='Cogumelos de Fogo'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-1484820464588461498</id><published>2010-03-19T09:09:00.001-03:00</published><updated>2010-03-19T09:09:56.770-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Caixinha de Música</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Toda a minha maldição veio na forma de uma simples caixinha de música. Eu sei que você ouve minhas palavras e mal consegue acreditar que um objeto tão simples tenha sido causador de tamanhas desgraças que ocorreram na minha vida. Espere! Não vá embora agora, fique e ouça o relato de um desesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tudo começou com a morte de minha tia-avó. Nenhum dos herdeiros se prontificou a ficar com a herança, um monte de quinquilharias de mau-gosto e sem um útil aproveitamento. Você sabe que eu não ando bem abonado ultimamente, então decidi retirar as coisas daquele imóvel alugado e vasculhar por algo interessante ou que tivesse um valor no mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O senhorio da casa já havia empacotado as tralhas em quatro caixas de papelão, ainda dei uma olhada nos móveis, mas estes serviriam apenas de lenha para fogueira. O jeito era eu me contentar com que ganhei. Levei com dificuldade as caixas pelo caminho sinuoso, não criei falsas esperanças quanto ao que havia dentro delas, porém não custava tentar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Chegando em casa abri todas as caixas e espalhei o conteúdo pelo chão. Nesse momento comecei a pensar no que levava uma pessoa a juntar tanta porcaria. Eram jornais velhos, cadernos sem páginas, pratos trincados... Definitivamente nada que pudesse ter algum valor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto eu chafurdava, senti algo pesado enrolado em uma folha de jornal. Abri o embrulho e encontrei uma caixinha de música. Feita de madeira escura, ao abrir se levanta uma pequena bailarina feita de porcelana que começa a bailar sob a música cadenciada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Fiquei um tempo sentado no chão apreciando o lindo objeto. Não que eu tenha tendências femininas ou qualquer coisa parecida. Apenas achei que podia guardar a caixa para mim. Nem dei atenção ao que mais podia conter as demais caixas da herança, guardei comigo minha pequena e fui ao quarto para admira-la tal qual criança com o brinquedo em dia de natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eu passava os dedos pela rosa entalhada nas laterais da caixinha, os sulcos eram bem feitos e a simetria estava perfeita. Não havia uma só rebarba ou erro naquelas gravuras. Na frente havia entalhada algo que pareciam chamas que cobriam-na por inteiro formando um belo desenho. Na tampa havia uma clave de sol em alto relevo com cor mais clara que o restante da peça.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; As horas passaram e eu só me dei conta disso quando senti fome. Levantei-me da cama e fui até a porta, dei uma última olhada para a caixinha e... resolvi a levar comigo para a cozinha. Pousei a pequena na mesa enquanto preparava a comida. Subitamente assustei-me com uma música. A caixa, que até então estava fechada, abriu-se sem prévio aviso ou interferência externa e começou a tocar. Fiquei hipnotizado pela bailarina dançando, de tal forma que nem dei conta que o fogo havia levantado até o teto. Quando percebi o calor tomando conta da cozinha, as cortinas já haviam pegado fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A fumaça começou a tomar conta do lugar enquanto eu fazia de tudo para apagar a labareda. Quando enfim consegui conter o princípio de incêndio, o único som vinha da caixa musical quebrando o silêncio assustador que se instaurara. Fechei-a com raiva. Eu sei que você deve estar pensando que estou louco, mas deixe-me continuar que no final me dará razão para as minhas premissas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Resolvi tomar um banho, porém por precaução deixei a caixa na pia. Liguei o chuveiro e comecei a me livrar do cheiro de fumaça. A água esquentou e eu abaixei a temperatura pelo termostato. Não adiantou. A água já ardia sobre a pele quando saí do box, uma nuvem branca de vapor tomou conta do banheiro enquanto eu tateava em busca da chave de força, quando eu a encontrei desliguei o chuveiro cortando sua energia, porém a água continuava saindo quente. Juro que não estou mentindo! Naquele momento olhei de soslaio para a caixa pousada em cima da pia, ela estava aberta com a mulher de porcelana bailando de forma sarcástica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Fiquei cego de raiva, fechei a caixa bruscamente e saí do banheiro em direção à janela.  Defenestrei aquela maldição amadeirada o mais longe que consegui e ainda ouvi o barulho do choque contra o asfalto. Fechei a janela com força e nem me dei conta da paranoia que tomava conta de mim corroendo minha sanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tranquei todas as portas e janelas. Subi até meu quarto e girei a chave rápido. Guardei-a na gaveta da cômoda e depois tranquei-a também por precaução. A segunda chave dormiria comigo. Deitei na cama e demorei para pegar no sono.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Tive pesadelos estranhos envolvendo a caixa de música. Acordei sobressaltado com o calor que fazia no meu quarto. Minha casa estava em chamas! Eu ouvia o crepitar do fogo tomando conta da minha casa. Pulei rápido para a cômoda, mas esta irrompeu em súbitas chamas. A maldita estava tentando me matar. Uma labareda teimava em passar pelas frestas da porta e enfim alcançou o tapete. Uma coluna de fumaça preta começou a tomar conta de meu quarto e eu no desespero pulei pela janela encontrando-me com o chão gramado em um baque surdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não sei se sonhei ou foi realidade, mas quando eu estava estirado, antes da ambulância chegar, eu vi a caixa de música na frente do meu rosto, aberta com a música tocando e aquela bailarina com uma face demoníaca a bailar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-1484820464588461498?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/1484820464588461498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=1484820464588461498&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1484820464588461498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1484820464588461498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/03/caixinha-de-musica.html' title='Caixinha de Música'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-1984261992732384097</id><published>2010-03-12T08:43:00.001-03:00</published><updated>2010-03-12T08:45:02.937-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Atropelamento</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;h1&gt;Atropelamento&lt;/h1&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por &lt;a href="http://www.pedromoreno.com.br"&gt;Pedro Moreno&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Larissa chega em casa suando frio. Sua mão trêmula deposita as chaves do carro sobre o balcão da cozinha. Ao terminar ela se deixa cair de joelhos e então senta no chão ladrilhado e frio do imóvel, com o rosto entre as mãos se põe a chorar. As lágrimas descem enquanto ela imagina a grande besteira que fizera a poucos minutos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estava tranquila em seu carro ouvindo música alta e falando ao celular quando este caiu no assoalho do veículo. Uma pessoa responsável teria o encostado no meio-fio, mas Larissa se agachou para pegar o aparelho. Enquanto alcança o aparelho, um barulho de grito, mal ela se levanta e se depara com uma criança com os braços estendidos à frente do carro. O freio foi acionado mas não parou rápido o suficiente. A lataria se chocou contra o corpo magricela do garoto. Logicamente o carro venceu o embate e o corpo menino foi jogado para longe do impacto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Caso não bastasse o primeiro erro de Larissa, ela resolveu fugir do acidente, engatou rápido a primeira e saiu o mais rápido que pode. Enquanto o carro se afastava do local, a consciência da mulher começava a pesar. O rosto do garoto... Aqueles olhos castanhos brotados de uma pele alva que também contrastava com os cabelos escuros e curtos, olhando para o carro que se aproximava... Essa visão não se afastava de sua mente no caminho para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Agora no chão da cozinha, o rosto ainda se fazia visível toda vez que ela fechava seus olhos. Como pudera ser tão mesquinha? Enquanto ela pensava em si mesma e fugia da enrascada na qual se metera, o garoto poderia receber socorros e até, quem sabe, sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Arrastando-se tal qual uma enferma, Larissa chegou no quarto e desabou na cama cobrindo-se com um grosso cobertor. Chorou um pouco antes de dormir, porém o sono a venceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acordou algumas horas depois com o barulho da porta do quarto batendo. Assustada, ficou sentada com o coração palpitando enquanto se lembrava aos poucos dos últimos ocorridos. A cortina da janela dançava conforme o vento colidia, em um bailar hipnótico. Larissa levantou-se e fechou a janela. Pelo vidro foi possível enxergar o reflexo do garoto atrás dela. A mulher virou-se rápido, mas não havia ninguém. A adrenalina já disparava em suas veias, quando o som tenebroso de porta mal lubrificada se abrindo começou a surgir. A porta do quarto abria-se lentamente, como se houvesse alguém a empurrando. Uma gota de suor desceu pelas costas de Larissa. Subitamente a porta fechou-se novamente fazendo um enorme estrondo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Apesar do susto, a mulher correu e trancou-se dentro do quarto. Voltou para a cama de costas para a parede, deixando a entrada e a janela em sua visão ao mesmo tempo. Com o controle remoto ligou a TV para esquecer do garoto. Era uma alucinação. Tinha certeza, não poderia ser real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estava passando o jornal. Mortes e tragédias em todas as partes do globo. Chegou no intervalo e começou uma propaganda de carro. O veículo passava por curvas sinuosas enquanto o locutor dizia todas as vantagens da compra,  a câmera se aproximou para a melhor visualização dos detalhes, ao passar pelo motorista... Era ela mesma! A mulher se espantou ao ver seu rosto no televisor dirigindo aquele carro em uma versão sinistra de Dorian Gray. Ao se aproximar da tela, em uma tentativa de enxergar-se, a Larissa da TV olhou para a Larissa real e sorriu, de súbito virou o volante e saiu da tela invadindo o quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Larissa deu um grito e se protegeu com o cobertor como se este lhe desse alguma segurança. Nada aconteceu. Olhou de novo para o televisor e este apresentava uma propaganda de azeite. Ainda assustada, desligou o aparelho. O silêncio invadiu o quarto e todos os sons mais banais pareceram temíveis. A respiração da mulher tornou-se ofegante quando o a chave presa  na porta começou a tremer. Larissa não conseguia falar ou reagir. Ficou apenas olhando o objeto tremer por alguns&lt;br /&gt; segundos e então parou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A chave se virou lentamente e destrancou a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A mulher sentiu medo. Clamou aos céus por alguma ajuda, mas já não se achava digna de ter prece atendida, afinal era uma assassina agora. Não teve coragem de olhar para a porta diretamente. Fixou o olho na televisão e observou a porta, pelo reflexo, se abrir. Atrás dela o garoto atropelado. Pingando sangue e com uma fratura exposta na perna. Um talho na cabeça deixava parte de seu cérebro exposto tornando-o uma criatura assombrosa. Larissa criou coragem e voltou o olhar para a porta e nada encontrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não havia ninguém no batente, porém o reflexo mostrava o garoto macabro. A mulher não sabia o que fazer, olhava de um lado ao outro aterrorizada pela situação insólita. O menino olhou para ela. O coração queria sair-lhe pela garganta e seus membros tremiam. O morto andou até a cama e subiu nesta até ficar de frente com Larissa. Não havia nada naquele quarto, apenas no reflexo o menino se fazia visto, aos poucos isso corroeu sua sanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Naquela cena refletida, a criança enfiou sua mão pequenina pela garganta da mulher e de lá arrancou um órgão viscoso e vermelho. Apesar de Larissa estar intacta, a cena lhe chocou. Ela pulou da cama e pôs-se a correr de forma desesperada, porém não conseguiu passar do primeiro degrau da escada, tropeçou e acabou rolando até o final se chocando de forma dura contra o chão.  O sangue se espalhou avisando o final de sua vida e começo de um tormento eterno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-1984261992732384097?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/1984261992732384097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=1984261992732384097&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1984261992732384097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1984261992732384097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/03/atropelamento.html' title='Atropelamento'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-7355587509735890014</id><published>2010-03-05T08:53:00.002-03:00</published><updated>2010-03-05T08:59:01.411-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lobisomens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Entre a Cruz e o Lobo</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;h1&gt;Entre a Cruz e o Lobo&lt;/h1&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por Pedro Moreno&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A maciça porta da igreja rangeu e acabou abrindo para a surpresa do padre. Não fazia muito tempo que Don Oliveiras havia colocado um caibro de madeira para que ficasse trancada, e agora uma só pessoa quebrara a tábua tal qual se faz com um graveto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ele levantou os olhos e viu Sir Domingues vestindo armadura de batalha com o elmo em uma mão enquanto com a outra empurrava a pesada porta até essa encontrar-se com a parede em um sonoro estampido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Respeito pela casa de D'us! – gritou o padre com olhar severo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Desejo respeito ao cristão! – retrucou o guerreiro enquanto desembainhava a espada e seguia a passos largos em direção ao sacristão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sir Domingues era um ótimo guerreiro. Lutou em diversas cruzadas eliminando o maior número de infiéis possíveis. Sua brilhante armadura era adornada com a gravura da face de um leão com os dentes escancarados, em seu escudo uma cruz dourada indicava sua cristandade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — O quê farás? Matará um servo do Senhor na casa Dele? – desafiou o Oliveiras sem recuar um só centímetro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Apesar da idade avançada de Don Oliveiras, ainda impunha respeito graças ao seu corpanzil. Quando era jovem, era adepto da luta livre, esporte que apenas largou quando entrou para o sacerdócio. Hoje já não ostentava a musculatura que outrora tinha, porém ainda conseguia se defender se preciso fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Maldito sejas, pároco – disse o guerreiro guardando sua espada – Se ajo assim de forma destemperada é porque encontrei motivos durante a última guerra que travei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Desejas se confessar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Claro, padre. Tu és minha última esperança. Quando vi a porta da Igreja fechada, imaginei em minha mente envenenada que me era negado o auxílio que tanto preciso. Não quero me alongar muito, então lhe explico minha história:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A campanha inteira tinha sido um sucesso. Apesar da ferocidade dos turcos, eles tombaram com o peso de nossas espadas e fé. Olhando para aquele campo ensanguentado e cheio de corpos mutilados eu sorri e dei-me por satisfeito por estar fazendo a obra de Cristo na terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os poucos soldados que me restaram, comemoravam a vitória e ainda tinham nos olhos a sede por mais carnificina. Eu não os culpo disso. Os ânimos começavam a ficar tensos quando então apareceu uma caravana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eram umas poucas carroças puxadas por cavalos velhos e cinzentos. Seguiam pela estrada com calma em um trotar preguiçoso. Meus homens se precipitaram e logo entraram em formação de ataque, porém eu os impedi e disse que primeiro eu veria qual era a religião dos viajantes. Desci a colina com meu corcel e parei em frente a caravana, forçando-a a permanecer. Desci de meu cavalo e fui falar com o velho cocheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Bom dia ancião! – disse eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Bom dia – respondeu o velho tocando no chapéu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Para onde segues? Se é que posso perguntar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Não há segredos. Estou me mudando junto com minha família para melhores lugares para se viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Tenham uma boa viagem então – respondi tirando o cavalo da frente da caravana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mantive o olho bem presos nos rostos das pessoas enquanto elas passavam. Tinham a pele típica daqueles do oriente, porém seus narizes eram aduncos. Todos os homens estavam de chapéus enquanto as mulheres vestiam lenços na cabeça. Não parecia haver nada de errado com eles, até eu ver um menino de quipá na cabeça, que se escondeu quando me viu. Ao ver aquela boina, símbolo da fé judaica, fiz o sinal para meus homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eles montaram em seus cavalos e em poucos segundos já abordavam a caravana. Aos poucos, os judeus caíram feito moscas no campo. As mulheres foram violentadas e os homens humilhados. Dentro das carroças diversas joias encheram os bolsos dos soldados. Na última delas, dois barris de vinho garantiam uma festa para mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto o trabalho da santa igreja era realizado, eu vi um garoto, o mesmo que usava o quipá, se arrastando entre os escombros. Ninguém o havia visto. Ele se esgueirou feito um rato e saiu correndo para a floresta mais próxima. Porém seu destino se selou quando um dos cavaleiros o viu e subiu na cela. O galope prevaleceu, e logo o guerreiro alcançou o menino dando um pontapé em suas costas para que esse caísse de cara no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos os homens riram com a situação ridícula do garoto. O soldado ergueu as mãos em um sentido de vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Algo muito estranho aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O menino levantou-se resignado e passou a encarar o soldado. Este fez troça e desceu do cavalo, largou sua espada no chão e bateu de leve com a mão em seu rosto, como se pedisse que o garoto tentasse bater nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De onde eu estava era possível ver os punhos fechados do menino e seu olhar feroz. Mas ainda sim era uma criança e estava desarmado. Olhei para o lado e vi os homens rindo da coragem ingênua do garoto. Subitamente eles fizeram um olhar assustado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Voltei o olhar e a cena tinha mudado completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Meu guerreiro jazia no chão com sua cabeça caída longe do corpo, em vez de um simplório garoto, havia um enorme lobo cinzento com uma mancha branca a cobrir-lhe o o olho. Aquilo não poderia ser possível ou imaginável. Não existiam lobos daquele tamanho. Sua altura era o dobro de um cavalo, seus pelos estavam eriçados e em sua boca havia sangue. Quando ele virou-se para nós senti o medo invadir-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A fera correu em velocidade surpreendente e atacou-nos. Meus homens caíram por terra um-a-um sem nem ao menos conseguirem se defender. Montei em meu cavalo e parti a galope em direção ao lobo com espada em punho. Fiz uma linha com a lâmina em sua face e percebendo que não poderia derrotá-lo fugi. Fui o mais rápido que pude e ainda assim ouvi o uivo de raiva e dor que a besta soltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Padre, preciso de tua ajuda. Não sei que mal fiz ao Senhor para que ele colocasse em meu caminho este lobo – disse Domingues em meio as lágrimas.&lt;br /&gt; — Filho, deves rezar tr...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Don Oliveiras fora interrompido por um uivo alto e amedrontador. Os dois se entreolharam e por fim viraram suas cabeças em direção à porta da igreja. Tudo parecia calmo do lado de fora. O padre fez um sinal da cruz e antes de terminá-lo um enorme lobo cinzento com uma ferida enorme no rosto pulou para a frente da entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Criatura do inferno, não podes entrar na Casa do Senhor! – bradou o padre com um crucifixo na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O lobo soltou mais um uivo e entrou na igreja. Seus olhos de vingança só ansiavam por sangue .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-7355587509735890014?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/7355587509735890014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=7355587509735890014&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7355587509735890014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7355587509735890014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/03/entre-cruz-e-o-lobo.html' title='Entre a Cruz e o Lobo'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-6242175682696565348</id><published>2010-02-26T08:57:00.002-03:00</published><updated>2010-02-28T00:54:12.652-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Boemia</title><content type='html'>&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;br /&gt;var gaJsHost = (("https:" == document.location.protocol) ? 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Sou limpador de fossas. É de minha alçada calçar pesadas luvas e botas de borracha, entrar em buracos fétidos abertos no chão, porém escondidos por tampas para a sociedade não ver sua própria desgraça. Uma vez dentro desse inferno mal-cheiroso, munido de apenas uma pá, cabe a mim retirar o acúmulo de dejeto humano e trespassar alguma massa podre e dura com um cabo de aço afim de despedaça-la em lascas menores, permitindo que a vazão da água possa voltar ao normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sozinho como sou, a bebida sempre foi minha fiel companheira, ainda mais agora, depois do fato ocorrido, cujo qual não tardo em lhes explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eu havia tomado algumas doses de aguardente e subira a rua reclamando de minha sorte. Apesar de saber a localização do problema, poderia me guiar pelo mal cheiro facilmente. Quando cheguei pude ver o quão grave a situação estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os dejetos já atingiam a borda do bueiro derramando-se pelo asfalto em uma massa fétida. Afastei o pesado lacre de metal e com a pá retirei o excesso, ficando quase a tarde inteira para tal serviço. O álcool me deixava zonzo e transpirando, o pior efeito é que calculei mal o nível do bueiro e entrei na hora errada. O negrume invadiu minhas botas plásticas. Xinguei alto, com raiva de mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Continuei retirando toda sorte de dejetos de dentro da fossa, até que enfim pude enxergar o cano entupido. Porém o que eu vi me estremece até hoje. Havia uma rolha feita de cobre polido e diversas gravuras entalada no cano. Puxei-a devagar e notei que uma corrente a segurava, usei toda a força contra a corrente e esta travou, em certo ponto dentro da tubulação, ressoando um barulho de engrenagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não tive tempo de reagir quando uma tampa, exatamente debaixo dos meus pés, se abriu, me jogando para uma galeria abaixo. Cai pesadamente sobre o chão fedegoso mas logo me levantei assim que um resquício de lodo nojento atingiu meus lábios. Ainda tonto olhei em volta e vi um pequeno morro metálico, ao me aproximar notei que este continha as mesmas gravuras da rolha que eu puxei, porém em proporções maiores, já que este círculo deveria ter a circunferência de dois homens deitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fiquei um tempo examinando os hieroglifos estampados na chapa de cobre. Eram pictogramas de homens sendo devorados por alguma criatura estranha. Não era possível discernir sua forma, pois não havia qualquer semelhança com algum animal real ou mitológico. Passei meus dedos sujos pelos sulcos do metal imaginando o que exatamente seria este círculo. Subi em cima do objeto e vi que este cedeu um bocado. Pelas bordas escapou um pouco de ar indicando que havia algo abaixo de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nesse momento devo adverti-lhes do grande problema que é a bebida na vida do homem. Seus pensamentos ficam torpes, sua destreza igual à de uma criança e com sua força mal pode-se levantar uma ripa de madeira. Graças ao excesso de aguardente que circulava no meu corpo, cometi o grande erro de dar um pulo com os dois pés sobre a chapa metálica. Pude ouvir o estampido ressoar em um eco temeroso nas profundezas daquela câmara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um grunhido inumano escalou até a câmara e ricocheteou nas paredes manchadas. Senti uma gota de suor frio descer pelas minhas costas ao mesmo tempo que meu rosto corava e meus dedos formigaram. Tentei correr, porém minhas trôpegas pernas me fizeram desabar no chão de cara em um dejeto que boiava. Um barulho forte de tijolos sendo estourados começou a surgir. A cada estampido o chão tremia. Poucos segundos depois um baque forte e a tampa que outrora eu examinara se mexeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Corri sem olhar para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em desabalada carreira passei batido por diversos túneis que poderiam me levar até uma saída. Meu raciocínio débil apenas me deixava seguir em frente tal qual uma galinha que foge duma raposa. Um barulho de metal sendo despedaçado me avisou que o que estava trancafiado acabara de se libertar, continuei fugindo enquanto as passadas fortes pareciam que me alcançariam em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Devo dizer que dependi mais da minha sorte do que de uma eventual astúcia. Por puro acaso eu não vi uma tubulação que atravessava o chão à minha frente e acabei caindo pesadamente contra o piso, mal pude me virar e então eu deslumbrei meu predador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um ser enorme saído de algum pesadelo horrível. Seu corpo era esverdeado e escamoso, era maior que um elefante africano e mais robusto que um rinoceronte. Na sua fronte uma galhada terrível e afiada escondia sua bocarra medonha com diversos dentes pontiagudos. Ao invés de patas, um par de mãos e pés terminados em garras esbranquiçadas, não sei ao certo se tal monstro seria capaz de andar como um bípede, também não queria descobrir. Quando este passou reto por mim sem me ver ou sequer pisotear-me, senti-me uma pessoa extremamente sortuda. Acompanhei com os olhos seu trote até o final do corredor, quando a besta parou e passou a fungar o ar eu percebi que podia sentir meu cheiro. Levantei-me e corri para o outro lado, senti a fera virar-se na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Corri o mais rápido que minhas pernas permitiam-me. Consegui ficar lúcido por um momento e entrei em um corredor mais estreito que a criatura e cai cansado no chão. O ser horrendo parou em frente à entrada e tentou forçar sua passagem, porém esta era diminuta para seu corpanzil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fiquei duas horas com o monstro me olhando, esperando eu sair, grunhido de raiva por não conseguir entrar no buraco onde eu me enfiara. Depois de tanto tempo ele desistiu e acabou saindo. Tive medo de olhar se ele não teria fingido o desinteresse e havia armado uma arapuca para me pegar. Devo ter ficado uns dois dias naquele lugar fedorento, quando minha sede superou meus temores, saí de meu esconderijo e procurei uma saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Achei uma porta que dava para o lado de fora. Chovia muito e a água que passava por mim saía preta como piche, fiquei perambulando pelas ruas por alguns dias, sem dormir ou me alimentar. Encontraram-me desmaiado e uma boa alma levou-me até o hospital mais próximo. As enfermeiras disseram que eu passei todas as noites aos gritos, quando fui liberado comecei a viver de esmolas e dormir ao relento, sempre longe de tampas de bueiros ou passagens para os esgotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Hoje vivo com a companhia dos meus medos ocultos e da bebida que entorpece meus sentidos. Nada mais do que isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-2968672998574552291?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.pedromoreno.com.br' title='Esgoto'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/2968672998574552291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=2968672998574552291&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/2968672998574552291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/2968672998574552291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/02/esgoto.html' title='Esgoto'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-2497498701252621682</id><published>2010-02-16T21:59:00.003-02:00</published><updated>2010-02-16T22:20:30.705-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Henry Evaristo'/><title type='text'>Estamos de Luto - Henry Evaristo</title><content type='html'>A Literatura Nacional Fantástica perdeu um grande escritor: &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Henry Evaristo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor do blog &lt;a href="http://camaradostormentos.blogspot.com/"&gt;Câmara dos Tormentos&lt;/a&gt;, Henry sempre habitará nossos corações e mentes, seja pela sua pessoa, seja pelo ótimo contador de histórias que era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rasgo um pedaço de minha veste e choro pela morte deste inestimável escritor e amigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-2497498701252621682?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/2497498701252621682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=2497498701252621682&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/2497498701252621682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/2497498701252621682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/02/estamos-de-luto-henry-evaristo.html' title='Estamos de Luto - Henry Evaristo'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-9015717835243671559</id><published>2010-02-12T08:43:00.001-02:00</published><updated>2010-02-12T08:45:07.799-02:00</updated><title type='text'>Cyber-XXX</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;h1&gt;Cyber-XXX&lt;/h1&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Anos de trabalho renderam frutos excelentes. Dr. Isaac Rhudal traçou um objetivo em sua vida: aperfeiçoar androides para que estes possam se misturar aos seres humanos sem haver nada que possa ser diferenciado, e nunca este trabalho esteve tão perto da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No ano de 2093, os androides já eram uma realidade. Usados na indústria pesada ou em trabalhos de risco, seu desempenho e falta de necessidades fisiológicas, os tornaram trabalhadores incansáveis e além de qualquer expectativa possível. A humanidade hoje colhe os belíssimos frutos dessa parceria entre o homem e a máquina, usando-os em vários campos profissionais onde os homens mostram-se infrutíferos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dez anos depois do “boom”, um cientista chamado de Dr. Paixão, concebeu os primeiros modelos destinados ao prazer sexual humano. De formas voluptuosas e arredondadas, a primeira série foi um sucesso estrondoso e sem precedentes na indústria pornográfica. Os modelos eram diferenciados por sexo e fariam tudo que o dono mandasse, além de ter um “apetite sexual” incontrolável, apesar de haver comandos disponíveis para diminuir esse desejo ou aumentá-lo conforme a necessidade do proprietário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esses modelos foram chamados de Cyber-XXX e podiam-se acoplar módulos em seus cérebros eletrônicos para que atendessem as demandas dos clientes. O mercado lançou diversos Gadgets de Pensamento interessantes. Podia-se ter um robô Masoquista ou Sádico, Devasso ou Recatado e outros nem tão legais que pouco fizeram sucesso: Violento, Vulgar e o Casto, o último era o mais engraçado, pois o dono do androide deveria “convencer” o robô a desempenhar sua função, o que garantiu o recolhimento do gadget.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As pessoas que não podiam pagar pela posse de um Cyber-XXX, contratava com casas de prostituição especializadas, chamadas de Red Light Machine Houses. Dr. Isaac começou a ver o que o futuro planejava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sua ideia surgiu em um café da manhã, enquanto lia as notícias. Deparou-se com um acontecimento estranho: Um rapaz de Nova Iorque desejava se casar com sua androide e entrou com uma ação na justiça. O que pareceu, no primeiro momento, coisa de um maluco, transformou-se em uma nova forma de ver as coisas. O projeto do Cyber-XXX poderia ser melhorado até virar um companheiro para pessoas com problemas de relacionamento. Afinal quem seria melhor para aturar um ser humano senão uma máquina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Isaac afundou-se na prancheta. Procurou estabelecer tudo aquilo que o ser-humano procura em um parceiro, desde fidelidade até as funções primárias do Cyber-XXX. Encontrou diversos desafios que não poderiam ser resolvidos sem um exemplar de tal androide. Com o auxílio da corporação que pagava por sua pesquisa, o cientista adquiriu um exemplar e esperou ansioso a sua chegada para, enfim, compreender sua mente cibernética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A campainha tocou e o cientista correu até a entrada, apertou o botão de transparência da porta e esta ficou invisível deixando o entregador e Isaac com contato visual. Ao lado do funcionário uma mulher perfeita, parada esperando que abrissem a porta, o entregador deu um sorriso malicioso e acenou com a cabeça para o doutor que recriminou o jeito com que ele olhara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Logo que abriu, a mulher olhou docemente para o doutor. Suas curvas ameaçadoras com sua pele de cor negra poderiam mexer com a libido de qualquer um. Seu vestido branco era justo em suas partes mais suculentas. A androide exalava lascividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Oi, meu nome é Taria. Estava com saudades de você – disse a androide e em seguida agarrou o cientista lhe tascando um beijo caliente nos lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto tentava se desvencilhar do robô, ela o empurrava para dentro do apartamento procurando privacidade. Com os lábios cerrados pelo beijo, Isaac não conseguia falar nenhuma palavra de comando, teve que esperar a androide terminar o beijo para dizer um sonoro “Pare”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Claro – disse prontamente a mulher – Como o senhor deseja que eu me comporte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Casta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Desculpe, módulo não instalado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Droga – resmungou o cientista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Desculpe, módulo não instalado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Não é isso... – falou o cientista –, quais são os módulos disponíveis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os módulos todos eram voltados ao intercurso, o que mais daria tempo para  Isaac terminar sua pesquisa ,sem um androide ficar lhe assediando sexualmente, seria o Recatado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As feições da Taira se transformaram de forma surpreendente e logo deram à ela uma forma doce. Até a cor dos olhos ficaram amendoadas. Isaac ficou um tempo observando aquela linda androide. Ela se aproximou e beijou-o no rosto deixando o cientista corado, pediu licença dizendo que precisava se trocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Isaac nem tinha ideia de como eram esses protótipos e ficou intrigado do porque da necessidade dela se trocar, andou suave pelo carpete e espionou o que ela fazia no quarto. Ela soltou o lindo vestido branco, que a deixava com cara de mulher fatal, e procurou, ainda nua, um vestido na mala que trouxera. Tirou outro vestido, com aparência campestre e o vestiu se olhando no espelho para ver se ficara bom. O cientista ficara fascinado com a forma que os módulos funcionavam. Ela se vestira conforme a personalidade selecionada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Taira olhou o cientista através do espelho do quarto e este, mais por reflexo do que por necessidade, se escondeu atrás de uma parede. Bateu com a mão contra a testa e imaginou que ela entendera tudo errado. No mínimo aquela mulher achava que ele estava a espionando se trocar! Apesar de ser isso que ele estivesse fazendo, a intenção era científíca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sem mostrar constrangimento, a androide saiu do quarto e parou na sua frente. O cientista ficou sem reação, engoliu seco e esperou a reação dela. Taira corou o rosto e saiu com um risinho baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Incrível! A base para qualquer relacionamento estava praticamente pronta, era só questão de tempo para aperfeiçoar a andróide. Haviam outros robôs capazes de realizar serviços domésticos ou até fazer companhia para idosos. Mas este seria o primeiro a realizar todas essas tarefas e simular um casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Isaac olhou para a foto na parede de sua esposa e lembrou-se de sua condição de viúvo.  Faz vinte anos que ela se foi, porém ainda lhe dói no peito toda vez que pensa nela. Enquanto passava a mão no quadro ele imaginou que ela seria a modelo de mulher perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Bonita, quem é? – perguntou Taira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Uma pessoa – respondeu evasivo o cientista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com o dedo na Tela de Acesso Universal pendurada no meio da parede, Isaac abriu o manual de uso da androide para saber como seria possível desligá-la. Ao invés de procurar pela informação resolveu ler tudo. Quando chegou na metade reparou que a androide saía de seu quarto com o mesmo vestido que sua mulher usava no quadro. O cientista irrompeu em fúria e gritou para que ela tirasse aquela roupa imediatamente. A mulher simulou estar magoada e se retirou para o quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Isaac sentou-se no sofá pensando na semelhança entre as duas. Ele não havia especificado o modelo que desejava, pois era possível designar cor de pele, cabelo, altura... Era tudo customizável. Pairava a dúvida da semelhança. As corporações tendiam a vasculhar na vida das pessoas, com a razão de melhorar produtos, será que mandaram o androide com essa aparência propositalmente? Amanhã ligaria para trocar, afinal ainda doía a perda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Já era noite e o quando o cientista foi dominado pelo sono. Dormiu na poltrona da sala. Ouviu um barulho de ranger de porta e abriu um dos olhos. Ainda embriagado pelo sono ele se espantou ao ver sua mulher, parada na sua frente, vestindo uma camisola que ela adorava usar. Seus olhos lacrimejaram de emoção e ele cedeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acordou pela manhã abraçado com sua esposa. Aos poucos sua sanidade tomava conta dele e então percebeu que usara a androide para seu propósito inicial. Ele deu um pulo e ficou de pé enquanto Taira permanecia deitada como se dormisse. Ele se sentiu mal. Sentiu uma imundice tomar seu corpo pelo o que fizera em com a memória de sua esposa. Partiu para a cozinha e armou-se com uma faca, quando voltou ela estava sentada lhe esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Quer mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Isaac entrou em um frenesi assassino e atacou o androide. Como Taira não tinha nenhum sistema de defesa acabou sendo despedaçada aos poucos pela ira do cientista. Quando recobrou a consciência, estava envolto a um emaranhado de fios, metal e pele sintética. Olhou para o rosto de Taira, perfeito, igual ao de sua mulher, e chorou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-9015717835243671559?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.pedromoreno.com.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=37:cyber-xxx&amp;catid=9:ficcao-cientifica&amp;Itemid=2' title='Cyber-XXX'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/9015717835243671559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=9015717835243671559&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/9015717835243671559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/9015717835243671559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/02/cyber-xxx.html' title='Cyber-XXX'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-482229219197684349</id><published>2010-02-05T08:50:00.001-02:00</published><updated>2010-02-05T08:54:02.015-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Observador</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;h1&gt;O Observador&lt;/h1&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por &lt;a href="http://www.pedromoreno.com.br"&gt;Pedro Moreno&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mariana estalou os dedos animada com a conversa pelo computador. A aquisição de internet para o seu apartamento fora uma dádiva para suas longas noites em claro. Com apenas 16 anos de idade e sem muitas preocupações na vida, nada restava a não ser passar horas a fio navegando em sites de relacionamentos e bate-papos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A garota tinha uma beleza acima dos padrões. Apesar de sua pouca idade, tinha todas as curvas necessárias para deixar muita mulher com inveja. Caso não admirassem seu corpo,  poderiam se espelhar na ótima aluna que era. Sempre fora a primeira na sala em todas as matérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Por causa de sua afinidade com o estudo, seus pais quiseram uma escola de qualidade para sua filha prodígio, e acharam melhor enviá-la para o exterior. Mariana nasceu no Rio Grande do Sul, porém mora sozinha há dois anos nos EUA. Em um país estrangeiro, sem ter amigos, a internet se mostrou uma ótima companheira para suas noites de insônia e solidão.&lt;br /&gt; É até engraçado pensar que a garota precisou sair do país para conversar mais com brasileiros. No seu país ela não cultivava o hábito de conversar pela internet. A cada mensagem uma risada, um carinho, uma emoção. Sentia um pedaço de Brasil na terra do Tio Sam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O relógio marcou três da madrugada e Mariana continuava conversando enquanto a madrugada avançava a passos largos. Um homem com o apelido de “O Observador” parecia bem curioso quanto à sua vida. Ele se dizia ser do Rio de Janeiro, surfista e baladeiro. Ela dizia ser mineira, modelo e “pegadora”. Mariana acreditava tanto no que ele dizia quanto acreditava nas mentiras que ela mesmo contava. Na internet não havia lugar para a sinceridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Observador começou a entrar todos os dias no mesmo horário que ela, agora ela até já sabia seu nome real: Bruno. Os dois conversavam no bate-papo todos os dias, quando ela não acessava, Bruno perguntava se houvera algo de errado no dia anterior. Com o tempo, Mariana começou a sentir mal por ter inventado tanta mentira à seu respeito. A amizade entre os dois crescera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em uma das noites de conversa, Bruno quis saber se ela gostava da cor rosa, Mariana deu uma longa risada e disse que adorava, inclusive vestia um pijama desta cor neste exato momento. O outro lado respondeu um enigmático: “Eu sei”. A partir deste dia, Mariana começou a diminuir o tempo na Internet, não sabia exatamente o porque, mas achou melhor falar menos com seu amigo virtual. Chegou a entrar um dia sim e outro não. Bruno percebera a mudança e sempre perguntava se algo errado estava acontecendo. A relação entre os dois estava muito próxima e ela queria colocar um fim nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em um sábado chuvoso, ela se pôs a tirar o pó dos cômodos, quando passou pelo notebook reparou na poeira que já se acumulava. Começou a contar quanto tempo fazia desde a última vez que conversou com Bruno. 8 dias. Ele deveria estar angustiado. Passou a mão pelo teclado e pousou o dedo na tecla que ligaria o aparelho. Não. Mariana sentiu que não deveria fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Movida pela insônia, a garota passou por todos os canais da TV e não achou nada que lhe prendesse a atenção, olhou para o notebook desligado e soltou um suspiro alto. Levantou-se do sofá e caminhou até a escrivania, passou os dedos delicados sobre o teclado e se sentiu observada. Olhou para a janela que dava para a rua e viu um homem parado na chuva. Com uma sobretudo marrom e chapéu, parecia uma figura retirada de algum filme sobre gangsteres. Ele parecia fitar o seu andar. Como não era possível ver o rosto do sujeito, Mariana não podia dizer onde exatamente ele estava olhando, por via das dúvidas fechou as cortinas trazendo escuridão para dentro do seu apartamento. Deitou-se na cama e acabou dormindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acordou assustada com um barulho vindo do quarto, acendeu a luz com rapidez e viu que tinha empurrado o rádio da cômoda com a mão e este agora jazia no chão. Refeita do susto, levantou-se, vestida apenas com uma calcinha, e foi pegar um copo de água, só na cozinha percebeu que a cortina estava aberta, fechou-a e conferiu que aquele homem estranho não estava mais do lado de fora. Antes de sair viu a luz do notebook acesa como se tivesse em Estado de Espera. Movimentou o mouse e a tela acendeu. Seu navegador estava na sala de bate-papo que costumava entrar. Assim que seus olhou pousaram na tela, apareceu uma mensagem de Bruno: “Acordou?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Desesperada Mariana fechou o aparelho. Verificou todas as trancas das portas e janelas. Fechou todas as cortinas e por fim se escondeu em seu quarto. Ouviu um batida na porta. Seu coração apertou e seus olhos esquadrinharam o aposento em busca do telefone, só então se lembrou de tê-lo deixado na sala. A respiração só voltou ao normal depois de meia hora sem qualquer outro barulho. A garota abriu o quarto devagar, tudo estava escuro graças às cortinas fechadas, mas mesmo assim não havia ninguém no apartamento. Ela alcançou o telefone e sentou-se no chão enquanto ligava o aparelho. Mudo. Olhou para a porta de saída e ficou com medo de ele estar lá, no corredor, ainda a esperando. Lembrou-se do celular e girou os calcanhares em direção ao quarto, porém paralisou no batente. A cortina fazia movimentos de vento indicando que alguém abrira a janela. Sem pensar duas vezes, Mariana trancou a porta do quarto com a chave que se encontrava na mesma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ele está no apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O terror aumentava na medida que ela se via cercada. O maldito devia estar a observando faz tempo. Observador. Como poderia ter sido tão tola? Ele deve ser algum vizinho xereta e agora as coisas estavam passando do limite. Mariana aproximou-se da cortina que dava para o lado de fora e abriu uma fresta. Ele estava lá. Parado de pé no parapeito do lado de fora. Com o susto a garota caiu para trás para então lembrar que estava praticamente nua. Ela correu para trás do balcão da cozinha e ficou sentada no chão frio com medo. Mesmo do outro lado, ela sentia os olhos de Bruno sobre ela. A garota usou uma colher de retrovisor e pode enxergar o desgraçado parado à janela, sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um barulho de estilhaço cortou a noite. Diversos cacos de vidro pararam no chão do apertamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Logo as passadas pesadas de Bruno invadiram o quarto. Para Mariana a morte era certa, a questão é se ele a faria sofrer ou não. Desatou a chorar. O cômodo continuou em silêncio apenas cortado pelo soluço da garota, ela olhou para cima e o viu, apenas a observando e sorrindo. Sem conseguir pensar direito, Mariana pegou uma faca que estava na pia e cortou o ar em sua frente atingindo o invasor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um jato de sangue cobriu o corpo nu dela, salpicando de rubro sua beleza feminina. Enquanto Bruno segurava seu pescoço como se pudesse impedir o sangue de sair, ela pode notar como ele era estranho. Seu rosto era feio, apesar de alto ele era encurvado e seus braços quase tocavam seus joelhos. O cabelo oleoso e embaraçado em nada contribuía para ajudar na sua aparência. Seu dentes escancarados tinham uma cor amarela e rançosa e... Ele continuavam sorrindo enquanto olhava para a nudez da garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mariana sentiu repulsa da figura que morria lentamente. Então se deu conta do que fizera. Não poderia matá-lo. O quê faria com o corpo? Tentando simular um suicídio,  ela abriu a janela que dava para um beco e o arrastou para o parapeito. O imundo engasgava em seu próprio sangue viscoso. A garota o empurrou e Bruno encontrou a morte naquele beco sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A garota se sentia nojenta por ter tocado naquele verme. Rumou para um banho sem sentir remorso da morte. Enquanto a água quente limpava seu corpo, não consertava sua sanidade. A porta do banheiro soltou um rangido e abriu devagar. Mariana puxou a cortina que atrapalhava a sua visão e pode ver Bruno, com a cabeça aberta deixando seu crânio exposto, sorrindo, com uma faca na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com um tapa desengonçado, a menina desarmou o maníaco e tratou de fugir, chegou na sala de seu apartamento e descobriu que não tinha para onde correr. Bruno saía zonzo do banheiro, o sangue já lhe cobria o rosto e empapava sua camisa. Ele se segurou no batente da porta e escancarou os dentes em uma tentativa frustrada de sorriso. Mariana sentiu um asco tomar conta dela. Sem conseguir pensar direito, imaginou que sua fuga se daria pelo parapeito da janela. Alcançou o lado de fora e nem bem conseguiu dar três passos, escorregou e acabou esparramada no meio-fio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Do lado de dentro Bruno chegou até a janela e viu sua pequena vouyer estatelada na calçada, manchando de vermelho o concreto. Puxou uma cadeira e ficou a observando até a chegada da polícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-482229219197684349?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/482229219197684349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=482229219197684349&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/482229219197684349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/482229219197684349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/02/o-observador.html' title='O Observador'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-2170757040267554156</id><published>2010-01-29T09:02:00.003-02:00</published><updated>2010-01-29T09:23:30.078-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suspense'/><title type='text'>Ordem do Templo</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;h1&gt;Ordem do Templo&lt;/h1&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; John Hills inspirou lentamente a fumaça do cigarro enquanto observava a triste Londres ficar ainda mais depressiva engolfada pela noite. Sua missão hoje era muito importante: Visitar a Ordem do Templo dos Deuses Antigos. Apesar do nome pomposo, para John era apenas uma sociedade secreta baseada em troca de favores, assim como a grande maioria. Nada demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Porém seu chefe insistiu bastante para ele vir de encontro com eles.  Ao que tudo indica, tal Ordem está com medo do que a sociedade inglesa pensa a respeito de sua existência, logo decidiram abrir as portas para a imprensa e demonstrarem que nada têm para esconder. Quando John foi designado, a princípio,  não gostara muito, porém poderia ser algo importante para sua carreira. Qualquer futura menção à Ordem traria seu falaria sobre o trabalho dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O jornalista expeliu a fumaça lentamente enquanto admirava a entrada da Ordem. Uma porta dupla com batente de mármore e inscrições em Grego adornavam a belíssima recepção. John seguiu até a campainha e a tocou ouvindo o barulho ressoando, poucos instantes depois um rapaz vem abrir a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vestindo um terno azul e um broche com o símbolo de uma coluna grega clássica, o rapaz saúda o jornalista com entusiasmo. Sua roupa e cabelos são impecáveis, assim como seu discurso de agradecimento ao dono do jornal por ter mandado um dos seus melhores empregados. Pura besteira. As falas dele são tão ensaiadas quanto a pose feita pelos membros para a primeira foto que John tirou logo em seguida. Para o retrato, os membros ficaram em fila e sorriram, parecia tudo irretocável. Desde a iluminação, até a pose realizada, cuja qual facilitou o enquadramento de todos com a bela decoração do imóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Como ficaria uma semana, John levou bagagem e apossou-se de um dos quartos para visitas. Depois de ter guardado tudo, ficou avisado que seria dado um jantar em sua homenagem. Assim como a foto, o evento se demonstrou perfeito. Os talheres estavam alinhados tal qual toda a falácia daqueles membros que parecem ter passado por uma sessão de lavagem cerebral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Havia algo estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eles não tinham defeitos. Nenhum coxeava quando andava, ou sofria de alguma gagueira, nem ao menos cicatrizes e arranhões podiam ser vistos. Eram como se fossem seres humanos desenhados para serem perfeitos. Até sua forma de sociedade era espantosa, não havia líderes ou sacerdotes. Todos trabalhavam em setores diferentes da civilização, sem ao menos “repetir” empregos. Havia um coveiro, um jardineiro, um advogado... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Espantoso, até, era o hábito de leitura deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos liam. Entre as tarefas executadas dentro da Ordem, sempre sobrava um tempo para a leitura. Se a humanidade pode ser qualificada por seus leitores, o potencial deles é incrível. Depois de dois dias maravilhado com tudo, John resolveu ir à biblioteca localizada no térreo. No cômodo adornado por prateleiras de madeira de lei, permaneciam centenas de obras dos mais diversos autores. Enquanto lia os títulos, o jornalista sentiu falta de alguns livros importantes em qualquer coleção digna de nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Onde estaria O Banquete? Cadê Assim Falou Zaratustra? Será que eles não gostam de O Capital? Os títulos passavam pela cabeça de John e formavam um cenário preciso do tipo de leitura encontrada: Romances. Todos ficcionais e sem qualquer motivação filosófica ou política. Até as obras de filosofia grega foram deixadas de lado, apenas Homero figurava nas distintas prateleiras. Era o primeiro indício que algo estava fora dos padrões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quase no final de sua estada, John fumava do lado de fora, quando viu um dos membros da ordem praticamente sumir em um dos corredores. Perplexo, e sentindo a curiosidade a lhe morder o calcanhar, o jornalista girou rápido os calcanhares e seguiu até o local. Tratava-se um corredor formado pela parede e uma escada que dava acesso ao primeiro andar, caso continuasse em frente atingia a cozinha. O rapaz parece não ter ido ao outro cômodo, tendo visto que não teria como passar pelas janelas diminutas do refeitório. Também não era possível, e muito menos lógico, ter sumido no ar. A resposta de tantas perguntas pairava naquele corredor, era só questão de encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto esquadrinhava o chão, John lembrava que não havia encontrado nenhum lugar de reunião. Afinal se eles eram um templo, deveria haver algo, como um altar talvez, onde pudessem se reunir e venerar seja quais Deuses antigos eles veneravam. Nestes momentos, o jornalista ficou pensativo nas poucas informações que tinha a respeito deles. Não sabia nem quais Deuses Antigos eram esses dos quais eles falavam, muito menos tinha visto alguma cerimônia de cunho religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; John encostou na parede e sentiu esta mover-se um milimetro. Com a mão fechada em punho bateu contra seu apoio e retornou o típico som de algo oco. Seu coração disparou com a possibilidade de ter encontrado a resposta para tantas dúvidas que lhe ocorriam, suas mãos buscavam, frenéticas, algum botão ou alavanca que por fim colocaria um ponto final no mistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seus olhos pararam diante de um quadro, ao toque ele não se movia. Com a mão espalmada no centro da gravura, John empurrou e o quadro cedeu para dentro da parede, poucos segundos depois abria-se uma passagem até então secreta, ao ver o ocorrido, o jornalista já imaginava sua foto na primeira página dos jornais. À sua frente desnudou uma escada feita de mármore, a cada sete degraus uma luz de emergência conferindo luminosidade apenas para não tropeçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O caminho era em círculos e conforme descia o calor aumentava consideravelmente, apenas o som compassado dos seus passos ressoavam naquele mar de silêncio envolto na escuridão. Quando o suor já lhe descia o rosto, John chegou a um corredor estreito e abafado, o calor já era por demais insuportável, porém se ele quisesse uma boa história era bom continuar descendo. Haviam símbolos pintados nas paredes em diversas cores, a estrutura lembrava um diálogo onde cada pessoa usa uma cor para identificar. O jornalista não pode reconhecer que tipo de escrita era. Continuou seguindo até chegar à uma câmara ampla com diversas colunas iguais às gregas. Do lado esquerdo jaziam diversos ternos, enquanto do lado direito alguns robes de cor vermelha com capuz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Já sabendo que não poderia ser pego, John escondeu suas roupas em um dos cantos da câmara e vestiu o robe com o capuz. Caso alguém o visse poderia confundi-lo com algum dos membros, o que o daria um tempo maior de fuga caso precisasse. Quando terminou de se vestir, rumou para um amplo arco à frente. Havia uma cortina feita de pano grosso cortado em tiras, ao passar por ela, o jornalista percebeu o perigo que entrara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A câmara era o dobro de tamanho em relação à anterior, no centro uma cratera enorme que parece ter sido obra de algum meteoro. No meio desse buraco uma pedra redonda e de cor azul escuro pousada e imóvel. Ao redor da cratera, em volta de John e por todos os lados, membros da ordem se espalhavam observando a imensa rocha no centro do local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos estavam vestidos com robes, alguns eram vermelhos iguais ao do jornalista, porém haviam vestimentas negras que compunham a grande maioria. Aqueles vestidos de vermelhos deveriam somar no máximo umas vinte pessoas, enquanto ao resto eram mais de trezentos. Grande parte deles deveria morar nos subsolos,  já que não havia espaço para tantos dormirem na superfície.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Apesar do medo, seria impossível voltar atrás. Era melhor John se misturar e depois pensar em uma forma de sair. Um dos membros se vira em sua direção, como se o encarasse. Uma gota de suor passou pelas costas do jornalista, mas este não se moveu. O encapuzado continuava voltado em sua direção como se esperasse algo dele, John olhou para os lados e reparou que as pessoas faziam uma fila. Ele balançou a cabeça como se tivesse esquecido desta parte do ritual e virou-se como os outros faziam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos começaram a andar devagar e em silêncio. John olhou para baixo e reparou que eles passavam a mão na rocha e em seguida saíam do recinto. A posição do jornalista era boa, não seria um dos primeiros a sair, logo poderia trocar suas roupas sem estar na visão dos demais. O problema é que ele seria um dos últimos e não sabia ainda como iria embora sem levantar suspeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Porém havia algo mais imediato para se preocupar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos as pessoas com robe da cor vermelha paravam em frente à rocha. Apesar de não ter ideia do que poderia acontecer, as chances de ser desmascarado eram imensas. John precisava pensar rápido no que faria. Tentou se afastar para que os outros seguissem sem ele, porém eles ficavam parados esperando-o voltar a andar. Ele não podia falar, se não seria denunciado, a cada passo que dava, mais perto da pedra ele chegava. Quando enfim alcançou a enorme rocha azul, tentou passar reto, porém um dos encapuzados com a cor vermelha o puxou para a pequena fila que formaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A respiração de John estava totalmente descompassada. Quando todos saíram, só sobraram  os que vestiam vermelhos Todos se viraram para o centro e John acompanhou. A pedra era de um azul magnífico, na superfície era translúcida, sendo possível ver uma segunda camada de cor com várias ranhuras brancas, como raios no meio da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O jornalista deu um pulo quando a pessoa ao seu lado entregou-lhe uma adaga, até agora ele só tinha olhos para a pedra e nem percebera que todos agora portavam uma lâmina idêntica à que recebera. Ele pegou e arma e manteve a cabeça baixa e ficou esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos ao mesmo tempo cortarão seus pulsos e derramaram sangue sobre a pedra tingindo-a de vermelho. John também o fez evitando suspeitas. O líquido derramado procurava cobrir o objeto por inteiro, ignorando lei da gravidade ou trajetória. O jornalista ficou assustado como as coisas prosseguiam, havia algo estranho naquela pedra. Não era um simples minério à sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O sangue a cobriu por completo e começou a penetrar em poros que não existiam na superfície da pedra. O lugar inteiro tremeu quando o liquido atingiu o núcleo fazendo a rocha girar muito rápido em seu próprio eixo. Uma fumaça vindo do interior da pedra cobriu-a e então ouviu-se um barulho de explosão. O estampido deixou John atordoado e este mal podia crer no que vira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Cinco Titãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pareciam humanos, se não fosse pela altura e brilho que emitiam. Lembravam representações de deuses gregos por suas vestes que incluíam sandálias e togas. Suas expressões e corpos eram severos, porém irradiavam uma beleza fora do comum. Um desses deuses tinha uma coroa feita de louro adornando sua cabeleira branca, ele agachou-se para encarar os visitantes e falou em uma língua desconhecida, quando terminou de falar, outro estampido e fumaça tomaram conta da câmara e tudo voltou ao silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos saíram, John conseguiu se esconder e foi o último a ir embora, não sento visto por ninguém. No outro dia voltou ao jornal e disse ao editor tudo o que vira. Este nunca acreditou. Dizem que o jornalista tentou vender sua história para vários lugares, porém desistiu quando sua família o ameaçou de internação em um hospital psiquiátrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Hoje, John Hills vive na Ordem do Templo dos Deuses Antigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estréia hoje o meu site... Acessem: &lt;a href="http://www.pedromoreno.com.br"&gt;http://www.pedromoreno.com.br&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-2170757040267554156?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/2170757040267554156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=2170757040267554156&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/2170757040267554156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/2170757040267554156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/01/ordem-do-templo.html' title='Ordem do Templo'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-9063088662891616167</id><published>2010-01-22T08:34:00.001-02:00</published><updated>2010-01-22T08:36:08.295-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='variados'/><title type='text'>Sem conto hoje</title><content type='html'>Excepcionalmente nesta sexta-feira não haverá conto novo, pois estou trabalhando no meu site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grato pela compreensão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-9063088662891616167?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/9063088662891616167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=9063088662891616167&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/9063088662891616167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/9063088662891616167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/01/sem-conto-hoje.html' title='Sem conto hoje'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-4829490373985283594</id><published>2010-01-15T08:30:00.002-02:00</published><updated>2010-01-15T08:33:51.527-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='policial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Roubo da Gravura</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A chuva apertou quando Dave já estava próximo da mansão. Decidira vir a pé, seus sapatos estavam um pouco enlameados, porém ele não ficara molhado. Para ingleses carregar consigo um guarda chuva é questão de patriotismo, ainda mais em terras estrangeiras. Na Inglaterra de Dave o clima é sempre chuvoso e feio, nos primeiros dias na Rússia, ele até estranhou a falta de chuva, mas o frio e a neve são rotina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Formado pela Scotland Yard como investigador criminal e com diversos cursos na área da criminalística, Dave foi o primeiro nome a ser lembrado quando o crime ocorreu. O investigador foi chamado para treinar a polícia russa e acabou recebendo uma oferta para investigar um roubo, seu contratante é uma pessoa muito importante no governo. Um crime irrecusável de se resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao apertar a campainha, Dave sussurrou para si mesmo o nome do contratante afim de corrigir eventuais erros de pronúncia. Dimitri Yeva. Poucos segundos depois um homem alto com o rosto bem escanhoado abriu a porta. Suas vestes indicavam que ele é um mordomo. Seu cabelos grisalhos destoavam de sua pele ainda jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Bom dia – disse o mordomo em russo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Bom dia, Dimitri Yeva está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Ele lhe aguarda na biblioteca. Tenha a bondade de me seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O detetive seguiu pelo corredor, sempre um passo atrás do mordomo. Os dois pararam em frente à uma porta e o empregado abriu com a mão esquerda enquanto fazia menção para o outro entrar usando a outra mão. Dave entrou no cômodo com estantes feitas de madeira nobre e repletas de livros. Em frente à lareira se encontrava seu empregador, um homem rechonchudo de vasta costeleta e cabelos ralos. Sua mão enorme ostentava ao menos quatro anéis feitos de ouro, em sua boca repousava um cachimbo feito de marfim. Ele se virou lentamente e observou o jovem detetive que estava inquieto na entrada, fez um gesto para que esse se sentasse em uma cadeira em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Sente-se garoto. Explicarei sobre o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Claro – disse o rapaz enquanto sentava na cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Fiquei impressionado com seu currículo rapaz. Imagino que este caso que me perturba não será nada desafiador para você – disse Dimitri arqueando o corpo em direção ao investigador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — As coisas mais simples podem se tornar complexas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Espero que não – disse quase para si mesmo o russo enquanto mexia nas suas costeletas – vamos ao problema. Sumiu uma gravura minha. Aliás uma gravura valiosíssima.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; — Conte mais – disse Dave enquanto se encostava na cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — É um croqui que pertenceu a Joseph Stalin. Ele deu ao meu pai como presente. Disse-me o avaliador na ocasião da apólice de seguro, que o próprio Stalin escreveu por cima do desenho com uma caneta vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — O quê retrata a gravura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — É um nu masculino. Stalin colecionava este tipo de desenhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dave queria rir mas não seria adequado. Qualquer piada poderia ser mal interpretada pelo interlocutor. Resolveu apenas assentir com a cabeça enquanto seu empregador contava sobre o valor da peça e que ele precisaria assinar o boletim de ocorrência emitido sobre o roubo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Entendo – retomou Dave a conversa – quem mora com o senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; —  Igor, o mordomo, e Oxana que é minha cozinheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Pode me mostrar onde o senhor guardava tal desenho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Claro. Siga-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os dois se levantaram e seguiram até um escritório. Dave esquadrinhou o cômodo antes de entrar, os moveis eram austeros e de madeira escura, em um dos cantos da sala uma escrivania com a gaveta aberta. Dimitri apontou para a gaveta indicando onde foi a última moradia da gravura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Pode ficar a vontade. Caso precise de mim estarei na biblioteca lendo. Lembre-se que você tem autorização minha e da polícia para efetuar prisão caso encontre o ladrão – dito isso, Dimitri saiu da sala deixando o investigador sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O detetive calçou suas luvas de borracha e se aproximou da mesa. Como tudo naquela mansão, a escrivania também era feita de madeira escura. Nas duas laterais do móvel fechaduras de metal compunham a segurança da obra. Dave puxou a gaveta até sair e entendeu o mecanismo. Era preciso uma pessoa girar as duas chaves ao mesmo tempo para abrir, o lado esquerdo estava um pouco arranhado, incluindo até feridas mais recentes na madeira, diferente do lado direito que não havia um arranhão sequer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As chaves ainda se encontravam presas à mesa. Dave fechou e tentou abrir, descobriu que para destrancar tinha de ser sincronizado, não adiantava abrir uma fechadura e depois a outra. Enquanto examinava por debaixo do móvel ouviu passadas na sala, o investigador se assustou de tal forma que deu um pulo e bateu com a cabeça contra a gaveta. Saiu debaixo do móvel com a mão na testa e viu Igor com uma bandeja e um copo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Água senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           — Não obrigado. O senhor é Igor, correto? – perguntou o investigador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Sim senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Há quanto tempo trabalha para o senhor Dimitri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Faz cinco anos em abril – respondeu o mordomo com calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Gosta do trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Não tenho queixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Pode me servir um copo de água?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O mordomo segurou a jarra com a mão esquerda enquanto enchia o copo até o topo. A manga do paletó desceu um pouco e Dave notou uma tatuagem saindo de seu braço, com um traço fraco e tinta de má qualidade já esverdeada pelo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Por quanto tempo ficou preso? – perguntou Dave sendo direto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Três meses – disse o mordomo demonstrando surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Posso perguntar qual foi o motivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Roubo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O investigador tomou um gole da água e agradeceu. Igor saiu da sala em estado de choque, pois nem seu patrão havia desconfiado das tatuagens ganhas enquanto ele permanecera preso. Agora com o sumiço do quadro ele se tornou o principal suspeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dave terminou a inspeção sem muito sucesso, saiu do escritório e foi até a cozinha. Atrás de um fogão enorme estava Oxana. A mulher devia ter menos que um metro e meio, havia em frente de uma das panelas um banquinho que servia para esta subir nele e poder mexer o caldo que fervia. Parecia uma criança tentando se virar em um mundo de adultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando o detetive chegou perto, Oxana quase caiu do banquinho por causa do susto que levou. Dave tentou se desculpar mas a mulher o interrompeu com a mão enquanto procurava algo no avental. Tirou um frasco em uma bombinha e começou a usá-la. Oxana tem asma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Desculpe-me se assustei a senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Tudo bem. É só me sentar um pouco que me sentirei melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Não era minha intenção assustá-la – desculpou-se Dave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Eu sei que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto ela mantinha a mão sobre o peito, o investigador reparou em algo. Ela tinha um anel enorme, feito de ouro, porém muito masculino e um tanto quanto largo em seus finos dedos. A cozinheira notou que Dave olhava para o anel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Eu o achei hoje de manhã. Esqueci de entregar para Dimitri – falou Oxana mais rápido do que pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dave não disse nada. Pediu licença e se levantou. Passou pelo corredor e sentiu o peso do olhar da cozinheira enquanto caminhava até a biblioteca. Encontrou Igor no meio do caminho que ficou o olhando também até ele entrar no cômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dimitri continuava sentado na poltrona, se levantou com a entrada do detetive, este estendeu as mãos em sinal de cumprimento. O empregador foi cumprimentá-lo mas em um movimento rápido Dave o algemou as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — O quê você está fazendo? – gritou Dimitri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Prendendo um golpista – respondeu Dave com serenidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; —  Perdeu o juízo garoto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Não. Foi tudo muito fácil. Oxana não pode ter roubado a gravura, pois não conseguiria abrir a gaveta sem ajuda, seus braços não alcançam os dois lados da mesa. Igor conseguiria abrir o móvel, porém o mordomo é canhoto e só há riscos do lado esquerdo da madeira e não do direito, indicando que um destro fizera o trabalho encontrando dificuldades em encaixar a chave do lado esquerdo. Sobra apenas o senhor. Que tem um ótimo motivo: Uma apólice de seguro da obra. Não gosto de que me usem. O senhor deverá se explicar à justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Eu sou seu empregador! – gritou Dimitri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Desculpe senhor, eu trabalho para a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto Dave saía da casa, deixou para trás dois empregados perplexos com os acontecimentos da noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-4829490373985283594?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/4829490373985283594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=4829490373985283594&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4829490373985283594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/4829490373985283594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/01/o-roubo-da-gravura.html' title='O Roubo da Gravura'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-5606551796743092948</id><published>2010-01-08T08:30:00.000-02:00</published><updated>2010-01-08T08:31:50.697-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Palco da Vida</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo o mesmo horário de costume. Não abro as cortinas há pelo menos um mês, mas mesmo assim sei que já há sol lá fora. Evito ao máximo olhar para essas ruas sujas que enfeiam a minha cidade. Contorno uma caixa de pizza vazia pousada no chão. Ultimamente tenho pedido apenas comida delivery.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só uma coisa me faz sair: Teatro. Meu nome artístico é Sarita Veloso. Bem diferente do que diz meu RG. Um Maria da Conceição bem sonoro e feio, como poderia eu fazer sucesso com um nome desses? Nas antigas reuniões familiares, quando eu ainda ia à tais eventos, eu era Maria, uma pessoa comum e sem-graça. Mas quando piso naquele tablado e vejo a plateia... Eles não clamam por Maria, eles querem Sarita. Poderosa, sensual, diria até, incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda nua eu abro a geladeira e vejo o vazio. Continuo abrindo o eletrodoméstico todas as manhãs mais por tradição do que por necessidade. Visto-me sem pressa, admirando cada detalhe do meu corpo perfeito. Pego meus óculos escuros e enrolo um lenço de seda parisiense em volta dos meus cabelos. Ao sair já me sinto em um palco. Desfilando para essa plebe ignara que nunca poderá ser como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contemplo a mediocridade da natureza humana. São feios, pobres e sujos. Deambulando sem rumo pelas ruas, à procura de sexo e dinheiro. Se as duas coisas vierem na mesma caixa com um belo papel de presente, melhor ainda. Enquanto eu faço do asfalto o meu palco, as pessoas comuns andam envergadas com olhar de “tenham piedade de mim”. Onde foi parar a classe dessa massa? Nas bancas, revistas sobre “artistas” e “famosos” populam as estantes. São vagabundas que ganharam fama nacional por exibirem seus corpos desformes, atores juvenis que encantam garotinhas feias, políticos corruptos ganhando fama às custas de deslizes de outros políticos corruptos. A vida é uma grande encenação que esses idiotas não conseguem entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do alto de minha elegância chego à frente do teatro. Suas colunas clássicas contrastam com os edifícios acinzentados ao redor. Enquanto os prédios parecem sem vida, o teatro é um monumento ao bom gosto. Acima da porta um pedaço de mármore com gravuras de anjos, que de tão perfeitos parecem até reais. O escultor que fez esta obra é um verdadeiro artista, não esse monte de babacas que participam de reality shows. Essa é a diferença. Estes anjos ficarão marcados para a eternidade, mesmo destruídos, as pessoas lembraram deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destruição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto aguardo o vigia me notar, me imagino obliterando todas essas pseudo celebridades. Seria divertido e algo benéfico para a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vigia ainda não abriu o portão. Fico olhando para seu jeito desengonçado de segurar o jornal enquanto lê algum artigo desinteressante, provavelmente sobre futebol ou outra frivolidade. Ele agarra o jornal e o traz para frente do rosto, seus lábios se movimentam indicando uma dificuldade descomunal para conseguir ler. Estou ficando claramente irritada, mas não vou descer no nível dele. Espero ele me notar e enfim abrir a porcaria da porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sonoro clique e a porta está destravada. Pior é pensar que ele ainda não me notou, abriu a porta para dar passagem à uma faxineira que saiu para fumar. Passo por ela e recebo um empurrão com o ombro. A idiota nem me viu. Fiquei um tempo olhando para aquele ser infeliz acendendo seu cigarro. Decidi não ligar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiro no relógio do teatro que horas são. Dentro de duas horas a peça começará. Vou silenciosa até o camarim para me aprontar. Em frente ao espelho no qual me maquilo diversas flores, coloridas, lindas e perfumadas enfeitam minha mesa. Sento na cadeira e vejo meu rosto no espelho, tal qual uma flor saindo desses maravilhosos ramalhetes. Isso é reconhecimento. Meus fãs me adoram. Só não entendo porque um deles teima em me mandar cravos. Deveria aprender com os outros. Vejo um lindíssimo buquê de Antúrios e Rosas. O bilhete me confessa quem as mandou. “Para a maior das atrizes. Paula”. Essa sim tem bom gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço os passos dos outros atores chegando. Conquistei há muito tempo um camarim próprio. Não preciso mais me misturar com novatos. Afinal sou a personagem principal e os demais apenas me auxiliam no grande drama que apresento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repasso o texto em silêncio. Quando ouço o diretor chamando todos para o palco eu me levanto e confiro a roupa. Perfeita. Vou devagar até a entrada. Sinto um formigamento gostoso nos meus dedos. Quando enxergo a belíssima cortina vermelha de veludo tenho um arrepio. Do outro lado, os outros atores se ajeitam e esperam com rostos ansiosos o começo da peça. Alguns até choram de emoção. O diretor da peça dá um passo à frentede todos e entra no palco em um movimento não combinado.&lt;br /&gt;Ele é aplaudido, porém ergue as mãos pedindo silêncio. Não sei o que ele fará, mas ainda assim espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Hoje os aplausos não são para mim – diz o diretor olhando fixo para a plateia – quero falar um pouco sobre  Sarita Veloso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ouço meu nome eu enrubesço. O diretor olha para onde eu estou mas não parece me enxergar, eu aceno, mas ele já havia virado o rosto de novo para a plateia ansiosa por seu discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Essa mulher. Talvez uma das maiores atrizes do Brasil. Encheu de orgulho nossos camarins. Foram diversas apresentações, uma melhor do que a outra. Seu talento é inestimável, assim como seu futuro se mostrou brilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enxugo as lágrimas com um lenço tentando não borrar a maquiagem. Ele está fazendo uma homenagem para mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Só de estar no palco, ela provoca suspiros. Seus gestos delicados, sua voz meiga e doce fazem parte da história deste teatro. Queria eu ter umas trinta “Saritas” se apresentando aqui neste teatro. Mas, infelizmente, Deus deve ter jogado fora a forma na qual fizera essa mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas aplaudem o discurso, porém o diretor pede mais uma vez silêncio. Fico muito emocionada com o carinho dispensado por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Na noite de ontem, Sarita Veloso foi encontrada morta em seu apartamento. Afogada em seu próprio vômito e provável vítima de overdose por remédios. O Brasil perde uma atriz, os anjos ganham uma companheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas palavra me atingem como pedras. Como assim morri? Corro até o palco e grito que estou viva. Ninguém olha para mim. Esbravejo, pulo, xingo, enquanto as pessoas se dirigem para a bilheteria para pegar o seu dinheiro de volta. Os atores, chorando, vão para suas casas, cabisbaixos, trocando palavras de carinho. Hoje não haverá espetáculo. Todos parecem passar por mim e não me veem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico sentada no centro do palco, uma pessoa fecha as cortinas e tranca o teatro ao sair. O meu espetáculo acabou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-5606551796743092948?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/5606551796743092948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=5606551796743092948&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/5606551796743092948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/5606551796743092948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2010/01/palco-da-vida.html' title='Palco da Vida'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-8438161163255438694</id><published>2009-12-31T15:51:00.002-02:00</published><updated>2009-12-31T17:58:59.504-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='variados'/><title type='text'>Pra não dizer que não falei das flores... Agradecimentos de 2009</title><content type='html'>O ano civil cessa em poucos dias e faço hoje um pequeno agradecimento à todos os que estiveram presentes na minha vida pessoal ou profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a levar a sério a literatura em 2009, mais precisamente no mês de Agosto. Desde então publico um conto inédito por semana toda sexta-feira. Com isso surgiram muitas oportunidades e pessoas interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço ao Henry Hevaristo do excelente &lt;a href="http://camaradostormentos.blogspot.com" target="_blank"&gt;Câmara dos Tormentos&lt;/a&gt; por ter publicado o &lt;a href="http://camaradostormentos.blogspot.com/2009/10/funeral-em-familia.html" target="_blank"&gt;Funeral em Família&lt;/a&gt; em Outubro. No mesmo mês Tânia Souza publicou &lt;a href="http://descaminhossombrios.blogspot.com/2009/10/missa-negra-por-pedro-moreno.html" target="_blank"&gt;Missa Negra&lt;/a&gt; no blog &lt;a href="http://descaminhossombrios.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Descaminhos Sombrios&lt;/a&gt;. Não posso deixar de esquecer o &lt;a href="http://www.arquivodobarreto.com" target="_blank"&gt;Arquivo do Barreto&lt;/a&gt; que publicou &lt;a href="http://www.arquivodobarreto.com/home/index.php?action=obra&amp;id=58"&gt;Invasores&lt;/a&gt;, que é uma honra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ano tive também três contos selecionados para participarem de antologias. Minha estréia se deu com o &lt;a href="http://www.cranik.com/metamorfose.html" target="_blank"&gt;Metamorfose: A Fúria dos Lobisomens&lt;/a&gt; com o conto &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Lobo Homem&lt;/span&gt;. Logo depois fui selecionado para mais duas antologias: &lt;a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=94080945" target="_blank"&gt;Grimoire dos Vampiros&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=77649281" target="_blank"&gt;Fiat Voluntas Tua II&lt;/a&gt;. Os dois serão lançados em 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci vários autores: Armin Daniel, Alex Mir, Maurício Montenegro, Ademir Pascale, Almir Pascale, Elenir Pascale, Luciana Fátima, Larissa Caruso, André Bozzetto... e Giulia Moon, a qual dei até um autógrafo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano também foi palco do crescimento e amadurecimento da &lt;a href="http://www.bibliotecadosvampiros.com"&gt;Biblioteca dos Vampiros&lt;/a&gt;. Tudo isso possível por algumas pessoas especiais: Hella, Nosferatu, Morto-Vivo, Terry, Lady Devil Cullen, Sombra Viva, Estirge, Carla_Witch Princes, e muitos outros que contribuíram para o sucesso do site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também tenho agradecimentos no âmbito pessoal. Agradeço minha mãe, Lídia, mulher guerreira que esteve do meu lado quando mais precisei. Camila, minha noiva, que viu meus piores momentos de perto e me ajudou. Sem essas duas mulheres eu teria perecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mantive boas amizades neste ano. Redescobri o companheirismo de Fernando Yada, o japonês mais latino que já conheci na vida, acrescentou uma boa dose de sabedoria em minha vida. Conversei bastante com Daniel e demos boas risadas sobre tudo. Aprendi que Amir e Luciana decidiram fazer um inferno na vida de todos, e quase conseguiram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rematriculei-me na faculdade de Jornalismo, passei a usar óculos, fiz três tatuagens e vivi muito. Briguei com várias pessoas, discuti com uma centena e recebi da psoríase um fardo cada vez maior e mais dolorido. Aprendi muita coisa e ensinei muito mais. Nesse ano de 2009 fui uma pessoa melhor do que meu eu de 2008. Em 2010 preparo-me para ser melhor ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-8438161163255438694?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/8438161163255438694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=8438161163255438694&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8438161163255438694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/8438161163255438694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2009/12/pra-nao-dizer-que-nao-falei-das-flores.html' title='Pra não dizer que não falei das flores... Agradecimentos de 2009'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-5639668804111192876</id><published>2009-12-25T11:42:00.001-02:00</published><updated>2009-12-25T11:45:25.639-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Um Conto Diferente de Natal</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belém – Ano de 3755 segundo o calendário judaico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Shai'tan contempla em silêncio a paisagem árida de Belém. Ao fundo um pequeno estábulo, agora iluminado por uma luz angelical marca o contraste. Enquanto olha para trás sente a presença de outra entidade que chegou a pouco tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Amigo Shai'tan! Como sempre diligente com o horário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Guarde suas mentiras para si Samael – disse o demônio soltando um olhar desafiador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Calma. Onde está Helel ben-Sachar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Shai´tan aponta para o estábulo iluminado na noite escura. Os dois ficam algum tempo olhando até que por fim o fenômeno sobrenatural cessa. Helel ben-Sachar aparece na frente dos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seu corpo é perfeito. Seus cabelos loiros e levemente encaracolados denunciam sua angelicalidade. De suas costas duas imensas asas de couro, semelhantes às de um morcego, e seus grilhões presos ao tornozelo mostram a realidade do anjo caído. Helel ben-Sachar no hebraico quer dizer “O que brilha”, mas entre as pessoas ele é conhecido por outro nome: Lúcifer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Diga-me Helel ben-Sachar– começa Samael – o quê fazias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Mostrei minha face de anjo para a moça – disse Lúcifer em tom ameno –, ela parece ter acreditado que eu ainda trabalhava para Ele, dará o nome que escolhi e confia nos seus instintos. O recém nascido será nosso Messias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; — Maldito enganador! – sorriu Shai'tan, que mais tarde ganharia o nome de Satã –, ainda tirarás de mim a alcunha de Pai-da-Mentira! – o sorriso em rosto demonstrava todos os seus dentes pontiagudos. Dos três, Satã era o mais inumano. Sua pele avermelhada era duro feito couro de crocodilo. Do alto de sua testa dois chifres iguais ao de um carneiro. Ao invés de pernas, patas de bode e no final da coluna um rabo grosso igual ao de um lagarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto o silêncio dominava o local, Samael sentiu inveja. O anjo que representava a Ira do Senhor sempre tentara o homem, e agora coube à outro fazer seu tão bom trabalho.  Ainda lembrava de seu passado glorioso, desposou Lilith e tentou Eva que não resistiu e por fim deu a luz à Caim. Lutou contra Jacó e deu-lhe o nome de Israel quando perdeu a batalha. Segurou o braço de Abraão quando este iria sacrificar Isaac e foi guardião de Esaú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Amigo Helel ben-Sachar, tem certeza que funcionará? Seria o povo tão negligente com a palavra Dele? – indagou Samael se lembrando das palavras proferidas a Moisés sobre falsos profetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lúcifer olhou para o céu. A estrela da profecia logo apareceria. Enquanto observava a noite procurou dentro de si a resposta. Sabia que o Eterno havia ordenado para os judeus tomarem cuidado com falsos Messias, e caso algum deles surgissem eles deveriam mata-lo como prova de amor a Ele. Com certeza aquela criança no estábulo seria sacrificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — No começo pode não dar certo Samael – retrucou Lúcifer com voz firme –, mas tenho certeza que nosso plano trará alguma mudança para a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os três permaneceram inertes. Satã era o único que não demonstrava arrependimento do que fazia. Para ele a eventual morte da criança naquela manjedoura seria necessária. Não se constrói mito ou herói sem sacrifício. Uma morte seria essencial para que ele fosse tido como um salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Precisamos garantir que ele entenda bem a tradição judaica. Será bem mais difícil alguém segui-lo se ele não for bom conhecedor –  disse Samael em tom baixo, quase para si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Ora Samael – interpelou Satã –, a mãe dele já é da Casa de David! Todos esperam um Messias que tenha a linhagem dos reis do antigo Templo. O menino é perfeito para o propósito. E se não for, eu mesmo o ajudarei a fazer “milagres”. O povo se impressionará com qualquer truque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Shai'tan – disse Samael –, você sabe que esta mulher só está aqui pois fugiu. O marido com o qual deveria ter casado foi traído. Ao invés de continuar com sua linhagem intacta ela preferiu se enamorar com o carpinteiro. Qualquer um que escrever a história deles não omitirá esses dados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Cuido disso – interrompeu Satã –, farei com que os escribas desta história omitam essas partes. O nascimento deste menino terá caráter divino. Diremos à todos que seu pai foi o Eterno e não este carpinteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Quem acreditará nisto? – perguntou Lúcifer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Helel ben-Sachar, parece que perdeste a fé nas pessoas – riu Samael se virando para Lúcifer –, eles são volúveis e acreditarão em qualquer coisa. Só assim este fedelho será o nosso Messias. Daremos o primeiro empurrão e depois eles farão o resto inventando histórias que comprovem sua relação com o Pai.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A palavra Pai ecoou e os outros dois sentiram um peso no coração. Samael era o único que ainda sentava-se ao lado Dele. Satã e Lúcifer renegaram o Eterno e logo não mais andaram ao Seu lado. Enquanto isso, no céu, a estrela profética se alinhou no lugar certo chamando a atenção do trio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Serei Baltasar! – exclamou Samael, e em poucos segundos se transformou na figura do rei mago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os outros dois mudaram suas feições para ficarem iguais a Melquior e Gaspar. Começaram a se dirigir em direção ao estábulo, porém Samael continuou parado com olhos brilhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Desististe Samael – ironizou Satã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Não, tive uma ideia. Podemos levar bens materiais para ele. É bem provável que seus pais custeiem um bom ensino judaico para o menino com o que dermos. Daremos mirra, ouro e incenso. Duvido que o carpinteiro não pague um bom ensino talmúdico para o moleque e um salvador com conhecimento das tradições será melhor para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os outros dois aceitaram a visão de Samael e por mágica materializaram os presentes. Seguiram em silêncio até o estábulo. O local era escuro. Diversos animais perambulavam. O pai do menino estava de pé apoiado no cajado com olhar perdido. A mãe ajoelhada no chão venerava a manjedoura como se fosse um trono. Alheio a tudo isso o bebê se mexia em meio à palha do comedouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os três fizeram a encenação perfeitamente. Se ajoelharam em frente ao menino como se ele fosse um deus. Entregaram os presentes aos pais reforçando a idéia de divindade. Antes de sair Satã, que representava Gaspar, caminhou em direção à manjedoura. Os outros dois ficaram com medo do que ele fizesse. Ele se aproximou e viu o menino . Afagou a testa do bebê e então saiu junto com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tomaram uma boa distância do estábulo e retornaram às suas formas originais. Satã sorria de satisfação com o olhar reprovador de Samael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Demônio ardiloso! – gritou Samael – o que pensas que fez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Vocês pensaram em tudo. Ou quase tudo. Eu coloquei um pouco de loucura em sua mente. De que adiantaria todos acharem que ele é o Messias e ele próprio não acreditar no fato? Ele achará que é o Eterno na Terra. Um deus com corpo entre os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os dois ficaram em silêncio pensando. Apesar de cruel, Satã estava certo. Sem mais nada dizer Samael bateu suas asas e voltou para o céu. Os outros dois olharem ele ir embora. Lúcifer ainda tinha muitas dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Diga-me Shai'tan – começou Lúcifer –, vemos Samael voltando para ficar ao lado do Eterno. Fizemos tudo isso sem aprovação Dele. Sabemos de sua Onisciência, Onipotência e Onipresença. Ele sabia o que faríamos, Ele estava lá e Ele poderia ter nos parado. Mas não o fez. Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Você já pensou no porque você existe  Helel ben-Sachar? Se você existe é porque Ele quer. Veja Samael. Um anjo com a obrigação de tentar o homem. Talvez o que fizemos hoje não seja um mal para a humanidade. O mal seria a humanidade acreditar no que fizemos. Creio que nós realizamos o desígnio Dele. Um teste de fé para os judeus e o restante do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os dois vagaram a esmo por Belém em silêncio. Por fim voltaram para o inferno. Lúcifer acompanhou o menino crescer e enxergou todos os erros deles. O anjo caído sentiu a mão de Satã conduzindo os apóstolos e ajudando a criar o “Novo Testamento”. Muitas vezes Lúcifer pensou em impedir a mentira, mas seria tarde demais. Os planos arquitetados pelos três saíram melhor do que o previsto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dizem os demônios que ao passarem pelo trono de Lúcifer nas noites de Natal é possível ouvir o seu choro de arrependimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-5639668804111192876?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/5639668804111192876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=5639668804111192876&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/5639668804111192876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/5639668804111192876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2009/12/um-conto-diferente-de-natal.html' title='Um Conto Diferente de Natal'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-1528688086052598458</id><published>2009-12-18T10:22:00.002-02:00</published><updated>2009-12-18T10:24:06.090-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>A Lenda da Velha do Pântano</title><content type='html'>Aos poucos o povo esqueceu. Esta história trata de uma lenda contada no Mato Grosso, sobre uma velha e seus estranhos hábitos. Se você você não tem estômago forte, aconselho a não ler esta história. Se você ler, depois não diga que eu não avisei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h1&gt;&lt;center&gt;A Lenda da Velha do Pântano&lt;/center&gt;&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ordens de despejo nunca são fáceis de executar. Em geral são pessoas pobres e desvalidas de bens materiais. As pessoas não pagam impostos porque não querem, não o fazem, por falta de dinheiro. A maioria é arrastada para fora de casa, e muitas vezes a polícia se faz necessária.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Foram duas horas de viagem até a casa. Uma cabana no meio do nada. Apenas vegetação rasteira em volta da moradia e algumas árvores sem folhas e de troncos retorcidos. Leandro desceu do carro e pisou em uma poça de água. Ele olhou em sua volta e viu que a região era um grande pântano. Ergueu as calças e seguiu até a cabana tentando desviar da lama.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A casa era de madeira cuja pintura já havia descascado faz tempo. As janelas com os vidros quebrados denotavam maus cuidados. Os degraus das escadas não ofereciam segurança de tão podres que estavam. E no último degrau um urubu pousado. Leandro estacou na frente à escada ao ver tal criatura asquerosa. A ave parecia querer recepcioná-lo com seu bico curvo e penas negras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Leandro tentou assustar o animal com sua mala, mas este apenas deu um passos para o lado. O homem contornou o urubu e chegou na porta da casa. O animal nem pareceu se importar com a presença dele. Com tantos buracos na porta, o interior era visível. Um gato preto e velho passou pela sala e subiu por umas escadas putrefatas e remendadas com tábuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Leandro conferiu o relógio e resolveu bater palmas. De súbito, uma senhora despontou no andar superior da casa e começou a desce-lo lentamente. Sua pele enrugada dizia o quão idosa ela era. Suas roupas esfarrapadas não mentiam sua condição precária. O gato vinha logo à frente como se a escolta-se ou até mesmo tivesse subido para chama-la. Os dois formavam uma bizarra dupla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Bom dia – disse Leandro meio sem jeito – como a senhora foi informada, eu tenho uma ação de despejo em mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — E?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todas as pessoas eram rudes com ele. Você não seria? Esse era um péssimo trabalho para exercer e se não fosse os ótimos ganhos, provavelmente ele faria outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Amanhã virei com o trator executar a ordem. Sua casa será demolida de qualquer jeito. Recomendo retirar os móveis – disse Leandro com firmeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Espere um minuto – pediu a senhora –, entre um momento que lhe servirei uma xícara de café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Agora sim ficou esquisito. Nunca ninguém o tinha convidado para tomar nada, afinal quando ele visitava alguém era sempre com o propósito de derrubar a casa. Então aquela senhora tão maltrapilha estava lhe convidando para um café? Mas a situação ficou mais bizarra, pois Leandro aceitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A residência da senhora cheirava à mofo. O gato acompanhou os dois até a cozinha que estava em um estado pior do que o resto da casa. A única coisa notável era um caldeirão suspenso acima de uma fogueira que crepitava. Diversos tipos de temperos estavam pendurados pelas paredes. Em um canto uma geladeira sem a porta servia de armário.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; De posse de um bule, a senhora, aproximou-o perto do fogo e despejou água dentro. Leandro puxou uma cadeira, mas essa não parecia muito rígida para se sentar, então preferiu ficar de pé. A mulher sequer olhava para ele, apenas fixava o olhar na chaleira que logo começou a apitar indicando que água fervera. Ela pegou um punhado de café com as mãos e colocou na água que logo turvou. Com um ramo de alguma erva que Leandro não conseguiu identificar, a velha mexeu a água da chaleira. Quando terminou colocou o conteúdo em duas xícaras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Leandro levantou a xícara em agradecimento e sorveu um belo gole. O café estava ótimo! Com o gosto bem diferente de uma bebida comum, mas ainda sim muito bom. Ergueu a cabeça e viu a senhora olhando para ele sorrindo. Ele retribuiu o sorriso sem pensar. Logo ele desatou a rir. Não entendia o que acontecia com ele, mas Leandro queria gargalhar. Quando terminou sentiu seu corpo fraco. A visão embaçada fazia-o forçar para se manter em pé. A xícara caiu no chão e ele se abaixou para  tentar pegar, mas caiu. Não conseguia levantar quando sua visão foi enegrecendo e por fim ele apagou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando acordou sua cabeça doía. Tentou se mexer, mas suas pernas estavam dormentes. Esfregou os olhos e pode ver a figura da velha mexendo o caldeirão com um galho de árvore. Leandro sentiu sua boca seca e com gosto amargo. Levantou-se devagar e sua cabeça parecia que ia explodir. Estava tão ruim que o chão parecia se mover. Precisou de muita concentração para ficar sentado, e quando o fez reparou que havia algo errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Suas pernas foram amputadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As duas coxas foram enfaixadas na altura do corte. As bandagens cheiravam à algum tipo de bálsamo. Ele não sentia dor, mas estava petrificado. Voltou o olhar para a velha e esta acabara de tirar um pouco do líquido do caldeirão com uma colher, cheirou e depois levou a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — O senhor é bem saboroso! – disse em um tom jocoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Leandro sentiu medo. Com os braços começou a rastejar para a saída da casa deixando um rastro de sangue por onde passava. Ouviu a gargalhada da velha e tentou ir mais rápido, porém foi logo alcançado por ela que agora portava um machado de lenhador. Com um só golpe decepou o braço de Leandro fazendo ele cair e gritar de dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Não vai ficar para jantar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ele chorava. Coberto de sangue ele olhava para o lado de fora com a certeza que alguém viria ajudá-lo. O urubu que pousava na porta, virou-se meio desengonçado e começou a aproximar do homem. Com a mão que ainda restava ele tentou afastar a ave carniceira, porém levou uma mordida na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Ei! Ele é meu! – gritou a velha aparecendo com uma vassoura na mão. Acertou o urubu que correu para o lado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela voltou para dentro da cozinha, e tornou a pegar o machado. Na sala Leandro jazia em lágrimas quando levou outra machada. Não aguentando o choque, desmaiou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando acordou sua situação era pior. Seus membros amputados não permitiam nenhum tipo de movimento. Seu ventre fora rasgado e parte de suas entranhas ficaram expostas. Do outro lado da porta o urubu observava Leandro, só não se aproximava pois tinha medo de levar outra vassourada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Volta e meia a velha puxava com a colher um pedaço de intestino ou algum outro órgão que outrora pertencia a Leandro. Quando o caldo engrossou e o cozimento se fez, a senhora forçava o homem experimentar de sua própria carne. Este já não conseguia reagir. Só estava vivo graças aos unguentos e demais ervas que o deixavam anestesiado enquanto era despedaçado ainda vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O pobre homem ainda viveu uma semana. No dia de sua morte foi feito um guizado cujo cheiro se sentia há vários quilômetros de distância. Desde então nunca mais ninguém ousou incomodar a velha do pântano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-1528688086052598458?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/1528688086052598458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=1528688086052598458&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1528688086052598458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1528688086052598458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2009/12/lenda-da-velha-do-pantano.html' title='A Lenda da Velha do Pântano'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-1270920705715681091</id><published>2009-12-11T08:25:00.001-02:00</published><updated>2009-12-11T08:27:43.030-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='suspense'/><title type='text'>A Suicida</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;por Pedro Moreno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as noites eram iguais. Antes de dormir Márcia olhava pela janela e conferia a bela vista que sua casa tinha. A beira de uma baía de areia branca estava a pequena choupana de onde era possível ver o mar, ora revoltoso ora calmo, e o enorme rochedo do outro lado da praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma noite calma e fria, Márcia olhou pela sua janela e avistou alguém em cima do rochedo.  Na beira do precipício, uma mulher de cabelos ruivos e soltos, trajando um vestido branco aparecia e ficava por alguns minutos olhando para o mar. O vento ondulava seu vestido que parecia ter vida própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a mulher abriu seus braços e pulou para dentro da água conhecida por ser rasa e cheia de pedras. A morte era certa naquelas águas geladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em desespero, Márcia ligou para os policiais que vasculharam o local por toda a manhã e não encontraram o corpo. Com certeza ela não teria sobrevivido à queda, mas não foi encontrada. Na outra madrugada ela pegou-se observando a paisagem e refletindo sobre a suicida da noite anterior e para a sua surpresa o espetáculo terrível começou de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma mulher com seus cabelos vermelhos que contrastam com a noite, com seu mesmo ritual de salto ao mar revoltoso . Desta vez Márcia observou se ela sairia das águas, mas era impossível sobreviver àquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quatro dias Márcia procurou não olhar pela janela quando anoitecia, mas agora ela se vê ansiosa observando mais uma vez o show macabro. Por cinco longos anos a rotina não mudara. Todos os dias ela vê a mulher chegando na encosta e saltando de encontro à inevitável morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta noite Márcia já esperava o anoitecer sentada na cadeira que colocara na frente da janela. Parecia um camarote para a terrível cena de suicídio que se repetia todos os dias. Quando a mulher chegou, Márcia sentiu a expectativa crescer dentro dela, por pouco não aplaudira sua entrada. Porém neste dia o ritual mudou. Antes de se jogar ela apontou para a casa em direção à espectadora que sentiu seu coração gelar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos a sanidade da mulher se desfez. A vontade era de gritar de medo, mas ela preferiu descer da cadeira e ficar a noite inteira chorando no chão frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia Márcia não aguentou. Quando faltava pouco para anoitecer ela foi até o penhasco. Sentou-se em uma pedra e esperou a escuridão chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a vinda da noite também veio a mulher. Ela era linda. Seu vestido quase transparente mal escondia seu corpo perfeito. Márcia se levantou e esperou ela se aproximar. A misteriosa mulher se aproximou lentamente como se tivesse adorando aquele momento. Seus rostos quase se tocaram e então a ruiva colocou as mãos sobre os ombros da visitante e a beijou. Márcia sentiu uma onda de calor vindo dela. Não queria parar o beijo mas foi interrompida pela outra parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher ruiva deu sorriso. Segurou as mãos de Márcia e a empurrou penhasco abaixo de encontro com a morte certa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-1270920705715681091?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/1270920705715681091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=1270920705715681091&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1270920705715681091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/1270920705715681091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2009/12/suicida.html' title='A Suicida'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-6385456237576654977</id><published>2009-12-04T08:33:00.001-02:00</published><updated>2009-12-04T08:36:26.920-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ficção científica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Asteroide</title><content type='html'>&lt;h1&gt;Asteroide&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;por Pedro Moreno&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        As luzes do painel indicavam carbono. Esse era o último teste a ser realizado para constatar se havia vida ou não e os sensores da nave mostravam vida dentro daquele asteroide. Se a nave fosse de caráter científico ou exploratório com certeza tería mais recursos para saber mais sobre o tipo de vida, mas este tipo de sonda não é instalada em naves mineradoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Desde que o homem é homem, duas coisas permeiam a mente humana: Exploração e enriquecimento. Com o avanço da tecnologia da exploração espacial, o ser humano começou a pensar no lado lucrativo de se viajar ao espaço. Graças a isso hoje existem naves como a Mineirum IV. Uma nave mineradora especializada em metais e minérios raros ou inexistentes na Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Toda vez que é encontrada no espaço uma jazida o preço do minério cai na Terra. O comandante desta nave, Capitão Hugo Siberius III, se lembra de quando achou um planeta inteiro forrado de ouro. A perda de valor do metal foi tão grande que nunca mais foi considerado como sendo precioso e hoje é até usado em construção civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tudo ia bem até a semana passada, quando a nave encontrou este asteroide. Os exames preliminares indicaram grande presença de bauxita, níquel e diversos minérios raros. Porém os exames secundários indicaram carbono, o que deixou a situação um pouco complicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Como estão muito distantes de qualquer nave científica, não foi possível contatar ninguém para vir ajudar. Hugo entrou em sua cabine sabendo que lá fora estavam centenas de mineiros querendo uma resposta. Do computador ele revia os procedimentos para verem se estavam corretos e sem falhas. Não tinha nada de errado. Havia vida naquela formação rochosa. Mas a questão era como sobrevivia? Não tinha atmosfera e nem gravidade o bastante para sustentar algo. Uma pessoa não poderia respirar e seria lançada para fora pela falta de gravidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando saiu encontrou Rafael Gaiman, seu imediato, na porta. Ele roía as unhas e parecia um pai estar esperando o parto de seu filho. Andava de um lado para o outro e só se acalmou quando viu o capitão sair do cômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Rafael – disse Hugo –, conseguiu alguma comunicação com a Terra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Não senhor. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; — Vamos passar um raio-x no asteroide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os dois caminharam ansiosos para a sala de controle. Quando chegaram viram os demais pilotos mais nervosos ainda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Senhores. Vamos manter a calma. Compreendo que temos aqui uma nave mineradora e nossos recursos são limitados, porém o que fizermos hoje poderá entrar para a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos pensavam ter encontrado a primeira forma de vida fora da Terra. Depois de tantos séculos de exploração nada até o presente momento tinha sido encontrado. E agora justo a nave errada estava prestes a fazer a descoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Visualizador estava pronto e recebeu ampliação o suficiente para os tripulantes poderem enxergar dentro da rocha. O clima era de tensão quando o capitão apertou o botão. Logo a imagem apareceu e o computador tratou de corrigi-la para que se tornasse visível. Havia algo dentro da rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Uma forma humanoide com rosto písceo e guelras no local das orelhas. Dos lábios superiores dois bigodes iguais ao da carpa saltavam. Ele parecia mexer em um tipo de mesa. Com diversos botões e telas. Enquanto a tripulação acompanhava embasbacada, o ser abaixou-se para perto de uma das telas e então olhou em direção à nave como se pudesse enxergá-la. O alienígena apertou um botão e a imagem do raio-x sumiu, aparecendo de novo o asteroide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O capitão ficou mudo junto com a tripulação que olhava para o enorme rochedo à frente. De súbito este começou a alterar a sua forma. Conforme as imensas rochas se moviam, era possível ver partes metálicas. A metamorfose do objeto era impressionante. Diversos tipos de minérios e metais apareciam conforme mudavam de lugar, explicando os relatórios dados pelos sensores da nave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em poucos segundos o asteroide ganhou uma formação mais achatada e menos rochosa. Em torno, várias luzes piscavam em cores e ritmos diferentes. Do alto era possível ver uma cabine com vidro transparente. A rocha se transmutou em uma nave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos os mineiros à bordo acompanharam a metamorfose assustados. Agora era possível ver o alienígena na cabine. Ele apertou mais um botão e um som de alguma língua desconhecida invadiu a cabine da nave. Os tripulantes olharam assustados para sua volta, procurando a origem do som. O ser mexeu um dial e a voz mudava para outras línguas, até que chegou no inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Vocês podem me entender? – disse o alienígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As pessoas ficaram  mais abobalhadas com tecnologia possuída pelo viajante espacial. O silêncio foi quebrado pelo capitão dizendo um tímido sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; — Ótimo. Meu nome Xi'kstu kal Mehy. Venho de uma galáxia distante daqui e nós acompanhamos o progresso tecnológico de vocês. Se continuarem neste ritmo de descobertas, não demorará algumas centenas de anos para vocês nos alcançarem. Os seres humanos são muito ambiciosos e isso impulsiona seus conhecimentos. Porém agora não é hora de nos encontrarmos. Caso o façamos eu poderia acabar avançando ou atrapalhando vocês em sua evolução, e se tem alguma coisa que nós aprendemos, e vocês aprenderão, é que cada ser deve seguir sua vida sem interferência. Infelizmente devo me despedir de vocês e apagar todos os registros que vocês tem de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A nave terrestre teve uma baixa de energia. O capitão olhou para os controles e estes funcionavam. Enquanto isso o antigo meteoro, agora transformado em um nave, começou a aumentar suas luzes e então seguiu em uma velocidade extraordinária. Hugo ainda procurou nos arquivos da nave alguma referência, dado ou gravação que eles fizeram, mas era como se nada tivesse acontecido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Hugo olhou para o espaço, agora vazio e refletiu sobre as palavras do alienígena. Quantas formas de vida inteligentes existem no espaço? Ele não sabia resposta e talvez não tivesse preparado para ela. Era melhor seguir viagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-6385456237576654977?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/6385456237576654977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=6385456237576654977&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/6385456237576654977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/6385456237576654977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2009/12/asteroide-por-pedro-moreno-as-luzes-do.html' title='Asteroide'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-5382805672614511248</id><published>2009-11-27T08:31:00.000-02:00</published><updated>2009-11-27T08:32:21.298-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Chuva</title><content type='html'>&lt;h1&gt;Chuva&lt;/h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;por Pedro Moreno&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A chuva cai forte. Na memória de Marcelo ele nunca viu chover deste jeito. Tinha acabado de sair do trem e não conseguiu descer as escadas, pois a água já avançava por uns quatro degraus. Enquanto olhava a avenida que se tornou um rio ele imaginava como e quando conseguiria chegar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Observando o movimento da água, um nordestino de sotaque acentuado exclamou que não era feito de açúcar e desceu as escadas com sua mochila nas costas e a coragem no peito. As pessoas ficaram olhando para o homem coberto com água na cintura, andando como se tivesse desbravando o Amazonas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com o ato de bravura explícito, Marcelo pegou seus documentos e os embrulhou em uma sacola plástica. Olhou para o seu tênis de lona já encardido e pensou que pior não ficaria. Desceu o primeiro degrau e a água encharcou suas meias, tarde demais para voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Molhado até a cintura, Marcelo atravessou a avenida e chegou em um calçadão. Os comércios foram invadidos pela água da chuva. Sacos de lixos boiavam. Tropeçou em algo, tateou e conclui que era um banco. Subiu no assento e ficou em pé como se andasse sobre as  águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De cima do banco pode visualizar o volume da tempestade. O céu ficava cada vez mais escuro e podia se ver pouco além do local onde estava. Algumas pessoas saíram da estação de trem e agora estavam na avenida. Na frente pode ver o homem de sotaque nordestino que estava à frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Algo singrou pelas águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Marcelo forçou os olhos e tentou ver o que era. Achou que fosse alguém que teria caído, porém era muito grande para ser isso.  Seja o que fosse, estava nadando muito rápido e em direção ao homem na frente. A coisa saltou para fora da água e puxou o homem para dentro formando uma nuvem de gotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O rapaz esperou alguns segundo e água ao redor tingiu de vermelho. Um corpo escamoso de cor escura se mostrou. Era um crocodilo enorme de mandíbulas ferozes e dentes pontiagudos. O que ele fazia ali não tinha sentido. O quê este réptil fazia na cidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não era tempo de pensar. Marcelo pulou na água e começou a voltar para a estação de trem, passou por um grupo de pessoas que se aventuravam na travessia e esses o olharam assustados. Quando alcançou as escadas ele pode olhar para trás. Um senhora recebeu uma mordida no ventre a cortando no meio. Os órgãos das mulheres ficaram boiando na água enquanto o crocodilo perseguia os outros que agora fugiam desesperados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Marcelo fechou os olhos e começou a rezar. Isso não poderia acontecer com ele. Isso não DEVERIA acontecer. Os gritos da multidão ficaram mais altos à medida que o animal se fazia mostrar. Alguém lhe agarrou o braço e Marcelo buscou conforto segurando a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com os olhos fechados, Marcelo não pode ver o crocodilo que se aproximava e com uma bocada destroçou o torso da mulher deixando o braço arrancado preso firme na mão do rapaz. Ele sentiu a vibração no chão quando a criatura caiu com o corpo. Abriu os olhos e viu que o réptil estava na sua frente mastigando a mulher que outrora buscara proteção com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Paralisado, Marcelo ficou olhando para o imenso crocodilo. Os olhos amarelados do animal fitavam sua presa. O rapaz jogou o braço arrancado em direção ao réptil que em uma bocada comeu o membro amputado. A tática não funcionou e provavelmente só atiçou a vontade de carne do animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Marcelo deu um passo para trás bem devagar. E logo imaginou que seria difícil o réptil alcança-lo fora da água, e pior, em uma escada. O rapaz começou a correr rápido e viu que o crocodilo tinha dificuldades em conseguir subir. Logo o rapaz alcançou o guichê e avistou um grupo de seguranças do local. Disse o que havia acontecido, mas eles não acreditavam, mesmo porque era impossível ser verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um dos seguranças o acompanhou até o início da escada e só conseguiram ver o rabo da criatura voltando para a água. O guarda ficou pálido ao ver a carnificina causada pelo bicho. Haviam pedaços de corpos por todos os lados e o sangue tingia a escada. Todos foram avisados, mas não foi possível pedir ajuda à ninguém pois os telefones estavam mudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A tempestade intensificara. O barulho dos pingos da chuva faziam um barulho ensurdecedor. Marcelo olhou novamente para a escada e a água já avançou alguns centímetros. Ele contou trinta degraus. Para a água subir tudo isso precisaria inundar a cidade inteira. Enquanto estivesse aqui estaria a salvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um vento atingiu o telhado e arrancou algumas telhas. A chuva invadiu o local e Marcelo ficou perto dos guichês que representavam o local mais afastado da tempestade. O rapaz ficou desolado. Só queria voltar para casa e agora estava preso aqui por causa de um crocodilo. Ele sentou no chão e repetiu para si mesmo. Um crocodilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A água que entrava pelo teto começou a empoçar. Marcelo observava quando viu que formara um redemoinho. Ele levantou assustado e chegou perto. Havia formado um buraco no chão do local. De súbito uma rachadura abriu atingindo as duas paredes do local. Um ranger de ferro tomou forma e começou a ficar cada vez mais alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Algumas vigas e colunas caíram fazendo a parte da plataforma ruir. A área do guichê caiu junto assim como as escadas. Apenas sobrou uma parte em pé. Um cubículo de mais de três metros quadrados. Em volta tudo desabara na água. Nesta pequena plataforma que se formou, Marcelo, agora sozinho, viu os seguranças que agora viravam comida da enorme besta. O rapaz sentou e chorou. Não havia mais o que fazer a não ser esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A chuva apertou um pouco mais fazendo o crocodilo se esconder debaixo dos escombros. Ainda era possível ver os olhos amarelados fitando sua futura presa.  Já o rapaz não tinha onde se esconder da tempestade e ficou sentado encolhido no meio do que sobrar do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Então ele pegou no sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Marcelo só acordou com um estalo forte. A chuva persistia porém mais fraca. Ele levantou e olhou pelas bordas de sua “ilha”. A base da coluna que segurava sua posição, logo mais iria desabar. Neste instante o rapaz começou a pensar em sua morte. Era inevitável. Poderia pular agora de encontro ao seu destino fatal nos dentes do animal. Poderia esperar até que a fome viesse e a inanição desse o fim nele. Mas de qualquer forma ele iria morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um outro estalo ecoou. A torre começou a tombar lentamente. O rapaz viu que o crocodilo já saíra de seu esconderijo e agora o esperava ansioso. As vigas de aço rangiam ao serem entortadas. O concreto estourava nos pontos de pressão. Marcelo era a única coisa que permanecia calmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A queda era iminente. Marcelo fechou os olhos para não mais abri-los.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-5382805672614511248?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/5382805672614511248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=5382805672614511248&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/5382805672614511248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/5382805672614511248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2009/11/chuva.html' title='Chuva'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-5056110535492506722</id><published>2009-11-20T07:55:00.001-02:00</published><updated>2009-11-20T08:01:51.682-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Calor!</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;h1&gt;Calor!&lt;/h1&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;por Pedro Moreno&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O noticiário anunciara o dia mais quente do ano. Pelas ruas as pessoas andavam cansadas e o sol no asfalto cozinhava quem ficasse por muito tempo parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauro fechou a porta da casa e observou o cenário. Os cachorros de rua estirados no chão debaixo dos carros ou árvores. As crianças sem camisa brincavam com água na rua e as senhoras se protegendo como podiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mormaço já era grande às nove horas da manhã. E Mauro imaginava como seria ao meio do dia com o astro no meio do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram férias escolares e as crianças na rua mal deixavam-no passar com o carro. Logo que saiu do bairro chegou na avenida e então contemplou o caos. Nunca vira um congestionamento tão grande. O mar de carros prosseguia até não poder se ver mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhares de pessoas para fora dos veículos, ligando para seus patrões a fim de justificar o atraso. Homens sem camisa e mulheres com a manga arregaçada. Lugar ou outro podia se ouvir um choro de um bebê que se misturava às buzinas dos mal humorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que podiam estavam com o ar condicionado ligado. Não era o caso do Mauro, o carro era muito velho para fazer um investimento deste porte. As mãos no volante já estavam bronzeando quando ele tirou e as pousou nas pernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lataria do carro estava esquentando e Mauro começou a suar. De tão abafado ele saiu do veículo, ao encostar a mão na maçaneta de metal ele queimou os dedos. Soltou um palavrão que era um desabafo enquanto saía do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saiu pode ver os outros motoristas. Alguns estavam fora do carro com olhar perdido no meio da estrada, enquanto outros buzinavam ferozmente na expectativa que isso fizesse o trânsito fluir melhor. Aos poucos a desordem começa a reinar deixando de lado os bons modos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um senhor gordo vestindo uma camisa social e com a gravata desafrouxada abriu a porta de tal maneira que a dobradiça quase soltou. Foi até um senhor grisalho a sua frente, que olhava desesperadamente para o relógio e o empurrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Por quê você não anda? Hein? Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem gordo pulou sobre o caído. Começou a soca-lo como se a sua vida dependesse disso. Quando a situação não parecia poder ficar pior ele o mordeu o braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros motoristas ao verem a situação começaram a puxar o canibal de cima do senhor. Porém fora tarde demais. Nacos de carnes estavam espalhados pelo chão e um deles ainda residiam na boca do maluco. Ele acabara de matar o idoso com uma dentada no pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos motoristas conseguira agarrar o agressor e o derrubara no chão com a cara virada para o asfalto. As pessoas começavam a ligar para a emergência, mas sabiam que não conseguiriam chegar a tempo. Alguém colocou um tapete automotivo sobre o rosto do morto tentando lhe dar alguma dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauro assistiu tudo com medo e não percebeu uma senhora saindo de seu Fusca com o extintor na mão. Ela lhe acertou na nuca e ele foi para o chão imediatamente. A adrenalina correu pelo seu corpo e o forçou a se virar de frente para a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pulou em cima dele e começou a ataca-lo com dentadas mordendo sua mão. A dor foi aguda, porém não era hora de lamentações. Mauro fechou o punho e acerto-a um soco em cheio no queixo. Caída, a mulher tentou se levantar mas foi interrompida por um chute e voltou para o chão, desta vez desmaiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauro mal pode se recuperar e um outro motorista pulou em suas costas mordendo sua nuca. Ele jogou o outro para frente e este caiu em cima do capô de um carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderia lutar com todos então começou a correr. Mauro não sabia o que acontecia e nem queria saber qual era o problema com aquelas pessoas. Conforme fugiu em disparada sob o sol forte ele testemunhou várias pessoas que aparentemente tinham ficado loucas. Havia sangue derramado nas ruas e pedaços de carne “enfeitando” o asfalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme avançava a cena piorava. Já era meio dia e pessoas estavam sendo comidas por um bando de canibais. O congestionamento não ajudava muito a fuga e logo ele foi interpelado por um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última visão de Mauro foi o sol. Forte e brilhante. Emprestando calor para aqueles que necessitam. Guarnecendo a vida na Terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-5056110535492506722?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/5056110535492506722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=5056110535492506722&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/5056110535492506722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/5056110535492506722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2009/11/calor.html' title='Calor!'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-7456924625598508137</id><published>2009-11-13T08:46:00.001-02:00</published><updated>2009-11-20T08:02:05.495-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fantasia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Escalpo</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;h1&gt;Escalpo&lt;/h1&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;por Pedro Moreno&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fogo, fumaça e martírio. Quando Águia Negra chegou em seu acampamento enxergou apenas isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Águia nasceu nesse local entre os índios Apaches. Sua força física superior era invejada, assim como sua pontaria que nada deixava a desejar. Porém o destino o colocou para trabalhar em uma das cidades do oeste. Sua mãe avisou-lhe para não confiar nos homens brancos, mas ele não deu ouvidos e acabou despedido depois de anos de trabalho quase escravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornara há poucos meses atrás e sua tribo aceitou-lhe de braços abertos. Aos poucos voltou a caçar e participar dos rituais herdados e praticados há muitas gerações. Quando estava se sentindo integrado de novo ele chega e encontra destruição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus familiares e amigos foram chacinados. A maioria morreu a tiros. Alguns foram queimados e pela posição dos corpos se supõem que ainda estavam vivos quando isto ocorreu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Águia não chorou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele queria ter chorado bastante a morte de toda a sua família. Mas ele não podia se dar o luxo disto. A honra de todos aqueles que morreram estava comprometida e só cabia a ele se vingar. Enquanto caminhava reconheceu os rostos de seus entes queridos. Viu sua prometida e futura esposa. Encontrou o sábio cacique, Raposa do Leste, morto e em sua face apenas a serenidade daqueles que já se foram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O índio recolheu alguns machados e facas de escalpo. Procurou pela trilha e começou a segui-la. Aos poucos a fumaça e visão da morte se afastavam no horizonte. A trilha indicava uns três cavalos e sem nenhum tipo de carroça. Pela direção seguida é bem provável que teriam ido a Dirty Town, uma cidade conhecida por seus bordéis e pouco policiamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrar na cidade a trilha se misturava tornando impossível saber ao certo por onde começar. Sorte dele ainda vestir calças jeans, o que não atrairia olhares curiosos para sua pessoa. Quando passou em frente ao Saloon reparou em um cavalo preso a uma madeira.  Entre o casco e a ferradura do corcel estavam penas presas. Logo ele reconheceu como sendo de algum cocar de sua tribo. Quando ergueu a cela encontrou alguns adornos feitos pelos apaches. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De súbito um homem sai pela porta e grita para que o índio não mexa no cavalo dele. Enquanto Águia abaixa a cabeça em sinal de desculpa, ele memoriza bem o rosto do maldito. Com imenso bigode negro e um capote todo empoeirado. Seu rosto é coberto por cicatrizes e ele manca da perna direita. Seu rosto era bem conhecido em algumas partes do estado por assalto. Seu nome: Jack “Bleeding Nose”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O índio olha para o céu e constata que daqui a pouco seria noite e suas ações então seriam cobertas pela escuridão. Ele sentou-se do outro lado da rua e esperou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passadas algumas horas apenas três cavalos ficaram na frente do Saloon. Todos os outros homens foram para suas casas ou estavam bêbados o suficiente para fazerem algum tipo de reconhecimento. Águia Negra conferiu suas facas e machadinhas. Deu um sorriso iluminado pela luz do luar e seguiu resoluto até a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de entrar olhou pela janela viu Jack saindo do saloon. O índio abaixou o chapéu e encostou-se à parede. O homem passou reto de tão bêbado que estava. Parou em frente aos cavalos como se tentasse se lembrar qual era o seu. Enquanto isso Águia passou furtivamente por ele e amarrou o pé do assassino na cela do cavalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Águia acertou a bunda do cavalo com a mão espalmada fazendo-o partir em alta velocidade arrastando Jack pela cidade. Ele já cuidara de um. Faltavam os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No grupo que chacinara a tribo estava Jonathan “Freak Eyes”, conhecido atirador e apreciador de mulheres. Diz a lenda que esse matador de aluguel nunca errava um tiro. Quanto às mulheres ele as “contratava” aos montes. Incluindo uma bela mexicana que acabara de subir e aguardava ele terminar a sua dose de uísque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminou, limpou sua boca na manga da camisa e subiu as escadas. O quarto estava escuro. Jonathan tirou sua roupa e puxou a coberta com um sorriso na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não tivesse tomado a última dose “Freak Eyes” teria subido mais cedo e encontraria o índio pedindo à mexicana para que fosse para outro quarto e então se escondendo armado debaixo do cobertor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez para saudar o seu nome Jonathan morreu com um tiro em cada olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho dos disparos alertou Edward “The Red”. Com suas costeletas ruivas e cartola, ele provavelmente era o mais sagaz e perigoso dos três. Começara a roubar com onze anos de idade, quando entrou para o bando de Juarez “el Loco”. Depois disso roubou diligências e bancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edward engatilhou suas armas e apontou para a escada. Foram minutos de silêncio que só comprovaram a morte de seus comparsas. O suor passava pela cartola e desfilava pela testa sardenta do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono do bar fugira e agora ele estava só com algum tipo de maluco querendo sua vida como troféu. Os minutos passavam e o suspense só aumentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então um grito de guerra Apache soou dentro do saloon. Edward sentiu o frio na espinha e passou a apontar a arma para todos os lados tentando avistar de onde viera o som. Subitamente seu pé fora atingido por um tiro vindo da parte debaixo do chão. Em um só golpe Águia atravessou as tábuas que separavam o porão e o bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edward gemia de dor. Quando levantou os olhos pode ver o índio caminhando em sua direção. Ele ainda tentou apontar uma arma, mas Águia a chutou para longe. O índio pegou sua faca e escalpelou o homem. Quando teve certeza que este morrera sentiu o pesar de seu coração desaparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sim Águia Negra podia chorar por suas perdas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-7456924625598508137?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/7456924625598508137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=7456924625598508137&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7456924625598508137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7456924625598508137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2009/11/escalpo.html' title='Escalpo'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-7515115943760846785</id><published>2009-11-06T09:06:00.001-02:00</published><updated>2009-11-06T09:08:19.623-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='policial'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Valor da Vida</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;h1&gt;O Valor da Vida&lt;/h1&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por Pedro Moreno&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Quando meu olho esquerdo começa a tremer eu já sabia o que vinha. Busquei na minha mala o frasco de comprimidos. Antes de conseguir encontra-los já sentia o latejar na fronte. Aquela maldita dor de cabeça que me perseguia há um mês estava vindo e eu não achava os meus remédios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Achei. Peguei logo quatro e enfiei na boca. Creio que o inventor dos remédios mastigáveis é algum tipo de masoquista. O amargor fica na minha boca e nem tenho onde alivia-lo. Aliás, não posso tocar em nada aqui sem luvas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estou à uma hora dentro da cena do crime e não obtive respostas às minhas perguntas. De luvas e sacolas nos sapatos para não “contaminar” a cena, já olhei em cada fresta do apartamento e até agora nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vamos repassar. Às 9 horas da manhã a tia da vítima aparece para lhe fazer uma visita. Como ela não responde ao toque da campainha, resolve olhar pelo buraco da fechadura e repara que há alguém olhando pelo outro lado. Como a garota não responde, a tia chama a polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Depois de todos os policiais não aguentarem ficar na cena do crime, eu apareço e sou o primeiro a entrar. Primeira coisa que eu penso é no sadismo. O assassino colocara o olho da vítima na fechadura. E o restante dos membros espalhados pela cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O outro olho encontrei entre as frestas da persiana. Uma das mãos amputadas pousa em cima do telefone e a outra, fechada na forma de um punho, está presa na também na porta. Se não fosse o bastante a língua dela estava dentro do microondas. A cabeça em cima de uma bandeja e o corpo deitado no sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O legista chega e retira o corpo, peço para deixarem as partes amputadas para eu poder analisa-las segundo o contexto. Quando saem, eu vejo um dos policiais suando e tremendo. Fecho a porta para não me incomodarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Obviamente os pedaços de corpos queriam dizer alguma coisa. Vejo na direção que os olhos da persiana estão. Há uma escada de emergência em caso de incêndio do lado de fora. Mas onde estaria a porta? Abro algumas cortinas e descubro a porta para o lado de fora. Bingo. Destrancada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Olho para dentro do apartamento e conseguir ver o olho como se tivesse me observando. Pego o rádio e passo para os demais investigadores não deixarem os moradores saírem e tomar depoimento deles. O assassino poderia ser um morador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dentro da cozinha novamente vou ao telefone com a mão pousada em cima. Parece que o assassino ligara para alguém usando a mão decepada. Vejo no registro de chamadas e só há um telefone. Ligo do meu celular e ouço ao longe o telefone tocando em algum lugar do prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Depois de alguns minutos de conversa eu desligo. Era o síndico. Passo o rádio para os policiais falarem com ele. Quando desligo imagino o que tanto essa mulher ligava tanto para ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Meus pensamentos são interrompidos por batidas na porta. Abro e vejo um dos investigadores que logo desfia um comentário resumido o que os moradores disseram da defunta. Era chata e fofoqueira. Agradeço e fecho a porta. Nos dias de hoje as pessoas matavam por poucos motivos e eu deveria levar em consideração esta informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Parece que ela constantemente fazia reclamações sobre os outros. Logo as coisas começavam a ficar claras. Com certeza alguém do prédio a matara. Tinha o motivo e a oportunidade para tal. É isso que dizia aqueles pedaços do corpo dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os olhos na fechadura e na persiana mostravam a vigilância dela no prédio. Enquanto a mão pousada sobre o telefone indicava as reclamações dirigidas ao síndico, que agora se tornara meu principal suspeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto a língua no aparelho de microondas era até obvio demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Olhei para a mão presa na porta. Provavelmente seria uma alusão ao fato dela reclamar diretamente com os vizinhos? Mas porque ela bateria na porta e não usaria a campainha? Ao que tudo indica, eu teria que formular melhor minha teoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Noto algo estranho no teto. São marcas de sujeira em forma de círculos. Não vejo escadas por perto e as cadeiras não dão muita segurança para subir nelas. Como uma senhora com 1,58 de altura conseguiu alcançar o teto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Olho em volta e vejo uma vassoura caída no chão. Ao menos uma parte dela. A vassoura fora quebrada e jogada para baixo do sofá. Vejo a ponta e confere. A falecida usava a vassoura contra o teto. Enquanto imagino o porque, começo a ouvir uma música alta advinda do apartamento acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Saco a arma e saio pelo corredor gritando para o policial me acompanhar. Avançamos a passos largos pela escadaria e então vislumbro o apartamento de onde vem a música. Aperto a campainha e esta não funciona. Agora entendi o porque da mão presa à porta. Bato vigorosamente e a música diminui. Ouço passos se afastando nervosamente e então uma porta sendo destrancada. A saída de emergência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com o uso do ombro a porta vai abaixo e posso ouvir o assassino descendo a escada, passo para o lado de fora e miro no rapaz. Ele desce desesperado pela escada. Dou um tiro e acerto em sua perna. Ouço ele cair. Desço e o encontro com olhos de loucura a olhar em direção de sua falecida vizinha. Eu o algemo e ele ainda diz que ela está lá... Vendo-o. Olho para a janela e contemplo o olho arrancado preso na persiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        No caminho até a delegacia fico pensando quanto vale a vida humana. Meu olho esquerdo começa a tremer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161695139425678350-7515115943760846785?l=criptadesangue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://criptadesangue.blogspot.com/feeds/7515115943760846785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161695139425678350&amp;postID=7515115943760846785&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7515115943760846785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161695139425678350/posts/default/7515115943760846785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://criptadesangue.blogspot.com/2009/11/o-valor-da-vida.html' title='O Valor da Vida'/><author><name>Pedro Moreno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07177459893663939738</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-uQpiHwOj8IU/TkPYzKXFj5I/AAAAAAAAAT8/TC1WMf4HbXs/s220/437da7d3a68545e1a671449e47622b99_7.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161695139425678350.post-7029039919816612129</id><published>2009-10-30T09:09:00.004-02:00</published><updated>2009-11-07T10:04:05.512-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Especial Dia das Bruxas: Missa Negra</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;h1&gt;Missa Negra&lt;/h1&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;h2&gt;por Pedro Moreno&lt;/h2&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Apesar do frio de fora do esgoto, dentro dele estava aquecido, talvez por causa das chamas das velas que afastavam a escuridão física do local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Sim eu disse física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A escolha do esgoto não fora aleatória. Quantos amigos você conhece que frequentam os subterrâneos da cidade? Nenhum? Claro, esse era o propósito. Apesar de existirem as missas negras, digamos que elas não são tão bem quistas pela sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Por causa disto nós nos reunimos aqui neste lugar úmido e fétido. Falo por nós apesar de não poder ver sinceridade em todos os corações presentes. Estão aqui Marcos, Leila e dois futuros membros. Lógico que eu, César, o Sacerdote das Hordas Infernais, não poderia faltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto pensava em tudo isto até me esqueci da nossa convidada de honra... Marcela! Em geral nossos sacrifícios requerem animais, mas hoje por ser uma noite especial temos o melhor animal possível a se oferecer: O ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Antes que você questione a “pureza” da moça devo adverti-lhe o requerimento da moça ser virgem é apenas uma fabula contada pela nossa velha conhecida igreja de Cristo. Quando penso na velha igreja me pego pensando que o apóstolo Pedro não foi a pedra principal da crença e sim a mentira é o alicerce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E todos sabemos quem é o Pai da Mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Uma lufada de ar frio consegue entrar no túnel apagando algumas velas, logo Marcos tira a caixa de fósforo do bolso e começa a acender as velas. Quando termina ele volta à posição inicial e acena com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Abro o tomo de capa negra e começo, em latim, com as Orações de Invocação. Neste momento você deve perceber que não estamos aqui por ritualismo barato. Na noite de hoje espalharemos as trevas na Terra e então a humanidade será
